Ao analisar alguns questionamentos em determinados comentários, principalmente das mulheres recém-chegadas, percebi a necessidade de escrever um artigo cujo foco fosse tentar explicar que a prática do sexo compulsivo e/ou sem critérios nada tem a ver com as decorrentes da liberdade de pensamento, expressão, escolha e ação, diante da sexualidade.

Creio já ter ficado claro para vocês que este blog não tem como foco principal a abordagem estrita de assuntos sexuais, mas sim a liberdade plena do exercício da sexualidade, onde aqueles, obviamente, encontram-se inseridos. No entanto, iremos falar, agora, estritamente, sobre a liberdade sexual, com o intuito de esclarecer alguns pontos obscuros para aquelas que desconhecem essa filosofia, confundindo-a com a conhecida promiscuidade. Tentarei passar para vocês que se sentir sexualmente livre, nem de longe, trata-se da mesma coisa que a constante prática do sexo cuja finalidade esteja em si mesmo, cujo objetivo se resuma em trepar e gozar – apesar de que… nada contra tal finalidade. Podem ser, para determinadas pessoas, escolhas momentâneas, recorrentes ou não. Disso não nos cabe fazer juízo, afinal, defendemos a liberdade.

O exercício da sexualidade feminina não se restringe aos inter-relacionamentos nos quais exista o sexo. Mais uma vez, ela existe e também é percebida através do grau de liberdade com que a mulher a transmite a todos que a cerca, assim como quando permite, respeita e estimula o exercício alheio da sexualidade ao educar seus filhos, relacionar-se com os amigos, interagir no trabalho, além de uma situação muito importante e por poucos considerada: quando está sozinha. Sim, as suas sigilosas considerações sobre a vida e relacionamentos; as restrições que, intimamente e em segredo absoluto, ela mesma se impõe; seus escondidos e solitários pensamentos; tudo isso reflete a intimidade que mantém com a já por nós conhecida Mulher Selvagem, a rainha da liberdade que habita as profundezas da alma feminina. O grau de desejo dessa intimidade consigo mesma e o quanto ela consegue “dialogar” com a sua essência instintiva refletem, também, o quanto conseguem exercitar a sua sexualidade. Logo, como podemos observar, a mulher se vê, em seu dia-a-dia, em diversos papéis e situações nos quais a exerce diante de pessoas distintas, e que vão bem além dos momentos em que se encontra com o seu parceiro sexual.

Por isso afirmo que sexualidade e sexo são coisas muito distintas. A forma com que encaramos e exploramos este não passa de uma pequena parcela da expressão daquela.

Neste artigo, falaremos do sexo, da liberdade com que nos expressamos, através dele, e do quanto essa intimidade pode mudar as nossas vidas em diversas áreas “além cama”. Esqueçamos, por enquanto, o conceito amplo de sexualidade.

Vamos ao tema central do artigo, que introduzirei com uma frase que reflete o meu atual estado de sexualidade e liberdade sexual: quanto mais eu me liberto e mergulho na exploração da minha sexualidade, assim como, também, quanto mais conheço a sexualidade feminina, menos compromisso eu tenho com o sexo. À medida que cresço como ser livre, apesar de prazeroso, desejado e excitante, menor importância o ato sexual, por si só, tem passado a ter para mim.

O romantismo e a igreja acorrentaram, em nossas mentes, o sexo ao amor, à paixão, à monogamia e, mais recentemente, a partir da década de 60, com o advento da contracepção e do preservativo, pelo menos, à alguma garantia de “futuro”. Se ele for praticado fora dessas condições, torna-se sujo, a mulher vira objeto e o resultado é a ressaca moral. Então, o que, por exemplo, a romântica solteira – e também alguns homens – faz quando está “subindo pelas paredes”, querendo sexo? Conhece um homem que lhe passe alguma garantia – quando ele não lhe passa nada, ela fantasia ler segurança nas entrelinhas de suas palavras; interiormente, finge acreditar e vai para o motel – quando não transa no carro, pois, ali, fica mais aparente que ele foi insistente e que ocorreu algo ocasional e “mais forte” do que ela; se prontamente aceitar ir a um motel, denotará premeditação e assunção de querer o sexo e isso é algo vergonhoso para muitas, afinal, ser virtuosa é recusar sucumbir à tentação sexual. No dia seguinte, ele não liga ou não a convida mais para sair. As lamúrias decorrentes todos já conhecemos. E assim caminha a sina feminina romântica: trepando, gozando – quando acontece – e se lamentando: “Os homens não valem nada, não querem nada sério”.

Tanto o consciente quanto o inconsciente da mulher são carregados de tabus, preconceitos e medos que fazem com que ela tenha acesso a apenas uma pequena parcela das maravilhosas sensações disponíveis na natureza e ao seu alcance. Diante do machismo, ao colocar como objetivo maior ser aceita pelos parceiros, deles escondendo seus reais pensamentos, desejos, sentimentos, etc, ela está se violentando, abrindo mão do que lhe é de direito e dado pela natureza: prazeres reais que vão muito além do simples orgasmo. Um dos maiores deles e que só recentemente tive acesso é poder mergulhar na alma do outro ser, comunicar-se com ele através de toques, olhares, respiração, durante ou não o ato sexual. Tal reinante comportamento feminino inviabiliza completamente a possibilidade de conhecer a essência do parceiro, e vice-versa. Sem os conhecimentos das essências não existe o que chamo de “encontro”, não passando a união dos dois de uma relação superficial. Daí para a frente, sexualmente, a relação tenderá às mentiras, frustrações e tédio. Quando ela se comporta de forma que aumente a probabilidade do homem lhe telefonar no dia seguinte, de namorar, querer casar, etc, ela está assinando um contrato de jugo ao machismo, o qual lhe dará imenso trabalho de ser rescindido.

As preocupações e certezas românticas nos privam da intimidade. Muitos acham que ficar nu e fazer sexo é intimidade, que permitir o acesso à boceta é a entrega máxima e prova de amor ao parceiro. Puro engano. A verdadeira intimidade, que culmina na cumplicidade, só se dá quando ocorrem desnudamentos mútuos das duas almas, quando as verdades são atiradas na mesa para que sejam contempladas pelo parceiro. Assim são os “encontros”. Tentem lembrar de quantos casais que vocês conhecem são realmente cúmplices.

Sempre ouvimos e fizemos parte do eco que propaga que tudo que é proibido excita. Trata-se de uma afirmação tão milenar quanto a subjugação feminina ao homem. Ela é tão óbvia que chega a ser ridícula. Proibiram o que de mais precioso temos: a liberdade. É claro que escondidas incursões nela sempre nos excitarão, devido à “saudade instintiva” e porque “tocamos”, mesmo que por pouco tempo, no que nascemos para ter: livre-arbítrio para decidir sozinhos o que, com quem e quando fazer seja lá o que for. Logo depois, cinicamente, voltamos ao normal estado social: ao permitido. Hoje, estou concluindo que as proibições românticas-religiosas em torno do sexo são os principais combustíveis para o sexo banal, sexo pelo sexo. Não que ele seja ruim, não serei hipócrita. Apenas descobri que ele pode, quase sempre, ser muito melhor, mais construtivo e mais amoroso. Diferentemente do que algumas de vocês possam pensar, quando nos libertamos dos tabus, quando realmente acreditamos ser livres e passamos a ter consciência de que o sexo é algo normal, um presente da natureza, passamos a ser muito mais seletivos, pois o proibido deixa de existir e, consequentemente, de nos excitar. Assim, descolamo-nos da necessidade do sexo por si só e começamos a buscar encontros reais com mentes que nos darão o prazer de suas companhias por muito mais tempo, passando a cama a ser um detalhe em um todo muito mais nobre.

Ainda dentro do assunto proibições, gostaria de ressaltar que, a partir do momento que você se liberta sexualmente, as palavras fantasia, fetiche e afins perdem o sentido. O que são as fantasias? Nada mais do que desejos proibidos não ou raramente realizados por não serem socialmente aceitos, causando vergonha em quem os admite possuir, sendo caracterizados como perversões. Quem não os têm? Após a libertação sexual, eles passam a ser apenas mais uma opção. Por exemplo: ter mais uma ou duas pessoas na cama deixa de ser fantasia ou perversão, uma secreta incursão no proibido, passando a ser apenas “há uma terceira ou quarta pessoa na cama”.

Porém, ocasionalmente, dependendo da situação, de forma alguma afirmo que abrirei mão de uma desejada “rapidinha”. Mas tenho consciência de que essa “rapidinha”, se antecedida por também rápidas verdades, pode ser um encontro muito mais interessante, intenso e promissor do que um sexo a luz de velas, após uma arquitetada abordagem cuja finalidade era o forjado convencimento romântico: ele acredita que a convenceu e ela finge que acreditou.

Claro que já fiz muito disso. Já transei demais com dois objetivos, na seguinte ordem: primeiro, para dizer aos meus amigos que não fiquei/estava sozinho; segundo, para transar e gozar.

Apesar de, como já disse, sempre e de alguma forma, ter olhado o romantismo de um jeito atravessado, convivi por bastante tempo com ele, como se não me restasse alternativa – claro que por pura imaturidade para encontrá-la.
Resultado 1: trepei muito. Se tivesse oportunidade, transaria todo dia, obviamente, com mulheres diferentes. Via-me na “obrigação” de me firmar como um macho viril.
Resultado 2: sempre foi de razoável a bom, mas sempre do “mesmo jeito”, sem novidades, com sensações limitadas e repetitivas.

E hoje? Como me encontro? Resposta: LIVRE e em constante busca de cada vez maior consciência. Por que me sinto livre? Porque estou, cada vez mais, longe desse maldito romantismo que, antes, fazia-me parar para analisar o que a mulher esperava de mim, a fim de que a duração da etapa do convencimento fosse a mais breve possível. Maldito porque não me permitia me apresentar exatamente como era; porque não me despertava a curiosidade de saber exatamente quem era a “mulher por trás daquela mulher” com quem eu estava conversando ou me relacionando; porque não permitia que ela fosse ela mesma, tendo, por isso, retardado tanto o meu saber sobre como uma mulher sente e se sente. Enfim, porque não me permitiu desfrutar da delícia de um relacionamento entre dois seres livres, assim como do amor verdadeiro que somente desse tipo de encontro pode surgir.

Conceitualmente, as preliminares eram uma prática que eu considerava tudo e somente o que ocorria na cama, antes da penetração. Todas as conversas que antecediam o sexo não passavam de uma etapa necessária ao ato em si: a do convencimento. Hoje em dia, penso de forma bem diferente. Somente após eu ter conhecido a liberdade, cada vez mais consciente, descobri que as preliminares, por mim consideradas como toques de mãos e bocas, antes do ato, iniciam-se ao primeiro contato com o outro, em uma simples conversa de mesa de bar, em um excitante encontro de mentes e verdades. Nessa fase em que me encontro, estou me deliciando com essa nova descoberta como uma criança que brinca, pela primeira vez, na chuva. Sinto compaixão, tesão, dou e recebo carinho, tenho companhias verdadeiras, como nunca. Sinto-me muito mais feliz e pleno do que quando jogava o jogo romântico.

O romantismo é extremamente cruel. As pessoas assinam contratos e tomam decisões importantes para as suas vidas baseadas em omissões, mentiras e interesses escusos. Mesmo assim, ainda choram por ele.

Somente a liberdade consciente conseguiu me tornar o que considero um homem privilegiadíssimo. O sexo não é o objetivo de vida de um ser livre, mas apenas uma conseqüência inevitável após preliminares regidas pelo encontro de mentes, almas e verdades que, de repente, percebem-se com desejos mútuos. Como nunca, mais do que prezar, anseio a sincera conversa, não me sendo mais importante passar a falsa e convincente ideia romântica de que “não tenho pressa”. Apenas ganhei de presente uma consciência que tem plena convicção de que, quanto mais verdades, mais carinho e mais amor. O que é o amor? Definam vocês o que esperam de algo que queiram chamar de amor para os seus relacionamentos. Ao longo do meu trabalho, em meu livro, neste blog, já criei vários conceitos… mas o de amor, já me decidi que será o último de todos. Com 120 anos, no Programa do Jô – que provavelmente não será mais o Jô, talvez eu já tenha um rascunho impreciso dessa definição. Sinceramente, não tenho pressa alguma de definí-lo. Basta-me senti-lo.

Ela – a liberdade consciente – também me permitiu me livrar de outros fantasmas machistas, tais como: não posso me negar ao sexo, não posso dizer que não quero transar – a não ser com a esposa, que não posso broxar, etc. Se a mulher vive broxando, por que eu não posso? Hoje convido uma “amiga” minha para tomar um chope comigo e brinco: “Talvez até transemos, mas o certo é que estou com saudade de conversar e dormir com você”. Para mim, isso é liberdade.

Para finalizar, ela também me ensinou uma das mais importantes das lições – a mais importante deixarei para o final do artigo, apesar de ser a mais óbvia de todas: não existe mulher safada, puta, promíscua, piranha, etc. Existe Mulher. Nessa mesma linha de raciocínio, e homem safado? Também não, só existe Homem. Que tal os dois safados deixarem as mentiras de lado e chegarem a um acordo?

De vez em quando, ouço amigas afirmando e se vangloriando por se encontrarem há meses sem fazer sexo por não terem encontrado parceiros que merecessem o “prêmio”. Nasceram MULHERES mas se tornaram assexuadas guardiãs dos próprios prazeres. Desculpem-me, mas não consigo enxergar honra alguma nessa abstinência. Isso para mim é uma grande derrota da nossa essência, o que de mais puro e verdadeiro possuímos, para as mentiras da sociedade.

A liberdade consciente tem, gradativamente, convencido-me a não trepar. Dessa forma, consigo gozar no antes, durante, depois, na mesa de bar, no café da manhã, nas trocas de idéias e filosofias, etc. Quando optamos por uma vida sem mentiras, o tão sonhado e que raramente acontece “grande encontro” do romântico passa a ser algo bem mais normal em nossas vidas, e com uma qualidade muito superior. Tenho sido seletivo como nunca. Como já havia comentado antes, proporcionalmente, afirmo que os românticos trepam muito mais do que os verdadeiros liberais que, filosoficamente, repensam de verdade a que vieram para essa vida, não aceitam mentiras e buscam uma felicidade mais verdadeira. Desejar o sexo, eu desejo e muito… trepar estou deixando para os que só aceitam a venda casada: sexo e garantia de algum futuro. Estes dificilmente conhecerão o que é a delícia e leveza da sensação provocada pelo “não ter razão para mentir”… nem para o outro, nem para si mesmo. Jamais entenderão o que é “se comunicar” com o outro no ato sexual, ao sentir uma verdadeira troca de energias.

Agora, a mais importante das lições que a liberdade consciente está me ensinando: verdadeiramente, desejar e apreciar demais ter muitos e bons momentos sozinho, os quais considero “sagrados”. Durante eles, reflito, avalio, reavalio, concluo. São verdadeiros diálogos com o Homem Selvagem. Tratam-se de experiências ímpares. Ele é quem tem me ensinado a não mentir e a desejar ouvir somente verdades, sejam elas convenientes e agradáveis ou não. Depois que passei a ouvi-lo, percebo que me tornei mais humano, mais ético.

A pessoa que exerce a liberdade consciente está acima dos julgamentos, sejam eles positivos ou negativos. Ela, simplesmente, ouve a voz de sua alma e se preocupa, no seu exercício, como não poderia deixar de ser, com as questões éticas. A respeito da moral, comporta-se somente o suficiente para cumprir o papel de quem vive em sociedade. Como já disse, enganar a sociedade é fácil e não dói nada, pois ela, com suas imposições, clama para ser ludibriada. No entanto, enganar a quem dorme comigo, nem pensar.

A liberdade consciente nos tira o peso de qualquer autojulgamento, quando trocamos a dúvida sobre a nossa integridade, se somos putos, safados, galinhas, depravados, promíscuos, etc, pela certeza de sermos livres.

6 Comentários »

6 Responses to “11.Liberdade consciente”

  1. Admin disse:

    Que bom que você gostou, colabore com a gente.

  2. Paula disse:

    Olá!!

    Percebo que no meio do conflito em que normalmente as pessoas vivem…de não saber o que querem e quando “acham” que sabem…percebem que não é bem assim…são “levadas” a sair com alguém que sabem que não é a pessoa que querem…por não desejarem ficar sozinhas, por medo e insegurança….desespero. Acabam se escondendo, se “protegendo” e SE impedindo de conhecer pessoas que se enquadrariam em seus critérios e pior, acabam por perderem a chance de SE conhecerem. Acredito que isso esteja relacionado, entre outras coisas, também com a liberdade que se permite ser, com a liberdade consciente. As pessoas têm a cultura que de o sexo equivale à intimidade, de que a intimidade física, SEM a intimidade emocional sustenta a relação….é quando são levadas a se sentir traídas, abandonadas, usadas. Talvez por não se conhecerem e não saberem realmente de suas necessidades física, emocional e até espiritual… e nem do outro… necessidades legítimas.

    Por isso… a liberdade consciente me permitiu que numa relação com liberdade legitima, muitas das vezes, basta um toque sutil, um olhar profundo…mesmo que dentro de um “silêncio” que me leva à vezes à essência do outro, aos seus anseios e até à sua verdadeira intimidade, ao mesmo tempo que ME permito, ME exponho à tal “invasão”. O que acaba acontecendo é uma exposição mútua, prazerosa e cheia de êxtase das almas envolvidas… isso, pra mim, é liberdade…isso é intimidade. Acredito que a partir daí que se parte para a “verdadeira” relação e ao sexo de qualidade e com muuuuuita “intimidade”.

    Posso passar horas conversando – mesmo diante da “saudade física” – falando um do outro e de outras pessoas e a necessidade de intimidade física parece não existir. E acho que é uma deliciosa preliminar e pode ser tão safada e cheia de tesão quanto a preliminar física. Claro que depois…ninguém segura!! rs. A liberdade consciente, também me permite ficar no mesmo ambiente da pessoa que “amo”, que desejo em todos os aspectos, sem ao menos trocarmos uma palavra sequer…alguns olhares sim, claro… mas é deliciosa essa “liberdade” recíproca e sem esperar algo em troca.

    Não há o que discutir sobre a maravilhosa liberdade sexual e a facilidade de intimidade física… principalmente às mulheres, que possibilitou uma variedade de experiências. E é lamentável que algumas pessoas – aquelas que confundem, ou não conhecem ainda, intimidade física com a “verdadeira” intimidade – insistem em “banalizar” o sexo e a sexualidade, SE privando da possibilidade do prazer de sentir na “pele” e na alma a verdadeira intimidade…a verdadeira e prazerosa liberdade consciente.

    Acredito que a liberdade consciente só pode ser “apreciada”, encarnada na pessoa, desde que TUDO seja desfrutado da melhor maneira possível. Não pode haver julgamentos, pecados…tudo tem que ser permitido… sempre independente do olhar da sociedade. Por isso, para se sentir livre, nunca se deixe levar pelos padrões de comportamento estabelecidos, seja autêntica, principalmente consigo mesma, ame o momento em que está vivendo e que deseja viver e tenham um único compromisso: consigo mesmos.

    Sei que é fácil falar…mas, acreditem que não é impossível de SER.

    Beijo carinhoso

  3. Ana Carla disse:

    GOSTEI DO QUE ESCREVE.

  4. admin disse:

    Você tem razão, Solange. Na verdade, o machismo – também chamado de cultura falocêntrica ou androcêntrica – é que é milenar, com cerca de cinco mil anos.

    O principal fato que concorreu para que a mulher passasse a viver sob o jugo masculino foi a fixação do ser humano à terra, devido à criação do patrimônio. Quando éramos nômades, caçando e pescando, o sexo era livre e não importava saber quem eram os pais das crianças. Com o advento da agricultura, o homem começou a delimitar as suas terras, precisando, assim, de mão-de-obra para a lavoura e de herdeiros. A cultura que até hoje permanece de a mulher precisar casar muito nova vem dessa época: precisava parir o maior número possível de filhos. Elas eram literalmente entregues aos escolhidos dos pais ainda com 12, 13 ou 14 anos de idade. Atualmente, nada justifica uma mulher casar com tenra idade, o que considero um “crime” contra a formação da mulher como indivíduo, já que atualmente, tornou-se inviável uma mulher ter dez filhos, por exemplo. No entanto, “para variar”, repetimos a cultura sem questioná-la. Para que uma mulher que pretende ter dois filhos é estimulada a casar com 19, 20 anos? Pura inconsequência. Para mim, chega a ser crueldade.

    Quanto ao amor romântico ou romantismo, você tem razão, ele é bem mais recente. Ele começou por volta do século XII com a disseminação, por parte dos artistas, poetas e trovadores, de um amor triste e impossível, já que todos os casamentos, sem exceção, eram arranjados com base em razões econômicas e políticas. A filha ser entregue para casar com um artista, jamais. Porém, o sexo não estava inserido nesse amor, tido como puro, já que o sexo sem o intuito da procriação era tido como algo pecaminoso. Esse amor não saia do imaginário das pessoas.

    Até meados do século XVIII, com as famílias ainda fixadas no campo, não existia amor romântico nem qualquer tipo de amor entre os casais. Todos os filhos moravam nas terras dos pais. Não existia o “eu te amo”. Os casamentos continuavam sendo arranjados e a função feminina ainda era procriar o máximo possível. A mulher permanecia sob o jugo masculino, não lhe sendo dado direito a escolhas, muito menos ao prazer no sexo.

    Após a Revolução Industrial, muitas famílias foram atraídas para trabalhar nas fábricas que estavam sendo construídas nas grandes cidades. Então, as esposas se viram obrigadas a deixar no campo o único suporte emocional e afetivo que tinham, junto à sua família, principalmente das mães, já que dentro de sua própria casa ele era inexistente. A partir daí foi inventado o amor eterno e romântico, todo calcado na milenar cultura machista, pregando ser impossível uma pessoa ser feliz sozinha, criando a figura fictícia do príncipe, a fim de proporcionar algum tipo de apoio afetivo àquelas que passaram a morar longe dos pais e irmãos.

    Vale ressaltar, também, que no campo, a mulher era vigiada e controlada pelas famílias, sendo severamente castigada, caso cometesse algum deslize. Na cidade, a invenção do amor romântico também viria contribuir para que ela se tornasse sua própria guardiã, policiando-se e se reprimindo, através dos sentimentos de pecado e culpa, já que não tinha mais tantos olhos conhecidos dela tomando conta, a fim de que, enquanto o marido trabalhava nas fábricas ou escritórios, ela não tivesse encontros sexuais com outros homens. Porém, a estes, tudo permanecia permitido.

    A partir de então, livros, poesias, filmes e novelas não pararam mais de disseminar essa cultura criada para dominar e fazer calar as mulheres, apesar de que muitos homens também a têm assimilado e por ela sofrido, caindo em suas próprias armadilhas. Não podemos deixar de lembrar que a igreja, historicamente, com o clero totalmente composto por homens, sempre foi o maior porta-voz da propagação da subjugação da mulher ao homem, antes e depois da criação da cultura romântica.

    Algumas informações aqui citadas foram extraídas dos livros “Na Cabeceira da Cama”, de Regina Navarro Lins, e “A Transformação Da Intimidade – Sexualidade, Amor E Erotismo Nas Sociedades Modernas”, de Anthony Giddens.

  5. Solange disse:

    Romantismo não tem nada a ver com contrato, casamento ,no passado existiu no máximo arranjos onde os personagens principais ,os noivos, não tinham muita escolha, eram obrigados a se casarem e terem filhos.Mulheres que tinham vida livre eram marginalizadas e consideradas prostitutas, como as artistas, atrizes,etc.Hoje é que ser artista , ser celebridade, mesmo não tendo talento para nada, tirando o talento de ficar aparecendo na mídia,claro, é um privilégio , é considerado um deus ou uma deusa vivendo no Olimpo num mundo onde os pobres mortais não tem acesso.O ponto onde quero chegar é que casamento, contrato no sentido tradicional não foi e nem é necessariamente um convite ao romantismo.Essa visão romântica foi mais difundida, no meu ponto de vista , apartir do séc XX com o progresso dos meios de comunicação, como o cinema, publicidade, rádio,etc, que massificaram o ideal romântico , do casamento realizado com amor e livre arbítrio não mais como arranjamento de famílias, conviniências,etc, e hoje vemos que esse tipo de contrato como passado ainda vigora, o casamento por interesse talvez mais do que antigamente, já que a mulher está bem consciente dos seus atos, mais objetiva,algumas uns verdadeiros aviões, no sentido de espertas e ela não quer mais entrar numa relação romântica, tendo que viver um amor ideal, somente uma cabana e um amor.Além de querer ter sua profissão , ser independente em todos os aspectos , ela procura entrar numa relacionamento com os pés bem fincados no chão, com mais maturidade.Já foi o tempo das donzelas, ingênuas onde os pais é que arranjavam um pretendente para ela, aliás, um bom partido,claro.Por isso muitas casavam muito cedo, muitas menos de vinte anos e depois não terminavam de ter filhos, um atrás do outro, e lógico, muitas morriam cedo por causa das complicações no parto ou outros problemas da época e de uma medicina ainda precária.Quer dizer, no passado, casamento não tinha nada de romântico.Os verdadeiros românticos eram os artistas,poetas, escritores, pintores, etc ,homens e mulheres que tinham que viver na marginalidade apesar de entreterem a população mais conservadora.O que é ser romântico hoje em dia?Talvez seja, como sempre foi , de ter a coragem de seguir o que coração está pedindo, ou seja, que sejamos livres e procuremos a felicidade da forma que desejamos e sentimos necessidade, de acordo com o nosso temperamento e estilo.

  6. admin disse:

    Gostaria de informar a vocês que o Henrique deixou um comentário no artigo anterior. Claro que a participação de um homem não pode passar em branco e precisa ser anunciada.

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