13.Poliamor

Por que não?

Por que não?

Acredito que estejamos prontos para entrar em um assunto polêmico e carregado de medos, dúvidas, incertezas e – por que não? – hipocrisias: o poliamor. Mesmo que muitas de vocês ainda não o conheçam com esse nome, provavelmente já se fizeram essa pergunta: “Será que é possível gostar de duas, três ou mais pessoas ao mesmo tempo? Isso é legítimo e factual ou estou em meio a um devaneio promíscuo e sem sentido?”

Porém, antes de começar a discorrer sobre o assunto, gostaria de fazer um comentário sobre o meu processo criativo. Quando me proponho a escrever sobre determinado tema comportamental que aborde a sexualidade, não costumo fazer compêndio de ideias de outros autores. Normalmente, o processo é assim:

1) a vontade brota de minhas curiosidades e da sede de liberdade. Olho para dentro de mim e “me ouço”;
2) crio as oportunidades para viver a experiência desejada. Não espero o acaso;
3) No “durante”, situo-me dentro e fora do que está ocorrendo, sendo agente e observador, ao mesmo tempo. Tento avaliar, no momento, o que estou sentindo, assim como o que se passa com o(s) outro(s);
4) Depois, penso em tudo que aconteceu, converso muito com a mulher e tiro minhas próprias conclusões, baseado em minhas sensações e nas dela, por ela descritas; e
5) Dependendo do assunto, a partir de então, faço pesquisas na internet ou busco livros que falem sobre o mesmo assunto, a fim de reforçar e/ou enriquecer o que irei escrever.

Resumindo, tenho por hábito não permitir que idéias ou experiências de outros influenciem ou induzam as minhas sensações e conclusões. Assim sendo, com o artigo Poliamor não foi diferente. Não são teorias, são práticas. No entanto, é fato que me falta uma experiência: um casamento baseado no legítimo poliamor, com os dois dividindo o mesmo teto. Apenas tive e tenho relações baseadas no poliamor com ambos morando em casas distintas.

Não me aterei a definições detalhadas sobre o que é o poliamor e algumas sutis nuanças – até porque o que menos importa é rotular subcategorias, em função de existirem vários artigos e entrevistas fazendo-o, na Internet. Também não repetirei vários conceitos e depoimentos que se encontram na web, pois a eles vocês poderão ter acesso através dos links sugeridos no final do artigo – um deles encontra-se abaixo. Focarei mais as minhas próprias experiências e sensações.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor

Por hora, basta-nos entender que poliamor é a admissão da possibilidade, assim como a sua prática, de uma pessoa possuir real desejo sexual e relacional por mais de uma pessoa, delas gostar, amá-las, etc, ao mesmo tempo. Ele nega a monogamia e exclusividade romântico-afetivas como únicas e autossuficientes formas do casal e cada indivíduo que o compõe serem felizes. As pessoas possuem características muito diferentes. Vamos imaginar um homem pensador/filósofo e um outro engraçado/piadista. Ora a companhia de um pode lhes interessar, ora a do outro.

O poliamor é diferente da relação aberta e da poligamia.

Poliamor: a pessoa possui afeto real e desejo sexual por mais de um parceiro. A questão central do poliamor não está na liberdade sexual, apesar de ela existir, e sim na liberdade de amar;
Relação aberta: os parceiros podem se relacionar sexualmente com outros. No entanto, o envolvimento afetivo não é aceito. Ex: swing, prática na qual se evitam demonstrações de carinho, sendo bem comum haver ciúme, caso o parceiro se desfoque do objetivo: o sexo alternativo. Percebam que este pode ser uma prática da relação aberta, porém, nem todos que possuem relações abertas praticam o swing. A questão central da relação aberta está na liberdade sexual e na grande possibilidade de existirem fortes ciúmes afetivos;
Poligamia: é a assunção de relacionamentos estáveis com mais de uma pessoa, ao mesmo tempo. Está relacionado ao casamento poligâmico, como no mundo árabe. É proibido nos países cristãos. Divide-se em poliginia (o homem com várias esposas) e poliandria (a mulher com vários maridos).

Podemos perceber que viver o poliamor não deixa de ser abrir a relação, mas o contrário não é verdadeiro.

Obviamente, qualquer prática que fuja dos preceitos cristãos do casamento tradicional será combatida pelos conservadores. Costumo dizer que a sociedade ocidental e cristã está “pouco se lixando” para a liberdade e felicidade do indivíduo, assim como para sua paz interior. Para ela, o importante é a manutenção das instituições, dentre elas a tradicional família patriarcal, através da disseminação da moral e bons costumes, com seus conceitos de certo e errado, puro e pecaminoso, digno e indigno.

Exceto pela fome e pelas doenças, nada nos tem feito sofrer mais do que as questões que envolvem os relacionamentos romântico-convencionais e o sexo. Por quê? Porque o que exigem de nós agride a nossa natureza pura e livre. Então, somos obrigados a nos comportar e a nos relacionar de uma forma contrária ao que a nossa essência clama: sem liberdade alguma. A única liberdade que temos é de fazer o que esperam que façamos. O simples desejar transgredir já nos faz – principalmente nas mulheres – sofrer e sentir culpa.

Eu não tenho dúvida alguma de que uma grande parte das pessoas, se conseguisse se imaginar desprovida dos sentimentos de posse e ciúme, gostaria de viver uma relação de poliamor. Afinal, isso já é feito por muitos às escondidas. A grande questão é a permissão.

Antes de escrever este artigo, li vários outros na Internet, assim como alguns blogs com comentários. É impressionante a disparidade de opiniões entre homens e mulheres: estas, sempre bem mais flexíveis, e eles com suas escopetas machistas, hipocritamente apelando para a religião.

Baseado em que, afirma-se que o amor é exclusivo e que só conseguimos amar uma pessoa de cada vez? Claro que é perfeitamente possível desejarmos, muito mais do que sexualmente, duas ou mais pessoas ao mesmo tempo. Muitos de nós já passamos por isso, ao viver o rompimento de um relacionamento e, em seguida, iniciar outro. Muitos encontros escondidos foram mantidos com o(a) ex. Os dois (as duas) ficavam em nossas mentes, sentíamos saudade, etc. Nesses casos, os religiosos se ajoelham e rezam muito, pedindo para que Deus os livre desse pecado carnal.

Nas matérias que tenho lido sobre esse assunto, existem vários depoimentos de mulheres que sofriam e sofrem demais com esses sentimentos de culpa, por desejarem ou admitirem gostar de “outro”.

Poliamor não é nenhuma novidade ou modismo, assim como também não o são o homossexualismo. São tão antigos quanto a humanidade. A novidade real que temos é a permissão, pois nos encontramos em um processo de mudança social em que as pessoas estão cada vez menos preocupadas com repercussões ou críticas sociais. Em um processo bem lento, estamos, cada vez mais, mergulhando em nossos EU’s. Estamos passando, silenciosamente, por uma proativa transformação egoísta – com todo o bom sentido da palavra, cada vez mais dispostos a desvendar nossas essências e mais atentos aos clamores de liberdade de nossas almas.

Como fica o possessivo sentimento de ciúme? Já ouvi demais muitas pessoas proferirem que o ciúme e a mentira fazem parte da natureza humana. Muito antes de ser uma afirmação completamente equivocada, ela denota ignorância, covardia e total desconhecimento do que possa significar a palavra amor ou qualquer sentimento incondicional similar. Nossas essências, em seus estados primitivos, são totalmente desprovidas do ciúme e da mentira.

O primeiro passo para experimentar o poliamor seria o autoconhecimento e conseqüente entendimento de que desejamos, de fato, ser livres. A aceitação pelo(s) outro(s) é até desejável, porém, não deve ser determinante ou limitadora para que concluamos e expressemos que queremos ser livres, dentro das limitações éticas… danem-se as morais.

Existindo a consciência de que nascemos para ser o mais livres “possível” – já que vivemos aglomerados em sociedade, basta nos colocarmos no lugar do outro e perceberemos que ele, assim como nós, também possui os mesmos desejos e as mesmas necessidades. Então, ambos param para conversar e “vomitam” tudo o que estava atravessado nas gargantas: cartas e verdades na mesa. Dessa forma, estaremos caminhando em direção a algo similar ao que se chama amor incondicional. “Quero você, eu escolhi você, exatamente, da forma e pelo jeito que você é”. A partir de então, entra em processo a morte natural do ciúme, pois a admissão mútua das verdades e os seus respeitos começam a asfixiá-lo. Ele pode até não morrer mas, com paciência e muita conversa, ele desce a um nível perfeitamente controlável e interessante, prazeroso. Entra, então, a sensação de ameaça que age positivamente no relacionamento, sobre a qual já muito conversamos.

E qual o resultado disso? Muito sexo? De forma alguma e, normalmente, muito pelo contrário. Quando precisamos mentir, fazer escondidos, aquelas que se permitem se agarram a qualquer situação que julguem “valer a pena” para experimentar um sexo diferente. Quando as mentiras saem de cena, o proibido perde o sentido e deixa de existir a traição. Se, de certa forma, podemos escolher quando, onde e com quem fazer, temos o livre-arbítrio para planejar melhor, esperar a melhor oportunidade e ser bem mais seletivos. Aquele “valer a pena” muda completamente de sentido. Adoro uma frase que criei e que vocês já a têm lido: eu, cada vez mais adepto do poliamor, estou aprendendo a “fazer amor”… e os românticos continuam fazendo o que mais defendem não desejar fazer: trepar.

E sobre o risco da perda? Meninas, sejam sensatas! Que diferença faz? Além das mentiras, mesmices e consecutivos sofrimentos, que outras garantias as relações românticas têm nos oferecido? Uma coisa lhes garanto: é indescritível a leveza e a paz interior que o “não mentir” tem me proporcionado.

Ciúme? Sinto um pouco sim, porém, é como descrevi acima: muito bem controlado. Mas tenho a consciência de que é uma peleja entre minha essência pura e a cultura. Mal ou bem, esse “bicho ruim” já está bem exorcizado.

Gostaria que entendessem que não sou radicalmente contra a monogamia. Sou contra a sua existência imposta, que é exatamente o que vivemos. A única forma de saberem se a vivem por opção ou obrigação é mergulhando profundamente em seus EU’s e, “daí de dentro”, tentar avaliá-la a partir da ótica do verdadeiro livre-arbítrio, da liberdade. Mesmo assim, sou levado a crer que, se isentos do piano cultural que tanto nos pesa, poucos optariam por ter apenas um parceiro. Mesmo assim, acredito ser possível, oscilando de acordo com os diversos momentos em que nos encontramos, ao longo de nossa vida. Eu mesmo, atualmente, estou vivendo um momento praticamente monogâmico, mesmo me vendo, em termos de sobra de tempo e, conscientemente, completamente livre para fazer o que quero. Isso é liberdade.

Apenas um detalhe acerca de minha última frase: a opção por um momento calmo e “quase” monogâmico é minha, independentemente do que “ela(s)” esteja(m) fazendo neste momento. Não existem cobranças e nada tem a ver com paixão. A minha paz precisa ser o mais descolada possível das escolhas e atitudes dos que me rodeiam. Até porque estou sozinho, neste exato, momento por pura opção. Poderia não ter escolhido isso, hoje. Acho que estou no caminho.

Pararei por aqui, pois ainda teremos muito o que explorar e trocar, ao longo dos comentários, sobre este assunto. Sei que alguns pontos não foram bem esclarecidos e já aguardo perguntas. Porém, se fosse tentar abordar todas as variáveis, o artigo se tornaria muito extenso.

Comunidades no ORKUT:

- O Mito do Amor Romântico
- Poliamor Brasil
- O Mito da Monogamia
- Amor Livre
- Feminismo e Libertação
- … e muitas outras

Links relacionados:

http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI1916843-EI4788,00.html

http://www.samila.com.br/kelly/bitch/folheto_poliamor.html

http://www.eusoqueriaumcafe.com/2009/08/entrevista-poliamor-o-fim-do-amor.html

http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-e-um-relacionamento-aberto/

http://stoa.usp.br/naomitchan/weblog/13403.html

http://www.overmundo.com.br/banco/e-esse-tal-poliamor

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/tag/poliamor/

http://nao2nao1.com.br/entrevista-com-marco-carvalho-serie-%E2%80%9Chomens-sem-segredos%E2%80%9D-4/

http://www.melhoramiga.com.br/2009/11/poliamor/

http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=a_solucao_e_o_poli_amor&more=1&c=1&tb=1&pb=1

http://www.polyamorysociety.org/

http://www.imagick.org.br/pagmag/pardal/mitotris.html

22 Comentários »

22 Responses to “13.Poliamor”

  1. admin disse:

    Laura, estamos em meio a um profundo processo de mudanças estruturais na célula da sociedade ocidental moderna: a família nuclear, composta por pai, mãe e filhos. Essa transformação começou há algumas décadas e não terminará tão cedo. A gradual entrada da mulher no mercado de trabalho e consequente possibilidade de se tornar financeiramente independente fizeram com que ela passasse a exigir direitos antes somente masculinos, inclusive ao prazer. Isso tem desestruturado a família patriarcal tradicional e a sociedade está repensando, silenciosamente, através de movimentos e iniciativas isoladas, a nova família. Em alguns países, gays já podem adotar crianças.
    Não há como prever qual será o conceito de família daqui a 50 a 100 anos. No entanto, posso apostar que não será o mesmo de hoje. Os fundamentalistas, que não querem perder o domínio sobre os movimentos sociais, insistem na besteira de afirmar que o amor está acabando. Ele existia? Uma minoria da sociedade está cansada de viver um
    amor mentiroso e, naturalmente, já está em curso um movimento de busca da verdadeira intimidade baseada no respeito às individualidades.
    Você tem razão. É muito complicado imaginar a questão dos filhos entre três ou mais pessoas morando na mesma casa, em função das prováveis implicações sociais para as crianças, HOJE. E se o inadmissível de hoje se tornar o normal de daqui a cinquenta anos, como vem ocorrendo? Porém, como eu já comentei, essa é apenas uma possibilidade do poliamor. Por hora, raciocine com uma simples relação de respeito entre duas pessoas, sem que se aglomerem debaixo do mesmo teto. Formações mais complexas virão naturalmente, com o tempo e à medida que as mais simples passarem a ser aceitas. Tente imaginar que o que existe hoje, em termos de família, será bem diferente daqui a décadas. Logo, se você começar a juntar idéias reinantes em décadas tão distantes (atualmente e daqui a 50 anos), um nó será atado em sua cabeça. Tenha a certeza de que, em 1910, um outro grupo de pensadores vanguardistas se fez perguntas similares, enquanto conversavam sobre questões extremamente polêmicas e inaceitáveis para a época: a mulher trabalhar fora, fumar o seu cigarro, tomar cerveja sozinha com amigas e, inclusive, gozar.
    Resumindo, não se preocupe com a foto da situação atual. Veja-se em um filme e tenha a consciência de que ele é feito de quadros. Estamos vivendo apenas um deles. Viva, questione e faça escolhas conscientes, tendo a certeza de que tudo que vocês mulheres aceitarem ou ousarem nesse quadro de hoje, de alguma forma, refletirá nos livres-arbítrios de suas bisnetas.

  2. laura disse:

    Refletindo sobre o Poliamor, me deparei com outra situação. Pelo que estou lendo aqui e achando bastante interessante, as pessoas falam de amor entre várias pessoas, morando e partilhando umas das vidas das outras, sem fronteiras, sem ciúmes e sem preocupações com a sociedade. Mas daí me veio uma questão que ainda não foi abordada…. essa forma de amar, provavelmente só poderia ser vivida por pessoas livres de pensamento e de qualquer compromissos com a sociedade. E a questão de ter ou não ter filhos também já teria sido pré definidas. Se fossem morar juntos dois ou mais casais, e estes tivessem filhos, certamente as crianças iam sofrer todos os tipos de preconceitos fora de casa. Será que esse modelo seria bem mais tranqüilo de se viver somente por pessoas que não quisessem ter filhos ou por quem já os tivessem em outros relacionamentos? Acho que o poliamor já esta sendo vivido em muitos casos, porém não vivem na mesma casa, não dividem totalmente suas experiências uns com os outros, não estão preparadas para sentar em uma mesa de bar onde três, quatro ou cinco pessoas possam trocar olhares, carinhos ou somente conversar…..isso ainda choca, mesmo em mentes que aceitam bem a idéia, causa dor. Esse modelo de amar é algo tão complexo, que fica restrito a ser falado…não podendo ser abordado tão abertamente nem mesmo com uma amiga muito próxima e que não faça parte dessa filosofia, porque aí essas idéias e forma livre de viver tantos “amores”, passam a ser uma ameaça. Se os homens falam de “traição” com facilidade e as mulheres não, tem a ver também com o fato de que as muitas das mulheres são inseguras, e se vivem em um relacionamento romântico e promissor, relacionar com mentes mais livres mesmo sendo de uma amiga próxima passa a causar medo e insegurança, apesar de causar também desejos, inveja, tesão pela idéia etc. Entre outras palavras, podemos estar certos, de que tudo ainda é primário, podendo assim passar por reformas…..e a busca de um relacionamento perfeito continua….

  3. admin disse:

    Concordo com você, Solange. Alguma sugestão baseada em fatos reais, sem fantasias e apostas baseadas em histórias de novelas?

  4. Solange disse:

    Poliamor, poligamia e tanta gente sem ninguém.Sozinhos.Solitários errantes neste mundo cheio de indivíduos.Indivíduos sem nenhum olhar mais profundo.
    Só olhares.

  5. admin disse:

    Paulinha, muito interessante seu comentário, assim como sensata a decisão de vocês. Como eu já disse, reformar dá muito mais trabalho do que construir a partir da fundação. Meus aplausos também.

    Bianca, vamos refletir sobre algo interessante. Eu considero o peso da palavra traição descabido, mas irei me ater a ela, neste comentário. Praticamente todos os homens, quando na situação de agentes, lidam muito bem com o que chamamos de traição. Do lado feminino, boa parte das mulheres está passando a lidar “relativamente bem” com ela, porém, dificilmente sem alguma culpa e com muito mais cuidados. Mas o fazem.
    Imagine duas amigas que se encontram toda semana para tomar um chope e colocar as fofocas em dia.Se uma mulher casada chega para uma amiga de confiança conta a(s) sua(s) aventura(s) sexual(is) com um ou mais amante(s), a outra, atentamente e excitada ouvirá e, se também tiver alguma para compartilhar, fará o mesmo. No final da conversa, ainda é possível que comentem: “Não fizemos nada demais, pois provavelmente que eles fazem o mesmo.”
    Uma semana depois, as mesmas duas amigas se encontram e uma resolve se abrir: “Contei para o meu marido que tenho um amante e que tenho desejos por outros homens”. Resposta: “Você enlouqueceu? Bateu a cabeça?”
    Conclusão: a mentira é factual, necessidade aceita e institucionalizada em nossa sociedade. A verdade é loucura justificada pela célebre frase: “O que os olhos não vêem o coração não sente.”
    No dia seguinte, diante da mais simples mentira, em seu trabalho, a que considerou a amiga louca proclama: “Odeio mentiras!”

  6. Bianca disse:

    Mto interessante esse texto, é algo o qual sempre tive curiosidade mas não tenho coragem de falar nisso por medo de preconceitos, justamente pq mtos amigos meus são conservadores. Sinceramente, já amei mais de uma pessoa ao mesmo tempo e eu me sentia confusa, é como se eu tivesse que preferir um ao outro, ou uma à outra, eu ainda fico confusa qto à isso, pq eu penso, q se eu visse essa pessoa com outra, eu acho q eu teria medo, que essa pessoa prefira a outra do que a mim sabe? Eu não sei, só sei q me sinto mto confusa qto à isso, acho q tem alguma coisa a ver com os valores pregados pela sociedade o qual ainda podem restar vestígios em mim. E tipo, será q todas as pessoas são assim e não percebem ou não aceitam por causa dos valores pregados pela sociedade ou nem todas se adaptam a essa forma de amor?

  7. Thaís disse:

    A possibilidade de escolher, momentaneamente, entre a poligamia ou a monogamia, optar pelo parceiro primário, decidir e seguir um caminho que, atualmente, te faz mais feliz, ter o direito de proceder conforme te pareça mais adequado no momento e poder voltar atrás, se necessário for…para mim Paulinha…também é liberdade.
    Estou feliz por vocês.
    Beijos.

  8. Paulinha disse:

    Realmente um texto evocativo! Porém algo utópico para o meu atual momento de vida. Se já não fosse difícil o suficiente aprender a conviver e dividir com uma só pessoa, ainda decido me libertar das mentiras e restrições de um relacionamento tradicional abrindo-o de uma forma um tanto rápida e inconseqüente, porém sincera. Agora isso?! Realmente difícil, se não impossível, neste meu momento.

    Reconheço há muito a possibilidade de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, já o faço desde muito nova. Lembro-me que desde o meu primeiro namorado me vejo inserida em triângulos, quadrados e… Desde meu primeiro relacionamento ouvia a frase “Mas você gosta de ser a Dona Flor e seus dois maridos!”. Ria e não entendia muito bem o que queriam dizer, hoje muitas coisas começam a se esclarecer. Como convivi com isso?! Transformei grandes amores em maravilhosos amigos… Desta forma me mantinha fiel aos “preceitos católicos” da sociedade em que estou inserida. RS ;)

    Entrei nos sites sugeridos e em muitos outros, sou um tanto obsessiva quando algo mexe comigo, e achei tudo ótimo, como já disse… Um maravilhoso sonho utópico para minha vida! E então me deparei com umas questões além das tradicionais como insegurança, términos anunciados e sociedade em que estamos inseridos, e decidi dividi-las com vocês.

    Como chegar a tal se nosso companheiro primário não está preparado, ou talvez nunca esteja? Arranjar outro é a primeira solução que me aparece, mas se ele for quem realmente amamos e desejamos dividir a vida neste momento? Será que não vale à pena deixar o sonho utópico de lado e viver a realidade dentro de suas inúmeras limitações?! Quem sabe mais a frente, com paciência e alguns empurrões, as mentes se encontrem…

    Como lidar com a possibilidade de nosso companheiro primário se envolver com uma pessoa com quem simplesmente não conseguimos lidar, não por uma questão de ciúmes, mas sim por ser alguém com quem não teríamos nem um relacionamento laborativo superficial?! Uma pessoa da qual não confiamos na ética, com cuidado sempre, é lógico, para não confundir moral com ética.

    Enfim, tenho plena noção que todos esses questionamentos só poderiam ser resolvidos com o famoso trinômio que tanto falamos em todos os comentários “permissão, comunicação e sinceridade”.

    Porém ainda sinto-me muito presa a famosa frase piegas “Tu és responsável por aqueles que cativa.” Afinal de contas ser livre é infinitamente mais fácil quando não temos compromisso, cuidado e fidelidade, no sentido mais amplo possível e não no tradicional – acho que já me conhecem o suficiente para saber de que estou falando :) , com outro individuo.

    É preciso sempre colocar na balança o que sentimos, queremos e o que é possível naquele momento. Por isso que neste atual momento estou numa relação monogâmica, sem as liberdades ditas pelo nosso administrador, porém por opção conjunta.

    Parabéns aos que já estão no caminho, minha sincera admiração!!! :D

    Beijoca

  9. Paula disse:

    Olá…

    Frank, tenha certeza -assim como tenho- de que é possivel sim encontrar e sem procurar, pessoas que pensem genuinamente assim, como disse. E “nossa” tendência é cada vez mais e com menos dificuldade encontrá-las…como agora “nos” encontramos, por exemmplo!:)

    Fiquei -e talvez os demais participantes aqui também tenham ficado- curiosa a seu respeito, conte-nos mais…por favor. Participando mais do blog e nos “envolvendo” em suas “idéias” de lunático…rs

    Sou do interior de São Paulo e não faço idéia de onde você, Frank, seja…de repente, a “Pensão da Paula”(rs) pode estar mais perto do que se imagina!! rs

    PS: Thaís…foi legal dar um nome ao “nosso” Lar dos Poliamorista, mas, precisamos mudá-lo…rs

    Beijoca

  10. Lola disse:

    Oi! Passei por aqui rapidinho (estou muito sem tempo agora), só pra dizer que gostei do que li. Abração, e prazer em te conhecer!

  11. Raquel disse:

    Acredito que a grande maioria das pessoas, com um mínimo de bom senso, se parassem para pensar sem covardia, encarando os fatos e tentando se livrar dos medos e inseguranças pelo menos nesse “ato pensante”, concluiria que esse tipo de relação é o mais racional e belo. Só que, como nos passaram, através do romantismo, a sensação completamente falsa de segurança e felicidade, optamos por fugir de tudo que é incerto, preferindo viver comendo cocô, contanto que tenhamos a certeza do que virá depois, na sobremesa. O problema é esse: queremos certezas. Aí a gente se ferra, pois esquecemos que tem uma coisa finita, chamada vida, passando por nós.

  12. admin disse:

    Exatamente, Thaís. Você já respondeu: só vivendo para saber. As respostas para a engessada monogamia romântica todos nós já temos.
    Se falamos de liberdade, qualquer debate em torno do como será a forma de vida, quais serão os acordos a serem estabelecidos, etc, antes de, de fato, o casal ter se conhecido e resolvido viver ou conviver junto, não passará de conjectura. Até porque, se existem quatro casas com pessoas que vivem o poliamor, cada uma terá práticas diferentes das outras.
    Entenda que não existem modelos de referência para a relação poliamorista. Três ou quatro morando na mesma casa é apenas uma das inúmeras possibilidades.
    Algumas etapas precisam ser cumpridas, ao longo do processo de entendimendo e aceitação do poliamor. Não é de um dia para o outro que deixamos de ser ciumentos. A melhor forma de acelerarmos esse processo é, naturalmente, colocando-nos à prova, vivendo as oportunidades que possam surgir. Precisamos relaxar e curtir esse caminho. É gostoso.
    Eu também me imagino em uma situação dessa: três ou quatro pessoas morando na mesma casa; acho perfeitamente possível, sinto-me preparado para tal, mas também não sei como seria. No entanto, não me preocupo com isso. Quando e se acontecer, saberei. Imagino quatro pessoas trabalhando e contribuindo com as contas da casa… vai sobrar bem mais dinheiro para eu tomar minha cerveja.

  13. Thaís disse:

    Esta casinha tem passeado pelos meus pensamentos. Fico aqui, racional, tentando fazer uma análise combinatória sobre as inúmeras possibilidades de relação.

    Hipoteticamente temos uma casinha, um quintal, um pomar, uma horta, um poço e alguns homens e mulheres para construir um lar.

    Como não sou uma princesa e não procuro príncipes e/ou princesas pra morarem nela e, sabedora de que relações autênticas não são garantia de eternidade, não posso afirmar que todos viverão felizes para sempre.

    Então, fico imaginando como seria a rotina dessa casa. Num determinado momento da vida, alguns casais passam a não se amar mais. Uma quantidade razoável de perdas que impossibilita inúmeras “combinações” e propicia, até, o monoamor, uma vez que, as relações ficaram restritas. O que fazer nesse caso? Agregar novas pessoas? Bom, assim a casinha deixará de ser casinha pra virar a “Pensão da Paula”. Ou faríamos um “divórcio” em massa?

    Obviamente que estou brincando com a “Pensão da Paula” e o “divórcio em massa”, mas registro aqui, minha dúvida.

    Como seria viver ao lado, diariamente, de alguém que você deseja e não te deseja mais? Teríamos que sucumbir ao monoamor, já que tivemos perdas efetivas durante o processo? O que fazer? Como lidar com uma situação assim?

    Não sei se existe resposta…talvez ninguém a tenha…só vivendo…mas fica aí a ideia.

  14. Frank disse:

    Paula, quando vc fala “Não sei se tem a ver com “poliamor”, mas acredito que não é algo pra ser chamado de anormal, bizarro, promiscuo…”… vc acertou no ponto!

    Sim, Tem tudo a ver com Poliamor. E sim, a “sua casinha” não é um sonho único (ou loucura única), e esta LONGE de ser algo ruim. Posso dizer com conhecimento de causa, porque fiquei espantado ao ler as semelhanças com o meu caso (pois por vezes também sou chamado de louco, por eu também sonhar com uma “casinha” assim). A parte boa é que hoje, mais do que nunca, creio ser realmente possível, pois conheci pessoas que genuinamente parecem compartilhar desse sonho (senti tanta veracidade nelas quanto senti em vc, ao ler seu depoimento acima). E veracidade é a base da coisa.

    Fico feliz de ver que há mais uma mulher que genuinamente pense assim. Isso me dá ainda mais certezas de que é possível, pois contando com vc e comigo, já são 5 pessoas que conheço que topariam, de modo saudável, morar nessa casinha ^^. Uma pena que 2 delas não moram na mesma cidade que eu (e quanto a vc, não faço idéia de onde more) :-{

    PS: Morri de rir quando vi que até a parte dos “vários quartos” que sempre defendi, também está no seu caso RSrsrs. ^^

  15. Paulinha disse:

    Aqui estou eu em pleno engarrafamento na Marginal Pinheiros, afff!!! Decido dar uma olhada no blog e que surpresa boa!
    Lindo o post! Totalmente evocativo… Que vontade :) ! Quem sabe um dia conseguimos?!
    Muito bom “ler” quase todas novamente!!!Depois escrevo mais!
    Beijocas

  16. admin disse:

    Bem, como eu já havia escrito em outro post, não dormimos com a sociedade, no entanto, dependemos dela. Logo, mentiras para ela serão sempre necessárias. O importante é encontrarmos o ponto de equilíbrio – que é muito pessoal – entre o que realmente somos e o que ela espera que sejamos, a fim de que nos agridamos o mínimo e tenhamos a maior paz interior possíveis, além de a “usarmos” o máximo possível. Toda essa salada visa à geração do mínimo possível de conflitos, internos e externos.
    A sociedade não é minha amiga; logo, minto para ela rindo, contanto que EU esteja bem.

  17. Thaís disse:

    Ahahahahaha…fantástico!!!!

    Como diz o irmão de um amigo meu…”no futuro, será feliz aquele que souber viver com pouco” (referindo-se a escassez da natureza). Olha aí…talvez a “modernidade” apresse um pouco esse futuro…rsrs.

  18. Paula disse:

    Pois é…a “nossa” sociedade e sua bem-vinda mentira.

    Imagine uma entrevista de emprego e em determinado momento, o empregador quer saber a respeito do empregado que ele nem imagina ser um “poliamorista” (está certa esta definição, adm?). Onde mora…com quem…com quantos, quem são…enfim. O que fazer? Bom, acho que dizer que mora com “amigos”…até que é meio aceito. Dai, já empregado…numa noite em um barzinho ou mesmo numa fila de caixa de supermercado…encontra-se um colega do trabalho…só que o tal empregado está simplesmente com um dos seu companheiros e talvez até com os dois, ora aos abraços… ora, apenas conversando, mas com toques fisicos carinhosos…Na semana seguinte, o mesmo ou outro colega do trabalho vê o mesmo empregado com outro companheiro e talvez até com outro do mesmo sexo junto…beijando, abraçando…e assim vai.
    Adivinha só o que vai acontecer no dia seguintente? rs

    Que bom que gosto de comer o que planto…de plantar o que quero comer…Água de poço…se fervida, talvez dê para beber…tomar banho…molhar as plantas…rs

    Abraços

  19. admin disse:

    Thaís, concordo plenamente com a Paula. Se a mesma Thaís que mora no Rio de Janeiro tivesse nascido e sido criada em um cantão desse do planeta, em uma cidade em que o poliamor é encarado como algo natural, você seria, certamente, uma poliamorista. Aliás, esse nome nem existiria, pois ele só precisou ser inventado porque partimos para o monoamor.
    Todos nascemos curados disso. Ao longo dos anos somos infectados pela cultura, com suas mentiras e proibições. No entanto, ninguém tem o poder de te “curar”. Somente você pode fazê-lo. Uma sugestão seria tentar aproximar-se, cada vez mais, de si mesma, da pureza que possuia quando veio ao mundo. Quando conseguimos iniciar esse caminho de volta – que gosto de chamar de regressão em busca do estado inicial da alma ou essência, vamos nos identificando com e nos apaixonando pela liberdade que sempre foi nossa; e vamos abraçando-a cada vez mais forte. Muitos de nós já vivemos alguma forma de poliamor, só que o nome que damos é traição, praticada a base de mentiras.
    Concluindo, acredito que a grande dificuldade não esteja em aceitar viver o poliamor, mas sim em conseguir se livrar das mentiras que nos sentimos obrigados a contar para os outros e para nós mesmos, pois ser socialmente aceito é algo vital para a quase totalidade das pessoas.
    Não tenho dúvida de que, mentindo, você será muito mais bem aceita pela sociedade e futuros parceiros. A decisão é sua.

  20. Paula disse:

    Hahahaha…

    Thais…deixa disso. Em primeiro lugar, não considere isso uma “evolução”. Bom, pelo menos eu não acho que seja pra tanto!! rs. Depois, TODOS temos cura, e esta se encontra dento de nós mesmos…desde que não cosideremos “doença” não ser desse ou daquele jeito mas,simplesmente felizes, não importa como, quando, onde…com quem…porquê….com quantos.

    Portanto…considere-se curada. Porque,até onde sei, pelo que percebo, você está cada vez mais longe de qualquer “doença” que necessite “cura”. Sua pergunta ME fez perguntar a mesma coisa mas, não vou encanar.

    Posso dizer que, essa “fantasia” da casinha com a tal “família” me acompanha desde a adolescência…antes mesmo de ter minha primeira filha e já a mencionei para uma delas que levou na brincadeira, claro…mas, ela conhece a mamãe!rs
    Inclusive neste Natal…falando com uma amiga minha de infância…ela me surpreendeu, me perguntando se ainda tenho a “idéia” (é assim que a chama), acompanhado de muita risada, claro. Pois pra ela -assim como para tantos- isso não passa mesmo de “idéia de lunático”. Disse que ficou curiosa, já que agora me encontro “disponível”. Expliquei que tal “idéia” nunca saiu da minha cabeça, embora tenha ficado “estacionada” em minha memória e que agora que a tendência de minhas filhas cada vez mais independentes e livres de mim…o que me impede? Mas sou realista a ponto de saber que as coisas não funcionam de modo tão fácil assim….e o assunto morreu ali, ela com cara de “não adianta, continua doida…coitada” e eu, fingi que não percebi!!rs

    Um detalhe que esqueci de mencionar na minha casinha: cada um teria seu quarto…rs
    Huumm….que delicia!!

    Cuide-se no sol pra não ficar com bronzeado pimentão!!

  21. Thaís disse:

    Li o artigo e cá estou eu, divagando sobre ele e fazendo a seguinte analogia: se na verdade podemos amar vários amigos, irmão, primos, tios, entre outros, por que não podemos estender esse sentimento, seja qual for o nome que dermos a ele, para nossas relações?

    Nesse último caso com a deliciosa vantagem do direito a escolha, diferentemente da instituição família, que é uma imposição.

    Também não tenho certeza de que essa analogia seja coerente. Estou confusa.

    Apesar do alinhamento entre o que eu li e o que eu penso, peguei-me pensativa com o comentário de Paula sobre a casinha, outros homens e mulheres e um amor único para todos. Percebo,nesses momentos, que meu limite ainda é muito curto pra tais experiências.

    Então me pergunto e aproveito para perguntar ao administrador e a quem mais quiser responder : bastam experiências para alcançar essa evolução? Isso já não deveria nascer comigo, ser natural? Eu tenho cura? (risos).

    Bom gente, está fazendo um sol lindo no Rio de Janeiro, vou aguardar uma resposta na praia, afinal de contas a “gaúcha branquela” precisa tirar o “bronzeado palmito” do corpinho…rs

    Beijos a todos.

  22. Paula disse:

    Oi pessoas…

    Há quase dez anos, quando “traí” me então marido…me senti uma verdadeira -mas nem tanto- bruxa,um pessoa horrivel mesmo. Inicialmente, minha primeira atitude -que foi no dia seguinte ao ocorrido- foi contar-lhe e claro, desde então, o casamento não foi mais o mesmo. Mas fiz isso por dois motivos: 1.Não queria mentira, pois pra mim, esta sempre foi e continua sendo, a verdadeira e pior “traição” e quando o conheci (meu marido, na época), uma das coisas que destaquei foi que se isso viesse a acontecer, a primeira coisa que faria seria dizer a verdade, e assim o fiz! 2.Acreditei piamente que, se o “traí”, ou seja, se me “entreguei” à outro homem, independente do nível de entrega(flerte, abraço com desejo…apenas um beijo…até sexo), é porque não amo mais meu marido…PONTO. Uma de minhas irmãs (ironicamente, a mais nova e muuuito mais nova do que eu)até tentou me “mostrar” que é perfeitamente possivel “amar” mais de uma pessoa. E eu, sequer pensei na possibilidade. No decorrer dos anos, percebi -vivi- que sim….AMAR mais de uma pessoa, é perfeitamente possivel e mais: é saudável.
    Claro, que amar cada um em sua particularidade…pois cada pessoa tem seu “especial” a ser amado, querido desejado…por mim e por outras pessoas e o mesmo, acredito, ocorre comigo. E é aí que entra o prazer do perigo da perda…o desafio de manter acesa a chama do relacionamento sem o medo da possibilidade dessa chama se apagar é claro.
    Recentemente tive uma experiência que só fez confirmar -à mim mesma- que o ciúme (pelo menos, o físico) não existe em mim/pra mim (não sei bem como dizer)e isso me deixou muito feliz…confesso. Embora ja soubesse, antes da experiênca, que não sentiria mesmo…mas, precisava da “prova”, da prática.
    Talvez um dia eu venha sentí-lo…e talvez eu até saiba o que me levaria è ele e sei também que de maneira “saudável” e controlada…sem dor e sem medo, mas, não vou dizer. Houve época em que ME imaginei na cena, que aliás, acho linda : Uma casa bonitinha, mais para rústica do que para moderninha…num campo, talvez…um quintal gostoso,com cachorro, muitas plantas…de preferência uma horta..um pomar (pois adoro plantar o que como)…muitas flores(adoro flores!!rs)…e nela uma família (EU, talvez filhas, um homem…um outro homem…mais uma mulher) em que TODOS se amam de forma natural e no mesmo nivel (dentro de cada particularidade,individualidade, claro) e muita harmonia e tudo muito delicioso e maduro. Cheguei a comentar até com algumas pessoas, que claro….me chamaram de louca. Mas, nunca me saiu da cabeça tanto que já pesquisei “comunidades” a respeito…muito interessante!! rs
    Não sei se tem a ver com “poliamor”, mas acredito que não é algo pra ser chamado de anormal, bizarro, promiscuo…acho sim, que pode ser uma família com muito amor, respeito…felicidade…conflitos…tanto quanto qualquer outra…e pode até ser, de certa forma, “romântica”… por que não?!

    Beijo

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