“O venerado amor de mãe é muito mais perigoso para a humanidade que todo o arsenal de armas atômicas.”
Roberto Freire e Fausto Brito em Utopia e Paixão – A Política do Cotidiano
Temos falado bastante acerca das grandes dificuldades que encontramos para entendê-lo e – por que não dizer? – da nossa impotência para que amemos com o amor Eros – o amor natural, fonte e energia motriz da vida.
Nos artigos anteriores, algumas vezes teci breves comentários acerca das relações entre pais e filhos. Dessa vez, decidi oferecer-lhes um texto que trate somente desse assunto, onde me atribuí a tarefa de analisar que mensagens existem por trás da, em princípio, chocante frase do Roberto Freire, acima, que serviu de abertura para estes escritos.
Vou comentar algo e, depois os deixarei com um apanhado de trechos do livro O Casamento e a Moral, do Lord inglês Bertrand Russel, que nasceu em 1872 e faleceu em 1970. Escreveu várias obras versando sobre Matemática, Lógica e Filosofia, tendo sido uma celebridade nesses campos, no século XX. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1950.
Não me estenderei, pois os trechos do livro tornaram o conteúdo longo e já são bem explicativos. Ater-me-ei a lançar questões e reflexões que poderão ser comentadas por aqueles que assim o desejarem.
No mundo animal irracional, que papel os pais assumem, diante dos filhotes, assim que estes nascem? Os papéis de alimentadores e protetores, até que eles tenham portes físicos e forças suficientes para serem considerados prontos para viver as próprias vidas. No caso dos pais da espécie humana, é senso comum que os papéis são exatamente os mesmos. No entanto, será que eles estão realmente cientes de como agir para terem êxito nessa tarefa?
Obviamente, o tempo que um outro filhote mamífero, por exemplo, precisa para ser declarado preparado para o mundo é bem menor do que o de um ser humano, pois neste caso, pelos menos nas grandes cidades, tem sido comum acompanhá-lo até a sua formação em uma faculdade ou, nas famílias menos privilegiadas, até que aprenda uma profissão de nível técnico. No caso de muitas filhas, aguarda-se que um macho apareça reivindicando a responsabilidade pelos seus “cuidados”. Uma das questões que desejo levantar é: fora os necessários valores éticos, que nos dão embasamento e orientação comportamental para bem vivermos em sociedade, e o nosso preparo para a “caça” nas selvas de pedras, através dos estudos, que valia maior tem, em termos práticos, o insistente, invasivo e ininterrupto jugo aos pais, até os nossos vinte e poucos anos? Em diversos casos, ele nunca finda. Sinceramente, tratando-se de preparo para a vida, em seu sentido mais amplo, não vejo ganho algum nisso. Ao, conscientemente, pesar na balança, vejo mais desvantagens do que benesses, pelo menos da forma que tenho observado a maiorias das relações familiares.
Considero que, em sua maior parte, as relações entre pais e filhos, tratando-se de amor puro e verdadeiro, são tão pobres e doentes quanto às dos namorados e casados, como temos abordado até agora. Entre pais e filhos, raramente consigo enxergar relações com amor verdadeiro, onde o mais importante é a felicidade do outro. Só consigo perceber dependências afetivo-emocionais, dominações, cobranças, obrigações e, muitas das vezes, humilhações e agressões em variados graus e tipos e ódios em diversas roupagens, principalmente por parte dos filhos, devido ao gradual entendimento – podendo este, também, ser inconsciente – da covardia pela forma dependente com que foram criados, por puras carências no casamento e vazios individuais dos pais, principalmente por parte das mães.
Mamães e papais, desculpem-me mas não posso furtar-me dizer que, no caso dos seus filhos, se eles: tornarem-se pessoas carentes, inseguras, indecisas, com sentimentos de culpas morais e de impotência diante da vida, tiverem dificuldades para amar suas esposas e maridos, encararem o sexo como um ato consumível como se sacia a vontade de comer uma barra de chocolate, aceitarem a infelicidade como algo normal em seus casamentos, tiverem sensações miseráveis no sexo, tornarem-se violentos, virem-se necessitando de tratamentos com psicoterapeutas, etc, provavelmente vocês terão grande parcela de culpa nisso. Caso isso ocorra ou esteja ocorrendo com eles, é forte evidência de que vocês perpetuaram nas suas criações os erros que foram cometidos pelos seus pais.
O quanto e o que cada casamento representa para os cônjuges e como ele é vivido, se existe ou não amor verdadeiro na relação, como se tratam, etc, não são assuntos que dizem respeito apenas aos pais, pois estes são os exemplos mais representativos que os filhos levarão de amor e relacionamento em suas vidas. Todos sabemos o quanto é comum filhos serem criados observando entre os pais a indiferença, frieza, falta de respeito e liberdade, semblantes que transmitem tédio e tristeza, desamor, agressões físicas e verbais, rotinas e atitudes condicionadas que só podem ser explicadas pela desesperança e apatia diante da vida. Por várias razões tais relações não são desfeitas assim que o amor de fato acaba, postergando-se a separação para quando os filhos estiverem crescidos para que não sofram e para que tenham exemplos “saudáveis” em uma família “estável”. Não há como eu não colocar aspas nestas palavras. O resultado será um humano adulto cheio de estabilidade moral – possivelmente religioso – mas com a alma despersonalizada, doente, vazia, medrosa e ao mesmo tempo sedenta de domínio e poder, agressivo, dependente mas incapaz de amar a quem quer que seja… mais um neurótico fabricado em série, resultado da ausência do sensato ato da separação, sendo aquela, muitas das vezes, movida por interesses egoístas dos pais, conscientemente ou não, que podem passear por questões financeiras, amarras a modelos sociais e escravidões afetivas. No entanto, tudo romanticamente camuflado pela sacrossanta moral e pelos venerados e inigualáveis amores maternos e paternos.
É fato que a Igreja, o Estado e a sociedade possuem todos os interesses em espoliar a identidade do indivíduo – todos visando ao maior consumo de bens e à manutenção do poder político e econômico. Citando Wilhelm Reich, em seu famoso livro “A Função do Orgasmo”: “A formação das massas, no sentido de serem cegamente obedientes à autoridade, deve-se não ao amor parental, mas à autoridade da família. A supressão da sexualidade nas crianças pequenas e nos adolescentes é a principal maneira de se conseguir essa obediência.”
Enxergo a atribuída e propalada autoridade sagrada e incontestável aos pais como uma das principais causas da sociedade vazia e doente em que vivemos. A tendenciosa alteração do significado da palavra amor encontra-se no centro dessa neurose pandêmica. No entanto, a despeito disso, é inegável que esses mesmos pais, pelo menos em termos de oportunidade, têm a faca e o queijo na mão para atuarem como para-raios contra essa intenção puramente econômica a serviço do Estado e das minoritárias castas capitalistas dominantes. A grande dificuldade é a conscientização da gravidade dos erros que vêm cometendo.
Vamos ao trechos de Bertrand Russel:
“[...] os ensinamentos e a autoridade do cristianismo estimularam intensamente o interesse pelo sexo. [...] Só a liberdade pode impedir a obsessão pelo sexo. Mas nem mesmo ela terá esse efeito a não ser que se torne habitual e seja fruto de uma educação sexual sensata.”
“[...]Há outro serviço que o pai e a mãe sensatos podem prestar aos filhos, embora mal o fizessem, até bem recentemente. Refiro-me à apresentação dos fatos do sexo e da maternidade, da maneira mais inteligente. Se as crianças conhecessem o sexo como uma relação entre os seus pais, à qual devem a existência, o aprenderiam da sua melhor forma e em relação com a sua função biológica. No passado, era praticamente fatal que o conhecessem primeiro como assunto de piadas torpes e fonte de prazeres considerados vergonhosos. Esta primeira iniciação, por meio de conversa secreta e indecente, em geral deixava marca indelével, de maneira a tornar impossível, daí por diante, uma atitude decente em relação a qualquer assunto ligado ao sexo.”
“Principiemos pelo complexo de Édipo. A sexualidade infantil é, sem dúvida, mais forte do que se imaginava, antes de Freud. Creio mesmo que a heterossexualidade é mais forte na primeira infância do que se poderia inferir dos escritos de Freud. Não é difícil que a mãe imprudente concentre sobre si mesma, sem intenções, os sentimentos heterossexuais do filhinho, e é verdade que, se isto suceder, provavelmente sobrevirão as más conseqüências apontadas por Freud. Entretanto, é muito menos provável que isto ocorra se a mãe tiver vida sexual satisfatória, pois nesse caso não procurará na criança um gênero de satisfação emocional que só deveria obter de adultos. Na sua pureza, o impulso materno é cuidar da criança, não o impulso de lhe exigir afeto, e se a mulher for feliz na sua vida sexual ela se absterá espontaneamente de qualquer exigência imprópria de reação emocional do seu filho. Por esta razão, é provável que a mulher feliz seja melhor mãe que a infeliz. Contudo, mulher alguma pode ter certeza de estar sempre feliz, e nos momentos de infelicidade é necessária certa dose de autocontrole para impedir demasiada exigência dos filhos. Não é muito difícil adquirir este grau de autocontrole, porém, antigamente não se sabia da sua necessidade, acreditando-se que a mãe procedia corretamente quando inundava o filho de carícias contínuas. As emoções heterossexuais das crianças pequenas podem encontrar saída natural, limpa e inocente, em outras crianças; desta maneira, são parte do brinquedo e, como todo brinquedo, permitem preparativos de atividades adultas. Depois dos três ou quatro anos, a criança necessita, para seu desenvolvimento emocional, da companhia de outras crianças de ambos os sexos, não apenas irmãos e irmãs, que são necessariamente mais novos ou mais velhos: crianças da mesma idade.”
“Há outro serviço que o pai e a mãe sensatos podem prestar aos filhos, embora mal o fizessem, até bem recentemente. Refiro-me à apresentação dos fatos do sexo e da maternidade, da maneira mais inteligente. Se as crianças conhecessem o sexo como uma relação entre os seus pais, à qual devem a existência, o aprenderiam da sua melhor forma e em relação com a sua função biológica. No passado, era praticamente fatal que o conhecessem primeiro como assunto de piadas torpes e fonte de prazeres considerados vergonhosos. Esta primeira iniciação, por meio de conversa secreta e indecente, em geral deixava marca indelével, de maneira a tornar impossível, daí por diante, uma atitude decente em relação a qualquer assunto ligado ao sexo.”
“Se a mulher for continuamente infeliz no casamento – afinal isso não é tão incomum, sua infelicidade torna muito difícil possuir a conduta emocional própria para tratar dos filhos. Em tais casos, poderia, sem dúvida, ser melhor que a mãe se livrasse do marido. Somos forçados assim à conclusão perfeitamente acaciana de que os casamentos felizes são bons para os filhos, e que são maus os casamentos infelizes.”
“Os complexos adquiridos na infância, as aventuras dos homens com prostitutas e a atitude de aversão ao sexo instilada nas jovens, a fim de lhes preservar a honra, tudo milita contra a felicidade no matrimônio. Uma moça bem educada, se tiver impulsos sexuais fortes, não saberá distinguir, ao ser cortejada, entre simples atração sexual e uma séria afinidade de sentimentos. Pode facilmente desposar o primeiro homem que a desperta sexualmente para descobrir mais tarde, satisfeito o apetite sexual, que nada tem em comum com ele. Tudo se fez, na educação de ambos, para torná-la indevidamente tímida e a ele sobremaneira repentino nos seus avanços sexuais. Nenhum dos dois tem, do assunto, o conhecimento que deveria ter e, com freqüência, os fracassos iniciais, devido à ignorância dele, fazem com que o casamento seja, para sempre, sexualmente insatisfatório para ambos. Além disso, torna-se difícil o companheirismo mental, assim como o físico. A mulher não está acostumada a falar livremente de assuntos do sexo.O homem tampouco, exceto com outros homens e prostitutas. No setor mais íntimo e essencial da sua vida comum, o casal é tímido, desajeitado e completamente mudo. A esposa talvez fique insone, insatisfeita, indagando de si mesma o que será que deseja. O homem talvez tenha o pensamento, a princípio passageiro e instantaneamente banido, mas depois mais e mais insistente, de que até as prostitutas são mais generosas do que a sua mulher perante a lei. Ofende-o a sua frialdade, talvez no mesmo momento em que ela sofre porque ele não sabe como excitá-Ia. Todo esse sofrimento resulta da nossa orientação de silêncio e decência.”
“De todas estas maneiras, desde a infância até a adolescência e a juventude, e daí ao casamento, a velha moral envenenou o amor, encheu-o de melancolia, medo, desentendimento mútuo, remorso e até tensão nervosa, separando em duas regiões o impulso fisiológico do sexo e o impulso espiritual do amor ideal, tornando um bestial e o outro estéril. Não é assim que a vida deve ser vivida. A natureza animal e a espiritual não devem se guerrear. Não há nada, em nenhuma das duas, que seja incompatível com a outra e nenhuma pode alcançar sua plena fruição, salvo quando unida com a outra.”
“Na sua melhor forma, o amor do homem e da mulher é livre e sem medo, composto em iguais proporções de corpo e mente; sem temor a idealizar porque há uma base física, e sem temor à base física, que poderia interferir com a idealização. O amor deve ser uma árvore cujas raízes se aprofundam na terra, mas cujos ramos se elevam aos céus. Mas o amor não pode crescer e florescer quando amuralhado entre tabus e terrores supersticiosos, palavras de censura e silêncios de horror. O amor do homem e da mulher, e o amor de pais e filhos, são os fatos centrais da nossa vida emocional. Enquanto degrada um, a moral convencional finge exaltar o outro, mas o fato é que o amor dos pais pelos filhos sofre por causa da degradação do amor dos pais, um pelo outro. As crianças que são fruto da alegria e da mútua satisfação podem ser amadas de maneira mais saudável e firme, mais de acordo com os modos da natureza, mais simples, direta e animal, e no entanto, menos interesseira e mais benéfica do que é possível a pais famintos, famélicos, ansiosos, que imploram aos filhos indefesos migalhas do que lhes foi negado no matrimônio e, assim procedendo, torcem a mente infantil e lançam os alicerces dos mesmos males na geração seguinte. Temer o amor é temer a vida, e aqueles que temem a vida já estão três quartas partes mortos.”
“O grau de necessidade do autocontrole na vida depende do tratamento inicial do instinto. Os instintos, como existem nas crianças, podem conduzir a atividades úteis ou prejudiciais, da mesma forma que o vapor duma locomotiva pode levá-Ia ao seu destino, ou a uma variante onde se destrói num acidente. A função da educação é guiar o instinto nas direções em que se possa tornar útil, não prejudicial. Se esta obra for bem realizada nos primeiros anos de vida, o cidadão, via de regra, conseguirá viver uma existência proveitosa sem precisar de severo autocontrole, exceto talvez em raras crises. Se, por outro lado, a educação infantil consistir de mera limitação do instinto, os atos que o instinto mais tarde provocará serão prejudiciais, e deverão portanto ser continuamente vedados pelo autocontrole.”
“A moral sexual tem de derivar-se de certos princípios gerais, em relação ao que existe talvez razoável dose de anuência, não obstante as profundas divergências quanto às suas conseqüências. A primeira coisa é que haja o máximo possível de amor profundo e sério entre homem e mulher, abrangendo toda a personalidade de ambos e levando a uma fusão que enriquece e dá eminência a um e outro. A segunda coisa importante é que haja tratamento adequado aos filhos, física e psicologicamente. Em si, nenhum desses princípios pode ser considerado chocante, e no entanto é em decorrência de ambos que eu advogaria certas modificações do código convencional.”
“No pé em que estão as coisas, homens e mulheres são incapazes de se amar no casamento com a sinceridade e a generosidade que poderiam se os seus anos mais verdes fossem menos atravancados de tabus. Ou lhes falta a necessária experiência, ou a adquiriram de modo furtivo e indesejável. Além disso, como o ciúme tem a sanção dos moralistas, julgam-se justificados de manter um ao outro numa prisão. Naturalmente, é ótimo que marido e mulher se amem tão completamente que nenhum se sinta tentado à infidelidade; entretanto, não é bom que a infidelidade, quando ocorre, seja tratada como terrível; tampouco é desejável que torne impossível qualquer amizade com pessoas do sexo oposto. Uma boa vida não pode fundar-se no medo, na proibição e na interferência com a liberdade mútua. É bom que a fidelidade seja conseguida sem nada disso, mas, quando o exige, talvez o preço seja elevado demais; seria melhor um pouco de tolerância mútua dos deslizes eventuais. Não há dúvida de que o ciúme mútuo, mesmo quando há fidelidade física, muitas vezes causa mais infelicidade num casamento do que haveria se existisse mais confiança.”
Obrigado, Krika. Um forte abraço!
Como sempre … magnifico texto, feito para pessoas que deixaram de lado a hipocrisia. Obrigada!!!!
Olá todos,
Permitam que eu me apresente: tenho 45 anos, sou há 15 casado e pai de um filho. Não sou idealista, nem tampouco acredito em comerciais de Doriana (mostro isso todos os dias ao meu filho), pois não existe perfeição, isso digo, não existe perfeição pra qualquer aspecto em nossas vidas. É viver como um cachorro correndo atrás do próprio rabo nessa busca por ela. A felicidade somos nós mesmos que construímos e cultivamos. Apenas busco viver a vida na metade do copo cheio, pois ela é curta demais pra vivermos focado nos problemas, e traçarmos nisso o motivo da nossa existência. O ser humano é realmente muito complexo, então creio eu que não foi feito pra viver sozinho. É preciso haver perdão, sinceridade e tolerãncia. Nosso mundo/sociedade já é, no seu sempre, egoísta, traidor, inconsequente, mesquinho, ambicioso, violento, futil, corrupto… não é preciso ninguém nem nenhum blog pra dizer isso as pessoas. A Vida se mostra por si só. O desafio, meus caros, está em exatamente sermos diferentes e fazer feliz aqueles que estão ao nosso lado.
Abraços
Olá Fred,
Fiquei perplexa com o seu comentário a respeito dos artigos aqui do blog. Fiquei imaginando o quanto deve ter sido forte para você, ler esses textos exageradamente cheios de verdades, verdades estas que para muitos seria melhor que ninguém jamais as tivessem enxergado. Falo isso porque eu já pensei como você a respeito dos assuntos que você citou. Quando comecei a descobrir através de observação (isso há anos atrás, ainda não conhecia ninguém que falasse do assunto, nem acesso a net eu tinha) eu preferi em muitas vezes, viver na ignorância, continuar todo o ciclo de minha vida conforme me foi ensinado… mas o que me aconteceu é que não consegui. Quanto mais o tempo passava, mas eu amadurecia e as descobertas surgiam, às vezes até sem buscar nada… As coisas apareciam porque mesmo inconsciente todo o meu ser ansiava por tais descobertas. Não sou praticante de todos os assuntos expostos aqui no blog, mas acredito em boa parte deles.
Sabe Fred, a vida deve mesmo ser uma ilusão, mas eu descobri que tentar aproximar ao máximo nossos desejos a realidade, poder viver essa “ilusão” de forma clara e consciente é muito mais válido do que ficar cego diante da vida e de tudo que ela pode ser. Eu não sei se o Adim. desse Blog está precisando de auxilio psiquiátrico, talvez até esteja mesmo já que viver a vida com transparência é tão difícil, mas será que os médicos psiquiatras têm toda a bagagem de estudo dentro de assuntos que o adm. irá levar? Fico pensando se uma terapia seja ela a base de conversa ou de medicamentos seria suficiente para calar a mente de uma pessoa com sede de vida e de verdades. Não há espaço para ódio, tristezas, rancores e solidão em mentes que percebem a vida.
Caro Fred…
Eu poderia citar alguns pensadores (seria bem mais prazeroso falar “inúmeros”, porém, nunca existiram na história da humanidade inúmeros arquitetos do pensamento consciente… sempre foram poucos e invariavelmente rechaçados… post-mortem, são lembrados, homenageados e publicados) com o intuito de refutar as suas colocações. Porém, vou me ater à minha humilde réplica de aprendiz de pensador.
Aparentemente – posso estar errado, você é mais um macho que acha, baseado em sua “confortável” situação de “ainda” dominador (isso vai acabar), que a grande maioria das famílias são felizes e que esse é o modelo perfeito de procriação e manutenção da espécie humana… todos felizes como nos comerciais de Doriana, em lindos jardins e cheios de bens, como em todas as propagandas mercantis, nas quais possivelmente você acredita e norteia a sua vida e, a reboque, a de sua possível família.
Infelizmente, vejo-me obrigado a lhe frustrar dizendo que adoro os meus pais, dou-me muito bem com eles, que, por traçado do destino, não fui vítima dos males aqui apresentados (os que me acometeram, luto incessantemente para deles me livrar) e que não tenho trauma algum de minhas relações que se foram… apenas penso em um mundo melhor. Da parte de meus pais, conscientemente ou não, tive uma criação que me permite hoje questionar as verdades universais nas quais pessoas como você acreditam cegamente. Se, para você, ser um idealista aspirador de um mundo melhor é sinal de traumas passados e de necessidade de tratamento psicoterápico, então satisfaço os seus narcisismo e pensamento ortodoxo: rendo-me e assumo que preciso não de ajuda psicológica, mas sim de psiquiátrica, pois esse idealismo ferve em mim.
Finalizando, não me falta amor, não me sinto solitário. No entanto, sinto-me um homem eterna e apenas parcialmente realizado (quem se sente plenamente realizado nada tem mais a fazer no Cosmo… está na hora de partir e deixar os escassos oxigênio e água para os que ainda sonham).
Sinto-me um homem de pleno sucesso exatamente por não ter chegado à conclusão alguma além da que amo a liberdade… e por levantar dúvidas e não achar que a vida acabou, esperando pacientemente a morte, por já ter um bom emprego e filhos bem encaminhados. Se você se sente um vencedor por ter cruzado a sua “linha de chegada” sem questionamentos, o troféu é todo seu e não me causa inveja alguma… muito pelo contrário. Prefiro continuar dando voltas na pista até quando eu resolver parar… e tenha a certeza de que isso vai demorar a ocorrer.
Se a constituição e manutenção da família, seja como for, na qualidade que for e ao preço que for, para você, é o mais importante, respeito a sua opinião tanto quanto você merecia a minha atenção com essa resposta. Porém, se você tem uma esposa e filhos e tiver coragem, mostre este blog perversivo, pelo menos para ela, instigue as suas verdades, olhe profundamente em seus olhos e pergunte o que ela acha disso tudo. Creio – apostando – que você vá se surpreender com as colocações que lhe serão feitas, se ela sentir confiança suficiente em você para expor os seus, possivelmente, escusos sentimentos.
Lamentavelmente – para você, sou um homem feliz… tanto que “me assusto” e me emociono com as minhas descobertas e decorrente felicidade, acredite ou não. Não quero destruir a família… apenas quero um mundo melhor. Quer mesmo me condenar por eu buscar uma vida que, de fato, valha a pena viver?
Obs: baseado em seu conselho, você sabe mesmo o que é amar? Qual foi a última vez em que você, legitimamente, emocionou-se por amor à sua companheira ou pela vida?
Não resisti e deixarei um pequeno trecho do livro do ítalo-argentino José Ingenieros, médico, psiquiatra, psicólogo, farmacêutico, escritor, docente, filósofo e sociólogo, chamado “O Homem Medíocre”:
Os idealistas costumam ser esquivos ou rebeldes aos dogmatismos que os oprimem. Resistem à tirania da engrenagem niveladora, abjetam todo tipo de coação, sentem o peso das honras com que intentam domesticá-los e fazê-los cúmplices dos interesses criados, dóceis, maleáveis, solidários, uniformes na comum mediocridade. As forças conservadoras que compõem o subsolo o subsolo social amalgamar os indivíduos, decaptando-os; detestam as diferenças, renegam as exceções, anatematizam aquele que se aparta em busca de sua própria personalidade. O original, o imaginativo, o criador não teme tais ódios: desafia-os, ainda que sabendo que são eles terríveis porque são irresponsáveis. Por isso, todo idealista é uma vivente afirmação do individualismo, ainda que persiga uma quimera social; pode viver para os demais, nunca dos demais. Sua independência é uma reação hostil a todos os dogmáticos. Concebendo-se incessantemente capazes de se aperfeiçoarem, os temperamentos idealistas querem dizer a todo momento de suas vidas, como Quixote: “eu sei quem sou”. Vivem animados desse afã afirmativo. [...] Neles se intensifica a paixão que anima a sua fé; esta, ao chocar-se contra a realidade social, pode parecer desprezo, isolamento, misantropia: reprovada a quantos se arrepiam ao contato com os obtusos.
“Nada cabe esperar dos homens que entram na vida sem a febre por algum ideal; aos que nunca foram jovens, parece-lhes descarrilhado todo sonho. E não se nasce jovem: a juventude é algo que se conquista. E sem um ideal, a conquista da juventude é impossível.”
Entre ser mais um homem inexpressivo cheio de moralidade hipócrita, sem identidade, de opiniões firmes e eternas iguais às de toda a manada, inexpressivo, sem pulsões e emoções que valham a pena sentir, apenas optei por ser um inexpressivo idealista com algumas “ilusões”.
Um abraço.
Caro amigo,
Como vejo você tem muitos traumas. Vá buscar um tratamento, ao invés de destruir famílias, pois você será muito mais feliz. Perdoe seus pais, pois eles devem
muito te amar.
Suas palavras são carregadas de solidão e rancor. Não existem sinais de realizações em nenhum de seus textos. Me parece que seus caminhos lhe tornaram uma pessoa frustrada em todos os relacionamentos da sua vida.
Dê espaço no seu blog para histórias de sucesso.
Não torne exceção regra, e vice versa.
Um abraço,
Ame e seja feliz!
Olá! Gostei mt do texto.. eu sou psicólga e brincava que se os pais amassem seus filhos de maneira saudável e sem grandes idealizações e se o conceito de traição fosse flexibilizado (na minha opinião tinha que desparecer.. estou falando de infedelidade), provavelmente, não existiriam psicoterapeutas. E só comentando meu post anterior, eu tb concordo que se possa amar duas ou até mais pessoas. Eu só questionei a minha própria capacidade de amar mesmo e se sei amar e por isso fiquei pensando se posso amar uma e que dirá duas.
Sigo lendo o blog e adorando.