Lendo os comentários da Mar…, Guta e Solange, veio-me à mente uma questão conceitual: O que significa ser adulto? O que é maturidade? O que é ser experiente?
Após algumas consultas, em diversas fontes, sobre a definição da palavra adulto, resumo que uma pessoa se torna adulta quando atinge o máximo do seu crescimento e a plenitude de suas funções biológicas. Quando isso ocorre, ela atinge a maioridade, quando passa a ser responsável pelos seus atos, diante da sociedade. Biologicamente falando, com 21 anos, por exemplo, podemos afirmar que atingimos o ápice do nosso amadurecimento físico.
Ao observarmos dois animais selvagens adultos, um com 4 e outro com 10 anos de idade, se não formos “experts” da área, não saberemos distinguir quem é o mais velho, pois seus comportamentos são bastante similares. Suas adequações ao habitat já foram concluídas e vivem apenas para comer, beber, caçar, descansar e procriar. Não existem fatores e variáveis psicossociais influenciando seus comportamentos e suas sexualidades não são questionadas ou tolidas.
No nosso caso, humanos, é muito diferente: pensamos, temos emoções, somos influenciados pela cultura, fazemos juízo dos comportamentos, preocupamo-nos com ética e moral, etc. Diante dessa realidade, penso que existem equívocos nas cobranças externas e autoavaliações do ser humano adulto que nos impedem de buscar um outro tipo de maturidade: a de vida, com todas as possibilidades que ela tem a nos oferecer.
O fato de, com 21 anos, possuirmos corpos adultos, não implica, absolutamente, a maturidade psicossocial, como exemplo. Acredito que, somente então, quando acabamos de sair – ou estamos em processo de nos descolar – da tutela familiar e passamos a ser responsáveis pelos nossos atos, é que começamos, realmente, a ter condições de construir nossas personalidades e tecer nossas filosofias de vida, através de nossas escolhas. Quando bem jovens, todos os partícipes de nossas formações – pais, parentes, meio social, etc – abastecem-nos com informações que, devido à imaturidade inerente à infância e adolescência e à dependência legal dos pais, não puderam ser plenamente processadas, compreendidas e postas em prática.
Onde estão os equívocos aos quais me referi? Nas cobranças por posturas adultas, feitas aos jovens, na ainda incipiente fase do amadurecimento da liberdade de sua sexualidade e da forma com que se relacionará com o mundo. O problema que enxergo é a transmissão a eles da necessidade de, por serem “adultos”, assumirem posturas seguras e terem certeza de tudo, baseados, exatamente, naquilo – e somente naquilo – que lhes foi ensinado até então. “Você é homem ou não é??!! Você já é uma adulta, não pode ser inconsequente! O que foi que EU lhe ensinei??”
Com vinte e poucos anos, biologicamente, somos realmente maduros. A mulher, principalmente, é considerada uma reprodutora, com aquelas constantes e incômodas cobranças pelo casamento, por netos e bisnetos, durante os encontros familiares; afinal, ela está na melhor fase para parir. No entanto, nessa fase, em termos de sexualidade e maturidade para fazermos escolhas conscientes, a grande maioria de nós é uma criança imatura. Muito pouca coisa sabemos da vida. Porém, não nos é permitido ousar trilhar caminhos desconhecidos e diferentes dos que nos foram ensinados, para depois decidirmos por nós mesmos, sem interferências. Caso isso seja feito, os rótulos vêm a galope: somos inconsequentes, rebeldes e imaturos. Obrigam-nos a ter certezas de tudo que queremos – contanto que estejam de acordo com o por eles esperado, quando na verdade elas inexistem em nosso ser. Ou seja, herdamos as “convicções” dos nossos educadores, que também foram herdadas geração após geração. Dessa forma, dela fazemos parte e damos continuidade a uma sociedade que vive debaixo da filosofia do “tenho certeza” escorada no “achismo”.
Quando penso na dinâmica do constante e necessário amadurecimento, não tenho como não concluir que a família (pais e avôs) possuem papéis relevantes e fundamentais durante bem curta fase de nossas vidas. Passou desse limite, a convivência com eles apenas atrapalha as nossas escolhas, nosso livre-arbítrio, a formação do SUJEITO com indentidade. Como todos nós temos conhecimento, muitos filhos tornam-se emocionalmente dependentes da família e têm medo de “viver”. Essa superproteção que, na verdade, considero uma egoísta e inconsequente covardia – tendo como fator atenuante muitas das vezes ser inconsciente – para com a formação do adulto realmente maduro. Ela induz ao coma profundo algo de que o ser humano não poderia nunca abrir mão: a INTUIÇÃO. Quem já leu o maravilhoso livro “Mulheres que correm com lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, sabe bem do que estou falando.
Uma criança biológica precisa levar um choque na tomada para saber que aquilo é perigoso e não voltar a fazê-lo. Por que não permitir que o mesmo ocorra com o imaturo e jovem adulto – que, de adulto, só tem mesmo a capacidade de procriar – para que sua sexualidade e identidade psicossocial sejam realmente sólidas, baseadas em suas escolhas? Mais uma vez, o confronto entre o “ser” e “dever ser”.
Em nossa realidade cultural, a maturidade biológica, de forma alguma coincide com a maturidade psicológica, social e da sexualidade. Existe um grande “gap” separando as duas. Em muitos, um abismo no qual nem conseguimos enxergar onde termina. Certamente, nesses casos, tratam-se daqueles que mais certezas carregaram, durante todas as suas vidas.
Desde minha adolescência ouço a célebre frase socrática “Só sei que nada sei”. Apenas recentemente ela começou a fazer algum sentido para mim, depois de três casamentos e centenas de certezas que vinha bradando, até os dias de hoje. Claro que estou feliz por essa ficha ter caído – “antes tarde do que nunca”, mas… por que os encarregados pela minha educação não se empenharam em me ensinar isso quando ainda adolescente e logo no início dos meus vinte e poucos anos? Por que eles também não sabiam… e provavelmente não sabem até hoje.
No meu caso, por ser homem, os impactos negativos do tardio início dessa conscientização são bem menores do que no caso das mulheres. Muitas deixaram de trabalhar, tiveram filhos com o que consideram, hoje, o homem errado, etc, e, bem tarde, perceberam a arapulca em que caíram. Mesmo dentre as que nunca casaram, muitas abriram mão de suas sexualidades durante muitos anos e outras o fazem, ainda hoje, com seus quarenta e poucos anos.
Lamento que cresçamos ouvindo que ser adulto é ter certezas, posicionamentos e idéias sólidas sobre tudo, sendo exatamente isso que atrasa o nosso crescimento. Falta-nos consciência para compreender que, quanto mais verdades possuímos, menos ousamos e acabamos nos tornando seres estáticos e nada atrativos, pois todos aqueles que nos rodeiam se cansam de nossas arrogâncias absolutas, principalmente o parceiro.
Hoje, concluo que ser adulto e maduro é ter, diante da vida, a menor quantidade possível de certezas. Não tenho dúvida de que, quanto menos elas existirem, menos tristes seremos e, somente assim, as portas que podem nos levar a outras verdades escondidas, evitadas e proibidas começarão a se abrir.
Compreendam que não precisar ter certeza é distinto de ser inseguro. O primeiro caso saboreia o caminho e o aprendizado… o segundo gostaria da premonição de resultados concordantes com o desejado.
Finalizando e partindo para a prática, vou deixar breves “verdades e certezas” entranhadas há séculos nos dois gêneros:
No HOMEM: “Sou bom de cama. Sei muito bem o que dá prazer a uma mulher… e como fazê-lo”. “Toda mulher adora ser penetrada e, quanto mais tempo isso durar, mais prazer ela terá”. “As preliminares começam na cama”.
Na MULHER: A maior delas: A espera do príncipe. Quando o encontra: “Vou me doar e fazer de tudo para agradá-lo. Assim, ele vai me amar como nunca amou outra mulher e será para sempre”.
Em AMBOS: “Preciso vigiá-lo(la) bem para não perdê-lo(la)”.
Como podemos perceber, os equívocos masculinos são pontuais e práticos… os das mulheres holísticos, imaginados e sonhados. Por que será?
Minha visão é que a mulher se equivoca na consciência do todo – o casamento – mas, desde cedo, aprende a perceber os detalhes, tornando-se atenta… afinal, milenarmente, vem sendo preparada para servir; e sem sensibilidade aos detalhes não há servidão. Além disso, os desenganos das relações fizeram com que ela se tornasse ainda mais observadora e astuta, para melhor “sobreviver” às mesmas. O homem é preparado para o todo e muito bem orientado a como driblar as privações da relação. Mas não é preparado para dar real atenção e verdadeiramente conhecer a mulher… isso é pormenor. Sua visão é macro. A dela, micro. Ele vem sendo preparado para casar e constituir herdeiro, sem a necessidade de abrir mão dos seus instintos básicos… Ela, para deles abdicar. No entanto, o que para a mulher antes eram detalhes, agora estão deixando de os ser.
Achei essa Poesia de Charles Chaplin… acho que me resume um pouco.
Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é…Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama… Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a… Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é… Saber viver!!!
Boa noite!
Para quem não me conhece,sou carioca,enfermeira,solteira sem filhos,26anos.
Muitos por terem uma família repressora,que dita regras,que querem mostrar a maturidade através da verdade…não conseguem ter o prazer de viver,pois são dependentes delas..não têm coragem de lutar..de disputar.
Agora,fazendo uma analogia à ciência,pois sendo enfermeira nao consigo fugir disso,rsrs…
Todos nós DISPUTAMOS em algum momento de nossa vida…e a primeira disputa foi através da maior corrida de todos os tempos,na verdade, nao só corremos ,nadamos muito ,sem bússula,sem apoio…Você estáva lá,pode acreditar!Eram mais de quarenta milhões de concorrentes,todos tinham potencial para vencer, mas só um venceria…Será que você era mais um nessa multidão ou teria algo especial?
Mesmo suas chances sendo mínimas,você participou e ainda achava que iria vencer.Era o SER mais teimoso do mundo,sua garra era incrível.Por isso jamais desistiu da disputa.Essa palavra DESISTIR nao fazia parte do seu dicionário genético,pois perderia o maior prêmio.A VIDA!
Era a disputa do espermatozóide para fecundar o óvulo.A corrida pelo direito de formar uma vida.Você participou da mais excitantee perigosa aventura da existência.Seria mais fácil ganhar na loteria,mas você conseguiu vencer.
Por isso devemos traçar metas,prioridades e correr riscos para realizar-se como pessoa.Melhor é errar por tentar do que errar por se omitir!Não devemos temer..sabemos que é uma grande jornada a seguir…então MERGULHE,NADE,CORRA,VOE..VENÇA!Pois naquela disputa se você se distraísse,perderia, se desistisse,morreria…Era seu destino vencer..no ínício você era uma célula.Mas, em seguida,ela se dividiu e, em poucos dias,desdobrou-se em milhões.
Crescemos no útero materno e fomos envolvidos numa bolsa de líquido amniótico…mas o útero era um mundo muito pequeno para suas aspirações e então,encaixou-se no colo uterino esperando cada minuto até que abrissem a porta…e você saiu..chorando..querendo voltar,pois sabia que a disputa não acabara ali no ventre materno..iria além…como nao podia falar,chorava..tentando se expressar…mas todos achavam lindo..e voce deseperado!Não havia jeito..teria que enfrentar a nova disputa de viver com pessoas preconceituosas,machistas…mas também tendo a oportunidade de conhecer outras, sensatas,decididas,livres,felizes.
Vamos dar ínicio à um novo tratamento através de três técnicas da recuperação:da crítica,da dúvida e da determinação.
DUVIDE de tudo e todos que queiram controlar sua emoção;
CRITIQUE cada pensamento negativo,seu conformismo e reflita sobre as causas de seus conflitos.
DETERMINE ser alegre,seguro,FELIZ!Desfibrile= dê choques(que seriam cardíacos) ..mas esse CHOQUE será na sua consciência…2 choques de 200 A 300J de LUCIDEZ!
Conclusão..VIVA!Não deixemos ninguém impedir isso…se você foi capaz de vencer um ESPERMATOZÓIDE..É capaz de TUDO!…nao me estenderei mais com minhas analogias…
grande beijo!!!
Talvez pessoas que entendam do assunto possam lhe explicar… eu não posso.
Boa Tarde
Entendi muito bem a respeito dos rompantes,mas a única coisa que não está claro ainda para mim, como é que essa imagem foi aparecer se eu nunca permiti que ela aparecesse em blog nenhum?
Estão exibindo imagens sem minha permissão ?
Em todo o caso Vou me informar com pessoas que entendam sobre o assunto porque isso acontece.
Obrigada.
Solange
Avatares
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Creio que agora esteja explicada a razão desse olho ter parado aqui.
Apaguei seus comentários desnecessários e maldosos para não permitir que você se expusesse mais do que o fez.
Tenho certeza de que existem outros espaços na Internet que melhor acolherão seus rompantes de desequilíbrio e insegurança. Aqui não há lugar para isso.
Creio que você não tenha entendido o propósito desse blog, Solange.
Finalmente em casa… Impressionante como esse post me estimulou!Nunca comentei tanto…
Bom, explicando melhor o comentário anterior…
Fui criada em uma família católica, estudei em colégio jesuíta durante grande parte da minha vida. Como sou a mais velha e única filha mulher, cresci protegida como num castelo de princesa. Lembro que durante a adolescência meu irmão mais novo podia sair e passar a noite fora com amigos, porém, eu só obtive tal “regalia” depois de começar a trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro (há uns três anos!!!), meu pai inclusive fazia com que ele fosse me buscar de madrugada aonde quer que fosse. Nem dormir no mesmo quarto que meu namorado eu podia… Definitivamente não vivi minha sexualidade. Tive poucos relacionamentos durante minha vida, não me permitia desejar e muito menos ser desejada.
Quando iniciei meu namoro com meu atual marido sabia de suas convicções libertarias, como ele gosta de chamar, e me encantei por elas… Porém sempre repudiei muito a possibilidade de fazer parte disso, encarava como uma fase da vida dele e até hoje não sei como, reprimi a sexualidade dele com julgamentos e repreensões que hoje sei, foram no mínimo ofensivas. É lógico que com o passar do tempo, tanto ele como eu destruímos qualquer tipo de desejo e vida sexual saudável que um dia tivemos. Ele deixava de viver e ser quem ele realmente era para entrar no meu mundo de iogurte e fantasia e eu perdi nele o que mais me excitava…
Vivemos um relacionamento frustrado por bastante tempo, engraçado que sempre fui capaz de identificar que algo não ia bem, porém justificava tudo baseada no romantismo em que fui criada. O meu súbito “sucesso” profissional fez com que eu tomasse as rédeas da minha vida e me assumisse exatamente como eu era. Lembro que neste período falava, e hoje ainda falo que finalmente virei a personagem principal da minha vida, deixei de ser a coadjuvante. A partir daí fui vivenciando e me permitindo viver meus desejos em todas as áreas, fui mostrando as pessoas quem eu realmente era já não tinha mais vergonha do que sentia, do que vivia, e fiquei bastante surpresa em perceber a aceitação, o encantamento das pessoas, lógico que não de todas, ao me conhecerem realmente.
Ainda hoje sou afetada pelo meu “ranço católico” e paraliso, porém como já disse anteriormente é um processo que, para mim pelo menos, não tem volta.
Sei que tudo foi mais fácil para mim, pois apesar da rígida criação de meus pais, algo que colocavam como fundamental era a minha completa independência profissional e financeira, algo que infelizmente no final das contas é muito importante para uma postura libertaria e sincera.
Administrador acho que é isso… Beijo a todos!!!
Solange, enviei o problema para o webmaster. Eu pensei que esse olho fosse algo seu… de sua escolha. Já resolveremos.
Abraço
Boa Tarde
Gostaria de saber porque aparece a imagem de um olho só nos meus comentários?
Não conheço ninguém neste blog, suponho.Por isso
de onde vocês conseguiram essa imagem?
Gostaria que tirassem essa imagem, por gentileza.
Obrigada
Paulinha, obrigado pela total transparência em sua resposta, assim como em todos os seus relatos a respeito de sua vida.
“…Porém, as discussões em sala de aula são uma coisa e a vida lá fora é outra, não é? Ainda estou em busca da sexualidade livre que vive a personagem do filme, ainda busco compreender e ser compreendida nas relações que tive, tenho e que terei…Esbarrei e ainda esbarro com homens engessados em preconceitos, machismo, etc…”
Esta colocação da Bárbara me lembrou uma conversa que tive ontem com uma amiga. Falávamos sobre novelas. Considero-as uma das ferramentas mais nocivas e prejudiciais à consciência coletiva e mantenedoras da cegueira a respeito das realidades dos relacionamentos. É impressionante como elas estimulam o machismo, ciúme, sentimento de posse, os desenganos e sofrimentos, passando a mensagem de que estes fazem parte de nossa vida. E ainda vem a censura dizendo que o tema é impróprio para uma audiência de menores de 14 anos, por exemplo, por abordar assuntos relacionados ao sexo. Pura hipocrisia e manipulação. Por outro lado, precisam vender as publicidades. Eles não estão errados. Produtos estúpidos cabem, perfeitamente, na sacola da ignorância.
As novelas – mas não apenas elas, atualmente, são os principais disseminadores da cultura romântica, com suas antigas e falsas verdades.
Fiquei empolgado para ver o filme em cartaz “A verdade nua e crua”, devido ao seu título impactante. Porém, ao assistir o trailer, decepção total, pois não passa de mais uma produção cujo objetivo é as altas bilheterias, fazendo o público rir da triste realidade, estimulando, mais uma vez, as mentiras.
Raramente produções que possuem a intenção de levar o público a criticar essas falsas verdades vão para a televisão – quando isso ocorre, não são divulgadas e são apresentadas em horários de baixa audiência. Em geral, restringem-se aos livros e revistas, peças teatrais e um ou outro filme, que nunca são considerados sucessos. Mesmo assim, da mesma forma que as discussões em sala de aula citadas pela Bárbara, ao final, apesar de seus espectadores acharem interessante e concordarem com muito do que ali foi criticado, consideram suas práticas como utopia. (As telenovelas sim, estas representam a verdade nua e crua). Saem da sala de aula, do teatro ou terminam de ler o livro e, no dia seguinte, lembrar-se-ão daqueles debates, histórias e críticas como ficções interessantes. No dia seguinte, de volta “à vida como ela é”.
Pau Brasil, um filme em exibição, por enquanto, apenas na mostra de cinema de São Paulo. Retrata a repressão da sexualidde numa cidadezinha de interior do nordeste. A história põe em cena duas famílias: a de um mascate que cria as filhas com rédeas curtas e a de Juraci, mulher de sexualidade livre e que desperta falatório. O filme mergulha nas paixões humanas que se amplificam e se tornam mais explícitas em localidades pequenas.
Intolerãncia sexual, sexualidade libertária, julgamentos e condenações…está armado o cenário.
Ao ler a sinopse desse filme, lembrei da dificuldade que todos nós temos em sermos livres, autênticos, afinal estamos inseridos em uma cultura. Mas, nós mulheres, temos de rebolar ainda mais para respirar essa tal liberdade. Sou de uma cidade do interior. Ok, não sou de um grotão nordestino, mas ainda no interior do Rio de Janeiro as amarras e correntes são muito fortes. Em minha adolescência, ao questionar e ansiar por experienciar coisas que somente em serem verbalizadas já eram criticadas, fui forçada a guardá-las numa gaveta. Porém, o que se teima em guardar, em esconder, causa uma coceira chata, um tanto quanto constante…e os anseios não calam, a curiosidade persiste, e ainda me julgando “diferente” e, às vezes , recebendo censuras, críticas e julgamentos fui adiante…talvez, tive a coragem de retirar aquelas coisas da gaveta, anos mais tarde, porque me encontrava numa grande cidade, estava no Rio de Janeiro, cursando a faculdade de psicologia, e lá eu podia falar e questionar sobre sexo, sexualidade, etc. Porém, as discussões em sala de aula são uma coisa e a vida lá fora é outra, não é? Ainda estou em busca da sexualidade livre que vive a personagem do filme, ainda busco compreender e ser compreendida nas relações que tive, tenho e que terei…Esbarrei e ainda esbarro com homens engessados em preconceitos, machismo, etc…mas, a única certeza que tenho desde minha adolescência é que seguir padrões e regras sem questioná-los é sufocar…ufa!!! tive a sorte, ou tentei conquistar essa sorte, sei lá e hoje ainda busco a tal liberdade que tanto falamos aqui. E como gosto de cutucar, quando estou no interior, lanço as perguntas, busco os irrequietos, os insatisfeitos para que estes não deixem de questionar, por que a repressão, numa grande cidade ou no interior, sequer precisa de uma autoridade externa para funcionar, porque já está internalizada em cada um. Afinal, existe “um policial interior que dá conta do recado, garantindo a manutenção da ordem e dos bons costumes”.
Definitivamente não nasci com a alma livre, fui criada dentro de um castelo de fantasias romanticas.
O unico sintoma de alma livre que me lembre a agora foi minha paixao por observar conversas e comportamentos de”adultos” desde a minha infancia.
Sempre consegui ver a incrivel hipocrisia dos relacionamentos interpessoais, mas sinceramente assumi uma posicao totalmente apatica em relacao a isso por muito tempo.
Vivia imersa nele sem grandes revoltas ou pragmatismos. Sempre gostei do assunto, lia livros, via programas mas sempre como algo estremamente excitante mas completamente fora da minha ossada…
Durante minha adolescencia, qdo muitos se entregam a paixoes, impulsividade e experiencias unicas, eu me recolhi em casa, hoje sei que por ser uma incorrigivel romantica.
Minha sexualidade, por motivos que prefiro resguadar, não foi desenvolvida, não foi vivida, a tranquei embaixo de uma serie de recalques.
Acho que inicialmente, o primeiro interesse em abordar o tema com meu marido foi o fato de me sentir inexperiente, sede de desejar e ser desejada, viver fantasias,…
O fato do casamento monogamico simplesmente me apavorou!!! E nada como o pavor para revirar sentimentos, e nos fazer sair da inercia. Logico que algo ja havia, posso falar inumeras situacoes e sinais durante minha vida.
Tive a sorte de encontrar no caminho pessoas, em especial uma que organizou minhas ideias e desmitificou meus preconceitos..
Outra sorte foi a reacao de meu marido, que não so aprovou como me incentiva a viver intensamente minha sexualidade.
E muito mais…
Como não estou em casa e respondo de um celular depois explico melhor.
Paulinha, dentro do assunto do post: desconstruções e reconstruções, verdades que ficam para trás, tabus, etc… o que vc tem a dizer sobre essa conversa e “acordo” com o seu marido? Que fatores te influenciaram a se afastar do fundamentalismo romântico, ao longo de sua vida – ou, talvez, recentemente, e a crer nela e se permitir viver essa grande frase do Roberto Freire? Ou você já nasceu com essa alma “livre”?
A grosso modo, existem dois tipos de realidades que influenciam – ou influenciaram – diretamente o comportamento feminino, a tomada de decisão da mulher: a temporal (época), como citou a Solange, e a regional.
A temporal é facilmente compreensível. As possibilidades de independência da mulher de 1900 eram bem diferentes da de hoje.
A regional tem a ver com a localização geográfica. A realidade, mesmo hoje, de uma mulher que mora no interior de Minas Gerais ou do Ceará, por exemplo, é bem diferente da que reside no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Não podemos nos esquecer de que o Rio de Janeiro, por exemplo, não se resume em Ipanema e Leblon; Rio de Janeiro não é Brasil. Dentro de nossa cidade mesmo, existem diferenças gritantes de realidades.
Apesar disso, sempre existiram e existirão as “rebeldes”, independentemente da época e de suas localizações… aquelas que já nasceram livres.
…Continuação III
- A história é repleta de exemplos de mulheres, anônimas ou não, lutadoras, fortes , onde estivessem, em quais estratos se encontrassem,que desafiaram seu tempo, sua cultura, com sofrimento e sacrificio , porque não aceitavam as condições dadas às mulheres do seu meio ,ou de não se satisfazerem com a condição de sua própria vida, lutaram contra tudo e todos para serem livres do seu modo.Por causa destas mulheres , nós mulheres, hoje , estamos aproveitando maior liberdade.Mulheres corajosas, profundas, não somente preocupadas exclusivamente com superficialidades , mas por coisas que realmente beneficiem todas as mulheres, sem exceção , na sociedade, para que sejam livres para seguirem seu próprio caminho , terem as experiências que quiserem, para amadurecerem e se tornarem cada vez mais felizes.Agredeço a essas mulheres corajosas, humanas, realmente e profundamente independentes que sejam abençoadas sempre.
…Continuação II
Na minha opinião, lógico, não embasada em anos de estudo,teorias e pesquisas sobre o comportamento humano, estritamente pessoal. Penso que as mulheres em geral , aparentemente contradizendo tudo o que disse anteriormente, também não querendo generalizar, são as únicas culpadas de receberem tratamentos não condizentes com sua importância na vida, sociedade, tirando os modismos de cada época.No momento que mulheres, dentro de uma mesma sociedade, agridem,agem de forma preconceituosas, segregam ,torturam,dificultam cada vez mais a liberdade de outra mulher de procurar seu caminho e ser feliz como pode, deseja e quer , mais fatos nocivos e reações equivocadas acontecerão a todo instante.
Continuação I…
No plano da teoria, tudo fica bonito, fácil, realizável,de julgar,interpretar,analisar, fácil de maquiar o que realmente as pessoas passam, pensam ou são de verdade na sua intimidade.
Por isso que as mulheres que vivem uma vida mais tradicional, na família, cuidando da casa e dos filhos, não deveriam se sentir culpadas nem inferiozidas perante as outras mulheres ditas “independentes”, na minha opinião.Há muitas variáveis nessas interpretações, quem são estas pessoas que analisam, qual o interesse , qual o objetivo em questão…talvez haja continuação II
continuação…
-As mulheres que carregam essa tradição, esse atavismo com mais força arraigados até a medula, principalmente mulheres de gerações mais antigas,de que devem ser passivas, tolerantes,obedientes com o marido, homens em geral na sociedade não só os maridos, em todas as questões da vida, pedindo permissão para as mínimas ações, tirando a personalidade de cada uma, são mais vítimas do que culpadas.
Entendo perfeitamente a situacao da Elizete…Tive uma conversa semelhante com meu marido pouco antes de nos casarmos.
Definimos nossas “regras”, o que seria toleravel e o que não seria… Na filosofia foi muito facil, tanto eu quanto ele, ja trabalhavamos esses desejos dentro de nos.
Porem na hora de ir a pratica foi muito dificil, apesar de extremamente excitante, ouvir sobre a noite dele com outra.
Pensando criticamente, acredito que so não voltei atras, devido ao imenso orgulho que tenho, um defeito que nesse momento me ajudou.
Ao inves de voltar atras decidi correr o risco, demorei uns tres dias para digerir o assunto, e devo admitir que em alguns momentos a inseguranca ainda bate.E so vai embora de verdade quando lembro da frase “somos um para o outro deliciosamente necessarios.” RF, ele não e meu e eu não sou dele,
Nunca seremos um do outro, estamos junto. Quando entendo a diferenca do ter e estar, muita coisa muda!
O fantastico de não ter voltado atras foi a inimaginavel melhora de nosso relacionamento sexual, do nosso entrosamento na cama.
Admito tambem que ainda tenho grande dificuldade de dividir com ele minhas experiencias,
O ranso de agradar, a instituicao do servir, me cala, pouco relato sobre minhas vivencias, apesar das insistentes manobras por parte dele para ouvir, opto na maioria das vezes por escutar.
O processo e longo e ainda estamos engatinhando, mas sendo bastante sincera, acredito que uma vez que a porta foi aberta não conseguimos voltar atras, acredito que de repente o que a Elizete precisa e exatamente o que eu preciso e coloquei ao meu companheiro,
TEMPO. Tempo para administrar e superar a inseguranca, tempo para se conscientizar e ser capaz de colocar em pratica o que vou chamar de um egoismo leal, não sei se seria o melhor termo.
Não volte complemtamente atras, coloque a ideia no forno, deixe-a amadurecer.
Foi o que fiz e o que faco toda vez que paralizo diante da situacao.
Boa Tarde
Gostei de ler essa história.Ela me fez lembrar de um monte de mulheres nessa situação , não digo que sejam histórias idênticas , mas com muitas coisas em comum.Você, admin, tocou num ponto muito importante sobre as mulheres, sobre o comportamento delas diante da vida.Porque conheci mulheres que mesmo com um emprego, tendo uma profissão e diante da sociedade demonstravam ser independentes, não conseguiam se desvencilhar dos respectivos maridos.Os motivos, claro, para que uma situação destas perdure são vários como você otimamente relatou no fim da história.Algumas mulheres , independentes ou dependentes economicamente dos maridos, tomam coragem e força, enfrentam todas as dificuldades , todos os preconceitos da família, dos amigos e da sociedade e vão à procura da felicidade e liberdade.
Muitas por causa da educação recebida , dos exemplos familiares de que a separação é algo terrivel, mesmo sendo independentes têm medo da rejeição da família.Outra parcela de mulheres, porém, também independentes economicamente, não querem baixar o padrão de vida,pois quem banca quase tudo é o maridão.Enfrentar a vida sozinha com um salário ínfimo, baixando o padrão não é uma tarefa fácil para algumas mulheres.Há muitos casos de mulheres que tomam coragem e com esperteza exigem uma pensão ou ajuda adicional exorbitante dos ex maridos.Tirando as que casam virgem, dependentes, vindas de uma educação extramamente conservadora e limitada , principalmente de gerações mais antigas.Essas, a meu ver, são mais vítimas de uma situação,da educação recebida, do machismo na sociedade,inclusive vindo de mulheres, do que conformadas,acomodadas e penso que elas precisam de muito mais apoio para transpôr tantos os obstáculos reais como os que foram introjetados desde que nasceram.E essa superação numa sociedade imediatista e extremamente individualista, ao invés de dar apoio para essas mulheres se sentirem confiantes,com uma auto estima razoavel para lutar,segregam, agridem e trituram mais ainda, deixando a mais desanimada,deprimidas com a auto estima baixa tornando a sua liberdade quase impossível.Isso acontece porque muitas destas mulheres ditas independentes, mesmo que em casa recebendo também violência,grosserias,etc dos maridos na sociedade ,por outro lado,mostram uma imagem de confiantes, liberadas, o que na intimidade do casal nem sempre é a verdade, e tratando as outras mulheres “dependentes” de forma pedante, com ar de superioridade,estupidez ,grosserias e indiferença.Infelizmente , as coisas são muito complexas para abordarmos esses assuntos de forma superficial e tedenciosa, porque há muita hipocrisia,machismo, ainda, na sociedade.
Vou relatar o caso de uma mulher de uma cidade de São Paulo. Apesar de mantê-la no anonimato, pedi sua autorização, pois poderia ser não gostasse de ler análises e debates sobre sua pessoa. Fui por ela autorizado, com muita boa vontade.
Vou chamá-la de Elizete. Ela tem 31 anos. Casou-se com 23 anos. Trata-se de uma bonita mulher. Não possui filho.
Teve uma educação bem conservadora e com total ausência de assuntos e esclarecimentos relacionados ao sexo e à sexualidade. Completou o segundo grau e, no meio de um curso técnico que fazia, resolveu casar e o abandonou.
Conheci Elizete há mais de um ano, em uma época em que usei bastante a internet, enquanto escrevia meu livro, para colher depoimentos de mulheres casadas. Ela estava em uma sala de bate-papo. Começamos a conversar e teve início uma série de lamúrias acerca de si mesma, do casamento e, principalmente, do marido. Dizia que ele era extremamente ciumento, chato, que não sentia mais tesão por ele, que adorava e sentia alívio quando ele ia trabalhar e, principalmente, quando viajava. Desde que casou, nunca mais estudou nem trabalhou, pois ele dizia que não era necessário. Sempre que conversávamos, estava deprimida, dizendo que sua vida não fazia sentido algum. Dizia que ele a impedia de trabalhar e estudar. Pensava em se separar, mas afirmava que seus pais, românticos fundamentalistas, não a aceitariam de volta. Além disso, eles diziam que o seu marido era um homem maravilhoso. Essa situação já vinha se arrastando há tempo.
Ela havia conhecido um homem de outro estado, com quem saia de vez em quando. Dizia-se uma romântica e apaixonada por ele, com quem aceitaria fugir, caso ele estivesse disposto a isso. Continuava em busca do príncipe e queria que ele a salvasse.
Comecei a tentar mostrá-la que ela era a única culpada por aquela situação, com o que, depois de um tempo, concordou. Começou a ler o que eu escrevia e lembro que conversávamos bastante, levando-a a refletir. Mas sua impotência e a crença no príncipe continuavam.
Depois de um tempo, tomou coragem e resolveu começar a estudar inglês. Armou-se um barraco em sua casa, pois o seu marido não queria que ela estudasse. Mesmo assim, iniciou e está estudando até hoje.
Fiquei um bom tempo sem ter contato com ela. Recentemente, voltamos a conversar. Para minha surpresa, Elizete parecia ser outra mulher, um pouco mais consciente. Não acreditava mais em príncipe e assumiu que a rotina sexual do casamento, o fato de não trabalhar, etc, deixavam-na entediada. Queria conhecer outros homens. Concluiu que eu estava certo e que a idéia de fugir com o amante era uma loucura. Ela amava a idéia de amar, mas percebeu que mal conhecia o sujeito. Estava ainda mais insatisfeita com o casamento.
Um dia, enviou-me um e-mail dizendo que perdera a paciência com a situação e que resolveu falar tudo para ele. Contou que havia saído com um homem e que tinha vontade de sair com outros, que estava infeliz, que queria se separar, etc. Para sua surpresa – e minha também, seu marido ficou excitado com os relatos e disse que não queria se separar, que ela poderia sair com quem quisesse, contanto que fosse longe dos olhos de conhecidos. Afirmou que gostaria, inclusive, de vê-la com outro homem. Ela lhe disse que ele poderia fazer o mesmo. Estava irradiante ao me contar tudo isso. Disse que seu casamento estava tomando o fôlego da vida e que não mais pensava em se separar.
Uma semana depois – em um papo bem recente , voltei a conversar com ela e perguntei como estavam as coisas. Para minha surpresa, disse-me que havia voltado atrás e que não queria nada daquilo. Voltou a provocar uma conversa com ele, porém, dessa vez, desfazendo todo o combinado. Sem compreender, questionei e ela afirmou que não gostava da idéia de saber que ele estava com outra, mesmo não sentindo tesão por ele.
Como sempre expus-lhe minhas opiniões, sem rodeios, conduzi-a a pensar e a chegar a uma conclusão já esperada por mim. Ela admitiu que não era ciúme. A realidade é que tinha receio de que ele se apaixonasse por alguém e decidisse se separar, deixando-a “na mão”, pois não trabalha e não tem filhos com ele. Logo, sendo ainda nova, o máximo que aconteceria, seria receber uma pensão temporária. Veria-se, então, obrigada a procurar um trabalho que, nem de perto, traria-lhe uma renda que mantivesse o padrão de vida que hoje tem.
Perguntei sobre seus desejos de ter outros homens. Respondeu-me que continuam e que, assim que tiver oportunidade, terá uma aventura ou amante. “Mas, EU posso, ele não… e ele não saberá…” – disse ela.
A quantidade de conflitos, verdades e inverdades, certezas e incertezas, nesse caso, é imensa.
Lembrem-se de que não estamos aqui para julgar a nossa amiga paulista. Nosso objetivo é filosofar sobre comportamentos e fazer autoavaliações. Com maior ou menor intensidade, “todas” as mulheres possuem um pouco da Elizete.
Solange, fique tranquila. Para falar a verdade, eu agradeço a você pelo equívoco na interpretação do “lugar comum” da Guta. Proporcionou uma considerável guinada no blog, que estava muito filosófico – apesar de que a filosofia nos acompanhará todo o tempo. Mas necessitamos também de mais trocas de experiências práticas entre vocês, como na apresentação da recém-chegada Morena.
Outra coisa que lhe agradeço: falou os famosos palavrões “proibidos” mas tão presentes em nossa linguagem cotidiana. Por que é hipocritamente vulgar uma mulher falar PAU? Porque mencionar pênis lança apenas a idéia da função biológica da genitália. Pau lembra prazer, possuindo uma abordagem sexual descompromissada com a procriação. Isso é ridículo. Aqui não existe censura. Um palavrão bem colocado soa extremamente poético e elegante, sem contar que, em vários casos, ele seria, realmente, a melhor palavra a ser usada, naquela situação, pela força do seu impacto. Particularmente, assumo ser um desbocado.
Vamos continuar juntos. Temos muito o que trocar.
Parabéns pelo seu bom senso. Isso é inteligência.
“… Ainda não estou no nível de discussão das depoentes que aqui estão…”
Morena, você começou com uma autoavaliação depreciativa seguida de um excelente comentário… bem dentro do que desejamos: experiências vividas… velhas e novas verdades, desconstruções e reconstruções. Chegou com o pé direito. A primeira parte de sua história é bem comum a “todas” as mulheres. A segunda parte – pós-separação – coincide com as de poucas e determinadas, não apenas pela ruptura em si, mas pelo atual bem-estar demonstrado.
Gostaria de comentar a forma sóbria com que você assume a sua parcela de culpa na condução do seu casamento, permitindo, durante anos, que ele tomasse o rumo que tomou. Aos poucos, foi passando a olhar mais para dentro de si mesma e começou a perceber que as carências que estava sentindo não seriam mais supridas naquela relação. Fiz essa leitura.
Mais uma vez, lembro que somos os únicos responsáveis pelos rumos que nossas vidas tomam. Essa responsabilidade não podemos atribuir a ninguém: família, pais, marido, filhos, etc. Por mais repressora e desinformada que tenha sido uma criação, sempre chegamos a uma fase em que podemos ter o livre-arbítrio para decidir que caminho tomar. Possivelmente, às vezes doloroso.
Sou um homem frio quando avalio esse aspecto em alguém. Quando vejo uma pessoa – homem ou mulher – em determinada situação desconfortável, triste, sofredora, e percebo sua impotência para mudar o quadro, sozinha, tento ajudar, estimulá-la a se movimentar. Porém, se vejo que ela realmente é uma fraca que, por opção ou alguma razão, já se acomodou naquela posição e se diz incapaz de agir, eu não insisto. Se ela fosse a única pessoa no mundo precisando de auxílio, eu seria mais determinado. Mas não quero ser o herói de um ser apenas. Desejo é que nossas idéais se multipliquem. Então, precisamos compartilhá-las com pessoas fortes e determinadas que estejam, realmente e somente, precisando de um norte, um estímulo.
Viver, todo o tempo, reclamando da sociedade machista, dos homens que não conhecem os corpos e as mentes das mulheres, do casamento, da falta de tesão em casa, etc, é a melhor forma encontrada por muitas para não parar para encarar de frente suas covardias.
Ajude-nos a aprender com você também.
Obrigado pelo carinho nos elogios. Na verdade eu nada administro aqui. Apenas conduzo, lanço idéias. A troca maior é entre vocês.
Abraços e seja bem-vinda.
Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar ao Administrador, belíssimo trabalho. Um espaço para que nós mulheres possamos ler, aprender, discutir, trocar idéias , clarear pensamentos e adquirir novos. Hoje estou escrevendo pela primeira vez, mas já fui apresentada ao Blog anteriormente. Só estava como mera leitora, agora aos poucos estarei comentando sobre o que tenho lido.
Ainda não estou no nível de discussão das depoentes que aqui estão, mas com certeza aos poucos estarei podendo passar minhas experiências minhas opiniões a respeito dos assuntos que aqui estarão sendo postados.
Sou uma mulher de 40 anos, separada e mãe . Tive um relacionamento de 20 anos com a mesma pessoa,mas confesso que muitas coisas não sabia e nem estava apta a saber sobre os relacionamentos Homem x Mulher.
Achava que deveria ser como nossas mães nos ensinaram ( ou não ) visto que tive uma educação repressora e sem nenhuma informação acerca do que era ser mulher verdadeiramente.
Hoje vejo que já aprendi um pouco, mas ainda tenho muito o que aprender e vivenciar. Estou vivendo uma fase maravilhosa da minha vida, coisa que não poderia dizer a alguns anos atrás.
São experiências novas, conhecimentos e uma grande troca . Acho que por uns longos anos, eu vivia numa Redoma de vidro. Não que eu fosse uma Santa,( longe disso por favor, rotulo que até hoje tenho pavor de ouvir). Mas sobre nada eu conhecia, pois não me tiravam de lá. Vivia isolada num espaço que só chegava a mim, o que alguém achasse que devesse.
Tenho minha parcela de culpa?? Tenho sim, e muito. Porque poderia ter mudado se quisesse. Só que era cômodo. A segurança (imaginária), o medo do desconhecido, o receio de ficar só, enfim. Vários aspectos me faziam ficar estagnada ali, inerte.
Até o dia wm que resolvi procurar as respostas dentro de mim, e aos poucos fui saindo da Inércia e aprendendo sozinha o que eu achava que seria bom pra mim. Tomei decisões, modifiquei minhas atitudes diante do outro, e comecei a decidir o que queria ou não pra mim. Óbvio, que isto trouxe outras consequências, um desgaste no casamento, uma traição e finalmente a separação. Quando todos achavam que eu iria desmoronar ( confesso , que até eu me surpreendi comigo mesma ), contrariamente eu dei a volta por cima. Passei a me amar mais, a me cuidar, a ficar mais bonita. Descobri a mulher que existia dentro de mim, e não a vaquinha de presepio, que tinha que concordar com o que todos falavam ou pensavam. Isso foi uma vitória , uma mudança. Me sinto às vezes como se tivesse virado do avesso. Colocado pra fora o que sempre esteve guardado no meu interior. O que estava escondido e muito bem escondido. Sou solteira, mas nunca estou sozinha. Tenho minhas boas e saudáveis amizades, estou sempre conhecendo pessoas. Graças a Deus , pessoas maravilhosas. E vou vivendo um dia após o outro. ” VIVENDO E APRENDENDO “, sempre. Espero que aqui , possa aprender um pouco mais sobre os assuntos que o Administrador possa nos presentear, e que algumas de vocês possam explanar. Estou gostando de estar por aqui. Não vou poder escrever o tempo todo, mas a noite poderei vir aqui, e fazer algumas das coisas que mais gosto de fazer: Ler,e escrever. AMO!! Bom pra praticar a leitura, a interpretação e colocar minhas idéias em algumas linhas. Parabéns a vocês todas, por estarem aqui. Um espaço perfeito para nós. Um abraço carinhoso a todas.E um especial ao Administrador, pela sensibilidade e didática na qual está abordando acerca deste vasto e inesgotável mundo feminino.
Boa Tarde
Ontem minha reação não foi muito legal, quero me desculpar com o dono do blog, o admin, sempre muito gentil comigo.O “lugar comum” empregado pela Guta me fez lembrar um fato .
É que participei de um grupo de estudos, uns anos atrás, e as pessoas responsáveis, que dirigiam o andamento do curso, falando, propondo novos assuntos aos debates, sempre que as pessoas iam dar suas opiniões, discutir com eles ou com os colegas, sempre saiam com esse lugar comum, que tudo que falavamos era lugar comum, do senso comum.O que eles falavam nunca era lugar comum,lógico.Aí um dia , no meio do curso, não aguentando mais aquela arrogância,prepotência,tive coragem, levantei e falei ,- Já está se tornando lugar comum as condutas de vocês, esse jeito de conduzir esse debate.Toda vez que nós platéia, damos algum parecer , vcs aí em cima , na mesa , rebatem as opiniões de forma sempre a nos criticar, que tudo é lugar comum.
Pagamos para estarmos aqui e por isso exigimos mais consideração.Muitas pessoas podem não saber se expressar tão bem ou não ter a erudição de vocês.Mas isso não dá o direito de diminuir , tornar menor o que cada um de nós expressamos.Terminei dizendo, que o nível de educação não é dos melhores das pessoas, hoje em dia, independente da formação , já se tornou um lugar comum na sociedade.Enfim, depois de ter dito tudo isso, levantei e fui embora, não conclui o curso.
Ontem fui mal educada , mas é que é tanta coisa acumulada de tanto tempo,só escutando, passiva, tolerando, vendo coisas absurdas , sem educação, sem consideração com as pessoas, que no fim quem foi mal educada fui eu,tendo um comportamento não condizente com o nível deste blog, reconheço.
Administrador e mulheres do nosso blog
Não estou com muito tempo pra escrever agora. Mas gostaria de ressaltar que ao escrever lugar comum, não me referia que as pessoas são comuns, nem vazias ou pobres nas suas experiências.Quem sou eu para restringir ou analisar os outros? A única ánalise real e produtiva é a auto- analise.
Quis somente dizer que é comum, é frequente todos e qualquer tipo de questionamento, pergunta, dúvidas, angústias na sociedade atual, dentro do assunto que frequentemente tratamos aqui. Algumas com um nível de educação mais elevado e outras nem tanto.
A gentileza, o saber portar-se é algo muito simples e faz bem a todo mundo. São qualidades encontradas em pessoas que vivem em comunidades carentes mas nem sempre é fato entre pessoas com maior grau de erudição.
Cultura, todos tem, faz parte do ser humano, pelo que me lembro das aulas de antropologia.
Beijocas a todos!
Adorei os últimos comentários da Paulinha, Solange, Guta e Bárbara. Sinceramente, creio que agora estamos entrando nos trilhos do objetivo do blog: debate! Claro que elogios sempre caberão. No entanto, criamos esse espaço para algo muito mais além de “rasgações de seda”. Precisamos mesmo é trocar idéias, pois considero que nenhum assunto comportamental possui tantas falsas verdades quanto a sexualidade. Ela precisa ser debatida e desmistificada! Mais uma vez, sexualidade vai muito além do ato sexual. Se uma mulher está em uma roda de chope com amigos e surgem os assuntos sexo anal, oral, bissexualidade, masoquismo, sadismo, swing, fetiches, etc, e ela se cala ou prefere emitir opiniões superficiais que não comprometam a sua “dignidade”, esta mulher não estará expressando e exercendo a sua sexualidade, que está ligada à postura assumida diante da sociedade.
A experiência está relacionada às tentativas, diferentes formas de explorações das práticas, curiosidade, ousadia, busca de respostas, dinamismo, não se importar com julgamentos, por fim, busca da consciência. E isso se aplica a qualquer área: profissional, familiar, relação interpressoal, casamento, criação dos filhos e ao exercício da sexualidade feminina, que É O QUE INTERESSA NESTE BLOG. Sobre os outros assuntos, temos toda a liberdade de tratá-los, até durante uma missa, sem censura.
Especificamente sobre o assunto sexualidade feminina, posso afirmar que o conhecimento da grande maioria dos homens, sobre o tema, é, no mínimo, sofrível. Por parte da maioria esmagadora das mulheres, sua expressão e exercício estão bem longe da realidade.
Precisamos ter muito bom senso ao afirmar que somos sexualmente experientes – se o tivermos, dificilmente afirmaremos isso, que sexo é sempre a mesma coisa, que tudo não passa de uma “foda”. Foder é, realmente, lugar comum para a grande maioria dos casais, gays, lésbicas, etc. Mas não podemos tirar isso como uma realidade diante apenas das experiências que tivemos. E tenham certeza de que, ao afirmar isso, passo largo do pensamento romântico. Muito pelo contrário, é por causa desse cara chamado romantismo e das privações que ele provoca que a grande maioria das pessoas morre sem saber fazer outra coisa a não ser foder, como comentou a Solange…
Um homem pode morrer tendo levado para a cama mais de mil mulheres – ou vice-versa – e, ainda assim, pode ter partido para outra sem nada saber sobre sexo, diante das possibilidades de maravilhosas sensações que este pode lhe oferecer.
Podemos simplificar e reduzir o exercício da sexualidade feminina em duas situações ou interações distintas: diante da sociedade e a dois. No primeiro caso, basta coragem e estar disposta a pagar o preço, sendo perfeitamente possível ser uma atitude solitária, individual. No entanto, a dois é bem mais complicado, pois exige, além da coragem, CUMPLICIDADE E RESPEITOS MÚTUOS. Faz-se desnecessário explicar o porquê dessa dificuldade.
Logo, mesmo dentro das “fodas”, tenho certeza de que a grande maioria dos casais, quase nada sabe nem sobre as possibilidades de uma “trepada”, pois não se permitem, rendem-se aos tabus e preconceitos. Nem a dois conseguem ousar passar dos limites do “sexo digno”… imagine explorarem possibilidades, mesmo que superficiais, sobre a bissexualidade, ménage, swing, sadomasoquismo e fetiches em geral!
Enquanto vocês, mulheres, não conseguirem exercer o máximo possível de suas sexualidades – pelo menos a dois – sempre verão o sexo como uma foda. Pois o enxergarão como algo muito mais necessário à relação do que prazeroso. Enquanto sentirem-se usadas, objetos, não conhecerão nem de perto outras sensações disponíveis que vão muito além do orgasmo, por não se entregarem aos seus EU’s. A mulher sexualmente resolvida não se entrega a um homem… entrega-se a si mesma e escolhe aquele que julga merecedor de passear pela sua essência fêmea. Enquanto insistirem na preocupação com o que o parceiro estará pensando e se ele telefonará no dia seguinte, esse sexo não passará de uma foda.
No entanto, a dois, ou até mesmo a três, quatro, etc, se conseguirem desnudar suas almas, firmando um espontâneo pacto de cumplicidade, sem julgamentos, estou certo de que esse casal dificilmente irá foder… e sensações completamente desconhecidas irão se apresentar, nos corpos e nas almas, inclusive o amor verdadeiro, que NADA tem a ver com o romântico. Infelizmente, isso ainda não é para qualquer um.
Quando tivermos a consciência de que quase nada sabemos sobre sexo ou sobre o exercício pleno da sexualidade, estaremos prontos a começar a explorá-los.
Exercer a sexualidade não é apenas pensar ou escrever. É agir corajosamente. Por isso, posso lhes garantir que este blog, além das filosofias e relatos de experiências sérias e vividas que raramente encontraremos citadas em outras fontes, deve ter o seu tema – sexualidade – discutido e orientado pela curiosidade e pela permissão, sem julgamentos, pois sei que a maioria que aqui escreve e comenta, pelo menos até hoje, 05/11/2009, está, de fato, querendo aprender mais sobre a vida… e ousadamente agindo.
Viva intensamente o romantismo ou se deixe por ele ser levado e verás que nem um razoável fodedor conseguirás ser.
Por que falar de sexualidade? Porque se relaciona com a gestão das emoções, porque se direciona para a integração dos afetos, porque abrange o que de mais íntimo cada um tem e sente, porque aborda o “setor proibido” tentanto esclarecer as dúvidas, imensas. Porque existe um conjunto de conceitos, já preconceitos, convenientemente errados, de etiologia sócio-cultural, que precisam ser corrigidos e a resposta reposta. Porque se continua a propogar uma série de supostas verdades, pesadas porque falsas, que tentam influenciar e condicionar o modo de sentir e de agir de cada um. E, por fim, porque cada vez mais existe o direito à felicidade sem que esta tenha que seguir, obrigatoriamente, os ditames que uma sociedade decidiu impor. Porque o ser humano tem o direito de amar e ser amado por quem(s) e do jeito(s) que achar melhor.
Sexualidade traz consigo a idéia da inclusão de diferenças e diferentes formas de expressão. Muitas vezes as queixas afetivo-sexuais levadas aos consultórios psicológicos estão embasadas em uma carência de informação e/ou orientação sobre sexualidade. A riqueza humana está nas diferenças e não na luta incessante para enquadrar diferenças em moldes pré-estabelecidos. Podemos cada um de nós, únicos e portanto, diferentes, singulares, contribuir para a construção de um contexto de igualdade, respeito, de aceitação, de não discriminação. Por isso, Guta, Solange, e demais mulheres, vamos sim falar de sexo.
E falando em diversidade, quero aproveitar e citar aqui a bonita forma de manifestação pela obtenção dos direitos da comunidade LGBT durante a parada gay do último domingo no Rio de Janeiro. Alegria, diversão, cidadania, respeito. 2,5 milhões de pessoas presentes ao evento que tem como uma de suas principais bandeiras a aprovação pelo Senado Federal do projeto de lei da Câmara nº122/2006 que criminaliza a homofobia(discriminação e violência contra LGBT) equiparando-a ao crime de racismo.
Pessoal, nesta segunda-feira (02/11), dia seguinte a realização da 14ª Parada Gay do Rio de Janeiro, a cidade foi eleita como o melhor destino gay do mundo. A eleição aconteceu em Boston, nos Estados Unidos, durante a 10ª Conferência Internacional de Turismo LGBT, e foi promovida pelo canal americano Logo, da MTV, que é voltado para o público LGBT. O Rio competiu com Barcelona, Buenos Aires, Londres, Montreal e Sidney. VIVA A DIVERSIDADE SEXUAL!
Acessem http://www.naohomofobia.com.br. Abaixo-assinado pela criminalização da homofobia. Participem!
Que merda, já me enchi disso, todo mundo está cansado de saber como é se foder, até uma criancinha de 5anos sabe, ahhhhhhhhhhhhhhhhh é muita chatice ,muito lero,lero….encheuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Pau e buceta se fodendo.Qual a construção nisso……………………………………………………………..que merda.
Se a sexualidade é um lugar comum , que é o que escutamos, falamos ,praticamos, uns nem tanto,hoje, que cada um tem uma construção nesta área, suas vivências, suas sensações tudo bem, cada pessoa é uma pessoa diante de tantas outras.Mas não adianta querer esconder sexo é algo que a maioria das pessoa fazem e todos nós sabemos como é, e mesmo não soubessemos com tantos filmes pornôs,eróticos para educar as adolescentes que acho incoerente a sua ótica em expôr ou não a sua sexualidade,é o que você acha, respeito.
Como também vou respeitar quem quiser expôr.
Uma cena, dois casais na cama, nus, estão se beijando, dizem coisas picantes, românticas , parecem estar apaixonados, a intensidade dos suspiros, gemidos enchem o quarto, as mão tocam o corpo um do outro, seus braços, suas pernas se enroscam , seus corpos se grudam, suas bocas percorrem a pele sentindo o gosto do parceiro, o sabor , suas linguas , suas bocas se tocam , as batidas do coração vão aumentando, a intensidade do prazer se intensifica, a penetração começa , os movimentos vão aos poucos se tornando uniformes seguindo o movimento do outro, o prazer aumenta mais e mais , todo o segundo , que é difícil ter controle do corpo, ele vive, pulsa sem a mente dos amantes, ele é o soberano , a mente adormece, os movimentos tem vida própria e num segundo se fodem………………………………….
Boa Noite, Guta, li o que você e a Paulinha escreveram e depois de me deparar com cada texto, fico pensando,como que em cada depoimento que leio ,aprendo um pouco mais sobre a vida, os relacionamentos, os cerceamentos que a vida impõe para as pessoas. E como cada um vai elaborando todas essas etapas, o grau das dificuldades e problemas.Só num ponto não concordo contigo, que o que cada uma mulher relata ou relata aqui seja lugar comum, no sentido do cerceamento imposto às mulheres , nas nossas descobertas no campo da sexualidade e da vida.
Comentei sobre a minha forma de ver as certezas e em nenhum momento quis colocar a culpa em alguém em especial, nem de dizer que fui tolhida na minha sexualidade ou liberada totalmente na minha sexualidade, acho que o meu comportamento estava dentro do esperado de uma menina dos anos 70 com todos os problemas ao redor acontecendo.E penso que o que cada pessoa sente , experiencia em cada etapa da sua vida de formas diversas e semelhantes também em alguns aspectos muito importantes e especiais .Certamente , não vai ser num blog que todos os detalhes expostos serão reais , muita imaginação será expressa no meio de tudo ,floreios que fica dificil saber se o que a pessoa escreve aqui seja real mesmo.Sempre tenho isso em mente.Lugares comuns estão em qualquer parte, em qualquer discurso, nas condutas, nas intenções de cada um.Mas apesar de tudo,
Valorizo muito o que as pessoas passaram ou escrevem,mesmo que seja somente uma tentativa de criação literária,ou quais as intenções de cada um,ou como sentem ,quais são suas dificuldades e nunca vou me colocar numa posição privilegiada de chamar alguma coisa de lugar comum, então desta forma posso rotular a vida, a morte que todos passam de lugares comuns. A forma como você se expressou de achar o que todas as mulheres aqui escrevem de lugar comum muito superfical, já vi comportamentos lugares comuns como esse.Não adianta , todos nós somos semelhantes em muitas coisas.Os judeus terão as mesmas formas de expressar o sofrimento, os negros de outra , as mulheres que foram estupradas , homens que de repente perdem o emprego também terão os lugares comuns quando relatarem suas experiências, não tem como escapar disso.E
não quis culpar minha mãe ou meu pai por essas passagens da minha vida aqui relatadas,e se tivesse alguma coisa para culpá-los não seria aqui que faria e também não vejo mal nenhum em relatar as experiências sexuais , se a todo instante na tv, no cinema, no dia a dia, nas ruas, o que mais escuto é sobre a sexualidade. É algo tão lugar comum como você se referiu no seu texto que ainda fico admirada pessoas informadas, cultas ainda darem uma de moralistas, julgadoras da vida das pessoas, de dizer o que é certo ou errado para as outras pessoas, essa forma de encarar a vida , na minha opinião, é o lugar comum que mais me deixa triste e desanimada.
Sobre Freud e Lacan, não os conheço profundamente, já li alguma coisa de Freud, mas mesmo assim não posso dizer que o que ele falou estava equivocado.E se eu for escolher , prefiro Jung.Mas tem tantos outros pensadores nesta área, que não se restringe a esses somente.Não sei se você reparou mas estou levando um pouco na esportiva tudo isso aqui.
Realmente a vida tem tantos lugares comuns, a mulher e o homem que transam, copulam, descobrem as delicias do sexo em cada posição aprendida no Kama Sutra, nos manuais do sexo que pululuam na internet, nas livrarias, do nascimento, da morte, da infância de cada um podem ser lugares comuns, mas especiais como cada pessoa é.Não acho que algumas pessoas são mais especiais que as outras, que possam chegar detonando as outras manifestações humanas e dizendo quem pode manifestar ou não seu pensamento.É , na minha opinião, muita rispidez.Maturidade não é dureza, certamente não é esperteza , ludibriação por outro lado, também não é arrogância inútil e superioridade exacerbada, colocando o outro numa posição menor com a sua, não sei se interpretei mal sua colocação, mas senti,sim, uma forma muito tendenciosa .Muito bem exposto , escrito , mas de uma forma a desmerecer a experiência dos outros.
Qual a diferença num debate, numa discussão, com pessoas de diversas origens e formações num espaço real e virtual?Não é a mesma coisa, não vão ser as mesmas pessoas, os mesmos dilemas, anseios,etc?E por isso as pessoas mais cultas , com mais experiências e profundidade no assunto vão desmerecê-las, inferiozá-las, tenho impressão que pessoas inteligentes , educadas serão humildes e saberão ouvir cada um dentro das suas peculiaridades.
E você vai me desculpar,mas existem ,sim, cerceamentos na vida das pessoas muito graves,muitas vezes os culpados são os pais, os tios, os avós, o vizinho, a professora, uma época e não são lugares comuns,de jeito nenhum, como forma de desmerecer a expressão de alguém, não vejo amadurecimento nas pessoas que fazem graça , zombam das experiências das outras pessoas de quererem colocar a vida de algumas pessoas mais lugares comuns que as outras.Isso é muito pobre para mim, muito mais em alguém que não tenha a sua formação intelectual.E se vocês esperam que hoje em dia as pessoas aceitem facilmente o que as outras pessoas ,ditas intelectuais, escrevem ou acham, vão se frustrar.
Boa Noite Administrador e caras mulheres do meu Brasil!
Quantos comentários interessantes esse post nos tem presenteado não é mesmo?
Sentei agora na cadeira e dei pra escrever o equivalente a semanas rss. Acho que tão cedo não volto a escrever tanto assim!
Muito oportuno falarmos de maturidade biológica e amadurecimentos…eles caminham de mãos dadas? Certamente que não. Estão mais ligados as experiências e caminhos que nos permitimos ou não trilhar.
Acho que tudo o que as mulheres do Ela Nua e Crua comentam é lugar comum, no sentindo do cerceamento do nosso crescer e amadurecer. Mães e pais nos policiando, nos limitando,porque também jamais imaginaram um processo de educação distinto do que tiveram.
O sexo é um assunto presente em todos os posts e comentários deste blog, justamente porque durante uma eternidade, jamais foi permitido conversar, pensar sobre e fazer tanto sexo como hoje em dia.
Tomo como exemplo a minha relação com o que é ser mulher.
Algo no ínicio limitante, e doloroso tanto emocional como fisicamente.
( Hoje em dia fonte de prazer e auto descobertas ilimitadas).
Vejam só isso.. A chegada da menstruação, pra mim foi uma experiência revoltante… minha mãe me olhando sorrindo com lágrimas nos olhos e dizendo: ” A minha filha deixou de ser menina, virou mulher!” E eu: que merda é essa, como é que alguém aguenta andar o dia todo com essa fralda, que dor, meu corpo tá inchado, é o oitavo absorvente só hoje;já passou uma semana e isso não para! Não vou poder correr no domingo!”
Mal sabia eu que existia tpm ou pós m ou durante m rss.
Cito abaixo um repertório extenso de pérolas que escutei durante toda a minha adolescência, entre outras da boca de amigas relatando conversas entre mães e filhas e pais e filhas. Elas nos moldaram ou se tornaram limitações a principio, intransponíveis, e que serviram como coisas a serem superadas por algumas de nós:
Já sabe cozinhar então já pode se casar!
A minha mãe não me explicou o que era uma visita ao ginecologista… portanto não é preciso eu explicar também, não vejo o por que do choro”.
Na minha época não tinha sexo antes do casamento, éramos mais felizes,e como esposas os maridos não nos pediam todo dia, para isso é que existem as amantes e as putas;
Minha filha não usa batom vermelho!
Minha filha, tenha modos!
Esse comportamento não é de moça.
Não sente de perna aberta!
Jamais saia vestida sem calcinha!
Não sente no colo dele que tem idade pra ser seu pai.
Masturbação é pecado, é feio, é sujo!
Sexo oral e anal, é pecado!
Isso não é literatura para uma moça!
Você está lendo Os Maias de Eça de Queiroz?!!? (A trama gira numa tragédia incestuosa).. isso não é pra sua idade
Etc, etc, etc.
Digo sempre que a minha sexualidade é algo meu e só meu. Foi um construir, foi um sentir e um viver quebrando os meus tabus, alguns herdados e outros adquiridos ao longo das minhas experiências.
E haja autenticidade e personalidade e por fim, coragem para ultrapassar tudo isso.
Gostei muito da relação da Solange com problemas, pois o amadurecimento do ser, só foi viável, factível e real à partir do momento que passei a abraçar minhas limitações e os problemas com os quais me defrontei.
Assim foi e ainda é em certos campos da minha vida. E me permitir estar aberta a mudanças sempre!
E também porque quando ultrapassei a estória que escreveram para mim, a gostar de mim mesma, não me sentir menor, maior, suja ou limpa, e começar a escrever a MINHA estória, alguém muito especial surgiu: eu mesma!
E como dá trabalho descobrir-se.
Ao longo do meu amadurecimento também consegui ultrapassar o pior limite que nos impingem : a culpa e o culpar.
Me desculpe Freud e Lacan, mas mãe não é a culpada de tudo, mãe não padece no paraíso, ser mãe é uma escolha e não um dever!
Retomando, a minha linha de tempo não linear, lembro de outro marco e divisor de águas: quando e como eu decidi romper com a minha virgindade.
Muito diferente da catequese a qual eu fui sujeitada: tinha que ser alguém muito especial; num relacionamento de amor; só depois do casamento etc.
Eu optei por escutar o meu corpo,e por isso o momento foi especial, foi com consciência e segurança, e o Outro( objeto do meu desejo e eu do dele)só complementou isso.
Não houve estrela explodindo, encontro de almas gêmeas e toda a baboseira que o movimento monogâmico e romântico com suas várias faces, nos invade de maneira espetacular.
Houve o meu prazer e o dele. Podemos juntos desfalecer devido ao grau de sensações conjuntas, mas jamais as mesmas.
Tudo isso fez parte de um conjunto de marcos e geradores de grandes mudanças internas.
Outro momento muito especial, foi quando consegui entender a diferença entre lealdade e fidelidade; e que exigir de si e do outro um estado de monôgamia santificada é absurdo, é irreal.
Creio em muitas coisas, mas fundamentalmente creio no poder das experiências pessoais, são elas, que nos possibilitam descobertas fascinantes, tanto aos 12, aos 20, 40 ou 60 e no decorrer do último sopro de vida.
A permissão de se permitir caminha lentamente em alguns momentos e em outros numa velocidade luz. E isso só é possivel quando alcançamos a maturidade… ela pode chegar aos vinte( raríssimos casos), aos 30, aos 60 ou jamais…
E como me sinto feliz em encontrar um eco em relação ao que penso, vivo e sinto no Ela Nua e Crua, mas também na rua, na esquina ou num quarto nada escuro e no olhar , no pensar e no sentir, de um parceiro ou outro!
Paulinha, parabéns , de novo , por esse seu depoímento.A sua forma de encarar as certezas é muito interessante, estou aqui refletindo.
É ,é bem assim, essas certezas que vamos introjetando desde que nascemos, e que com o tempo , vendo que elas para nós não são mais de um bom tamanho, tentamos trocá-las conforme o nosso estilo de vida, a época, o que está em voga no momento.
São com essas impressões que me emociono e surpreendo todas as vezes que paro para pensar e lembrar da minhas próprias experiências e de outras pessoas.A expressão explícita da renovação.O que ouvimos quando pequenos dos pais,das teorias já ultrapassadas, das regras e pensamentos digeridos sem questionamento, não faça isso , isso pode fazer mal, fique quietinha na sala de aula, ouvindo a professora, só escute e espere que ela se dirija a você.A professora , austera, com o olhar firme, distante, não aceita erros, perguntas tolas,bem, ela está exercendo seu papel,mas mais questionamentos aparecem.E assim vamos ficando insatisfeitos , algo dentro de nós, diz, mas será que é assim mesmo?Não é como eu sinto.Sinto de outra forma. Problemas , bem vindos a minha vida.Enfim, e lá vou eu caminhando, e a cada passo uma pedra, mais uma parada. Agora estamos entrando na adolescência, de repente, tudo muda dentro de casa, o pai te olha diferente, sua mãe também, poderia definir este olhar como uma marca de expressão no meio das sobrancelhas, acho que todos devem saber como é,bem , lá vem novas certezas, minha filha porque você fica tanto tempo fechada no seu quarto?-Isso ainda vai te enlouquecer, o pai, -minha filha, não use essa saia tão curta, por favor, abaixe-a, mulheres de família não podem ser tão vulgares e se exporem tanto assim na vida.E, ao mesmo tempo, ao redor destes hormônios prontos para explodir, novos costumes vão surgindo, nos tornando dia a dia mais ansiosos, inquietos, loucos para sair por aí sem lenço ou documento se aventurando na vida e a imaginação rolando solta.Perguntamos, – O que está acontecendo comigo, outro dia estava brincando, tomando banho de chuva com os meninos da rua, hoje, com 11 anos , estou trancada no quarto, melancólica, escrevendo um diário expressendo meus sentimentos, meus anseios, meus desejos ouvindo os Rolings Stones,na música satisfaction e Help dos Beatles.Alguns dirão, ah, os verdes anos.E nós vamos tecendo sonhos, desejos, criando expectativas,e aí vem o primeiro namorado , o amor platônico, a primeira reunião dançante,sou desta época,risos, ao som de Serge Gainsbourg, Je t’aime, moi non plus, finalmente o primeiro beijo, o primeiro suspiro e quantas noites em claro pensando, pensando e pensando no amor, naquilo que não conseguimos ainda entender com apenas 12 anos, nos lábios ainda cândidos daquele menino com a mesma idade que a nossa, a vontade era de gritar, correr à noite , nua, ir à praia, me atirar ao mar, sentir a espuma me envolver, sentir a lua cheia na noite escura e estrelada, a ansiedade aumentando…de repente, algo me acorda, é o grito de minha mãe, -minha filha, já está na hora de você parar com essa atitude hermética e birrenta, vamos tomar jeito, você está sempre no mundo da lua, – você esqueceu que tinha que arrumar seu quarto?
Ficamos atordoados com essa volta à realidade e mais uma vez, dizemos, frustrações, bem vindos a minha vida…
Falando de certezas, acho que a minha primeira certeza foi aos quatro anos, cresci ouvindo essa estória… Após ser elogiada pelo meu pai por ter feito algo certo respondi de forma direta e rápida “Papai eu sabo de tudo!”, desde então certezas sãos criadas e gradativamente são superadas… Hoje tenho certeza que ainda existem certezas por superar…
Em relação a relacionamentos pessoais repeti durante anos uma certeza, que nem minha era, absorvi nos primeiros dias de relacionamento com meu atual marido, ele dizia e repetia “As bases de um relacionamento são criadas nos primeiros meses, qualquer mudança de comportamento após esse período poderá causar o término do relacionamento.” Realmente acreditei nesta frase, e então criamos o nosso relacionamento, conversávamos, nunca sufocávamos um ao outro, sempre tivemos liberdade de ir para programas, viagens e eventos sozinhos. Mantínhamos bom e até próximo relacionamento com nossos respectivos ex relacionamentos. Todos viam e falavam, nossa que relacionamento maduro, como vocês conseguem?! , já ouvi frases como “´É muita democracia para minha cabeça!”. Seguíamos orgulhosos do que tínhamos criado, só esquecemos realmente de viver o relacionamento em si…
Voltei todo meu tesão, dedicação ao meu trabalho, esqueci de tudo mais… O crescimento profissional foi conseqüência, em pouco tempo me vi com 26 anos trabalhando 13hs por dia sete dias por semana, coordenando, respondendo por uma instituição, atendendo cerca de 300 pacientes ao mês, dormindo 3 horas por noite. Lembrando agora eu parecia um caminhão desgovernado… rsrsrs
Foi exatamente neste momento que comecei a indagar a estória de tímida, insegura e introspectiva, simplesmente não era possível que alguém que fazia tudo aquilo fosse assim… Naturalmente esse meu lado dominador começou a influir no meu relacionamento, já não era mais a menina tímida que pouco falava que não tinha opnião, onde a frase mais repetida era “Você que sabe…”, me estranhou bastante meu então namorado, que no inicio do relacionamento tinha uma personalidade forte e livre foi ficando cada vez mais contido e submisso, ele passou a falar “Você que sabe…”. É lógico que tais mudanças afetaram diretamente a dinâmica de nosso relacionamento sexual, simplesmente não nos encontrávamos na cama, meu apetite sexual por ele era zero… Não preciso dizer que foi por ai que comecei a ouvir “Você não era assim…”, que nos afastamos ainda mais. Criamos vidas individuais, mas também completamente separadas. Nem sei ao certo como durou tanto… Pouco antes de nos casarmos o inevitável aconteceu, terminamos nosso relacionamento.
Dei-me conta que tinha um namoro, namorado perfeito, mas realmente não o namorava… Ficávamos admirando e vivendo esse relacionamento maduro, moderno e de certa forma seguro, mas não nos admirávamos, não nos curtíamos, não nos namorávamos… Começava a me perguntar aonde tinha parado nossa amizade, cumplicidade principalmente nosso tesão… Doidera…
Ficamos separados por algumas semanas, então decidimos sentar e conversar, com ajuda de um amigo, tomei coragem para falar o que sentia as mudanças que haviam ocorrido, e minha tão temida (por mim!) revolução sexual e o fato de que era um caminho sem volta, que eu evoluía e logicamente ele também… Enfim conseguimos colocar nosso relacionamento novamente nos trilhos, voltamos a nos entender, a nos respeitar, e principalmente a nos desejar como, hoje posso dizer, nunca antes. Certeza furada!!! Essa foi a mais recente…Depois conto outras…Beijo a todos!
Solange, podemos saber por que vais se recolher e apenas observar quando entrarmos nesses assuntos?
Aproveitando, gostaria de saber, se não houver problema para você, se és casada, idade, profissão, onde mora… qualquer informação que queira dar pra se apresentar.
Gostei do que a Paulinha escreveu . Expressou muito bem a sua maneira de sentir a maturidade.Parabéns, Paulinha, achei tudo muito sensível e inteligente.
Acho que na hora de abordarem a sexualidade , de como os casais sentem e pensam , vou ficar bem quieta , só lendo, certamente vou aprender muito,e quem sabe depois coloque em prática o que aprender aqui das experiências de cada um,de alguma novidade interessante, espero que não achem que sou uma voyeur ehehehe A melhor parte está por vir, esperemos…
Paulinha, você foi muito feliz com a sua última frase: “… hoje acredito que tenho a mínima maturidade necessária para afirmar que sou mais que era ontem e bem menos que serei amanhã.”
Posso arriscar resumir todo esse artigo na consciência da maturidade da seguinte afirmação, expressa por uma pessoa qualquer bem lúcida: “Eu não SOU… eu ESTOU”.
Senhoras e senhoritas, que tal usarmos o exemplo da Paulinha e, dentro desse tema em que falamos das certezas que todos nós tivemos, ao longo de nossas vidas – e ainda temos várias, déssemos exemplos reais de mudanças que ocorreram e estão em curso em nossas vidas… de equívocos que cometemos em leituras que fizemos sobre nós mesmos ou sobre outras pessoas, anos atrás? Óticas que mudaram…
Outra coisa, esse espaço é para falarmos, também, de sexo, se o desejarmos. Os exemplos podem, também, ser relacionados às nossas experiências em torno dele. Um dos maiores problemas entre os casais é não falar abertamente e sem pudores sobre o sexo. Vamos aproveitar esse espaço. Podemos citar exemplos de mudanças de verdades que se relacionem a ele, ou não. Logo estaremos abordando assuntos especificamente voltados para o sexo. Por enquanto, estou mantendo uma linha filosófica com a intenção de liberar as amarras para sermos bem transparentes quando abordarmos outros assuntos.
E como podemos entender adultos, ditos maduros, com todas as necessidades biológicas, inclusive a sexualidade, satisfeitas , casados,com namorados, com filhos possam cometer atrocidades, matar, estuprar???
E como podemos , ao mesmo tempo, entender que pessoas consigam viver mais reclusas, modestamente , na contemplação , meditação,na abstinência, claro,isso requer muita maturidade, ou em busca do tão almejado nirvana e se sentir feliz desta forma ou caminho mais estático?Muitas vezes vidas assim são fugas das dificuldades, das fraquezas individuais ,não podemos deixar de enxergar, mas nem sempre, não podemos generalizar em nada.Vemos muitas pessoas que apesar de terem tido tudo, terem tido profissões invejadas por muitas pessoas,se satisfizeram com tudo na vida ,conquistaram tudo o que desejaram,de repente, se retiram para um lugar isolado, preferem viver mais modestamente , viverem reclusos, poucos amigos,ficarem exclusivamente estudando, meditando, seguindo uma religião, o que não vejo mal nenhum em se aprofundar e praticá-las,pois fanatismos encontram-se em qualquer lugar,em qualquer setor,são falsos espiritualizados ou pessoas com falsas intenções…e com isso não precisarem ficar obrigando as outras pessoas seguirem seus caminhos, suas decisões.São pessoas raras , certamente não são a maioria.
Então, concluo, que a satisfação plena da sexualidade no coito, na reprodução, nas relações conjugais não sejam garantias para a realização plena, saudável, rica em todas as pessoas. E que a realização , a satisfação , a alegria e felicidade na vida pode variar de pessoa para pessoa.Não ser da mesma maneira para você ou para mim.
Muitas vezes vejo que a realização do desejo sexual não traz a felicidade total,somente uma felicidade passageira, como se tivessemos experimentado uma comida muito gostosa,algo saudável, bom ,bonito , não resta dúvida, mas também vemos muitas pessoas,ao mesmo tempo, que estão constantemente ansiosas, infelizes mesmo tendo feito sexo várias vezes a todo momento, sempre estão querendo preencher o vazio dentro delas com coisas efêmeras infinitamente,através do sexo,da comida,drogas,etc,e, lógico,que também são livres para seguir esse caminho, outras, por outro lado, apesar de terem sua sexualidade realizada plenamente, sabem que a satisfação e realização plena de uma pessoa, além de variar muito de pessoa para pessoa, passa também pelo preenchimento espiritual através da leitura, do estudo, da meditação, de cultivar um dom, do trabalho ou outros caminhos etc…
Neste sentido, portanto , que vejo somente na liberdade da possibilidade de trilhar e encontrar caminhos que possamos sentir a felicidade, a alegria verdadeira,e de estarmos plenamente ou razoavelmente realizados na vida.Por isso, penso, como posso dizer a uma pessoa, siga esse caminho porque através dele você encontrará sua felicidade? Se são tantos caminhos existentes ?
E outra certeza absoluta que tenho, é que se não conseguimos conhecer totalmente nem a nós mesmos,imagina as outras pessoas.Estamos sempre descobrindo coisas em nós , nos outros, na vida, no mundo.E que podemos nos surpreender,sim, de repente, com as nossas atitudes e dos outros.O importante é estar aberto a novas descobertas e possibilidades.Caminhar, parar,refletir, caminhar, parar,refletir, mas sempre seguir em direção a tudo que nos traga mais alegria e satisfação conforme a nossa concepção e que não prejudique o outro .
Mas de uma única certeza tenho diante da vida, que a brutalidade, a violência , intimidação, sejam quais forem os motivos destes atos, não dão bons resultados.Podem resultar, no máximo, satisfação para mentes dominadoras, que queiram impôr de forma absoluta sua maneira de ver a vida para um grande número de pessoas,de acharem que são melhores que outras pessoas por isso stão mais aptas para decidir por outras pessoas, pode fazer com que as pessoas se tornem ,também, conformadas, medo de serem excluídas do grupo, medrosas, covardes.E como se explica pessoas que imaginamos terem uma razoável maturidade, terem suas profissões, seus salários, paguem suas contas em dia, venham a cometer assassinatos, crimes horrendos,ou não tão graves, mas se descontrolam, cometem injustiças ,brigam num momento de muito estress e pressão, abusarem de crianças,etc, E além de tudo isso, sempre me pergunto, quando uma nação atinge ou atingirá sua maturidade plena e se isso é possível?
Amadurecer, para mim a grande questão da vida! Como é difícil assumir responsabilidades, responder solitariamente por palavras, ações e sentimentos, sem poder contar com pais professores e orientadores. Acredito que nunca atingiremos a total maturidade do ser, uma vez que estamos sempre redescobrindo verdades, sentimentos e realidades, nossas e do outro. É um processo intrínseco a vida, porque não dizer que a vida é amadurecer. Engraçado perceber como vemos pessoas em diferentes estágios de amadurecimentos nos diversos setores de sua vida. Interessante perceber como é difícil ouvir alguém falar: “Desculpe… errei.” ou então “Não sei.”!
Infelizmente, ou felizmente, não é possível mensurar o grau de amadurecimento total do indivíduo. O mais importante, acredito que seja tentar manter um equilíbrio nas diversas áreas de nossas vidas.
Usando-me como exemplo, ao observar meu comportamento desde a infância em casa fui expansiva, segura, líder e até mandona, já nos relacionamentos amorosos e sociais, era tímida, fechada e insegura. Qual não foi minha surpresa ao me tornar uma profissional bastante imperativa, segura, com características fortes de liderança. Realmente não me via dessa forma…
Ao refletir sobre isso percebi que timidez, introspecção e insegurança não faziam parte de mim, eram sim conseqüências de situações vividas e não resolvidas durante minha infância e adolescência. Ao tomar consciência desses fatos sofri uma grande revolução nos meus relacionamentos interpessoais, e principalmente no amadurecimento da minha sexualidade. Tal revolução emocional e sexual quase custou um relacionamento, o que mais ouvia era: “Você não era assim…”, Sim, concordo… Mas agora sou!
Escrevi tudo isso para dizer o quanto o amadurecimento em uma área de nossa vida pode nos ajudar a buscar o amadurecimento nas outras. Hoje já não me defino como há alguns anos, já não sou tímida, fechada e insegura, mas também não posso dizer que seja segura, expansiva e extrovertida, hoje acredito que tenho a mínima maturidade necessária para afirmar que sou mais que era ontem e bem menos que serei amanhã.
Gostei muito desta exposição sobre esse assunto,Maturidade biologica X Amadurecimento do ser,
Também acho que a maturidade biologica não significa amadurecimento pleno de um individíduo, que não andem necessariamente juntas.Estamos amadurecendo, penso, até à morte ; estamos revendo nossas maneiras de ver , sentir a vida , as outras pessoas conforme nossas experiências , nossa educação, nossas dificuldades ,etc…por isso não acredito em alguém que diga, em qualquer idade que se encontra ,já atingi a maturidade plena.
As verdades, certezas que temos diante da vida e das outras pessoas talvez sejam passageiras, depende muito de como me encontro no momento.A paralisão da vida ou permanecer estática a vida de uma pessoa é produzida por vários fatores, muitos são por causa da mentalidade rígida de um indivíduo, outras vezes, no entanto, é por causa da mentalidade rígida das outras pessoas, a pobreza, também , pode limitar muito a vida das pessoas por um tempo, o fanatismo, a brutalidade, a perseguição , uma doença,etc tanta coisa pode paralisar a vida , o importante é não tornar a mente estática…E apesar de tudo isso, o que deveriamos ter em mente é que a vida das outras pessoas só compete a elas decidir o que é melhor nas suas vidas,o que lhe dá mais satisfação,realização, não podemos dizer o que é maturidade ou imaturidade sem ao menos conversar , conhecer a fundo, conviver com a pessoa, podendo com isso fazer um julgamento, uma análise completamente equivocada.
Podemos, porém ,fazer analises, comentar, julgar ,an passant, meditar sobre o comportamento das pessoas,pensar,falar com outras pessoas, mas não tolher suas decisões , seu caminhos, suas escolhas diante da vida.As teorias , as reflexões, meditações em cima de vários assuntos, não podemos negar, possibilita nos depararmos com idéias divergentes às nossas ,nos ajudando a elaborar e enxergar coisas que não conseguimos tomar consciência num momento. Por outro lado, sabemos também que as visões de vida , comportamentos, mudam muito com a época e problemas que um indivíduo, um grupo, ou uma nação se confronta.Não consigo aceitar, entender , pode ser até uma falha da minha personalidade, talvez, que pessoas ainda orientem suas vidas e de outras pessoas de acordo com idéias , como se fossem uma bíblia de uma só pessoa, uma época, ou de um grupo.
Se não sabemos de nada,que estamos descobrindo a todo instante coisas novas no mundo, em nós mesmos,nos outros, porque ficarmos debruçados nos comportamentos ,tirando as pesquisas feitas para entender melhor a natureza humana, na vida íntima, na individualidade de uma pessoa,pessoas ou grupo,queremos o que com isso ?