Todos estamos cansados de saber que o romântico senso comum afirma que quem ama sente ciúme. Por outro lado, dificilmente alguém discorda da tirania desse sentimento e que ele destrói tudo o que pode haver de puro em uma relação. Porém, comumente ouvimos: “ele é mais forte do que eu, não consigo controlá-lo”. Então, um “sábio” conclui: “Ele precisa existir na medida certa. Mas tem que estar presente na relação, senão é sinal de que não existe amor”.
Então, qual seria a “medida certa” desse sentimento? Respondo que a determinação dessa quantidade é egoísta e autoritária, variando de acordo com a carência afetiva, baixa autoestima e com as decorrentes inseguranças de cada um. Ela também pode ser oscilante, de acordo com as variações emocionais e afetivas no dia-a-dia do ciumento, pois, hoje, ele pode estar muito bem, ambos juntos em uma festa e, amanhã, sentir-se totalmente carente, exigindo tudo e mais um pouco do companheiro, completamente passível de, no meio de uma crise, dar o maior vexame em público porque a mulher, por exemplo, olhou para o lado, enquanto falava com ele.
“A quantidade de você que também me pertencerá – tempo, corpo, atenção, etc – será a necessária para que eu tenha os meus vazios preenchidos até transbordar de você e não sentir ameaça alguma de perder o que é meu. Ou seja, a minha paz interior e segurança dependerão única e exclusivamente de você, através de sua concordância com me permitir ser sócio-proprietário – e único – de tudo que EU precisar de você.”
Os graduados em romantismo consideram a incerteza, a real possibilidade do parceiro desistir da relação, de desejar uma terceira pessoa, de ser desejado e cobiçado por outros, ou mesmo de optar por não estar ao lado dele quando ELE deseja, precisa e quer, uma ameaça nociva à sua paz. Ele fica sem chão, acometido de uma “labirintite afetiva” – eu e meus neologismos de expressão! Resultado: depressão psíquica, tristeza, raiva, ira, violência, homicídio, suicídio, etc, etc, etc. Cada um com a sua “medida certa”.
Vamos à prática. O casal se conhece e, em poucos dias e gradualmente, começam a demonstrar seus lados ciumentos através das primeiras “caras feias” e imposições. Soa extremamente romântico. “Que gracinha! Ele ficou com ciúme da minha saia curta.” Em médio ou longo prazo, descobrimos o monstro que estávamos alimentando. Muitas das vezes, quando “cai a ficha”, é tarde demais. Depois, principalmente, se casados, concluímos que “só matando” mesmo, pois se livrar desse monstro é mais difícil do que no filme Alien – O Oitavo Passageiro, com Sigourney Weaver. Fora que, realmente, ele quer se apoderar do nosso corpo e mente, sugando todas as nossas energias para que ajamos de acordo com os seus objetivos.
Em uma relação, existem bem poucas coisas mais broxantes do que o ciúme. Não me refiro apenas à falta de desejo sexual, mas acaba ocorrendo o desestímulo de estar junto em qualquer situação. O ciúme bonitinho que, no início, foi uma agradável surpresa, toma uma dimensão incontrolável e se torna um pesado fardo.
Eu e algumas pessoas que conheço – claro que não românticas – já encaramos essa ameaça de uma forma completamente distinta e positiva: sexualmente excitante e um grande estimulante do autoconhecimento, crescimento e desenvolvimento da individualidade.
Muitos casais vivem buscando formas de resgatar a libido e apimentar a relação através de produtos e acessórios de “sex shop”, filmes pornográficos, diversos fetiches, etc. Pode até funcionar, mas temporariamente, pois se trata de um aquecimento fugaz que, em pouco tempo, deixa de fazer efeito e deles enjoamos. Onde existe ciúme e controle sobre o parceiro, o tesão saudável e consciente tem vida curta. Porém, encontro-me em um processo de descoberta de que o mais excitante, em um relacionamento, é a sensação de ameaça proporcionada pela liberdade que você reconhece como direito do parceiro, permitindo-o tê-la, mesmo ao seu lado.
Abrindo um parêntese, ressalto que nós não temos o poder de dar ou oferecer liberdade a alguém, pois esta a ele já pertence, dádiva da natureza, mesmo que ele não saiba disso e dela não usufrua.
Porém, excitar-se ou não se importar com a sensação de ameaça, diante da possibilidade do parceiro encontrar alguém e por essa pessoa se interessar, de ele fazer sexo com outro e sentir prazer, mesmo existindo a chance de perdê-lo, é um estágio bem avançado do amadurecimento dos respeitos à individualidade do outro e às sexualidades de ambos. Nesse estágio superior, a pessoa percebe que a natureza não lhe deu aval nem direito algum de dominar ou controlar alguém.
Dessa forma, só nos resta uma coisa: desenvolvermo-nos para que sejamos competitivos, como ocorre em todo mundo animal. O romântico fica estagnado em seus aprendizados hipócritas e ineficazes, tornando-se massante, e deposita no mundo e em todos as culpas pelos seus insucessos amorosos. Aqueles que querem filosofar, refletir, e que não aceitam os modelos sociais impostos vão se tornando conscientes dessa competição e para ela querem estar preparados. No entanto, os bichos usam a força para se estabelecerem – atitude repetida, infelizmente, por muitos homens, enquanto nós temos algo muito mais poderoso para prender o parceiro desejado – ou parceiros: a mente, através do comportamento, da inteligência, do reconhecimento do direito à liberdade. Certamente, quando você se predispõe a viver sob essas ameaças, logo aparece um romântico para lhe dizer que você está colocando tudo a perder, quando, na verdade, você está se preparando para se tornar um ótimo “jogador” e começar a ganhar carinho, respeito, admiração… está se preparando para conhecer o amor verdadeiro.
Todos sabemos, apesar de poucos se permitirem viver, que o desconhecido e incerto excita. A previsibilidade e inexistência/impossibilidade de mudanças e novidades, características marcantes do romantismo, devido à castração das liberdades por medo das ameaças, não são nada excitantes. Quando se é livre, existem poucos planejamentos a dois e nenhuma obrigação – claro que questões éticas precisam ser respeitadas. Mas quando acontece, tudo é feito com prazer real. Viver sob a sensação de ameaça e dela não ter medo provoca e proporciona afeto, carinho, toques, olhares, amizade, apoios mútuos, saudades, prazeres e arrepios como em nenhuma relação romântica, pois todas as trocas são legítimas. E nada impede que aconteça “todo dia”… basta, de fato, quererem.
Amar é permitir e respeitar as escolhas do outro, mesmo que, de vez em quando, você saia como perdedor. Se você está perdendo sempre, precisa reavaliar suas condições de competir, ao invés de, melancolicamente, ficar repetindo que os outros “competidores” estão sendo desleais ou que a pessoa perdida não soube reconhecer o seu valor. No entanto, perder, de vez em quando, faz parte do jogo.
O romântico busca o que de mais inibidor da libido existe em uma relação a dois: a segurança. Vai morrer se lamentando e se perguntando “onde errei”… várias vezes, ao longo da vida.
Não é possível sermos apresentados ao sentimento de amor verdadeiro por alguém, se essa pessoa não nos reconhece como seres livres. O resultado prático da passividade e conivência com essa falta de respeito, dentro da cultura romântica, é velho conhecido de todos nós.
Existe uma piadinha aparentemente idiota contada entre os homens e que ouço desde minha infância. Mas nela existe um forte fundo de verdade instintiva sobre a qual vale a pena refletir: “Existem três tipos de mulheres: a Chata, a Puta e a Filha da Puta. A Chata é aquela que só quer dar para você; a Puta é a que dá para você e para quem mais ela quiser; a Filha da Puta é aquela que dá para muitos, menos para você.” Qual delas vocês crêem ser a real predileção dos homens? Estou certo de que a mesma piada é valida, se invertida e contada sob a ótica feminina.
Esses assuntos mais especificos sobre a sexualidade dará um clima mais apimentado para o blog.Estarei atenta aos próximos comentários.Nada como estar rodeada de pessoas plenamente realizadas e com muitas experiências neste campo da sexualidade, aprende-se muito, cada dia, cada momento,de repente, um detalhe que passou despercebido e que subitamente nos damos conta que é o caminho da mina, em outro momento ,sutilmente algo se abre ,vislumbro novas possibilidades, novos horizontes,novas sensações,é inacraditável como tudo isso ocorre, estou muito surpresa e encantada .
KKKKKKKKKK…Rolando de rir Guta! Amei!!!
Beijoca
Administrador e meninas/mulheres do blog!
Tá um tesãoooooooooooooooooooooooooooooo isso aqui! Thaís, que bom que você sentiu-se ” normal”. E se a vida é uma novela da Globo, algumas passagens estamos no Vale a Pena ver de novo, Malhação e em outras somos o time estelar das miniséries.
Paulinha, vc teve trauma do maço de cigarro fumado e eu tive o trauma das empadinhas. ( estórinha pra vocês morrerem de rir)
Há secúlos atrás eu começei a sair com 1 sujeito, mas a gente só ia pra ” balada”. Um dia eu de folga da Vasp, fui comprar ingressos pra uma festa no Morro da Urca…
Muito bem. O sujeito me disse que trabalhava numa loja da Adidas e era caminho na volta da Urca, combinamos de nos encontrar na hora do almoço, pra eu levar os bilhetes…
Quando cheguei lá, nada do fulano, perguntei pro gerente da loja se ele tinha saído e ele me disse que o fulano ficava na frente da Loja direto.
Fiquei um tempo parada quando de repente eu ouço… Augusta! e me viro e dou de cara com o fulano, com um pedaço de madeira na mão( estranhissímo)! Pergunto se ele tinha tirado o horário de almoço, pois eu tava com fome… e o que era aquilo na mão dele… ele me responde apontando com a madeira : trabalho aqui, amor!!!
O aqui… era uma barraquinha de empadas!!!!! Eu fiquei estatelada e ele me pergunta: tá com fome? pode escolher, e eu em pânico soltei: acabei de almoçar! (kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)
Mas o pior estava por vir… ele me agarra e começa a me apresentar para cada transeunte: Essa é a mulher da minha vida! Tô apaixonado, amor vem cá experimentar 1 empada….
Meninas… eu não me lembro como mas sai de lá aos trancos e barrancos.
Alguns dias depois dele me procurando e eu fugindo dele como o Diabo da cruz… eu tenho um pesadelo:
Eu segurando um bêbê nos braços, sentada numa kombi e ele no megafone ao volante: ” Empadinhas quentinhas e fresquinhas; empadinhas quentinhas e fresquinhas”
Arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… pra piorar eu ligo pra dizer que não tô mais a fim de vê-lo e a mãe atende, me glorificando sabendo de tudo da minha vida.
Desnecessário dizer meninas e administrador que levei ANOS pra voltar a comer tranquilamente 1 empada… mas jamais ouvindo quentinhas ou fresquinhas kkkkkkkkk
Beijos enormes pra todas vcs.
Alguém tem dúvida de que, apesar de ter sido imprescindível termos passado pelas anteriores fases filosóficas, estamos começando a viver o melhor e mais dinâmico momento deste blog, devido às questões práticas? Parabéns, Thaís, Guta, Paulinha, Raquel, e a todas que ainda irão compartilhar suas fragilidades.
Hoje, conversando com uma amiga que estava me falando sobre todas essas dificuldades e conflitos que vocês estão começando, felizmente, a relatar, senti a necessidade de lhes dizer algo.
Estou nessa trajetória faz pelo menos 5 anos e, de certa forma, acho que desde que nasci, pois, de fato, sempre olhei atravessado para o romantismo, nunca fui ciumento, etc. Claro que há dez anos, por exemplo, eu não tinha pensamentos organizados sobre o assunto, como eles hoje estão. Mas, de alguma forma, eu já vinha, calmamente, caminhando nessa direção. Há cerca de cinco anos, decidi me motorizar.
Comecei impulsionado por puros instintos sexuais, com uma maravilhosa mulher com quem tinha uma relação estável. Decidimos nos aventurar. Eu não tinha a menor idéia do que me aguardava. Sinceramente, não foi tão difícil para mim, talvez porque eu nunca tive uma postura possessiva em meus relacionamentos. A digestão dessas novas idéias não foi tão difícil. Pode ser que, se fosse quando eu tinha 25 ou 30 anos tivesse sido diferente… não tenho como saber. No entanto, para ela, doeu um bocado. Porém, eu não desisti e nunca larguei a sua mão. Ela ficava engatada o tempo todo no reboque.
Uma observação que gostaria de fazer é que, comumente, ouço que absorver esse estilo de vida, para mim, é fácil, por eu ser homem. Será? Quantos homens vocês conhecem que, de fato, desejam viver e proporcionar essa liberdade às parceiras? Quantos homens escrevem neste blog? O número de mulheres que conheço interessadas em se libertar, apesar das dificuldades, está aumentando cada vez mais. O número de comentários de mulheres diferentes, no nosso espaço, também. Será que é mesmo mais fácil para o homem?
De lá para cá, tive muitas experiências, dei a cara a tapa, coloquei a mão no fogo, ousei e, o principal, acreditei. Erros? Muitos! Era cair e levantar. Quanto mais eu bebia dessa liberdade, mais sede me dava.
Hoje em dia, percebo que o que começou com uma simples e mais do que normal curiosidade, em termos de aventuras sexuais, transformou-se em uma verdadeira filosofia de vida que tem como bandeira maior a da liberdade, que só pode ser alcançada através da verdade. Eu jamais imaginei que iria me deparar com as sensações que tenho conhecido. Muitas pessoas, quando nos lêem, possivelmente, devem achar que o que aqui fazemos não passa de uma apologia ao sexo livre e sem sentimentos, ao desamor, como aqueles cão e cadela, ao lado “daquele poste”. É uma visão muito limitada, reducionista. Só me resta lamentar.
Eu nunca amei tanto em minha vida. Tenho que usar o verbo amar porque é o único, dos que conhecemos, que acho que se aproxima do que tenho sentido. Mas já decidi, como já escrevi antes, não mais dar nome aos meus sentimentos, para não errar e provocar confusões nas pessoas que estão próximas de mim. Apenas sinto e transmito, de alguma forma, o sentimento. E, no sentido inverso, quero que seja da mesma forma. Voltando, eu nunca estive tão sensível em toda a minha vida. Estou uma verdadeira manteiga derretida. Enxergo as pessoas de uma forma muito diferente da de antes. Sinto-me muito mais próximo delas, da natureza e, não tenham dúvida de que tudo isso está sendo possível porque estou me aproximando cada vez mais de mim mesmo. Atualmente, para mim, a vida tem outro sentido, enxergo o mundo de uma forma muito diferente de antes. Nunca os problemas daqueles que me rodeiam me sensibilizaram tanto como tem recentemente acontecido.
Quando filosofo com alguém sobre esse modo de vida, fico emocionado. Se estou conversando e tentando ajudar a alguém, através do MSN, idem. Estou agora escrevendo, tentando passar para vocês a alegria que sinto por estar vivendo e descobrindo tanta coisa e, mais uma vez, emocionado, mas sem chorar, pois estou no trabalho, preciso me controlar. Uma verdadeira viadagem!!!
Imagino que o que vocês estão sentindo na pele e na alma não seja nada fácil de suportar, deve doer mesmo. Por favor, não leiam o que escrevo e fiquem angustiadas por não estarem, ainda, libertas, por se acharem distantes do que defendo, etc. Eu trilhei uma longa estrada para chegar aqui e continuo nela… não sei nem me interessa saber onde ela vai dar. Acredito que uma forma de ficarem menos angustiadas seja se concentrando menos no objetivo, no nirvana – mas sem perdê-lo do foco, curtindo a caminhada e cada descoberta, comemorando, seja chorando ou rindo, cada obstáculo transposto. Deliciem-se com o gradual autoconhecimento e não tenham medo de sentir uma dor aqui ou outra ali. Entendam que a proposta é extirpar sentimentos que causam sofrimentos reais nas vidas românticas e mentirosas que vocês foram obrigadas a levar até hoje. Extrair dente, unha encravada, tumor, etc, dói. Para aprender a viver com liberdade e respeitar as dos que as rodeiam não será nada diferente. O importante é não ficarem marcando passo. Não tenham pressa.
Porém, só existirá caminhada se agirem, se enfrentarem. Só vão conseguir chorar de alegria, toda hora, como o bobão aqui, se a coragem e determinação forem sempre maiores do que o medo.
Beijocas
Thais descreveu exatamente como me senti em várias situações! Antes de conhecer meu marido tive basicamente dois relacionamentos românticos longos.
Um com o cara mais ciumento e possessivo que já me deparei. Foi nesse que tomei horror a posse e comecei a definir dentro de mim o que realmente queria de um relacionamento, tinha 14 anos e ele me proibia de sair de casa, falar com qualquer pessoa, me pergunto como não aconteceu agressão física, mas na época já tinha minha atual altura (1.73m) e praticava luta. Talvez devido a idade me submetia a isso, apesar de sofrer muito.
O outro, que aconteceu uns três anos depois, com o melhor amigo do primeiro e meu melhor amigo também. Víamos-nos diariamente, os dois são meus vizinhos então imagina?!Depois dele muito insistir acabei cedendo, ficamos durante uma tarde inteira juntos, a primeira vez que ele sumiu a angústia era tão grande que comprei um maço de cigarros e o fumei inteirinho numa noite. Gente olha a doença?! Eu nunca tinha fumado antes!!!
Podemos dizer que a partir daí foram idas e vindas constantes, uma paixão doentia, semelhante à dependência química, dizia que ele era a minha cocaína.
Ele nunca conseguiu ficar comigo numa boa, sempre fui a outra, mesmo quando ele estava solteiro. Mas a nossa química, o tesão era e ainda é absurdo, meu medo de ficar sozinha me fazia retroceder toda vez que conseguia impor algum limite. Quando ele desaparecia ficava tão enlouquecida que um dia tomada por esses sentimentos sai de casa e fui ate a casa dele, nem me lembro como cheguei lá, só sei que acabamos transando no chão da sala e eu mais uma vez me sentindo humilhada por ele. Quando voltei para casa percebi que tinha deixado tudo aberto, várias coisas pelo chão e me dei conta que tinha sido quase um surto. Rsss
Propunha-me inclusive a ouvi-lo chorar por outras, só para tê-lo ao meu lado. Ele sugava a minha auto-estima, amor próprio e de certa forma minha vida. Não conseguia me envolver com mais ninguém, estava sempre vivendo para o momento em que ele fosse chegar. Um horror!
Logo após de conhecer meu marido, ainda não tínhamos ficado nem nada, decidi cortá-lo da minha vida, após um surto como aquele já mencionado, só que dessa vez terminei no chão da minha casa ao lado dele, falei “Então essa foi nossa despedida, estou namorando e a partir de agora não quero mais você na minha vida.” Lógico que ele não acreditou. Mas em dois dias comecei a namorar, voltei a viver a minha vida de forma romântica sim, mas sem dúvidas mais saudável. É lógico que, não sem a presença insistente dele, muito tolinha eu acreditar que aquilo acabaria.
Esses relacionamentos doentios, de certa forma, não sei dizer nem como, se transformaram em uma amizade. Muito esquisito, até para mim. Somos cúmplices em tudo, é lógico que ele ainda insistiu bastante, às vezes ainda insiste. Quando disse que estava noiva ele chorou e falou “Já pensou se tivéssemos feito tudo certo? Seria eu casando com você.”
Um dos maiores motivos das pessoas se surpreenderem com meu relacionamento com meu marido é que essas duas figuras são nossos grandes amigos, saímos juntos incontáveis vezes, tanto eu com os três, ou dois quanto somente os três. Acho que encontrei uma forma de amenizar as feridas que os dois me causaram e permiti que me causassem, transformei dois amores doentios em duas amizades para vida. Hoje os dois me apresentam como irmãzinha e meu marido entende e convivemos todos juntos.
Observando o relacionamento deles com outras mulheres, percebo que o primeiro só teve o sentimento doentio de posse comigo, é bem mais tranqüilo com as que vieram depois e com a atual. O segundo, bom o segundo continua vivendo da mesma forma, é característica dele, apenas conseguiu transferir o nossa “dependência” a outra pessoa após o meu casamento.
Enfim desses relacionamentos românticos fiquei com algumas coisas:
1)Me conheci, me priorizei, defini o que poderia ou não agüentar em um relacionamento.
2) A possibilidade de transformação. Seja um sentimento ou mesmo um relacionamento, por mais patológico que seja em algo bom e saudável.
3)Entender a limitação do outro com quem nos relacionamos entender que em relacionamentos não há dicotomias, há nuances.
4)Cigarro, porra não há uma vez que saia para comprar cigarro que não lembre daquele fatídico dia. Rsrsrs
5)Mentiras, hipocrisias, relacionamentos românticos NUNCA MAIS!!!
Beijo a todas
Guta, que delicia ler isso! É muito importante saber que não sou uma forasteira nesse espaço. Confesso que cheguei a desistir de escrever, já que estava me sentindo o “núcleo pobre da novela das oito”. A “autossuficiência” de todos me inibiu. Sentia-me passeando pelo “mundo maravilhoso de Beto Carreiro”. Bom saber que você não passa “blasé” pelas intempéries de sua caminhada.
Agradeço também ao administrador e Paulinha pelo esclarecimento dado a todos sobre os sentimentos de perda e ciúme que uma relação autêntica está sujeita.
É entre sucessos e frustrações que nos construímos. Faz-se necessário que possamos reconhecer a dor e, também, saibamos que ela faz parte do movimento constante da vida que se desenrola.
Perder ou ganhar faz parte do processo de humanização.
Quero agradecer a esse espaço a oportunidade de aprender a reconhecer a dor e a delícia de ser/estar Thaís.
Thaís e Paulinha … estou sem palavras, textos maravilhosos de vocês duas!!!
Não posso falar das outras, mas eu fico assim também, quando “ perco” 1 relação, demoro meses para me recuperar. Crio situações catarsicas, malho insandecidamente pra me livrar da neurose que entro quando termina uma relação, mesmo que não seja romântica.
Vou dar um exemplo pra vocês. No ínicio do ano passado, topei sair com 1 homem bem mais novo que eu, nos conhecemos e o tesão foi tão grande que fomos pro motel na mesma hora… e só saimos 2 dias depois. Ele me dizia que morava no Flamengo, que o pai tinha comprado 1 apê na rua x ( mentira); dizia que tinha carro ( mentira); e dizia que tinha encontrado a mulher da vida dele comigo, repetia 15 vezes eu te amo, e que eu era a única( mentira).
Quando eu não pedi fidelidade, ele disse que era fiel, mas a nossa química era e continua sendo algo maior do que jamais vivenciei nesses meus 37 anos de vida. Apelidei-o de Pica de Ouro.
Foi uma relação que entre idas e vindas que me desestruturou completamente, porque o meu lado racional( que é tão forte quanto o sexual) dizia pra eu parar, cortar, acabar com essa estória. O tempo que ele levava para comprar “ cigarros” e voltar era excruciante. Eu presa na minha própria teia, 1 hora eu era 1 doce, quando ficavamos juntos, outra eu virava o demônio, com o Exu, e todas as entidades possíveis, quando pegava as mentiras. Passava mal, chorava… um sofrimento só… doía demais e não digo que ainda não doa, dói só que de maneira diferente. Doem também as entranhas, a saudade bate, a mente lembra de coisinhas maravilhosas e o corpo também.
Mas isso não é o que eu quero pra minha vida, ou fico a mercê dos desejos dos outros ou exclusivamente dos meus.
Algumas semanas atrás ele me procurou, dizendo que continuava me amando ( tenho verdadeiro horror à frase: Eu te amo… pra mim virou embalagem de papel higiênico do tipo de tão banal que ficou), que queria me ver etc.
Eu disse que ele nunca tinha querido me conhecer realmente, e que eu jamais fiquei puta por ele estar com outras… o que me matou sempre foram as incontáveis mentiras, das mais idiotas às mais elaboradas. Mandei ele ler o blog e que a minha vida estava uma delícia.
Contei todas as minhas fantasias pra ele, e ele me disse que eu nunca fui assim com ele, e claro… sentindo-se ameaçado, porque não saí correndo como das outras vezes, me perguntava se o atual ou atuais davam conta de mim como ele, me propôs várias práticas as quais aceitei até o momento que ele me disse que seria ele, uma amiga e etc. No mesmo segundo, eu quase tive 1 ataque cardíaco e disse um redondo: NÃO!
Pensei em voltar atrás também, pra gente continuar se vendo.
Foi ciúme? Possivelmente, surtei geral, passei 2 dias pensando o porquê do ciúme, por que eu ainda era assim? E percebi que era 1 teste dele pra comigo, porque quando eu digeri toda essa crise, eu mandei email dizendo que queria essa possibilidade, mas antes teríamos que resolver todas as mágoas que ele construiu desde do ínicio… e ele saiu fora. Fica me enchendo a paciência pra gente se ver etc, mas eu bati o pé e só quero voltar a ter cama com ele, quando tudo estiver resolvido. E penso até em comprar 1 chicote pra ele pensar 2 vezes antes de mentir pra mim rsrs.
Ainda penso nele? Sim, mas menos em relação como era antes. O quero de volta, com certeza, mas nos meus termos, porque como disse a Paulinha: “ estou cansada das mentiras, hipocrisias com que lido diariamente, estou cansada de fingir ser quem eu não sou, e completando Paulinha: estou cansada de homens fingindo ser o que não são”.
Thaís, a confusão, a insegurança pelo “ vou comprar cigarro e já volto” vão sempre existir, pensei também como você em voltar atrás, pra gente continuar se vendo, mas o desejo pelo meu bem estar é maior.
Beijos mil pra todas vocês
Hoje tinha resolvido não escrever, já que teria que trabalhar à noite. Mas graças a Deus….ou talvez a minha capacidade de agregar pessoas interessantes ao meu lado, uma fada madrinha chamada Renata (minha estagiária), resolveu que faria o trabalho por mim. Bingo!
Então, como fiz a “convocação”, nada mais justo que desse início as tempestuosas experiências que venho tendo desde que resolvi extirpar a mentira romântica da minha vida.
Não vou comentar, hoje, coisas relacionadas a sexo, swing, relações com outras mulheres, nada disso.
Vou contar a vocês a experiência que tive, e minhas percepções, ao falar para um parceiro, que eu tinha um “ficante”.
M. é um homem de 33 anos, solteiro, romântico, boa pinta, culturalmente privilegiado, no que diz respeito à formação acadêmica, e independente. Conhecemo-nos mais ou menos em setembro de 2008 e terminamos nossa relação em novembro desse ano. Tínhamos uma relação tranquila, nos víamos com frequência, mas não éramos namorados. Durante o período em que estive com ele, relacionei-me com outras pessoas, e ele, possivelmente também. Porém, guardávamos as nossas verdades como se fossem segredos pecaminosos.
Há três semanas atrás, em uma segunda – feira, recebi um telefonema dele cobrando o meu “sumiço” durante todo o final de semana. Inicialmente pensei em mentir, titubeei, mas em instantes fui consumida por uma obrigação imprescindível de dizer a verdade. Foi o que fiz.
Resultado: não entendeu, não quis repensar, não quis discutir o assunto.
Gostaria de dividir o e-mail que recebi dele, com vocês, mas ocuparia muito espaço no comentário. Depois do e-mail, mais uma sequência de atitudes que reforçavam o seu descontentamento. Enfim, M. foi comprar cigarros na esquina e nunca mais voltou.
Bem, o texto do e-mail vocês podem fazer uma ideia, mas a redação, agora, é o que menos importa. Primordial, aqui, é entender as minhas reações e são elas que quero dividir com vocês. Lá vai!
Senti tristeza em perdê-lo.
Fiquei esperando que desse sinal de vida.
Quis voltar atrás e dizer que foi tudo um mal – entendido.
Pra piorar a situação, fico lendo os comentários amadurecidos de todos vocês e sinto vontade de arrancar os cabelos…rsrsrs.
Das mulheres que aqui escrevem, só eu fico assim? Só eu me entristeço pela perda de alguém importante? Apenas eu sinto ciúmes? Só eu sinto vontade de voltar aos demônios conhecidos quando sou atropelada por uma tentativa frustrada? Apenas eu passo/fico estagnada pelos obstáculos com dor ou medo de avançá-los?
Todo crescimento gera perdas e ganhos. Não há como escalarmos o crescimento pessoal sem passarmos por momentos de renúncias e sofrimentos. A confortável “simbiose” mulher-vida romântica deixam marcas profundas que nos acompanham e nos limitam.
É tudo muito novo e doido na minha cabeça.
Gente, se eu não voltar mais, é porque fui até a esquina comprar cigarros…rsrsrs.
Clap! Clap! Clap!
Formidável! Sem mais comentários.
Perguntinha cretina essa… rs
Mas vamos lá…
Antes de qualquer coisa é preciso esclarecer algo, quando digo que tínhamos um relacionamento tradicionalmente romântico, posso ter passado uma imagem errada. Nosso relacionamento de romântico só tinha a restrição de ficar com outras pessoas além de nós. O que quero dizer é que sempre tivemos muita liberdade. Nos primeiros meses de nosso namoro os nossos encontros aconteciam em uma padaria 24hs da Glória as seis da manhã, enquanto eu vinha tomar café depois de uma noite de estudos para provas da faculdade, ele estava fechando a noite de faculdade seguida do samba no Juarez (um bar conhecido aqui no Rio). No aniversário de três anos de namoro eu estava viajando nas olimpíadas das faculdades de medicina e ele no famoso Trem do Samba. No carnaval de 2007, começando minha vida profissional, peguei plantões seguidos no carnaval, trabalhei a semana inteira, e ele em todos os blocos do carnaval, lembro de um domingo de manhã ele me ligar no plantão, torto no Boitatá cantando “Minha colombina onde está você?”, me mandando fotos de todos, homens e mulheres que nunca tinha visto junto com ele e fantasiados, passei mal de rir, meus companheiros de trabalho acharam aquilo uma falta de respeito. No último carnaval, eu tirei férias e ele teve que trabalhar, virei sócia da quadra da Mangueira, bares da lapa e blocos de carnaval, sempre sozinha. Todos criticavam essa nossa postura, diziam que ficariam putos, revoltados que era surreal… Para nós? Simplesmente natural. Perdi a conta das vezes que ele me estimulou a sair só e vice-versa, das vezes que viajamos separados no ano novo e para festivais de música, sempre respeitamos nossas individualidades, só não respeitávamos a nossa sexualidadeJ! Hoje vejo que essa escolha seria o caminho natural.
Quanto à perguntinha cretina rsrsrsr …
Mentir é feio e leva para o inferno!!!:P
Hoje tenho certeza que foi a minha forma de lutar contra a mentira, a hipocrisia que já percebia tinha corroído meu relacionamento e principalmente a nós como indivíduos. É lógico que dessa forma tive minha liberdade sem culpa e forneci a ele o mesmo. Muito mais agradável curtir o momento sem restrições de hora, tempo, mas sejamos sinceros com a minha profissão não tenho muito esse problema, plantões de 24 e 36hs são normais na vida de um médico em inicio de carreira, mas o mentir, dissimular não ter a opção de dividir algo com alguém que é tão importante para nós não faz o menor sentido.
A felicidade que proporcionei a ele, e principalmente a mim, é fundamental hoje, principalmente na hora que rateio, que meus ranços românticos tentam tomar conta. Lembro do mais ou menos, dos medos conhecidos e os jogos para trás.
Ainda estou emocionalmente dividida em relação ao sentimento de ameaça, percebo nitidamente os benefícios dele no meu relacionamento, na minha imagem e auto-estima. Causa-me sim excitação, é uma delícia vê-lo com outra ou saber que passou à tarde com ela, que ele é desejado, o maior tesão!!! Porém em alguns momentos ele ainda me gera angústia. M… de ranço romântico!!!
Optei na verdade, por uma filosofia de vida, estou cansada das mentiras, hipocrisias com que lido diariamente, estou cansada de fingir ser quem eu não sou. Se já não bastasse ter que assumir uma série de papéis no dia-a-dia, ainda tenho que fingir sentimentos?! Simplesmente não suportei… optei por ser plena e sincera com a pessoa a quem direciono a maior parte deles. Hoje posso dizer que somos melhores amigos, companheiros confidentes de angústias e situações que antes acabavam sendo escoadas em outros lugares. Hoje percebo que doamos um ao outro a melhor parte possível de nós, sem nos sentirmos usurpados de algo, bem pelo contrário estamos sempre acrescentando!!!
Agora irei fazer uma pergunta direcionada à Paulinha, por ser a única casada do grupo que está buscando viver um relacionamento dentro da filosofia sobre a qual temos aqui conversado.
Ela tem falado sobre as sensações, dificuldades e algumas inseguranças que tem sentido nessa trajetória. Porém, agora, direciono a conversa para questões sobre os fatores motivadores de tal decisão. Quem nos acompanha desde o início, sabe que, dias antes de subir ao altar, ela chamou o marido para uma séria conversa, abriu seu coração – “abriu suas vísceras” seria a melhor expressão – e, corajosamente, fez a proposta que, de imediato e para surpresa dela, foi por ele aceita.
Vamos à pergunta. Apesar de, estando eu ciente de que nenhum dos fatores que listarei, contribuintes para a tomada de sua decisão – certamente, tida, para muitos, como “kamikase”, terem influenciado você de forma isolada, havendo, na verdade, um entrelaçamento entre eles, houve a predominância de algum? Diante da insatisfação e incômodo que você estava sentindo, vendo se aproximar o dia do seu casamento, por que resolveu abrir o jogo com o seu marido? O que mais buscava e como imaginava ser o relacionamento ideal para você?
Possível mesclagem de respostas:
1) Você queria ter a sua liberdade e, como moeda de troca, apenas lhe restava permitir a dele também;
2) A real vontade de ver o seu parceiro feliz e, consequentemente, você ficar também;
3) Você já possuía a noção da sensação de ameaça como algo positivo, sabendo que seria saudável para o casamento as liberdades de ambos;
4) Queria e tinha a noção da leveza e paz interior que um relacionamento autêntico proporciona; ou
5) Simplesmente porque mentir é feio e leva ao inferno.
Algumas amigas têm me perguntado se é possível a ameaça, tornando-se uma perda real, com o outro partindo, o “abandonado” não sentir nada, não ficar triste, etc. Gente, o coração do ser autêntico, livre, não é de pedra ou gelo. O ser liberto ama e muito! Não tenham dúvida de que ele ama muito mais, pode ser muito mais sensível e chorar muito mais do que o romântico. Porém, ele é mais consciente da razão pela qual suas lágrimas estão sendo derramadas, ao passo que, o romântico, muitas das vezes, chora pela partida de alguém que ele, de fato, nem queria ao lado, de quem sabe que nem gosta tanto… na verdade, mais do que pela perda ou rejeição, ele chora pelo fato de se ver sozinho.
Um exemplo prático? Durante todo esse tempo que venho realizando esse trabalho, quando conheço mulheres que foram deixadas pelos maridos, sempre pergunto como foi a separação e como se sentem atualmente. Até agora, não obtive nenhuma resposta diferente de algo assim: “Chorei muito, fiquei sem chão, o mundo desabou, pensei que fosse morrer. Mas, atualmente, percebo que foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Hoje, não troco minha liberdade por nada, apesar de querer um namorado. Mas, terá que ser do meu jeito.”
Vou citar o exemplo de dois casos reais. Em conversas distintas com duas viúvas, fiz a mesma pergunta cruel a elas: apesar de toda a tristeza, quando dos falecimentos dos maridos, como estavam se sentindo, depois de alguns anos? Ambas responderam que muito bem… bem melhor do que quando casadas. Logo, em todos esses casos, onde está a perda real?
Como já conversamos nos dois artigos sobre Rejeição e Perda, o autêntico não definha, não pensa em morrer, não precisa de antidepressivos, quando “perde”, como acontece nas histórias românticas que vemos ao nosso redor e pelas quais, possivelmente, algumas de vocês já passaram. Isso não acontece porque o ser liberto, amando demais suas liberdade e livre-arbítrio, tem plena consciência da importância das do outro. Mas isso não impede que ele fique triste, que venha a chorar, pois ele está “perdendo” alguém com quem tem real prazer de estar junto. Mas nada que vá fazê-lo perder o prazer de viver, pois não existe essa de “eu não vivo sem você”.
Mais uma obervação: o ser autêntico, ao contrário do romântico, tem plenas possibilidades de ser amado por mais de uma pessoa. Ele permite isso, alimenta esses amores, se lhe interessar, e também os retribui. Logo, apesar do real sentimento de perda, diante da partida de um que ele ame, ele continuará tendo o amor dos outros. A consciência do real potencial que possui para ser amado o conforta e estimula, não permitindo que sua autoestima seja abalada.
Olá, Raquel. Belo comentário.
Gostaria apenas, pegando um gancho na menção que a Raquel fez às fantasias e desejos de sexo com mais de uma pessoa, de solicitar a vocês que ainda não abordemos especificamente esse assunto, neste momento, a não ser que tenhamos como inseri-lo no tema que está sendo discutido agora. Não que a Raquel tenha fugido do assunto, de forma alguma; sei que foi apenas uma pequena descrição de seus desejos.
Estou falando isso porque sei que é um assunto muito curioso, polêmico, e que facilmente incita comentários, dúvidas e relatos. Assim, antecipei-me para contê-las.
Tenhamos paciência que, mais à frente, iremos debater todos esses assuntos relacionados especificamente ao sexo, em artigos específicos. Por enquanto, vamos tentar focar a sensação de ameaça e o ciúme, que são temas bem ricos e que ainda podem ser bem explorados.
Tenho 34 anos. Aos 27 me casei, depois de 3 anos de namoro, e aos 30 já estava separada.
Nunca fui romântica com homem algum, nem com meu ex-marido, mas sempre fui carinhosa (uma coisa nada tem a ver com a outra) com quem eu queria e na hora que eu queria.
Não fui criada para casar e sim para ser independente e agradeço à minha mãe a mulher livre que sou hoje. Vejo minhas amigas afogadas em lamentações sobre a vida, sobre os homens e sei que boa parte da culpa está com os pais.
Sempre gostei de sexo, a ponto de constranger muitos homens com minha naturalidade para falar sobre ele assim como fazer. Meus namoros nunca duraram muito, pois logo eu ficava de saco cheio das mesmices. Fantasias de sexo com outras pessoas, com meus namorados juntos ou não, sempre rondaram a minha mente, e isso dura até hoje. Mas nunca me culpei por isso; apenas nunca realizei com meus namorados antes de casar porque eu sei (hoje não tenho certeza) que eu seria esculachada. Mas eu sempre dei minhas saidinhas escondidas, nunca aceitei a imposição de eu ter que ficar com apenas um homem. Depois que me separei comecei a realizar minhas fantasias, e ainda tenho muitas que irei realizar.
Via minhas amigas casando e de repente o fato de eu ser tão diferente começou a me deixar insegura. Conheci meu ex-marido com 24 anos logo ele quis casar. Eu aceitei, completamente insegura, pois sabia que no fundo eu queria manter minha liberdade… mas também estava insegura por ser tão diferente de minhas amigas e ter aversão ao casamento. Doidera não? Ignorei o enorme valor que sempre dei à minha liberdade apenas para ceder a uma exigência da sociedade e me casei. Minha família e amigos mais próximos não entenderam nada. Apesar de ele ser um bom homem, foram os três piores anos de minha vida. Me sentia sufocada. Tomei todos os cuidados que se possa imaginar para não engravidar, pois eu sabia que aquilo não ia durar muito. Em 3 anos pedi a separação e apesar de não ter engravidado, foi um parto para ele concordar que eu queria ser livre novamente. Ele ficou muito mal; tive pena, mas eu tinha que fazer aquilo. A família dele me odeia e me acha a mulher mais egoísta do mundo. Não importa, logo eu fiquei bem.
Resumindo, eu não dei ouvidos a minha intuição, que me dizia que nasci para não ser controlada por ninguém, que eu nasci para ser livre. Hoje eu a escuto muito mais. Sou independente financeiramente e feliz sozinha e com meus namoradinhos, alguns bem românticos, que não me deixam faltar carinho, pois gostam muito de mim e eu, menos deles. E continuo não sendo nada romântica, mas lendo esse blog, comecei a entender que eles não são masoquistas… é atração natural mesmo. Se as pessoas mais livres e descompromissadas me atraem, claro que o mesmo ocorre com eles, mesmo que assustados com minhas atitudes. Claro que me sinto, de vez em quando, sozinha, mas isso não tira minha alegria de ser dona do meu nariz. Ciúme? Sinto sim, mas só se um deles estiver com outra no dia que quero sair com ele… e eu estiver sozinha, mas também fico excitada. Se eu estiver acompanhada e ele também, no mesmo dia, só sobra espaço para a excitação. É egoísmo bobo mesmo, mas perfeitamente controlável.
Para terminar dentro desse assunto do artigo, dos namorados e casos que tem passado pela minha vida, aqueles que mais quero ficar junto, ver mais vezes, tenho mais tesão, são exatamente os mais livres, que não querem compromisso, os mais parecidos comigo.
Solange, acredito que a proposta deste blog nao seja de unificação. Ele não sugere práticas… apenas a liberdade para desengessar e aumentar o leque de opções de cada um… mostrar as possibilidades de sermos livres …e essa liberdade nao é restrita a fases da vida. Descoberta a liberdade, cada um faz o que QUISER com ela. Do adolescente ao idoso todos podem gozar dessa liberdade à sua maneira. Mas respeito sua opção de ficar somente no imaginário,ou seja…vocé livre e encontra o tesão, a excitação, imaginando e nao praticando. Percebe agora ao que me refiro sobre liberdade? Tudo é permitido, só devemos ter discernimento do que é melhor para cada um de nós.
E mais uma vez falando sobre o ciúme ,eu disse que não sinto e nao senti, mas não é impossível dele existir em minha vida, mas numa dosagem mínima, para não me intoxicar. TUDO DEMAIS ENJOA!
Guta, obrigada e poucos acreditam que tenho essa idade, pensando da forma que penso, mas tenho hein, rsrrs. Mostro identidade se quiser,rsrsr. Verdade, marcar com caneta e cheirar também, pode acreditar, como têm imaginação, foge a tudo que conhecemos sobre obsessão.
Gisele,
Obrigada por voltar a escrever. Nada me deixa mais feliz do que ver uma mulher consciente e que agarra e degusta a própria vida.Parabéns em tudo. E ainda tem só 26 anos… VAI SE FODER!!!! rsssssssssss
Cheirar e marcar o pau com a caneta? Surreal… já vi mulher catando celular, escutando conversa com os tímpanos na parede, pegando a fatura do cartão de crédito e ligando pra todos os estabelecimentos, seguindo de madrugada o marido, contratando detetive, bater no homem, cheirar camisa, meia etc … mas essa é a primeira vez que ouço falar da caneta rsss
À Thais, eu gostaria de dizer que a minha exposição, no meu humilde entender pode vir ajudar a alguma mulher no futuro. E não sei por que, mas sinto que as mulheres que se expuseram, lêem o blog, são guerreiras também.
Aproveitando o gancho da Barbara, sobre o ciúme,qual seria a definição?
Segundo a psicóloga Ayala Pines, é ”a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade”.
Esse sentimento pode ser instintivo e natural,seguido pelo medo do real ou imaginário de perder a pessoa que acredita amar, sendo marcado pela desconfiança,elevando-se cada vez mais e tornando-se patológico, obsessivo, onde eu digo que AÍ começa o REAL PROBLEMA. A pessoa perde a lucidez, vive em função única e exclusiva do parceiro. Sou enfermeira e no período acadêmico tive conhecimento de alguns casos sobre essa patologia, li artigos e fiquei impressionadíssima com tamanha imaginação desses obsessores, deles verificarem detalhadamente as roupas em busca de fios de cabelo, vasculhar carro para achar algo comprometedor e um dos mais absurdos surtos, em minha opinião é marcar e cheirar o pau do parceiro com caneta, para entao achar que garantiria a fidelidade. Enfim, por quê deixar chegar ao extremo do ridículo, valorizar mais uma pessoa do que a si próprio? Todas nós devemos ter segurança no relacionamento, nao deixar baixar nossa autoestima, não perdermos nossa lucidez. Porque esses clientes / pacientes nao têm noção de como isso é degradante, acreditam que estao certos, agem corretamente e nenhuma justificativa do parceiro é fidedígna.
E respondendo a pergunta da Barbára, sobre de que temos ciúmes, tenho uma resposta Curta e Fina rsrs…de Nada!
Pode parecer loucura, mas até hoje não consegui encontrar essa reação em mim, nem ciúmes de familiares, amigos e muito menos de parceiros, sempre estive muito bem resolvida em relação a isso e está longe de ser pretensão minha, simplesmente ainda nao senti E a sensação de ameaça, em minha opinião, é bem diferente de sentir ciúmes, é simplesmente excitante e, se houvesse ciúmes, seria brochante.
Também parabenizo a GUTA por sua exposição, essa é mais uma que nao tem medo ,está muito preparada para novas exposições…Mulher de muita CORAGEM MESMO!!!
É um orgulho para todas!
bjos
Gi, Acho ótimo que você sinta a vida desta forma tão leve e fluida, parabéns, quanto a minha preferência de não viver tudo na prática é porque gosto de deixar um,não,vários espaços para a minha imaginação, a acho muito mais libertadora que a prática. Mas cada um sente de forma diferente a vida e como vivê-la.Imagina um mundo onde todas as pessoas fossem iguais, pensassem do mesmo jeito, tivessem a mesma profissão, etc, um mundo assim certamente seria muito chato.
A respeito sobre o ciúmes ,penso que esse sentimento é talvez um dos mais complicados e difíceis , não são todas as pessoas que conseguem lidar saudavelmente com ele, ainda mais quando há muitas coisas em jogo entre as pessoas .Observei também que todas pessoas em menor ou maior grau sentem, sentiram ou sentirão ciúmes , ciúmes do namorado, dos familiares,etc.Não vejo nada de errado nos sentimentos, mesmo eles não sendo tão positivos.Vai depender muito da segurança e maturidade da pessoa saber conviver com eles.E a vida é tão complexa, imagina ,então, a vida de uma pessoa para podermos fazer um julgamento , seria necessário conviver com essa pessoa, conversar com ela profundamente e mesmo assim não conseguiriamos entendê-la completamente.A vida de uma pessoa vai além do que imaginamos ou supomos sobre as pessoas.
E o que é ser livre???Se há tanta coisa envolvida para podermos dizer sou livre.Uma das coisas que entendo por liberdade é a pessoa poder ser do jeito que se sente melhor consigo mesma, se a liberdade da pessoa , e isso vai depender muito da idade que a pessoa se encontra,claro, é sentir todas as delícias do sexo, do amor , de uma vida a dois, seja livre, permita-se!!e viva tudo com intensidade e paixão, repetindo a Gi.
Obrigada, Thaís. Bom que tenha gostado. Mas digo a você e a todas neste blog que é possível sim! Pois só depende de nós, sermos LIVRES, sem medo de nos assumir, sem medo da exposição. É polêmico porque NÓS, ainda, permitimos que assim seja. Devemos nos libertar, viver a vida com naturalidade e, agindo, será alcançável sim e esse assunto será inserido no nosso cotidiano em rodas de amigos, familiares, simples assim, rsrs. Thais e amigas do blog vocês conseguem! Basta clicar na tecla do SIM, EU QUERO, EU POSSO EU VOU… ser FELIZ COM MINHA LIBERDADE.
Irei compartilhar muito mais de minhas novas experiências e quero que seja uma via de mão dupla, com trocas, como foi proposto pela Thaís.
AH, Solange, tudo que está aqui na teoria eu vivo, ou seja, é possível associar a teoria à prática, mas como eu disse somente SE você quiser e acreditar… Permitir-se!
beijos!
Ah, o ciúme!
Por ter características tão universais, ando achando que o ciúme foi implantado entre um retoque ali e outro acolá durante a criação do mundo.
Sentimos esta inquietação desde pequenos, quando é necessário dividir na hora do recreio, o balanço favorito com os coleguinhas de classe. É um sentimento democrático que não escolhe hora, lugar ou disponibiliza controle exato das ações, porém como tudo na vida possui um poderoso antídoto.
O inimigo do ciúme chama-se segurança e quem souber valorizá-la dentro de um relacionamento sairá ganhando. Trata-se basicamente de uma via de mão dupla, onde os dois devem saber respeitar os espaços ali premeditados. Política da convivência é o melhor termo a ser aplicado nesta questão.
Outro dia conversando sobre ciúme com um amigo ele me fez a seguinte pergunta? Você discute o “contrato do ciúme”? Afinal, todo relacionamento precisa desse documento. E para explicar o tal contrato ele diz que leu uma reportagem sobre a Mônica Mattos na revista “Rolling Stone” que elucida bem a tese. A Mônica, como alguns varões devem saber, é a estrela nacional do reino pornográfico. E ela tem um namorado, claro. E ele tem ciúmes da mulher, claro. Menos da profissão dela, claro.
Funciona assim: transar em frente às câmeras pode. Mas, por favor, que a atriz pornô não fique falando mais de cinco minutos com um desconhecido ao telefone. Aí é caso de morte. Ah, e a querida Mônica também pode ficar com outras mulheres.
Entenderam? Rolou uma discussão prévia pra saber o que dá (com trocadilho) pra fazer e o que não dá. Colocaram tudo na balança, observaram quais as concessões possíveis e pronto.
Lembre-se de seus relacionamentos…Durante alguns, você podia sair com amigos, companheiros e até, vez ou outra, voltar de madrugada meio bêbada. Mas jamais mencionava o nome de ex-namorados. Aí a casa caía.
Em outro, era permitido dormir pelada com o ex-namorado, mas jamais sair sozinha com aquele sujeito-a-cara-do-Brad Pitt do trabalho.
E aquele que deixava você se acabar de tanto dançar no dia do clube da Luluzinha, mas desconfiava até daquele seu melhor amigo gay que daria tudo para comer seu namorado.
Cada relacionamento tem a sua dinâmica do ciúme, da tolerância, do convívio.
Os casais precisam logo discutir o contrato do ciúme. Tentar detalhar ao máximo o que é aceitável ou não. Brigar por certos privilégios, entender certas concessões, etc.
Transar com desconhecido pode? E se rolar só uma vez, preciso contar? Vale sair para aquele happy hour basiquinho das quartas e emendar numa balada?
Como se diz: cada caso é um caso.
Nenhum namoro é igual. Nenhum ciúme é o mesmo. Enquanto não discutir o que vale em um relacionamento, nada pode ser cobrado.
E vocês? Tem ciúme do quê?
Parabéns Gisele. Parabéns pela coragem de expor um assunto polêmico de maneira tão simples e pura. Parabéns por ser uma pessoa tão evoluida emocionalmente.Fico pensando se um dia serei assim, seu despreendimento me parece, hoje, inalcançável.
Guta, de todas as “exposições”, a sua, sem dúvida,pra mim, foi a mais linda! Manter-se ereta em uma sociedade que preza padrões, é só pra gente muito Guerreira.
Olá, Leitora. Bem-vinda e boa pergunta. Você mesma já a respondeu: pura hipocrisia.
Ainda bem que entramos no mês de Dezembro. Quem sabe a preguiça, ao invés de dar um pequeno passeio, não resolva tirar suas férias?
Guta, vc tem que ser ainda mais forte do que a maioria da mulheres. Precisa assumir duas verdades… e assume. Parabéns!
Vou começar pelo desfecho do primeiro comentário da Paulinha: Muito bom! Todos temos vários(as) filhos(as) das putas nos rodeando ou, de alguma forma, participando do nosso dia-a-dia. Eu, particularmente, quase todo dia topo com algumas delas. Dá uma raiva, não é?? Talvez a Gisele Bündchen não conheça tantos.
Ela tocou em um ponto interessantíssimo: a transformação de uma relação já solidamente romântica em uma autêntica, desconstruir o amor romântico para deixar nascer o verdadeiro. Não tenho dúvidas de que se trata de uma dura tarefa abandonar hábitos e valores tão inseridos nos pensamentos e comportamentos do casal. Imagino a grande dificuldade que pessoas casadas possuem para ler esse blog e tenho certeza de que muitas o abandona nas primeiras linhas, diante da percepção de impotência para tentar provocar qualquer mudança em seus casamentos.
A grande maioria dos casais – talvez todos – que se propõe a fazer tal mudança, após alguns anos de relacionamento, passa por essas mesmas dificuldades iniciais. Isso sempre foi observado por mim, durante alguns anos. Como é difícil se livrar do ciúme e conviver bem com a ameaça.
Com ela conviver e, corajosamente, encarar de frente a idéia desse fato que ronda a relação é uma opção do casal. No entanto, precisamos entender que, optando ou não por aceitar essa verdade, esse risco sempre irá se fazer presente e assombrar o casal, admita ele ou não. Para aqueles que não querem enxergá-la, quando a ameaça deixa de ser uma possibilidade e passa a ser um fato, e um dos dois planeja, durante o tempo necessário e na surdina, o momento certo para fazer o pedido da separação e, de repente – que de repentinamente nada tem, informa ao outro, este, no mínimo, afunda em um lamaçal psicológico, pois ignorava completamente a fragilidade do relacionamento. Isso quando não ocorrem as tragédias passionais.
Aceitar e aprender a conviver com a sensação de ameaça é, no mínimo, um ato de honestidade do casal.
Sem dúvida alguma, se a sensação de ameaça já começa a ser digerida como tira-gosto, desde a primeira conversa do casal, naquele primeiro chopinho marcado, tudo fica bem mais fácil. Hoje, é assim que eu ajo. Dessa forma, você acaba com a possibilidade da má digestão que existirá se decidir assumir essas verdades mais à frente, em outra ocasião, com medo de assustar o parceiro. É bem provável que não tenha mais coragem de fazer isso e, então, será tarde demais.
Após mais ou menos um mês acompanhando esse blog e adiando participar dele porque sou meio preguiçosa para escrever,dessa vez não resisti, com esse assunto e comentários. Concordo com a Raquel, como é que um assunto tão óbvio e que todos nós sentimos na carne e na alma não é escrito e discutido pelos ditos “especialistas”? Pura hipocrisia. Para que ser especialista em comportamento se só falam o que convém a sociedade? As esposas e maridos deles e delas iriam adorar saber exatamente como pensam, não é? Hipócritas.
Parabéns. Vou continuar acompanhando e quando a preguiça resolver sair para passear novamente volto a escrever. Beijos.
Raquel, obrigado pelo elogio. Não tenham dúvida de que eu também considero este blog um espaço terapêutico, onde também realizo sessões, lendo vocês.
Regina, seja bem-vinda.
Algumas amigas têm me perguntado se é possível a ameaça, tornando-se uma perda real, com o outro partindo, o “abandonado” não sentir nada, não ficar triste, etc. Gente, o coração do ser autêntico, livre, não é de pedra ou gelo. O ser liberto ama e muito! Não tenham dúvida de que ele ama muito mais, pode ser muito mais sensível e chorar muito mais do que o romântico. Porém, ele é mais consciente da razão pela qual suas lágrimas estão sendo derramadas, ao passo que, o romântico, muitas das vezes, chora pela partida de alguém que ele, de fato, nem queria ao lado, de quem sabe que nem gosta tanto… na verdade, mais do que pela perda ou rejeição, ele chora pelo fato de se ver sozinho.
Um exemplo prático? Durante todo esse tempo que venho realizando esse trabalho, quando conheço mulheres que foram deixadas pelos maridos, sempre pergunto como foi a separação e como se sentem atualmente. Até agora, não obtive nenhuma resposta diferente de algo assim: “Chorei muito, fiquei sem chão, o mundo desabou, pensei que fosse morrer. Mas, atualmente, percebo que foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Hoje, não troco minha liberdade por nada, apesar de querer um namorado. Mas, terá que ser do meu jeito.”
Vou citar o exemplo de dois casos reais. Em conversas distintas com duas viúvas, fiz a mesma pergunta cruel a elas: apesar de toda a tristeza, quando dos falecimentos dos maridos, como estavam se sentindo, depois de alguns anos? Ambas responderam que muito bem… bem melhor do que quando casadas. Em todos esses casos, onde está a perda real?
Como já conversamos nos dois artigos sobre Rejeição e Perda, o autêntico não definha, não pensa em morrer, não precisa de antidepressivos, quando “perde”, como acontece nas histórias românticas que vemos ao nosso redor e pelas quais, possivelmente, algumas de vocês já passaram. Isso não acontece porque o ser liberto, amando demais suas liberdade e livre-arbítrio, tem plena consciência da importância das do outro. Mas isso não impede que ele fique triste, que venha a chorar, pois ele está “perdendo” alguém com quem tem real prazer de estar junto. Mas nada que vá fazê-lo perder o prazer de viver, pois não existe essa de “eu não vivo sem você”.
Mais uma obervação: o ser autêntico, ao contrário do romântico, tem plenas possibilidades de ser amado por mais de uma pessoa. Ele permite isso, alimenta esses amores, se lhe interessar, e também os retribui. Logo, apesar do real sentimento de perda, diante da partida de um que ele ame, ele continuará tendo o amor dos outros. A consciência do real potencial que possui para ser amado o conforta e estimula, não permitindo que sua autoestima seja abalada.
Obs: todas vocês estão de parabéns. Estou feliz para cacete!
Estou adorando a guinada que o blog está dando, com comentários práticos. Mas entendam que não devemos parar de filosofar. Sempre haverá espaço para pensamentos. O estímulo foi apenas para que os associemos às nossas experiências práticas e as compartilhemos aqui.
Nunca li nada parecido com esse texto. E olha que leio muuuuuito. Adoro filosofia, ler sobre comportamentos, relacionamentos, sexualidade. Nada de auto-ajudas idiotas, mas livros sérios, mas nunca havia pensado ou encontrado uma abordagem tão real e prática sobre essa maldita sensação de ameaça. Agora, de uma forma muito interessante, o Administrador conseguiu com que eu a esteja vendo como bendita! Na verdade, inconscientemente, ela sempre me agradou. Eu já gostava dela mas não sabia, sei lá. Não é à toa que sempre brincamos dizendo que queremos homem com cara de safado, que com cara de bonzinho não nos dá tesão. Agora está explicado, porque eu nunca havia parado para pensar sobre isso. A partir de agora, vou apresentar todos os homens bonzinhos que conheço para as minhas inimigas. rsrsrsrs
Preciso fazer um elogio ao administrador e a todas vocês que já escrevem aqui há tempo. Fiz terapia durante uns seis anos e parei há cerca de um ano. Aqui com vocês estou encontrando respostas para dúvidas e inseguranças que gastei uma puta grana tentando descobrir e não consegui! Estou indicando esse espaço para todas as minhas amigas mais próximas. E como disse o adminstrador, esse blog, com a sua proposta, tem tudo para ser mesmo o maior porta-voz da individualidade e sexualidade femininas, no Brasil.
Hoje estou um pouco sem tempo, mas logo vou participar com meus relatos reais. Tenho coisas para contar.
Sem duvidas é delicioso e excitante esse tipo de sensação de ameaça. O de se permitir dividir, vivenciar e deliciar-se e ver o outro deliciar-se.
Mas e quanto aos outros tipos de ameaças?! Todos temos algum tipo de ameaça que evitamos e receamos vivenciar em nossas vidas. Situações que nos incomodam, momentos que levam a exposição de nossas limitações, situações em que muitas vezes ficamos sem saber lidar, que nos geram ansiedade, angústia, aquele frio na barriga, a cabeça com pensamentos rápidos e muitas vezes desconexos, o momento do “E se eu…”.
Afinal por mais belo que seja todo esse processo, por mais avançado nele que cada um se encontre existem limitações, pedras no caminho, medos e até mesmo inseguranças. Cabe a cada um lidar com as suas e permitir que o outro lide com as dele.
Simplesmente não acredito que tudo são flores, afinal não são posturas já definidas dentro de nós desde a tenra infância. Acredito sim que quem decide optar por essa vida, sem dúvidas já tinha algo de libertário dentro de si, de certa forma mesmo os relacionamentos tradicionais anteriores já tinham algo de libertário, porém, dentro dos limites da sociedade em que fomos educados. A Gisele colocou muito bem, tal postura se iniciou aos 15 anos, período em começamos a pensar por nós mesmos, período no qual deixamos, normalmente, de mimetizar o outro.
Concordo com a Thais em seu comentário, realmente muitas vezes ficamos apenas na teoria ou em relatos de como esse trajeto é belo, inebriante, extasiante, de como temos orgulho de estar e ser assim. Acho que realmente devemos ter, e aqui também é um espaço para urramos de prazer de nossas conquistas.
Porém o maior objetivo deste blog, pelo que já andei lendo no A PROPOSTA, além de conversas com o administrador, é auxiliar mulheres que optaram por esse caminho, e também mulheres que estão em grande sofrimento a lidarem com as pedras de um relacionamento, de sua sexualidade, de sua libertação. Para isso é importante sim lerem sobre os sucessos, sobre as vitórias e prazeres que sentimos, mas há que se admitir que só aprendemos com os problemas, que muitas vezes nós só desejamos ouvir se outro já passou por ali e de repente pode nos dar uma luz sobre o que fazer. Eu mesma já fiz esse pedido ao admin algumas vezes.:)
Na prática médica usamos os famosos guidelines, que são nada mais do que diretrizes baseadas em evidências quanto a que procedimento seguir diante de uma situação, é um modo rápido de se resolver questões, não necessariamente de aprendê-las.
Seria interessante um misto dessas duas posturas, a filosofia sim, mas também a prática e nela se possível os insucessos com suas conseqüências. Acredito que só assim conseguiremos atingir o que o administrador deseja e também todas nós.
Coloco-me a disposição de todas para o que desejarem saber sobre mim, minha vida e esse caminho que iniciei com meu marido, comentarei sobre situações reais sempre que possível.
Beijocas e boa semana a todas.
Ciúme! Há medida certa? Creio que não…
Mas não me refuto a admitir que 1 vez já senti isso por alguém e alguém sentiu por mim. È asfixiante tanto o sentir quanto ser o objeto desse sentimento.
Depois de muitos meses de análise lacaniana, promessa pra Deus e o Diabo, e uns 3 anos de experiências mornas,boas, comuns, extraórdinárias, posso dizer que voltei a minha essência.
Hoje não me importa com quem o(s) meu parceiro(s) estejam. Fui mais além, no sentido de permitir o desejo do outro assim como me permito os meus. E isso me excita… saber e fazer sabê-lo do meu tesão, pensar em como ele me “ come”, e ao “ comer” outras ou outros, proporcionar o mesmo prazer, sensações, tesão em maiores ou menores graus. E me faz feliz também. Tive um relacionamento que o aniversário dele caía no Dia Internacional do Orgasmo… Chego ao ponto de dizer que seria crime, prendê-lo com um ciúme idiota e vice versa rss.
Quando o administrador menciona a ameaça da perda, me veio à memória, a música de Elis Regina “ Vivendo e aprendendo a jogar… nem sempre ganhando nem sempre perdendo mas.. aprendendo a jogar… “ acho que já ganhamos muito ao entrar nesse jogo chamado Vida, não?
Adorei que tivessem trazido à baila, a questão da AIDS poder freiar pulsões internas rumo a prática das mesmas. Mas com a consciência e educação de hoje, basta usar camisinha e ter uma série de precauções e cuidados consigo e com os parceiros. Eu sou da geração AIDS, da geração Camisinha, da geração HPV etc. Então sempre me precavi, cuidei de mim e do outro. Já começei a minha vida sexual meio neurótizada com essas questões.
Afirmo não por palavras mas por experiência própria, que ao vivermos uma relação não romântica, sem posses, a honestidade e transparência, devido à legitimidade das trocas, são duas características que por si só já servem como vacina para todos os virús que até hoje temos conhecimento.
Há poucos anos, descobri por acaso, ser portadora de uma doença crônica hepática ainda sem cura, a qual contraí ao nascer. Foi muito doloroso o processo de aceitação. E sofri preconceito por alguns parceiros. O preconceito alheio, a desinformação, e a obrigação de me deparar com a minha fragilidade, quase me levaram à nocaute. Tenho verdadeiro horror a me colocar como coitada, nasci Guerreira e vou morrer Guerreira em Tudo, mesmo que em termos de estatísticas seja mais provável a causa ser por me engasgar com a saliva do que pelo virús que porto rssssssssssss.
Confesso, à princípio, que precisei de muita coragem de me expor aos outros. E minha vida ficou mais complicada por essa coragem pois sei sempre que é real a ameaça do outro escolher ou não sentir, experienciar, ficar comigo.
Mas sabe mais do quê? Não abro mão dessa complicação!
E se me permitem dizer é quando o bicho ser humano sente-se ameaçado, que quebra e transcende os seus limites… então entre tantos brindes propostos por mim,lá vai mais um:
À uma Vida cheia de Ameaças !!!
Estou lendo todos os comentários depois dos que eu escrevi , depoímentos de uma vida sexual mais liberal, a três, a quatro ,etc,etc…Acho isso o máximo na teoria, na literatura, no cinema, na vida prática , fujo de situações assim.Aliás, o meu forte não é a parte prática,rsrs, e sim a de ficar imaginando tudo isso.No momento que eu possa ter a oportunidade de colocar em prática uma situação mais ousada, perco o interesse.A minha preferência parece ser o tradicional,mas não o tradicional no sentido tradicional , tradicional..Mas mais no sentido de uma relação mais pacata, tranquila , envolta numa aura mais romântica, de carinho e amor, claro.
Ah puxa, acho que daqui a pouco vou pedir separação ou dar um tempo de tão pacata e tranquila que é minha relação comigo mesma .Mas não adianta , sou assim mesmo.Romântica.No imaginário, sou uma devassa, libertina, rola solto , deixo a imaginação voar infinitamente.É ridículo, até pode ser.Mas a liberdade se chama imaginação para mim.A prática é só detalhe. Será que sou normal?
Thaís, você não faz idéia do quanto foi feliz nessa “convocação”. Até porque vocês podem perceber que estamos, gradualmente e com este artigo, começando a partir para questões mais práticas dos nossos comportamentos e cotidianos. Se estamos saindo da pura filosofia, a qual não tenho dúvida de que também foi e tem sido muito necessária para abrir as mentes de todos nós para “o novo”, não podemos, agora, nos furtar de relatar experiências reais, tenham sido elas frustrantes ou bem sucedidas. O fato é que aprendemos em todas as situações.
Eu também tenho me abstido de relatos práticos, pois achei que ainda não era o momento. Mas está na hora de começarmos a trocar os sucessos e derrotas.
A Gisele deu o primeiro passo. Parabéns… coração na mesa e coragem de se expor!! A Paulinha sempre tentou rebocar vocês com seus relatos mais íntimos sobre o seu casamento. Vamos seguir a linha?
Precisamos ler sobre os erros e acertos, ações e percepções de reajustes, etc. Assim, estaremos no caminho de transformar este espaço no maior porta-voz da individualidade e sexualidade feminina no Brasil.
Tentei ser irônica… mas não deu certo. Essa estória ” do que os homens gostam ou da chata, ou da puta, ou da filha da puta ” me dá nos nervos. Agora tô sem tempo pra escrever, comemorando o HEXA do meu timão.
Beijos pra todo mundo
Ser chata, puta ou filha da puta…eis a questão!! rs
Esta responderei depois. Pois estou sem tempo agora e serei “rapidinha”.
Quero dizer que desde meus primeiros namoricos –faz teeempo!rs- eu percebi que o lance da sensação de ameaça da perda…sempre me excitou de alguma forma. Sempre gostei dessa situação –e um pouco mais da pessoa que me proporcionava tal situação. Não significa em nada que por causa disso, eu viesse a fazer e/ou não fazer- qualquer coisa pelo sujeito…pelo contrário…como em qualquer situação, sempre fiz o que quis e aceitei os desejos do outro. Tal desafio me instiga e me “empurra” de modo sutil, leve, com cuidados e “preparada” para a pessoa pelo qual me interesso. Mas acho que isso acontece porque o medo da perda, apesar de tudo, nunca existiu!! Não sei…
E é certo que os românticos jamais conseguem aceitar tal desafio: o da perda…o do risco da perda!! Pois no previsível não existe o fator surpresa…o que é algo extremamente excitante pra mim. Afinal, “perder” alguém –ou alguma coisa-, também pode ser considerado surpresa como em qualquer jogo. Para tanto…sempre fui considerada àqueles que mais sabiam “jogar”…uma “caixinha de surpresas”. Não me considero tanto assim…mas acho que isso acontece porque simplesmente relaxo, aceito as coisas conforme vão acontecendo…e ajo de acordo com minhas vontades…independente de correr o risco de perdê-lo –ou ele me perder!!
Acho que este é o único “trabalho” que gosto de ter numa relação…o resto, dispenso!!
Também nunca ouvi a piada citada mas…com certeza, nunca fui a chata, embora conheça o “tipo” tanto homens como mulheres…credo!! Mas, sem esforço, sou a Puta e também a filhona da puta…depende da situação! rs
Beijo a todos e todas
Entre a chata , a puta e a filha da puta prefiro ser a Solange.Nela pode estar contida a chata, a puta e a filha da puta conforme a ótica de cada um.
Estou vendo que todas as três são autênticas.
Toda mulher pode passar pelas três fases, a fase da chata, de um homem só, a fase da puta , que fica com todos homens inclusive você, e , finalmente , a fase da filha da puta, que fica com todos os homens menos contigo.
Tem mulheres que empacam na fase da chata,por vários motivos, um deles , talvez o principal, seja por causa da Aids etc,mesmo desejando ao contrário, outras vão mais adiante ,ultrapassam a fase da chata e permanecem na fase da puta, outras completam o ciclo tomam coragem e entram na fase da filha da puta.
Adminstrador e amigas do blog,
depois de muito tempo, volto a expor minhas opiniões.Sou solteira ,26 anos,nao tive experiências de casamentos pouco sucedidos e que estejam me libertando,simplesmente, desde minha adolescência, tive uma visão antirromântica da vida Nao sou infeliz, frustrada,somente prezo minha liberdade,mas claro ,como tudo ,isso tem um preço,amigos , parentes ficam assustados quando falo sobre essa minha ideia de liberdade,não conseguem compreender como é fundamental ela existir em nossas vidas.
Quando adolescente , minhas amigas sempre quiseram ter namoradinhos ,apresentar formalmente à família, casar , ter filhos, serem ”eternamente felizes”. Eu sempre pensei e agi diferente, não me envolvia com vários rapazes, mas também não queria me prender a nenhum. Há 2anos conheci um rapaz, muito carinhoso , atencioso, e deixei rolar e quando vi estava namorando e apresentando formalmente à minha família, deixei acontecer para servir de experiência. No início , flores ..depois surgiram os espinhos:POSSE,MACHISMO,CIÚMES, pronto! Tudo que eu precisava para reforçar minha opinião sobre romantismo.
Mesmo assim,com idas e vindas, fiquei por quase 2 anos. Até hoje me pergunto o por quê?
Ele queria casar, construir família, mas eu não, e terminei o namoro , também por outros motivos. Essa foi a única vez que estive próxima ao romantismo, machismo.
E foi determinante em minha vida para seguir a filosofia que tenho desde os 15 anos de idade: LIBERDADE!
Há alguns meses conheci uma pessoa que me apresenta os prazeres da vida a cada dia, me mostrando que não sou E.T. e o que sempre pensei é possível ser posto em prática. Ele é um homem liberal, verdadeiro, fiel aos seus instintos , que tem uma relação liberal comigo e morro de tesão em saber que ele é desejado e fica com outras , digo que é A LISTA da verdade e liberdade. e essa sensação de ameaça é maravilhosa.
Dentre as que ele tem relação, eu conheci uma e tive uma experiência a três (menage) e a duas , isso mesmo, tive relações sexuais com ela e ele assistindo. Foi muito boa essa experiência, não me senti uma homossexual, não tenho nenhum preconceito, foi uma curiosidade que tínhamos , ela mais do que eu e foi interessantíssimo, porque éramos as duas mulheres que ficam com ele e não houve espaço para competição, achando que tínhamos que chamar mais atenção do que a outra , ou mostrar quem mandava ali..nada disso..as duas tiveram o mesmo carinho, o mesmo tratamento por ele,sem ciúmes, sem estresse, claro que isso também só foi possível pelo HOMEM que estava com a gente, não é um moleque , e sim homem muito consciente, sensato e MADURO! Uma sabe da existência da outra , ele nos trata da mesma forma, tem o mesmo carinho por todas e a lista é grande,hein,rsrs. Eu também me envolvo com quem eu quero e ele fica excitadíssimo em saber que transei com alguém. É muito gostosa essa relação, sem ter obrigação de fazer relatório diário , de ser controlada e, principalmente não ter que mentir. Quando ele não encontra uma das nossas “amigas”, porque é assim que me refiro à elas, eu fico puta (desculpem -me o palavrão), porque me excita muito saber que eu estou em casa e imaginando ele transando com outra…uma vez eu pedi para ouvi-los…foi muito excitante. Ela também adorou.
Meninas e meninos, o que quero dizer com isso tudo, é que é POSSÍVEL existir esse tipo relação liberal e verdadeira e a confiança entre nós dois existe. Somos muito amigos, e cada vez mais íntimos e isso tudo aconteceu em muito pouco tempo, nos conhecemos há apenas 3 meses , não precisamos de muito tempo juntos para haver essa cumplicidade verdadeira .
Somos autênticos e isso foi essencial para essa relação existir, sair da teoria e pôr em prática. Essa sensação de ameaça é TUDO DE BOM, muito excitante e a cada dia o tesão aumenta mais …e se um de nós quiséssemos exclusividade, se passássemos segurança , do tipo : sou sua, somente sua..vou com você até o fim, meu amor..sempre estarei ao seu lado até que a morte nos separe… acredite,EU JÁ TERIA MORRIDO!! Rsrsr…
RELAÇÃO COM VERDADE , LIBERDADE E RESPEITO = 100% TESÃO.
Ah, VIRÃO MUITAS OUTRAS LOUCURAS AINDA QUE QUERO COMPARTILHAR COM TODOS VOCÊS E COM O ADMISTRADOR, POIS TUDO QUE ELE ESCREVE AQUI É POSSÍVEL SIM, TENHO EXPERIENCIADO ISSO A CADA DIA!
BEIJOS PARA TODOS!
REGINA
As vezes, sou criticada por não ser romantica, o que não quer dizer, que não seja carinhosa, amorosa, só não sou melosa e tbm não gosto que sejam comigo, me enjoa.
Qto ao ciúme é uma coisa difícil, pois nunca fui uma mulher de ficar grilada, sempre achei; Se estamos juntos é porque queremos. Mais na cabeça, da maioria dos homens,não é assim tem sempre o fantasma da traição.Pq eu não posso querer ficar, só com um homem se me sinto feliz assim? E pq não posso querer ficar com outra pessoa tbm, mesmo gostando do outro? Tem hora que até eu mesmo me confundo, com minhas idéias e meus pensamentos, mais definitivamente, não gosto desse sentimento de posse. Adorei essa piada que não conhecia. Com certeza não quero ser a chata, prefiro ser a puta.
Ciúmes, posse, sensação de ameaça. Sentimentos conflitantes porem característicos da essência humana. Mesmo num relacionamento libertário, acredito, pois nunca vivi realmente um, existe algum sentimento de posse, no “eu permito que o outro seja e viva…”, algum sentimento de ciúme no “eu queria…”, e a sensação de ameaça funcionando como a gasolina aditivada do motor sexual.
Realmente não sei, se relacionamentos estruturados desde seu inicio dessa forma acarretariam zero de posse, zero de ciúme. Acredito sim que indivíduos que optem por essa nova forma de se relacionar com outro, aprendem de forma progressiva a se conscientizar que a perda existe, não é necessário nem válido usar de recursos como o ciúme para manter o objeto de seu desejo ao lado. Afinal de contas isso simplesmente não funciona, além de gerar tormentos a si e a todos a sua volta.
No meu caso, um relacionamento fundamentado inicialmente em preceitos românticos clássicos, com uma duração relativamente longa, o processo de transformação é bastante complicado. Sempre afirmei que não era ciumenta, o mesmo fazia o meu marido, antigamente brincávamos que não éramos ciumentos, escolhíamos apenas uma ou no máximo duas pessoas com quem “encrencávamos” no ciclo de relacionamentos do outro. Desde quando isso não é ciúme?! Apenas tínhamos uma sensibilidade maior para identificar aonde realmente se encontravam as reais ameaças ao nosso relacionamento.
Outra questão enganosa muito propagada no romantismo social é a crença de que o ciúme existe pois o outro “Não é capaz de passar segurança ao seu companheiro”. Frase muito utilizada por românticos, inclusive por mim por muitos anos rsss, como uma verdade plena. Fácil jogar a bola no colo do outro né?!
Hoje tenho a mais clara certeza que o ciúme esta relacionado única e exclusivamente a nossa própria insegurança, o outro nada tem haver com isso. Há muito decidi que a bola, primeiramente estará ao meu colo, só depois de muito analisar a situação ela poderá ser jogada para o colo do outro.
Mas voltando ao meu relacionamento, essa mudança de relacionamento romântico para livre é um tanto complicada. O ciúme, o egoísmo, a posse parecem sempre estar a espreita tentando tomar conta novamente. Essa semana depois de um conflito com meu marido me peguei falando a seguinte frase para ele “Você tem que entender que existe algum tipo de restrição para nós, estamos há mais de sete anos juntos, somos casados!”, quando na realidade deveria ter dito” Você tem que entender que existe algum tipo de restrição para nós, estamos apenas começando o processo de transformação, é difícil lidar com isso agora.”
Quanto à piada, pode-se dizer que já fui a chata, porém hoje sou a puta para uns e sem dúvidas a filha da puta para outros. Ao meu lado, emocionalmente e sexualmente falando, não quero o chato, definitivamente quero o puto, mas sem dúvidas tenho alguns filhos da puta também. Beijoca a todos ;D
Em tempo: Acho que nunca fui a chata, apenas só aceitava a possibilidade de ser a chata. bjbjbj
O que ficou confuso para você, Guta? Diga para que eu tente esclarecer.
Bem, propus-me a escrever meu primeiro comentário nesse blog só depois que estabeleci um contrato comigo mesma de que só o faria se me comprometesse em contar aqui, experiências felizes e frustrantes de alguém que inicia uma caminhada para uma vida livre. Não quero ficar apenas, apesar de também necessário, filosofando sobre o que seria ideal, como deveria ser o mundo, etc. Portanto, aviso-lhes que estou, de fato, nua e crua em minhas observações. O que relatarei aqui são experiências que tenho vivido. Lendo alguns comentários, tenho sempre a sensação de que todas as mulheres que aqui escrevem, já têm definida a rota desse caminho. Eu não tenho. Na verdade, se esse espaço se propõe a “ouvir” e “entender” toda a complexidade da sexualidade feminina, é isso que farei, esperando uma realimentação de todas vocês, com base nas experiências que vivem ou viveram. Assim, poderemos, juntas, desbravar esse caminho incomum que escolhemos para nós mesmas: estou de braços, peito, coração e pernas abertas para vocês (risos)!!
Sinto a falta de relatos reais. Tenho a impressão de que os assuntos ficam girando em torno de uma filosofia libertária, sem que a prática dessa filosofia emirja. Sugiro a todas um mergulho profundo nessa prática. Não existe aprendizado se não houver troca, e o aprendizado mais eficaz é aquele que acontece entre seres heterogêneos, como somos. E nada pode ser mais heterogêneo que as experiências de vida de cada um.
Resumindo, quero comparar as frustrações, os êxitos e sensações em geral. Dessa forma, creio que estaremos realmente aproveitando este espaço, com todo o potencial que ele pode oferecer. Só dependerá de nós, e não do Administrador.
Beijos!
Gente,
Fiquei confusa… é muita chata e muita puta ao mesmo tempo! Confesso … está além da minha compreensão tais esteriótipos…
Solange, vou deixar claro que, por exemplo, a Puta não se trata da puta que conhecemos. É uma piada com cunho metafórico. A Puta seria a mulher que não transmite a segurança desejada e necessária ao homem romântico, podendo assumir plenamente sua sexualidade ou agir de forma mais reservada. O que importa é que ela não permite que o parceiro tenha a percepção de qualquer tipo de controle sobre suas ações. Ela, no mínimo, causa nele uma sensação de ameaça e, ao lado dela, ele imagina que, se já não é, será, em breve, um corno, o que é o maior medo na cultura machista. Porém, apesar de ele, na maioria das vezes, recusar-se a namorar ou casar com a Puta, essa é a sua preferência instintiva. Ele a deseja, pois sua imprevisibilidade, naturalmente, atrai qualquer macho. Ela lhe provoca enorme tesão, mas ele não tem coragem de assumir um compromisso com ela.
No entanto, para namorar ou constituir uma família, ele quer a Chata, relacionando-se, descompromissadamente e de forma velada, sempre que possível, com uma Puta, pois, em sua imaginação, a Chata não irá “desonrá-lo”.
Por favor, Solange, entenda que essa chata que esses “outros” consideram que essas tais mulheres sejam uma, como você citou, nada tem a ver com a Chata, no sentido figurado, de quem a piada fala.
Admin,sendo vc um homem como afirma ser, poderia responder essa pergunta, Qual dos três tipos de mulheres os homens preferem?.Fiquei curiosa.
Respondendo a pergunta , acho que vai depender de como o homem encara uma relação, se ele se sente atraído pela mulher, sendo chata, puta ou filha da puta.
Já vi homens quando apaixonados acharem a mulher a melhor do mundo,e nos olhos dos outros , ser uma chata de marca maior; depois de uns tempos, ficarem ofendendo -a de jararaca, chata e outros adjetivos que não me vem agora na cabeça por serem muitos .