Fiz um apanhado de trechos do livro Mulheres que Correm com Lobos, da Clarissa Pinkola Estés, e montei um quebra-cabeça com algumas adaptações minhas para termos um raciocínio lógico. Esse foi um comentário que fiz no último artigo e resolvi transformá-lo em post, pois acredito ser bem rico em termos de reflexões. Trouxe para cá também os comentários da Thais e da Paulinha.

“Para conquistar o coração de uma Mulher Selvagem, seu parceiro deve entender profundamente sua dualidade natural, as duas poderosas forças femininas que existem em uma única mulher: a Selvagem e a que precisa vestir-se de personas.
Qualquer um que seja íntimo de uma Mulher Selvagem está de fato na presença de duas mulheres: um ser exterior e uma criatura interior, um que habita o mundo terreno, e o outro que vive num mundo não tão visível. O ser exterior vive à luz do dia e é observado com facilidade. Já a criatura costuma chegar à superfície vindo de muito longe e, com freqüência, aparece e desaparece rapidamente, embora sempre deixe uma sensação: algo de surpreendente, original e sagaz.
O esforço de compreender essa natureza dual das mulheres, às vezes faz com que os homens – e até mesmo elas próprias, fechem os olhos e bradem aos céus em busca de ajuda. Trata-se do famoso e misterioso mundo feminino. O paradoxo da natureza gêmea das mulheres reside no fato de que, quando um lado está mais frio sentimentalmente, o outro lado está mais quente. Quando um lado é menos apressado e mais rico em termos relacionais, o outro pode ser até certo ponto gélido. Muitas vezes um lado é mais feliz e maleável, enquanto o outro sente um anseio por “não sei bem o quê”. Um lado pode ser cheio de alegria, enquanto o outro é lamentoso e melancólico. Essas “duas-mulheres-que-são-uma” são elementos separados, porém, associados, que se combinam em milhares de formas.
Embora cada lado da natureza de uma mulher represente uma entidade separada, com funções diferentes e capacidade de discernimento, eles devem, à semelhança do cérebro com seu corpus callosum, ter um conhecimento ou uma tradução um do outro e, portanto, funcionar como um todo. Se a mulher esconde um dos lados ou privilegia um deles em demasia, ela tem uma vida desequilibrada que não lhe permite acesso ao seu pleno poder. Isso não é bom, podendo levar ao adoecimento psíquico. É necessário desenvolver os dois lados.
Quando se ignora a natureza selvagem da mulher e a julgamos pelo que ela aparenta ser, pode-se vir a ter uma grande surpresa, pois, quando a natureza primitiva da mulher emerge das profundezas e começa a se afirmar, é freqüente que ela tenha interesses, sentimentos e idéias muito diferentes dos que manifestava antes.
Quando a mulher consulta sua própria natureza dual, ela está cumprindo o processo de olhar, examinar e sondar o material que está para além do consciente, sendo, portanto, muitas vezes surpreendente no seu conteúdo e no seu tratamento, e quase sempre de imenso valor.
Para amar uma mulher, o parceiro deve também amar sua natureza primitiva. Se a mulher aceitar um companheiro que não possa amar ou que não ame esse seu outro lado, ela sem dúvida acabará arrasada sob algum aspecto e deixada a vaguear cambaleante, em desmazelo.
Portanto, o homem precisa ter a sensibilidade para identificar a natureza dual feminina. O amante mais querido, o pai mais valorizado, o amigo ou “homem selvagem” mais valioso é aquele que deseja aprender. Quem não se delicia com o aprendizado, quem não é atraído por novas idéias ou experiências, não conseguirá passar do marco de estrada junto ao qual está descansando agora. Se existe uma força que alimenta a raiz da dor, ela é a recusa a aprender além do momento presente.
Sabemos que a criatura Homem Selvagem está à procura da sua própria mulher terrena. Com medo ou não, é um ato de profundo amor o de se permitir ser perturbado pela alma primitiva dos outros. Num mundo em que os seres humanos têm tanto medo da “perda”, existe um excesso de muralhas protetoras contra o mergulho na numinosidade de outra alma humana.
O companheiro certo para a Mulher Selvagem é aquele que tem uma profunda tenacidade e resistência de alma, aquele que sabe mandar sua própria natureza instintiva ir espiar a alma de uma mulher e compreender o tudo que vir e ouvir. O bom partido é o homem que insiste em voltar para tentar entender, é o que não se deixa dissuadir.
A tarefa primitiva do homem consiste em explorar e admirar a alma selvagem feminina para captar e compreender a substância numinosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também.
A mulher deve escolher seus amigos e companheiros com prudência. No caso dos companheiros, costumamos investi-los com o poder de um grande mago – de um mágico fantástico. É fácil que isso aconteça, pois, se realmente conquistamos a intimidade, é como se estivéssemos abrindo um ateliê de cristal, um lugar mágico, ou pelo menos é o que nos parece. Um companheiro escolhido sem critérios pode gerar e/ou destruir até mesmo nossos vínculos mais duradouros com nossos próprios ciclos e idéias. O companheiro destrutivo deve ser evitado.
Ter um companheiro e amigos que a considere como uma criatura viva e em crescimento, um verdadeiro ser que vive e respira, que é humano mas também composto de elementos delicados, úmidos e mágicos … um companheiro e amigos que apóiem a criatura que existe em você … são essas as pessoas por quem por quem a mulher procura. Elas serão amigas da sua alma pela vida afora. A escolha criteriosa de amigos e companheiros, para não falar nos mestres, é de importância crítica para continuar consciente, para continuar intuitiva, para manter o controle sobre a luz incandescente que vê e sabe.
A forma de manter o nosso vínculo com o lado selvagem consiste em nos perguntarmos exatamente o que desejamos. Essa pergunta é a que separa a semente do estrume. Um dos discernimentos mais importantes que podemos fazer, nesse sentido, é o da diferença entre o que acena para nós, de fora, e o que nos chama, do fundo da nossa alma.”

Talvez aqui não estejam as respostas para todos os questionamentos femininos. Mas, boa parte delas são abordadas.

E vocês, mulheres? O que realmente desejam?

13 Comentários »

13 Responses to “8.A dualidade feminina – A Mulher Selvagem e suas Personas”

  1. Guta disse:

    Caríssimo Administrador e mulheres do Blog,

    Selecionei dez filmes que podem vir de encontro com os temas discutidos aqui. Acredito que possam já terem vistos alguns.

    Fica a critério de vocês, e sobretudo do administrador,como serão os debates. Porque administra, organiza e gere o blog. Os temas são muitos, penso então que se sairmos a torto e a direita falando de tudo, muitas reflexões importantes podem se perder.

    Coloquei endereços com a sinopse e ficha técnica de cada filme e um pequeno comentário meu.

    Beijocas e ótimo fim de semana!

    Segue abaixo a lista:

    1. Kinsey, vamos falar de sexo?: Esse cientista sexual, é muito citado no livro A Cama na Varanda, o nosso livro do mês…
    http://forum.angolaxyami.com/cretinagens-idiotices/17583-fotos-e-curiosidades-filme-kinsey-vamos-falar-de-sexo.html

    2. Vicky, Cristina Barcelona: imperdível ( 1 menage com o Javier Bardem, Penelope Cruz e Scarlet Johanessen e como fundo a cidade de Barcelona? Tô dentro rsss)
    http://fake-doll.com/2008/11/24/menage-en-barcelona/

    3. Entre Pernas: mais uma vez Javier Bardem e Victoria Abril, os dois frequentam os Sexomaníacos anônimos…
    http://www.dvdpt.com/e/entre_as_pernas.php

    4. Último Tango em Paris: Gente, esquece a cena da manteiga rss
    http://www.adorocinema.com/filmes/ultimo-tango-em-paris

    5. E sua mãe também :Vibrante e inesquecível, um menage com dois homens.
    http://www.adorocinema.com/filmes/e-sua-mae-tambem/

    6. A mulher do Lado : um senhor clássico do Truffaut, o homem que amava as mulheres. E um final que vai levar uma vida pra se esquecer…
    http://www.adorocinema.com/filmes/mulher-do-lado/

    7. Madame Bovary: como era difícil uma mulher viver plenamente no século XIX …
    http://www.adorocinema.com/filmes/madame-bovary-2000/

    8. A Bela da Tarde: Imaginem, sobreviver as frustrações do casamento romântico… se prostituindo à tarde? Genial!
    http://interfilmes.com/filme_12744_A.Bela.da.Tarde-(Belle.de.Jour).html

    9. O Passado: ” quando o amor vira doença” Me deu medo do que ” um albúm de fotografias” pode gerar num ser humano…
    http://www.adorocinema.com/filmes/passado

    10. Lúcia e o Sexo: Poesia, sexualidade, permissões, frustrações e um erotismo pouco filmado até então.
    http://www.adorocinema.com/filmes/lucia-e-sexo

  2. admin disse:

    Olá, Raquel.
    Tirando sua primeira dúvida, o que leu em meu perfil (Quem Sou) é verídico. Em outros comentários já me pediram desculpas por pedirem para eu confirmar que realmente sou homem. Se a minha proposta é mergulhar na sexualidade feminina e desconfiam que o administrador é uma mulher, é porque, de alguma forma, tenho tido êxito. Sinceramente, essa confusão soa como um elogio. Portanto, obrigado.
    Que bom que temos lhe ajudado. Indique o blog para suas amigas, pois poderemos, talvez, também ajudá-las. Tenha a certeza de que, mesmo considerando não ter amigas para compartilhar suas dúvidas e conflitos, elas os possuem de forma muito parecida com os seus.
    Acerca de valer a pena ou não encarar essa difícil empreitada do autoconhecimento e consequente e possível assunção da essência da mulher… Em comentários anteriores eu escrevi que fazemos parte de um processo vagaroso mas dinâmico. Nossa geração é apenas uma fotografia tirada de um longo filme. Pelo que percebi, praticamente todas as mulheres que comentam aqui nesse blog assumem que assustam os homens quando decidem ser autênticas, sendo rotuladas de levianas, galinhas, etc.
    Vamos raciocinar com alguns exemplos de mulheres, ilustres ou não, que assustaram e foram chamadas de putas em algumas fases da recente história desse longo processo rumo à paridade dos gêneros?
    Chiquinha Gonzaga, ainda no século dezenove, com três anos de casada, separou-se do marido para se dedicar à música. Leila Diniz, símbolo da revolução feminina, na década de 60, posou de biquini estando grávida e chocou o país quando disse “Trepo de manhã, à tarde e à noite”, além do que afirmou em uma entrevista ao Pasquim, em 1969: “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo.” (foi perseguida pela Polícia Política por causa dessa declaração à imprensa). Imagine as primeiras mulheres que fumaram em público, as primeiras a dirigir um automóvel, as primeiras a trabalhar fora de casa, as primeiras que beberam cerveja sozinhas em um bar, as primeiras a afirmar em uma roda de amigas que adoravam sexo anal, etc. Hoje, esses comportamentos não assustam mais ninguém, certo? Mas, para você estar vivendo esse momento da história – apesar de que, ainda, muito longe do ideal, mas bem melhor do que cem anos atrás – e poder sentar sozinha em um bar e fumar (até ser proibido), algumas/muitas mulheres tiveram que ousar e foram “crucificadas”… pagaram altos preços sociais por isso. Mas foram suas escolhas.
    Não tenho dúvida de que o fato de as aparições da mulher selvagem, hoje, em cada uma de vocês, assustarem os homens, daqui a um longo tempo será tratado com a mesma naturalidade com que vemos duas amigas sozinhas, tomando um chope e fumando.
    Se vale a pena ou não ser uma dessas “heroínas” que contribuirão para que, aos poucos, os homens se assustem menos devido a, cada vez mais, toparem com mulheres ousadas, é escolha pessoal.
    Porém, creio que nenhuma de vocês esteja preocupada com se tornar ilustre para as futuras gerações. No entanto, também arrisco afirmar que poucos heróis ou símbolos de movimentos, ao longo da história, agiram querendo ser ou sabendo que seriam eternamente lembrados – talvez nenhum. Romanticamente – tive uma recaída :) – afirmo que seguiram seus próprios valores, tomando atitudes e decisões que acharam corretas, independentemente dos valores de certo ou errado vigentes na época. Foram seus próprios mártires, pois optaram por não aviltar o que de mais valioso e puro temos: a consciência e a liberdade.
    Sobre entrarmos em assuntos relacionados diretamento com o sexo, faremos isso em breve, Raquel. Estamos preparando o terreno com a filosofia, para que ele fique bem sólido.

    Sobre a sugestão da Guta, também gostei. É possível fazermos. Estou no aguardo das sugestões.

  3. Paulinha disse:

    Seja bem vinda Raquel!
    Guta amei a sua proposta!!! Aguardando, ansiosamente rsss, novas indicações!
    Beijo à todos!

  4. Guta disse:

    Bom dia, Administrador e Mulheres do Blog!

    Estava dando uma olhada na programação dos filmes que estreiam hoje. Saiu Abraços Partidos, do Almodovar. Fala sobre um escritor cego há 14 anos. E parece que essa cegueira resultou de 1 acidente relacionado a um caso com 1 mulher casada. Não preciso nem ver o filme pra saber, que esse caso teve como alicerce o romantismo, ao final resultando em mais 1 tragédia.
    Há uns 2 anos, vi um filme muuuuuuuito bom, muito profundo e muito assustador também, onde os limites do amor romântico levam um ser humano a um estado psicótico. Aconselho a todo homem e mulher ver esse filme, como uma vacina anti romantismo. Chama-se O Passado, e tem no elenco Gael García Bernal.

    Gostaria de sugerir 1 série de filmes como debate e ponto de apoio para futuros posts… mas para isso quero saber se concordam ou não. Assim como você coloca o livro do mês, quem sabe poderíamos sugerir os filmes ou filme do mês.

    Beijocas a todos e bem vinda, Raquel!

  5. Raquel disse:

    Caro administrador, conheci este blog essa semana, indicado por uma amiga. Não vou deixar de citar aqui a possibilidade que me surgiu e a brincadeira que fiz com ela dizendo que havia gostado da forma inteligente com que “essa mulher” se passando por homem usou para trazer para a Internet essas questões reais e, se não ignoradas, no mínimo não conversadas entre as mulheres – que dirá com homens participando! Lendo o seu perfil, me perguntei que tipo de homem gastaria o seu tempo e neurônios escrevendo sobre esses assuntos, já que a vida é tão mais cômoda para os machos.
    De qualquer forma, sendo mulher ou não, o importante é que essa leitura já tem me ajudado a esclarecer algumas questões que pensei que fossem só minhas. Estou me sentindo mais normal.
    Quando você vai falar sobre sexo mesmo? Não que o que tem sido debatido aqui não seja interessante, muito pelo contrário. É que tenho vivido muitas dúvidas e queria saber o que as outras mulheres que escrevem aqui pensam, já que não tenho amigas com quem eu possa me abrir. É apenas ansiedade.
    O que eu desejo? Que existam mais homens preparados para nos compreender e conhecer a mulher selvagem que tenho certeza de que habita todas nós, sem ficarem assustados. Por falar nisso, se você for homem mesmo, não tem como fazer uns clones e espalhar alguns pela minha cidade? Pois, lendo o artigo, me pergunto até onde vale a pena deixarmos essa mulher selvagem real tomar forma se dificilmente encontraremos homens que queiram conviver com ela?

    Parabéns pela iniciativa e bom final de semana a todos.

  6. admin disse:

    Bárbara, estou sem tempo para comentar. Mas, tenha a certeza de que os comentários de vocês, não importa onde eu esteja, nem com quem esteja, recebo em meu celular e os leio imediatamente. Não imaginam minha ansiedade de saber o que cada uma tem a nos dizer.
    A maioria esmagadora das poesias que são veiculadas pelas variadas mídias e formas são românticas e sofredoras. Lendo você, pensei: “Que texto poético, lúcido, estimulante, um elixir para a individualidade. Diferentemente da sofrida ansiedade romântica, a única “angústia” que sutilmente percebi nele foi a da curiosidade intensa de se viver o que ainda não foi conhecido.”
    Parabéns!

  7. Bárbara disse:

    “E vocês, mulheres? O que realmente desejam?”

    Eu desejo auto-conhecimento, porque não há relação satisfatória se você não sabe o que te satisfaz. Citando Sêneca: “Não há bons ventos se você não sabe onde quer ir”. Desejo coragem, desejo não camuflar a minha vulnerabilidade, desejo correr riscos, desafiar a rotina, desejo não ser manipulada, não ser fragilizada. Desejo também uma vida inteira a sentir arrepio espinha acima, sorriso bobo grudado na cara, olhos cintilando…Paixão, paixões, centenas delas, intensas, levinhas, passageiras, duradouras, pelo mesmo homem e por incontáveis e diferentes caras. Quero paixões a me esgotar, nua e cruamente, sempre.

    Percebo, com clareza, que o caminho que escolhi é pedregoso. Porém, acredito que seja um dos poucos que realmente viabilize trocas sinceras, que realmente permitam-nos algum crescimento entre homem e mulher. Homem é ação-reação no modelo Pavloviano: fazem o que estão condicionados a fazer, sem grandes firulas, reagindo ao que foram submetidos. O grande problema somos nós mulheres. Mulher diz “sim” quando significa “não”, deixa sem deixar e enche os coitados de perguntas retóricas. Falta-nos simplicidade e objetividade. No dia em que incorporarmos essas duas características ao nosso estilo, acabarão todas as discussões de relacionamento. E toda a graça de ser mulher, conseqüentemente…rs. Então, onde poderíamos acertar? Se não fôssemos tão passivas, a gente hoje não queima mais soutiens…continuamos aceitando, alimentando e ruminando. Por que mulher bonita também não pode ser inteligente? Por que mulher madura também não pode ser sexy, tesuda, gostosa? Por que a mulher não pode vivenciar sua própria sexualidade? Por que mulher bonita e inteligente assusta os homens e afasta muitas outras mulheres? Por que mulher autêntica e libertária não encontra um parceiro? Sucesso não é sinônimo de família perfeita e nem casamento é à prova de solidão. E nem a maternidade existe pra se preencher algum vazio. Quando que a gente vai entender que o tempo, bem vivido, é que é o nosso bem mais valioso? E tempo bem vivido pra mim significa o que quero, quando quero, com quem quero.

    Finalizando então, o que realmente desejo é ter a liberdade de ser simplesmente eu, em cada gesto e pensamento…Afinal, ser livre é viciante, não sei se é um bem ou um mal. E, se a vida é efêmera e repleta de mudanças, e se a gente, não tem contole sobre nada, por mais que nos enganemos, vou em busca de alguém que dance a dança no meu rítmo.

  8. Guta disse:

    Bom diaaaaaaaaa!

    Gostaria de dizer alguma coisa sobre o que eu tenho lido aqui. São frases que tem expressado de maneira simples e objetiva tudo o que tenho vivido e estado aberta a viver.

    Thais! Queria eu poder ser tão objetiva quanto você, e se me permite, já peguei emprestada, ou roubada mesmo, uma frase sua e meti no meu msn. Aquela sobre a impossibilidade da realização afetiva através do romantismo tendo atitudes autênticas.

    Paulinha, sobre o medo do desconhecido… entendo e muito, e ainda tenho frio na barriga, pressão baixa, e na pior das hipóteses, até vontade de vomitar, frente a novos desafios.

    Mas aceito tudo isso e vou administrando esses incômodos, durante o processo de quebrar barreiras minhas. Em todos os âmbitos.

    “E vocês, mulheres? O que realmente desejam?”

    Ótima colocação, administrador! Creio que quando nos colocamos essas perguntas… respostas surpreendentes pipocam até mesmo pra quem as responde…

    Eu desejo exatamente o que estou vivendo. Podendo ser autêntica com determinados parceiros, companheiros e eles também.

    Tendo um círculo de amizades tão sólidas que algumas eu tenho a sorte de poder compartilhar tudo isso. A isso chamo de desejo insconsciente, conscientemente realizado.

    E desejo ainda, manter cultivada a minha sensibilidade em saber onde posso ser autêntica, natural e onde preciso ser ” normal” porque sou uma pessoa de paradoxos… sou urbana, e preciso das trocas sociais, embora a natureza, o mar, as montanhas, os animais alimentem uma solidão saudável e portanto tão importante quanto o concreto dos prédios que me rodeiam, as multidões que me engolem ao cruzar a Avenida Presidente Vargas.

    Um brinde à eterna busca de se perguntar “o que eu desejo?”

  9. Paulinha disse:

    Thais gostei muito do seu último comentário, concordo com você plenamente! Tem que ser aos poucos, saboreando cada gole.

    Numa vida cerceada pelo romantismo estamos sempre em busca do futuro e esquecemos-nos de vivenciar o presente. Quando conhecemos alguém é “será que ele vai me ligar”? Quando liga é “quando ele irá me assumir”? (Termo horroroso! Como alguém irá assumir realmente alguém que não se assume e se conhece plenamente?!) Quando “assume” o namoro, ficamos nos indagando quando será o noivado e assim vamos que vamos.

    Lembrando agora, todo esse meu processo de mudança começou com uma súbita vontade de vivenciar o presente, tenho plena noção que vivi grande parte da minha vida focada no passado e desejante do futuro, porém esquecia-me de agir no presente. Desse momento em diante bastou me permitir vivenciar o desejo uma única vez para ter a plena certeza que não conseguiria voltar atrás. Agora, demorou bastante para entender o que ocorria e como conseguiria lidar com aquela onda de sensações, instintos e desejos. Importante ressaltar, como já foi dito antes, que tais mudanças ocorrem não só nos relacionamentos afetivos, mas também profissionais, sociais e familiares.

    A beleza, pelo menos para mim, nesta nova filosofia de vida, é curtir plenamente o presente em toda sua multiplicidade, suas sensações, ruins e boas, e o melhor de tudo não ter a menor idéia de onde poderemos chegar e como será o destino. Tem coisa mais chata que programar cada suspiro da vida?! Atualmente desconhecido me fascina, me alimenta!

    Se entregar ao desejo, lógico que respeitando o do outro, por mais ínfimo que ele seja é simplesmente inebriante. Se entregar ao desejo com o conhecimento e suporte do outro então…

    Hoje estava pensando sobre qual é o meu maior desejo como sugerido pelo post… Sinceramente?! Não faço a menor idéia. Hoje meus desejos mudam tanto, acho que meu lado selvagem foi tão anestesiado que agora ele está em plena crise maníaca- tudo quer!!! Rsssss De repente o que ele realmente quer é viver.

  10. Thais disse:

    Sinceramente Paulinha e administrador, eu não sei onde isso tudo vai dar. Em pouquíssimo tempo tomei a atitude de retirar o pano que cobria as minhas certezas e encontrei, embaixo dele, uma verdade mofada. Desde então, descobri um prazer absurdo em não saber de nada e venho me despindo, embora lentamente, de tudo que é absoluto. Buscarei um caminho natural, sem pressa, sem cobranças, sem medos. Vou beber a vida aos goles. A vontade que tenho em descobrir novas possibilidades me move pro desconhecido e esse desejo é tão urgente que fica impossível evitá-lo. Por muito tempo eu vivi as mesmas sensações e consequentemente a mesma dor, então, para sentir algo que eu nunca senti, eu preciso fazer algo que eu nunca fiz. Hum…chegou a hora de começar!

  11. admin disse:

    “… é impossível que uma relação romântica aconteça mantendo atitudes autênticas.”

    Gostaria de comentar essa acertada conclusão da Thais. Essa é grande, maior, principal dificuldade descrita por todas vocês que têm escrito aqui no blog e observada em todas as mulheres com quem converso sobre esse assunto. E é por isso que muitas de vocês não possuem alguém que possam chamar de namorado. Por estarem buscando a consciência, não querem as cobranças normais das relações românticas e não querem mais viver um relacionamento cheio de mentiras. E, para que estas não existam, ambos precisam estar dispostos conhecer e deixar viver o lado selvagem do outro. Claro que o desejo unilateral não funciona. Aí entramos no assunto comentado pela Solange e que também já abordamos diversas vezes aqui: a opção de não ter esse namorado ou marido formal, querer ficar sozinha. Então opta-se por casos e encontros em que a verdade realmente não pode ser dita, mas que, por serem esporádicos e sem compromissos, fingir por pouco tempo não vai causar tanta dor, além de também não haver espaço para cobranças.
    Porém, essas relações, apesar de sexualmente prazerosas, dóem na alma, já que esta permanece no anonimato, principalmente na de mulheres como vocês que estão repensando os relacionamentos, por não poderem oferecer aos parceiros o que de mais precioso possuem: seus verdadeiros, puros, naturais e selvagens sentimentos e desejos. A Clarissa Estés foi extremamente feliz quando escreveu que somente esse lado pode ser apresentado ao que podemos chamar de verdadeiro amor ou seja lá qual for o nome que quiserem dar a esse sentimento maravilhoso que só será experienciado através do encontro de cernes. Mas entendo muito bem quando ouço das mulheres que, em muitos momentos, ficam desanimadas e com vontade de retroceder ao comportamento de princesa.
    A reflexão que quero deixar é que, enquanto insistirem em tentar manter um comportamento autêntico, assumindo seus lados selvagens, juntamente com a ação da constante “busca” do parceiro que aceite a dualidade feminina, ver-se-ão diversas vezes frustradas e com vontade de desistir. Precisamos admitir a realidade e grande dificuldade de encontrá-lo e mudar a ação da busca pela de espera paciente, sozinhas e felizes. De que adiantaria voltar a agir romanticamente, apenas para ter alguém para chamar de namorado ou para casar, se a mulher selvagem vai continuar solitária?
    Repetindo a pergunta do artigo, o que realmente desejam? Por enquanto, sentem-se frustradas por terem que optar por uma companhia para ir ao cinema ou pelas verdades na mesa. Sugiro que, se desejam ser verdadeiramente amadas, tenham paciência, mas com ação e determinação.

  12. Paulinha disse:

    Depois de ler este post e o comentário da Thais fiquei pensando na dualidade, nos medos velhos, conhecidos, em tudo que deixamos de fazer pelo receio do novo.

    Tenho um pavor descomunal do desconhecido, chega a ser ridículo, mas já chorei que nem criança antes de fazer raffiting pela primeira vez, (uma das melhores sensações da minha vida após entrar no barco), sempre que tenho consulta com pacientes novos sinto um friiiiiio na barriga, chegar num lugar desconhecido, conhecer pessoas novas,… Tudo isso me gera uma angústia tremenda e se não tomo muito cuidado acabo deixando de fazer muitas coisas, conhecer pessoas que se tornariam especiais, crescer profissionalmente e muito muito mais. Perdi a conta das vezes que me arrependi por não fazer, por não dizer, por não ser no momento que eu desejava. E sinceramente posso contar nos dedos das mãos às vezes que me arrependi por ter feito, dito e sido. Quando levamos esse medo para os relacionamentos pessoais então… Nossa! Isso se multiplica.

    Decidir entre o sapo, lobo e príncipe é bem difícil, como decidir entre coisas tão diferentes que geram prazeres tão distintos e nos complementam de forma tão diferentes… Mas tenho que concordar com admin, e a possibilidade de ficar só?!

    Os estereótipos lobo, sapo e príncipe são ótimos, mas ainda acredito que só se enquadram num corte de tempo, por exemplo, meu lobo hoje, começou como um lindo príncipe que conheci na Lapa em um verdadeiro pé sujo em meio a cervejas e shows, durante um período virou um “sapo que vivia dando no meu saco”, (Hoje sei que a sapa aqui dava muito mais no saco dele!!! RS) e tenho plena consciência de que surgirá um momento que viraremos sapos novamente e com sorte poderemos voltar a ser lobos um para o outro, quem sabe ao certo? Como impedir a mudança no outro? Como exigir que duas pessoas caminhem juntas numa imensidão de opções, só o que podemos fazer é nos prender na sinceridade mútua e viver.

    Relacionamentos autênticos são difíceis, muitas vezes me pego com a insegurança crescendo e o romantismo, de anos a fio, querendo tomar conta novamente. Difícil demais mudar um padrão de comportamento de uma vida. E o pior, o padrão de comportamento aceito pela sociedade em que estamos inseridos. Mas tenho que admitir nunca fui tão feliz, tão mulher, tão satisfeita depois que comecei a ouvir o sussurrar dos meus instintos, pois tenho certeza que falta muito mais por vir.
    Beijocas a todos!!!

  13. Thaís disse:

    Nunca tive uma vida comum, nasci em uma família nada romântica. Minha mãe, apesar de manter um relacionamento feliz com meu pai, nunca me incentivou a casar. Os filhos foram criados para o mundo, portanto, apego, saudade, posse, não fez parte do meu cotidiano de criança e adolescente. Saí de casa muito cedo, aos 16 anos e fui morar sozinha. Sou independente financeiramente, desde então. Não sou fruto apenas das minhas relações familiares, por ser criada para o mundo, relacionei-me com inúmeras pessoas e a crença de uma vida romântica foi sendo absorvida por mim, com algumas ressalvas.
    Hoje resolvi escrever por que achei oportuno os comentário de Guta e Paulinha, uma vez que me encontro num conflito de ideais.
    Mantenho relações com um lobo, um príncipe e recentemente um sapo. Na minha casa tem uma arara e lá três figurinos: vovozinha, princesa e sapa. Uso-os alternadamente e ainda não descobri qual deles gosto mais de usar (mas sei que dois são mentirosos). Particularmente acho que o de vovó me cai melhor, mas sou encantada pelo de princesa e também de sapa. Ou seja, sinto-me em cima do muro. O “em cima do muro me consome”. Preciso tomar uma posição e não sei qual tomar. Botei o pé para lado das relações autênticas e comecei a sentir o desconforto, típico de uma mulher que está engatinhando para uma relação livre.
    Subi no muro, já faz algum tempo, nem mesmo sabia que havia subido. Hoje entendo melhor porque minhas relações afetivas não emplacaram, é impossível que uma relação romântica aconteça mantendo atitudes autênticas. Trago comigo ranço de mulher independente, hábitos de quem mora sozinha e personalidade de mulher egoísta. Vivi do lado romântico do muro, com os dois pés cravados no chão, durante quase toda minha vida sexual. Sei lidar muito bem com as frustrações que esse tipo de relação pode gerar e talvez por isso, queira voltar para esse lugar cômodo. Lidar com um “medo velho” é muito mais fácil, já conheço minhas reações e aprendi a conviver com elas. Pela primeira vez o novo me assustou. Veio com muitas verdades, poucas palavras, incertezas e eu senti uma vontade enorme de voltar para o aconchego que o “medo velho”, o lado romântico do muro, me proporcionou até então.
    E cá estou eu, literalmente sem um chão…rs

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