A proposta

REFLEXÃO

Como a palavra acima: antes de tudo, em destaque, em letras garrafais e central. Assim desejo que percebam a proposta deste blog: um convite, inicialmente, à reflexão, depois, ao debate. Meu objetivo não é conduzir as leitoras em direção a qualquer tipo de prática, mas sim através de um caminho forçosa e comumente desconhecido e ignorado que, surpreendentemente, leva-la-á a um tesouro ainda mais enigmático: seu próprio eu, o cerne, o âmago, à MULHER. Atingido esse objetivo – nada fácil de ser alcançado, que cada uma trilhe o seu caminho existencialista, com liberdade e total responsabilidade sobre os seus atos e sobre seu destino.

Um mergulho nos conflitos femininos

Frustrações, tristezas, decepções, ilusões, príncipes que sempre se tornam sapos, excesso de tolerância, doação e de entrega, subserviência, revogação do próprio eu, romances fugazes com incomprendidos e dolorosos términos, depressão, a incessante busca pelo homem que preencha os seus vazios, depositando no amor romântico a única forma de alcançar a felicidade plena, longos períodos de abstinência sexual, obceção pelo matrimônio e maternidade; após alguns anos de casamento, um apego doente e sufocante aos filhos em detrimento do marido, a quem um dia jurou amor eterno, agressões físicas e morais, falsas felicidades conjugais, segredos íntimos e omissões diante do companheiro com quem se propôs viver debaixo do mesmo teto, tabus, culpa, medo, covardia, insegurança… são sentimentos e experiências que tomam e perseguem as mulheres há centenas de anos. Por quê?

As novelas, filmes e livros românticos. As infantis e inocentes brincadeiras de casinha. A desproposital irresponsabilidade de muitas mães ao não ensinar às filhas, ao longo dos seus crescimentos, as realidades e dissabores de um casamento, omitindo-se e estimulando-a a incorrer no mesmo erro de postura diante do matrimônio. Por que às mulheres é ensinado que precisam ser as heroínas e Joana D’arc dos casamentos fracassados? Por que nas estatísticas das separações contemporâneas algo entre 80 e 90% das separações são iniciativas femininas? Por que elas se separam e raramente possuem um outro substituto do anterior, optando  por longo período sozinhas… às vezes, esporadicamente acompanhadas mas, no fundo, solitárias, desconfiadas, incrédulas, mas ainda sonhando com o príncipe? Por que o homem, quando decide pela separação, quase sempre já tem uma companheira o aguardando, encarando ele essa mudança de parceira e de lar como algo bem tranquilo? Por que quando a companheira é quem decide interromper a relação – a maioria das vezes, o homem dificilmente concorda e faz de tudo para que isso não aconteça, valendo-se de todas as armas possíveis: agressões morais, retaliações financeiras e ameaças físicas? Por que, raramente, ex-maridos e ex-esposas conseguem continuar mantendo laços de amizade após a separação, sendo ainda mais comum o total corte de qualquer tipo de relação? Por que muitas esposas detestam ou afirmam odiar os ex-maridos? Liberdade x segurança.

Qual a diferença entre amor romântico e amor verdadeiro? O que é a paixão? O magnetismo sedutor através da aceitação e respeito pela  liberdade alheia. O amor romântico controlador e possessivo. O padrão de comportamento romântico universal imposto pela sociedade ocidental. Amamos o romance, o fato de estar apaixonado, ou o companheiro? Gostar, querer, ficar, desejar, estar apaixonado e amar: é realmente possível e sensato rotular, dar nome a um sentimento por uma pessoa? Gestos, toques, olhares e sensações. Falar e ouvir “Eu te amo” é indispensável? Por que reservar diversos assuntos realmente íntimos para conversar com terceiros, ao invés de tratá-los com o companheiro? Existem amizade, amor e cumplicidade verdadeiros nos namoros e casamentos? Quantos anos são necessários para se conhecer a verdadeira intimidade de uma pessoa? Quantas horas? O fato de um casal ficar nu e fazer sexo os torna íntimos e cúmplices? Qual a diferença entre a mulher romântica e a sedutora? Os dois adjetivos podem co-existir na mesma pessoa? Qual o momento certo de ir para a cama? Por que muitas mulheres afirmam que só conseguem transar quando estão apaixonadas? A mulher objeto ou usada: o que gera essa sensação? Por que as mulheres bem resolvidas e com sexualidades assumidas assustam os homens?

Qual a influência dos tabus na sexualidade e no psicológico da mulher? Bissexualidade. Como a mulher lida com a culpa? O desvanecimento da libido pelo parceiro. Monogamia, poligamia e poliamor. Desejos, fantasias, libido, lascívia, swing, ménage. Hipocrisias. Somos capazes de amar duas pessoas ao mesmo tempo?

Intuição, instinto. Por que a mulher é o único animal que tem medo de “tudo”, não sabe se defender e se considera precisar de alguém que a proteja? Por que, fora a nossa espécie, em todo o reino animal, a fêmea é tão ou mais agressiva do que o macho? Por que o homem é bem mais instintivo do que a mulher? Por que ele aceita e assume abertamente seus instintos sexuais e a mulher os omite e oprime? O que de científico existe na conhecida frase “todo homem é safado”? Por que a fêmea é seletiva e o macho possui um baixo limiar de excitação? Por que a grande maioria das pessoas que procuram os consultórios de psicoterapia são do sexo feminino?

O garanhão sensual e a vadia leviana. Relações extra-conjugais, amantes e aventuras. O desejo ou prática de uma aventura extra-conjugal é sinal de que algo não vai bem ou de que o casamento faliu?

Machismo, manutenção de patrimônio e romantismo: qual a relação entre eles? Toda mulher é contra o machismo? As preguiçosas e parasitas que fazem do machismo seus meios de vida. “Tenho 35 anos, não concluí minha faculdade, nunca trabalhei por causa dos filhos e porque meu marido nunca permitiu. Estou fora do mercado de trabalho e, apesar de querer muito, agora não tenho mais como me separar”. Nesse caso, quem é culpado pela insatisfação e baixa auto-estima da mulher?

Todas essas questões são abordadas no livro Paridade Sexual, ainda não lançado, e serão aqui discutidas. Certamente, outras aparecerão, ao longo dos nossos contatos, e serão inseridas. As abordagens serão filosóficas, reflexivas, não sensuais. O objetivo é proporcionar-lhes um maior autoconhecimento e consequente aceitação de suas sexualidades, através das leituras de depoimentos e experiências de outras mulheres, com o intuito de que não se sintam mais sós em seus pensamentos, transponham os tabus, vivam menos frustradas e com menos culpas. Aquelas que tiverem sucesso, o que fazer com as suas vidas livres de culpas? Livre arbítrio de cada uma. Ser livre, dentro de uma sociedade machista e opressora, dependendo do quanto se importe com a opinião alheia, exige determinação, estrutura emocional e responsabilidade sobre os seus atos. Sem dúvida alguma, ser subserviente e seguir modelos preestabelecidos, apesar de adoecer a alma, implica apenas cumprir seus compromissos com a sociedade, com consequente pacto de bom relacionamento com a mesma: puro suor, transpiração sem inspiração, labuta com prazeres sintéticos. A alforria dos castradores modelos de comportamento e dos tabus é necessária, prazerosa demais, inebriante. Permitir-se viver e se conhecer de verdade não tem preço, mas é para poucas. Porém, é algo complicado, que exige responsabilidade para consigo mesma, em direção ao encontro do equilíbrio entre os instintos libertários e a vida em sociedade. Uma necessidade de cuidado muito compreensível. Afinal de contas, ninguém nos ensinou a ser verdadeiramente livres. Existem modelos de controle e aprisionamento dos pensamentos e atitudes, mas não existe um plano de vôo comportamental e já traçado para uma viagem libertadora. Nesse caso, os rumos são omnidirecionais. Logo, cada uma por si, com suas escolhas.

1 Comment »

One Response to “A proposta”

  1. Ana Beatriz disse:

    Olá escritor!

Leave a Reply