A nossa amiga Bárbara nos indicou uma matéria interessante que saiu na revista Época, dessa semana, entitulada “Por que as mulheres são tão tristes?”

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI98917-15228-1,00-POR+QUE+AS+MULHERES+SAO+TAO+TRISTES.html

Claro que vale a pena a leitura. Porém, em minha opinião, achei-a simplista demais. Apreciei a matéria, em termos estatísticos, por reforçar o que venho afirmando e escrevendo: em maior ou menor grau, a grande maioria das mulheres é frustrada. No entanto, mais uma vez, não foi abordado o cerne da questão, por uma razão muito óbvia: como fazer estatística sobre um assunto que não é assumido e conversado?
“…A emancipação feminina é como um contrato que foi assinado sem ter sido lido direito e que agora precisa ser renegociado”. A reportagem atribui essa afirmação à redatora de televisão carioca, Claudia Valli. Basicamente, essa é a mensagem que tiramos da pesquisa, tentando mostrar que a vida das mulheres ficou bem mais dura depois que elas começaram a entrar no mercado de trabalho. Faço ressalvas a essa afirmação e discordo de várias razões apresentadas como causas. A mulher está muito distante de sua emancipação. Esse processo ainda é muito incipiente.
Em minha opinião, o “acúmulo de velhas tarefas com novas responsabilidades”, ou seja, a soma da jornada de trabalho remunerado com os cuidados domésticos, não justifica os dissabores femininos e estão longe de ser a razão da frustração da mulher. Supor que aquela subjugada e completamente dependente de cem anos atrás poderia ser mais feliz do que uma mulher moderna esclarecida e financeiramente independente, somente porque a mulher do terceiro milênio fica bem menos tempo dentro de casa e precisa ser mais vaidosa, é, no mínimo, uma mensagem míope. Não tenho dúvidas de que a auto-estima da mulher que ganha seu próprio dinheiro é mais elevada do que nunca.
Para não me estender muito, afirmo que a verdadeira fonte dessa tristeza é, em uma visão macro, a grande dificuldade que a mulher possui para exercer a sua sexualidade. Esta vai muito além do sexo em si. Se o gênero e sua assumida orientação sexual influenciam a forma com que um homem, mulher, gay, travesti, lésbica, etc, relacionam-se no trabalho, com parentes, amigos, parceiros, filhos, etc, restringindo ou impulsionando, dificultando ou facilitando, estamos falando do exercício da sexualidade. Para melhor esclarecimento, segue uma observação existente no dicionário WIKIPEDIA, com a qual concordo:
“Atualmente, ocorre, por parte de alguns estudiosos, a tentativa de descolar a sexualidade da noção de reprodução animal associada ao sexo. Enquanto essa noção se prende ao nível físico do homem enquanto animal, a sexualidade tenderia a se referir ao plano psicológico do indivíduo. Além dos fatores biológicos (anatômicos, fisiológicos, etc.), a sexualidade de um indivíduo pode ser fortemente afetada pelo ambiente sócio-cultural e religioso em que está inserido.”
Assim sendo e, tendo a dificuldade do exercício da sexualidade como motivo macro, comentarei algumas razões que considero fontes das angústias femininas:
- a informação. Cada vez mais mulheres nas faculdades, no mercado de trabalho e, através das mídias – principalmente da Internet, tendo acesso ao que ocorre no mundo. Com isso, passam a existir muitas outras referências de comportamento feminino, além de meia dúzia de vizinhas de porta e carolas. Essas informações estão fazendo com que as mulheres percebam, cada vez mais, que podem ser muito mais do que mães e esposas;
- a mulher culta e possuidora de parcial ou total independência financeira, diferentemente do homem, continua não se sentindo livre. Ela permanece aprisionada na cultura machista, em todos os sentidos. Quando a mulher é completamente dependente do homem, basta um “passo errado” para que ela se veja, de repente, com os seus mimos ameaçados. Ela não quer perder o seu provedor e isso é um grande estímulo para que se conforme com a castração de sua sexualidade – muitas das vezes somente aparentemente, não lhe restando outra opção que não seja representar seus personagens de mãe e esposa felizes. Porém, a sua tristeza real, absolutamente, é menor do que a de uma outra que trabalhe fora dez a doze horas por dia. Pelo contrário, em geral, é muito maior. Por outro lado, quanto mais “dona do seu nariz” a mulher é, mais ela se angustia, devido à não aceitação, por parte da sociedade, da forma que ela realmente gostaria de agir, pois, nesse caso, possui condição de arcar com qualquer despesa para satisfazer suas escolhas e caprichos. Mas não pode, pois não é livre. A tal fato, soma-se a percepção de sua impotência para se assumir e transgredir.
- o homem, mesmo tendo personagens a representar diante da família e da sociedade, busca e consegue, com regularidade, fugas para ter momentos de autenticidade, para falar tudo o que pensa e contar suas conquistas e aventuras. Quanto mais eroticamente bizzaras forem, mais admirado é pelos ouvintes. Na roda de chope, no futebol, nos intervalos no trabalho, com as amantes, ele faz várias incursões e visitas ao seu eu animal, sem culpa, sem ser julgado e com real prazer. E a mulher? Quantas se permitem fazer isso sem culpas, sem ser julgadas e com reais prazeres? E se elas se permitissem, quantos as aceitariam sem julgamentos? A obrigação de ter que guardar segredos sobre suas experiências, seus pensamentos, idéias, vontades, insatisfações, faz com que a mulher se sinta solitária. Daí advém a comum declaração que tanto estamos acostumados a ouvir: “Depois de anos de casamento, não estou sozinha, tenho marido e filhos ao meu redor, mas me sinto completamente solitária”.
Para mim, essas são as reais razões pelas quais as mulheres são tão tristes. Não são razões que apareceram depois da revolução industrial e da entrada feminina no mercado de trabalho. As mulheres não estão apenas cansadas de trabalhar. Suas exaustões são psíquicas, pois realmente cobram perfeição dos papéis das atrizes que precisam ser. Se pudessem ser autênticas e fossem estimuladas a isso, o quadro seria diferente. Muitas estão cansadas de suas impotências para transgredir. As mais maduras – balzaquianas e inseridas no mercado de trabalho, como foi o alvo da pesquisa – estão mais desiludidas e tristes por não encontrarem os parceiros que as compreendam e respeitem como mulheres com M e independentes. Antes, conversar sobre diversas questões com o marido era algo inimaginável. Hoje buscam eco para os seus pensamentos… e não encontram. “Melhor ficar sozinha…” Muitas não conseguem um diálogo franco nem consigo mesmas. Algumas crêem que a voz que sai de suas entranhas é a voz do Diabo.

Resumindo, achei a reportagem machista, como se quisessem levar as mulheres a refletir sobre os ganhos do retorno à beira do fogão.

Eu já brinquei com a Bárbara (a psicóloga), dizendo que o meu sonho utópico é acabar com a profissão dela. E isso só seria possível quando as pessoas deixassem de tentar ser o que esperam que elas sejam para ser o que realmente são. Mais uma vez, utopia.

A visão romântica das pessoas as leva a considerar e confundir coragem, ousadia, inquietude e desconforto com infelicidade. Partindo dessa premissa, se o mundo tivesse sido habitado sempre por pessoas felizes, ainda estaríamos usando lamparinas que utilizam algum líquido combustível, andando a cavalo, continuaria sendo proibido fazer sexo durante a menstruação e gravidez, amamentar, assim como se masturbar, etc. Se essas proibições absurdas caíram em desuso, precisamos agradecer aos “infelizes” que resolveram ousar e disseminar suas idéias.

Castração das liberdades de pensamento e expressão, da essência e do livre arbítrio cansa, entristece e adoece.

28 Comentários »

28 Responses to “3.Por que as mulheres são tão tristes? I”

  1. guta disse:

    Por gentileza, apague todos os MEUS comentários de TODOS os POSTs

  2. Ah, detalhe: estou pedindo tua autorização para manter a referência. Não pretendo que o comentário anterior, ou mesmo este, sejam publicados pois uma referência ao meu neste teu tão Blog visitado pode aumentar minha demanda e não tenho espaço pra isso em minha vida, no momento. Apenas solicitei por este caminho por não encontrar outra forma de contato contigo, ok?

    Abração

  3. admin disse:

    Olá, Flor. Que bom que voltou.
    Vou tentar mais uma sugestão e creio que exista uma grande probabilidade de funcionar.
    Será que a angústia que você está sentindo não é uma mistura do seu caso mal resolvido e de culpa por ser casada, gostar do seu marido e estar se sentindo traindo-o? Qual o grau de amizade que você tem com o seu atual parceiro? Será que se você contar a ele, em uma conversa franca, isso não te aliviará?
    Você já leu o artigo atual chamado Poliamor?

  4. Flor disse:

    Olá, Administrador!

    Desculpe a demora em responder. Estava envolvida com festas de final de ano, viagem de férias e não tive tempo.
    Li a sua história e me identifiquei em alguma parte.
    Sabe, Administrador, com certeza tenho lembranças, saudades de coisas que vivi e de coisas que eu poderia ter vivido com ele. É o que você falou, “saudade e o sentimento de algo mal resolvido que tinha seu lugar e seu cantinho”. Fico realmente feliz por você ter conseguido resolver essa situação, mas creio que isso não será possível comigo, pelo menos a partir de um encontro com ele. Mágoas, feridas, dor, amor próprio, medo, (isto de minha parte), orgulho, distância, (ambas as partes), são empecilhos para que isso não aconteça. Tenho que arranjar um jeito de me desvencilhar disso de alguma outra forma que não seja por um encontro. A única coisa que tenho certeza, é que não quero magoar o meu marido, pois ele não merece.
    Tento de várias maneiras disfarçar esse sentimento dentro de mim, sabe? Mas sempre me pego pensando, relembrando, sonhando… quero dar um basta! Quero poder viver a minha vida tranqüila, em paz… Eu não quero viver assim por mais anos e anos.
    Você não sabe o quanto sou grata pelos seus conselhos, sua história, os conselhos das outras pessoas que, através de seu blog, de alguma forma, trouxe alento ao meu coração. Tenho certeza que lendo histórias verdadeiras, pude perceber que tudo nesta vida tem uma solução, um desfecho que nem imaginávamos, um final surpreendente e emocionante. Isso realmente me confortou. Tenho que ir à procura do final da minha história, da solução do meu problema, não sei como, mas tenho que ir…
    Obrigada por tudo!

    Com carinho,

    Flor.

  5. admin disse:

    Flor, eu também tenho uma pequena história para lhe contar. Li todo o seu comentário e o email que enviou para ele.
    Quando eu tinha cerca de 30 anos, conheci uma mulher muito inteligente, morava sozinha, resolvida financeiramente e, aos meus olhos e com a maturidade que eu tinha na época, admiravelmente segura. Apaixonei-me por ela. Éramos dois “doidos”. Para você ter uma ideia, passamos a morar juntos, literalmente, desde o primeiro dia em que nos conhecemos e transamos. Dormi na casa dela o primeiro dia, o segundo, terceiro… e assim foi por dois anos. Não queríamos nos desgrudar, apesar de não termos comportamentos românticos, em termos de ciúme, posse, etc.
    Mas, aos poucos, comecei a sentir ciúme. Um ciúme que nada tinha a ver com o seu corpo, preocupação com se ela estava ou não com alguém, etc. Ela trabalhava em um meio artístico, lidava com muitas pessoas inteligentes e intelectuais. Eu era um especialista de uma área técnica (com nível superior) e admirava muito a intimidade que ela e seus amigos tinham com a cultura. Eu sentia ciúme disso, pois não me sentia um homem culto, em termos de artes. Mas esse era o trabalho dela. Não havia diferenças financeiras, mas sim na área da cultura. Hoje entendo perfeitamente minha insegurança sentida, pois, tenho consciência de que o homem que hoje sou é capaz de sentir a “perda” de uma mente que antes me desejava… mas do corpo, de fato, não sinto ciúme… e não sentia.
    Então, comecei a expressar o meu ciúme através de inseguranças. Resumindo, terminamos a relação depois de dois anos, pois brigávamos demais. Eram mais aborrecimentos do que prazeres. Praticamente só nos dávamos bem na horizontal. Eu não tive maturidade para acompanhá-la. A culpa foi minha. A sugestão da separação foi dela e eu concordei, pois estava insuportável. Foi a única vez que chorei por uma mulher em toda a minha vida. Não foi nada fácil.
    Depois, casei, fiquei solteiro novamente, etc.
    Sempre considerei esse desfecho completamente mal resolvido. Toquei minha vida mas nunca mais a esqueci. Nosso sexo era intenso demais, como nunca eu havia conhecido. Com todas as mulheres que vieram depois, era impossível não comparar minhas sensações. Nada era igual.
    Mesmo assim eu vivia bem. Mas essa saudade e sentimento de algo muito mal resolvido ficavam compartimentados aqui dentro, no seu cantinho. De vez em qdo eu dava uma remexida, mas isso não interferia o curso de minha vida. Porém, sempre que eu falava da mulher mais importante de minha vida, era o nome dela que eu mencionava.
    Cerca de um ano atrás, o meu irmão, que a conhecia, retomou o contato com ela e também nos colocou em contato, através do MSN. Conversamos muito e ficou claro para ela como eu havia mudado, amadurecido. Naquela primeira conversa, desconheci qualquer insegurança de minha parte. Logo marcamos um encontro para um chope.
    Dirigindo para o local, lembrava do tesão que sentia por ela e do quanto transávamos. Eu era louco por ela. Fui meio tenso para o encontro. Achei que em dois minutos ficaria de pau duro e em cinco minutos pularia no pescoço dela. Eu ainda estava casado. Fiquei com receio até de me dar vontade de pedir a separação no dia seguinte e voltar para ela.
    Começamos a conversar e atualizamos um ao outro sobre as nossas vidas, relacionamentos, atividades profissionais, etc. Havia cerca de onze anos que não nos víamos.
    Para minha surpresa, eu não consegui enxergar qualquer distância entre mim e aquela mulher que me intimidou pelas suas cultura e amadurecimento, onze anos antes, pois eu também havia me interessado por esta e adquirido cultura… e também havia amadurecido muito. Pelo contrário, senti-me bem mais maduro do que ela, sob determinados aspectos. De repente, percebi que ela estava admirando muito o caminho que eu havia escolhido para mim. Dizia que estava perplexa com o quanto eu havia crescido. Disse que sempre me amou e que fui eu quem causou a separação.
    Depois de algumas horas de conversa, pagamos a conta e ela me pediu para deixá-la em casa. Quando parei o carro em frente ao seu prédio, ela me disse que queria transar ali mesmo. Eu disse que era tarde. Ela não se conformou – já havia tomado umas boas biritas. Eu, simplesmente, não estava com vontade. Ela insistiu muito e eu não cedi, alegando o avançar da hora.
    Ela me pediu muito para ir até o seu apartamento, por estar meio “alta”. Fui com ela. Ela foi para o seu quarto e eu fui ao banheiro. Quando saí e entrei no seu quarto para me despedir, ela estava abrindo o pacote de camisinhas. Eu, literalmente, despedi-me de longe e SAÍ CORRENDO, pois vi que ela não ia desistir da ideia de eu comê-la. Não vi outra saída.
    Depois desse encontro, o caso mal resolvido foi completamente solucionado. Até minutos antes do encontro, eu nutria um sentimento irreal que não cabia mais entre o homem que eu havia me tornado e ela. Só fui perceber isso quando a vi e conversamos.
    É assim que funciona, Flor, na grande maioria dos antigos casos mal resolvidos.

  6. Flor disse:

    Olá, Guta, Administrador e Paulinha!

    Guta, quero agradecer pelo carinho e preocupação demonstrado em suas doces palavras.

    Paulinha, sua história me fez chorar e também me fez ver que tem sim uma saída para esse meu problema. Você, com tudo o que passou, venceu e superou esse trauma.

    Administrador, obrigada por abrir esse espaço onde nós, mulheres, podemos
    desabafar, contar segredos que talvez não teríamos coragem de contar pra ninguém, proporcionando assim, um alento para os nossos corações.

    Em todos os comentários, vocês disseram que seria bom eu me encontrar com ele, mas acho que não será possível. Ele mora em outro estado e pelo que conheço dele e de mim, nossos orgulhos não permitiria esse encontro. Eu mandei um e-mail logo depois que ele me pediu para adicioná-lo no Orkut. Ele nem escreveu uma linha se quer pedindo desculpas, se explicando ou coisa parecida, tudo bem que eu pedi para ele fingir que eu morri, mas pensei que ele fosse me mandar uma resposta. Ele é do tipo de pessoa que está acostumado a ficar parado, enquanto todos vão ao seu encontro. Ele não pede desculpas, não se humilha… E não sou eu quem vai fazer isso.
    Quero um tempo só pra mim, sabe? Desde esse dia, eu não pude pensar direito, pois minhas obrigações como mãe, esposa e uma mulher que trabalha fora, não me permitiram isso, entendem? Não consegui colocar minha cabeça no lugar…rever conceitos, analisar se o que sinto é realmente o que penso ser… Sou “cobrada” pelos meus próprios pensamentos, pudores, criação e também pelo meu casamento. Não tenho como “fugir” e ficar sozinha para pensar, pois toda hora tem: “Amor, o que está acontecendo? Você está com uma carinha triste”, ou “Amor, você conseguiu um tempinho para ir à reunião da escola dos meninos?, ou “Mãnhêeeee, estou com fome!” “Ele pegou meu brinquedo! “, ou “”Flor”, esse relatório tem que estar pronto até às 11h de hoje, tá?”
    Tudo o que vocês escreveram, eu compreendi. Sei que eu mudei, não sou mais aquela menina de 15 anos e, certamente ele, com 32 anos, não é mais o mesmo. Com certeza ele deve ter superado isso tudo, mesmo o irmão dele tendo me contado que ele ficou triste com o e-mail que escrevi. Eu tenho amizade com o irmão mais velho dele. Nos reencontramos no Orkut n o começo desse ano. Só” deixamos” de nos falar, por causa do que aconteceu.
    Eu tenho em minha pasta de “enviadas” a cópia do e-mail que mandei pra ele. Vou colocar aqui para vocês darem uma olhada, tá?
    Muito obrigada, de coração!

    Este é o e-mail.

    Embora eu soubesse que você estava ali, em algum lugar, jamais pensei em te procurar e jamais pensei que você me procuraria pra nada e por nada. Não vou mentir, mas essa a sua “procura”, de alguma forma, mexeu comigo. Confesso que ao ler o pedido para te adicionar, eu gelei dos pés a cabeça… Afinal de contas, nós fomos namorados e há anos não nos vemos e nem se quer trocamos uma palavra. Mas qual seria o motivo dessa sua “procura”? Amizade? Seria muita pretensão de sua parte pensar que eu te adicionaria como “amigo” depois de tudo o que você me fez, não é? Realmente seria muita pretensão, mas isso não passou pela sua cabeça, talvez por quê? Porque você pensou que com o passar dos anos eu poderia ter esquecido tudo o que sofri, tudo o que passei, o quanto eu chorei por ver o meu sentimento sendo tratado como brinquedo? Não esqueci, porque quem apanha, nunca esquece… Porque quem sofre, nunca esquece… Porque quem chora, nunca esquece… Porque quem ama sozinho, nunca esquece… Mas quem bate, esquece. Quem faz sofrer, esquece. Quem faz chorar, esquece. Quem despreza o amor dos outros, esquece.
    Ahhh… Como eu te amei! Talvez você nunca teve ou terá a noção do quanto. Me entreguei por inteira, me joguei de olhos fechados, mergulhei bem fundo…
    Tudo o que estou vivendo hoje, desejei viver com você, sonhei viver com você, pedi pra viver com você… Foi pretensão de minha parte pensar que você desejava o mesmo.
    Me tornei uma pessoa rancorosa… Não consigo perdoar com facilidade, sou desconfiada, observo mais… Mas eu aprendi com tudo isso, sabia? Aprendi a ter amor próprio.
    Por que me procurar agora? Não é justo, não por tudo o que eu sofri.
    Hoje tenho tudo o que sonhei um dia ter com você… uma família…
    Tenho um marido que só não me dá o mundo, porque ele não está à venda. Mas quando estou com ele, me sinto a mulher mais feliz dentre todas as mulheres que possam existir… tenho dois filhos maravilhosos que me dão muito orgulho. Amo e tenho a certeza que também sou amada, mesmo porque, o erro que eu cometi com você, não cometeria novamente. No meu casamento há confiança, respeito, carinho, cumplicidade, lealdade…
    Você me fez mal… Você me faz mal… Por que agora eu permitiria que você entrasse novamente em minha vida, mesmo sendo como “amigo”? Desde esse dia estou com uma dor de cabeça horrorosa!! Mas tenho certeza que depois desse desabafo, vou melhorar. Não consigo esconder o que estou sentido, tenho logo que por pra fora, se não, morro sufocada. O “esconder” o que estou sentindo, não significa que o Marco Antonio não saiba dessas coisas, mesmo porque eu já conversei com ele sobre isso e também tudo o que está sendo dito neste e-mail, estou mandado com cópia para o dele. Embora eu tenha certeza de que ele vai espumar de raiva ao ler, mas prefiro ser sincera, verdadeira. Não quero que a mentira se instale entre nós. Depois me entendo com ele.
    Infelizmente só agora estou conversando sobre esse assunto, mas eu acho que está sendo bom… Não é muito do meu feitio conversar coisas sérias por e-mail, pois eu gosto de olhar nos olhos da pessoa com quem estou conversando, mas…
    Bom, escolhas foram feitas, palavras foram ditas, atitudes foram tomadas, marcas foram deixadas… Não se pode voltar atrás.

    Faz uma coisa que você não fez quando nós estávamos juntos? Deixa eu ser feliz, deixa eu viver, por favor.
    Eu te fiz um pedido quando deixei um recado no seu Orkut, agora venho ratificar o que pedi;
    Finge que eu morri…que não existo mais, ou melhor, finge que eu nunca existi.

    Seja feliz como você achar que deve ser, mas se me permite um conselho, NUNCA mais brinque com o sentimento dos outros.

    Adeus!
    ________________________________________________________

  7. Paulinha disse:

    Flor, li seu primeiro comentário e sinceramente achei que não poderia falar nada, mas com o segundo, vou ser terrivelmente sincera, me identifiquei.

    Vou te contar uma historia de uma menina de 14 anos que se apaixonou perdidamente por um coleguinha da rua, ela nunca tinha beijado muito menos namorado, em menos de um mês de namoro eles tiveram sua primeira relação sexual. Foi doloroso, desconfortável ela pensou “É isso?”, quase surtou quando percebeu o que tinha acontecido, mas do auge da sua pseudo-maturidade que seus 14 anos permitiam centralizou e pensou “Problema… Agora já foi!”. Esse menino a aprisionou de todas as formas possíveis, era possessivo, ciumento e por vezes quase agressivo.

    Namoraram por nove meses, e no momento em que ela teve suspeita de gravidez ele pulou fora. Ela tinha 15 anos ele 16, viveu tudo calada, não dividiu com ninguém… No final das contas, acredito que por proteção divina, não estava grávida. Mas essa menina deprimiu, se isolou, já não saia com mais ninguém, não aceitava ser tocada por mais ninguém, várias vezes tentou contato com ele e vice-versa, mas ironicamente, quando um queria o orgulho do outro não permitia. Assim passaram-se alguns anos e com 18 ela voltou a permitir que alguém entrasse na sua vida, esse alguém, como não poderia deixar de ser, conhecia o primeiro e disse algo que praticamente a dilacerou. Naquele dia há quatro anos, quando ela perdeu sua virgindade, todos os meninos da rua, inclusive ele próprio, assistiam pela janela da sala, pela parte superior de onde ela, nem que quisesse era possível perceber, e o menino por quem se isolou e sofreu estava ciente de tudo o que ocorria.

    A essa altura o primeiro namorado estava morando no exterior e ela já tinha algum contato via chats com ele, foram noites e noites conversando, chorando, brigando e fazendo as pazes. Nesse meio tempo ela já se envolvia com o segundo, de uma forma totalmente doentia. Esse segundo também a fez passar por muitas provações, algumas que tenho arrepio até de lembrar.

    No final das contas Flor, essa menina sou eu. Se ler alguns dos meus comentários verá que sou casada, e essas duas figuras meus grandes amigos, um deles ao saber que me casaria chorou e colocou o “E se…”. Por várias vezes me prendi ao “E se…”, mas sabe de uma coisa não aconteceu, e atualmente me recuso a me prender a isso, me recuso a me segurar em traumas, os vejo como uma grande forma de amadurecimento e depois os jogo pela janela. Tanto que essa história estava trancafiada dentro de mim, só lembrei ao ler o seu comentário e o da Guta.

    Só consegui transformá-los em meus grandes amigos, porque sentamos e conversamos diversas vezes, em alguns momentos ainda conversamos sobre essas coisas e cada vez que acontece fico mais próxima e mais segura das minhas decisões.

    Estou com a Guta e o Administrador, vá encontrá-lo, de coração aberto, sem carregar mágoas ou expectativas, simplesmente vá com a intenção de desmistificar essa situação. Com a intenção de perceber o que faz parte da fantasia e o que é real.

  8. admin disse:

    Flor, concordo com a Guta e creio que você deveria se encontrar com o seu ex-namorado para uma conversa, vê-lo. Do contrário, você viverá com essa angústia. Encontre-o, sinta algo, seja lá o que for, e volte a falar conosco. Sinceramente, por hora, não vejo outra saída.
    Outra coisa: é perfeitamente possível amarmos duas ou mais pessoas ao mesmo tempo. Mas isso é assunto que só merece ser esclarecido depois que você encontrá-lo e tirar suas conclusões a respeito.

  9. Guta disse:

    Flor,

    Li à tarde seu pedido de ajuda e agora entrei de novo e li seu outro comentário.
    Não sei se poderei ajudar-lhe, somos em muitos aspectos por demais diferentes, mas consigo entendê-la, assim mesmo. Porque já tive 15 anos e porque tbm já passei por pequenos ou grandes traumas.

    Você relata uma situação traumática, uma fofoca e com repercussões desastrosas tanto do ponto social quanto do ponto emocional.

    Mas veja só. Independente de ter tido só 1 ou dois ou 10 mil homens, não interessa… a sua emoção e sentimento só você pode saber, ainda que esteja confusa, perdida dentro desse imenso turbilhão.

    Gostaria de apresentar-lhe uma menina de 15 anos, que com todas as delícias do primeiro amor, viveu se entregou de corpo e de alma… e o retorno do mesmo: trauma

    Temos, às vezes, Flor, que ter muito cuidado e carinho pelos nossos traumas. Eles criam raízes, que viram árvores e que geram flores. Só que estas machucam. O tempo os ameniza, esquecimento não há… porque as cicatrizes da alma são eternas. Mas sofrimento não é pra sempre, posso lhe garantir, por mim mesma. E por mim mesma já superei traumas que jamais pensei que conseguiria superar nessa vida.

    O que sentimos aos 15 anos não é amor? Pode ser sim, mas jamais é um amor maduro, transparente, adulto. Um amor pode começar aos 15 e crescer, caminhar, amadurecer e o casal é causa disso.

    Aos 15 a vida é bela, os sonhos são infinitos e tudo podemos, pois à frente temos um longo futuro. Só que a lente do amor é diferente de quando temos vinte, 30, 40 e quiça 50.

    Você mudou de cidade, construiu uma nova vida,uma família, ao lado de um homem, que cresceu com você também. Um valor de 1 homem, Flor, é feito pelas Ações, não frases ou não sentimentos falados.

    Será que esse menino de 18 anos, hoje, com a Flor de seus vinte e muitos, é o mesmo? Porque, minha pequena, temos o vício de congelar pessoas que vamos perdendo pra Vida ou pra Morte, e nem sempre esse congelamento é fiel à realidade. Mas em ambos os casos existe uma coisa em comum… raramente são o que imaginamos, sonhamos, endeusamos.

    Aos olhos das lentes dos traumas, dos amores sofridos, tudo fica distorcido.

    Gostaria que você não se sentisse culpada, mas que fosse procurar talvez até mesmo através de um encontro(e não digo à nivel sexual); terapia; banho de mar; pai de santo; padre; rabino enfim qualquer coisa que lhe ajude e talvez a realidade com a qual vai se deparar possa ser muito diferente da qual vc já definiu tão antecipadamente.

    No meu entender Flor, não há necessidade de trocas, de ter que escolher entre o seu marido e esse amor de 15 anos.

    Mas há a necessidade de você olhar pra isso, mesmo com medo… seu marido, nós aqui, enfim, acredito que possa haver muitas pessoas dispostas a apoiá-la a se libertar, talvez de algo que tenha assumido uma proporção desmedida pelo tempo e pelos congelamentos.

    Não quero jamais julgá-la ou dizer que está certa ou errada. Mas tudo o que escrevi, e escrevo nesse blog como tantas outras pessoas, é fruto de muitas vivências, ações e percepções… do que estive/fui e do que estou e sou.

    Um beijo mais que carinhoso pra ti.

  10. Flor disse:

    Olá, administrador!

    Primeiramente, quero agradecer a sua atenção e gentileza dispensadas à minha “carta”.

    Desculpe por não ter mencionado quantos anos eu tinha e nem quantos anos tenho atualmente. Fiquei com medo de escrever coisas demais e acabar fugindo do assunto ou acabar sendo redundante.
    Hoje, tenho 29 anos e quando isso aconteceu, eu tinha 15 anos. Namorei o meu ex dos 14 anos aos 15 anos. Mas só aos 15, me envolvi intimamente com ele.
    Realmente, o meu ex-namorado e o meu atual marido, foram os únicos homens com quem me envolvi sexualmente. Eu tive três namorados, esse rapaz, meu marido e um outro.
    Pra você poder entender, vou tentr contar a minha história desde o começo de uma forma resumida.
    Eu namorei esse rapaz (meu ex) e logo depois, com 16 anos, namorei o meu marido. Com o meu marido, namorei por nove meses. Depois me mudei para uma cidade na Região Serrana do Rio. Ficamos separados por três anos. Namorei outro rapaz, mas não deu certo. Com 19 anos, nos reencontramos e voltamos a namorar e, no ano seguinte, nos casamos.
    Com meu marido, só me envolvi sexualmente depois do casamento. Nunca tivemos nenhuma intimidade, apesar de ter lhe contado que não era mais virgem quando nos reencontramos. Decidi contar, pois tem homem que faz questão de ser o primeiro na vida de uma mulher. Ele, no entanto, me disse que não se importava, pois o que contava era a minha vida a partir daquele momento com ele.
    Na outra “carta”, eu tinha mencionado que o meu ex tinha se casado, mas não disse que teve uma filha e logo depois se separou. Sei dessas coisas, pois deu para perceber através do Orkut dele.
    Concordo com você, é claro que um casamento de nove anos sofre um desgaste por conta da rotina, mas nossa vida sexual não mudou em nada, está cada vez melhor. Sempre procuramos sair, viajar a sós, jantar fora… Nos damos muito bem. Em certos momentos, nos entendemos só de olharmos um para o outro.
    Agora, o fato de eu não ter amado o meu ex, discordo. Não tenho outra palavra que não seja amor, para fazer com que uma menina de 15 anos se entregue a um rapaz. Talvez um ingênuo amor, mas era amor. Eu fui criada para me casar virgem, sendo o meu marido, o único homem (em se tratando de sexo) da minha vida. E por amor, ingenuamente, me entreguei a esse rapaz passando por cima de tudo o que eu considerava certo e tudo o que foi me ensinado. Eu digo ingenuamente, porque pensei em estar me entregando para uma pessoa que me amava também, pois eu sabia perfeitamente o que eu estava fazendo. Embora esse meu ex (com 18 anos), tivesse tido outras relações sexuais, ele não me pressionou. Tudo aconteceu naturalmente.
    Tenho sim uma certa saudade do que poderíamos ter vivido. Talvez, não poderíamos estar juntos hoje, mas pelo menos não ter tudo acabado da forma como acabou.
    Embora eu tenha me mudado para outra cidade por causa do meu trabalho e também para fugir disso tudo, minha mãe continuou morando no mesmo lugar e assim, mantendo de alguma forma, um contato com ele. Ele chegou a dizer que gostava muito de mim e que estava arrependido de ter feito o que fez. A minha mãe sugeriu que me procurasse e pedisse desculpas, mas ele disse que temia que eu não o perdoasse. Na verdade, acho que ele até gostava , mas como ele era jovem, não queria ter um relacionamento sério com uma garota temendo perder sua juventude. Claro que não justificava ter feito o que ele fez.
    Bom, para não ser muito longa, eu só não estou conseguindo lidar com tudo isso. Não sei o que fazer para esquecê-lo, para tirá-lo de vez da minha vida. Não quero magoar o meu marido mais do que magoei quando disse que ainda o amava. Ele não merece isso. Quero esquecer isso tudo, mas não sei como. Não gosto da sensação de estar amando ainda um homem e estando casada com outro que me ama verdadeiramente. Acho isso uma desonestidade. Foi com meu marido que constitui uma família e é com ele que eu quero e devo ficar. Eu nunca vou deixar o meu casamento para ir atrás de ninguém. Ele, o meu ex, teve a oportunidade de ir até a mim e pedir desculpas, e eu teria aceitado, mas não fez. Por mais que meu coração ainda sinta algo por ele, eu nunca irei procurá-lo.
    Com todo esse sofrimento, eu aprendi a ter amor próprio.
    Eu queria ter o poder de mandar em meu coração.

    Mais uma vez, muitíssimo obrigada!

    Ass: Flor.

  11. admin disse:

    Olá, Flor. Seja bem-vinda.
    Antes de expressar a minha opinião, gostaria que entendesse que o nosso propósito aqui não é preservar as instituições, pois elas já possuem bastante suporte da sociedade. Nosso foco é o ser, sua individualidade e liberdade.
    Pelo que entendi, afetiva e sexualmente, você teve dois homens em sua vida: o seu ex-namorado e o seu atual marido.
    Assim que terminar de ler este comentário, sugiro que leia o artigo “Amor Infinito?”, pois o que eu falarei é a mensagem principal do mesmo.
    Você não disse que idade tem, atualmente, e qual tinha quando terminou o seu citado namoro. Apenas interpreto que faz mais de dez anos. Aquele namoro terminou mal resolvido. A ruptura não foi por cansaço da relação, mas sim porque ele a expôs diante de seus amigos, magoando-a. Quando a relação termina dessa forma, sempre fica em nossa mente a interrogação: “E se tivéssemos continuado? Será que hoje eu seria mais feliz?” Isso chamamos de relação mal resolvida.
    O seu marido, como você disse, é um homem íntegro e parece gostar mesmo de você. A atitude dele, depois que você lhe contou sua angústia, é típica de quem ama com o amor verdadeiro, e não com a posse romântica. Parabéns para ele.
    Ao dar minha opinião, serei objetivo, raciocinando com as maiores probabilidades, baseado em minhas experiências. Se você achar que não se encaixa em sua situação, basta me dizer depois.
    Imagine as famosas e já bem comentadas aqui figuras do príncipe e do sapo. Mesmo o seu ex-namorado tendo te magoado, quando resolveu deixá-lo pelo que ele fez, você ainda gostava dele, ainda conseguia o ver como um futuro e possível príncipe. A relação acabou e ele ficou em sua imaginação.
    Casou-se e teve dois filhos. Nove anos é tempo mais do que suficiente para cansar uma relação, apesar dos prazeres à parte de ser casada com um homem maravilhoso e possuir dois filhos também marvilhosos. Possivelmente, você já tenha passado da fase de crer que seu marido seja o príncipe, se é que algum dia considerou essa possibilidade.
    Já deve ter mais de dez anos que você terminou o seu namoro com o seu ex-namorado. Você, muito provavelmente, era “outra mulher”. Porém, o que ficou em sua lembrança foi a gostosa sensação de “estar amando” – muito comum no romantismo – que “aquela mulher” sentia, naquele momento.

    Eu arrisco afirmar algumas coisas. Depois me diga se estou errado:
    1) Como já tanto conversamos aqui, você não amava, exatamente, o seu ex, ele nunca foi o amor de sua vida. A sua nostalgia, melancolia, saudade, é daquela sensação de estar amando aquele “fofoqueiro” que, provavelmente, não gostava de você, muito menos a amava, senão não teria feito o que fez. São nove anos de casamento; sentimos falta da intensidade. Você pode estar direcionando essa vontade de ardor para a única referência que tem: seu ex;
    2) Não preciso entrar em detalhes para explicar o que um casamento de nove anos, que começou de forma romântica, faz com a relação homem-mulher;
    3) Se, hipoteticamente, seu ex-namorado e o seu atual marido trocassem de lugar, arrisco dizer que você estaria com saudade do seu atual marido, dizendo que ele é o amor de sua vida. E bem possivelmente, nem teria como dizer que o seu atual marido (o ex) é uma pessoa maravilhosa;
    4) Tenho quase certeza de que, se você voltar a encontrar e se relacionar com o seu ex-namorado, verá que toda essa angústia que vem alimentando não faz sentido algum. Você é, hoje, outra mulher e ele, outro homem. É bem possível que logo o deixasse; e
    5) Acredito que a sensação que está vivendo é a de uma mulher que tem um sapo na mão, por mais maravilhoso que ele seja como marido e pai, e um príncipe, que você não faz a mínima ideia de que tipo de homem ele é, hoje, voando.

    Espero ter ajudado.

  12. Flor disse:

    Bom, eu nunca na minha vida entrei e nem se quer fiz um comentário, pergunta ou coisa parecida em um blog. Por isso, não sei se é realmente nesse tema ou tópico que eu deveria contar a minha história, por mais que o assunto fosse o que eu estou vivendo: “Por que as mulheres são tão tristes?”
    Este blog me foi indicado por uma amiga e, pelo que eu li, gostei muito.

    Sou casada há nove anos e tenho dois filhos lindos. O meu marido é um homem maravilhoso! Faz de tudo para me agradar, é carinhoso, prestativo, enfim.
    Antes de eu namorar com o meu marido, eu namorei um rapaz que marcou muito a minha vida, pois ele foi o meu primeiro homem, se é que dá para entender. Esse rapaz me magoou muito quando resolveu contar para uma garota, em troca de ir para a cama com ela, que tivemos algo mais íntimo. A menina disse que só iria pra cama com ele, se ele confirmasse que tinha transado comigo. A rua toda ficou sabendo do ocorrido, mas como essa garota era “corrimão” de escada, as pessoas, ou melhor dizendo, os jovens daquela rua, não acreditaram nela. Sabendo disso, eu terminei com ele, claro.
    Anos se passaram, me casei, formei minha família e nunca mais nos vimos. Fiquei sabendo que ele tinha se casado, não com a menina causadora do fim do nosso namoro, mas com uma outra.
    No começo, e no resto dos anos, eu nunca pronunciei o nome dele, não conseguia! Pensei que fosse desprezo, mágoa, raiva… Quando eu conhecia um pessoa com o mesmo nome dele (um colega de trabalho, escola, irmão de alguém), eu logo arranjava um apelido, só para não pronunciar o nome.
    Depois muitos anos, ele me encontrou no Orkut e pediu para adicioná-lo. Bom, talvez por amizade, sei lá. Só sei que depois desse dia, eu descobri o real motivo pelo qual eu não conseguia pronunciar o nome dele. Eu ainda o amava!!
    Durante anos eu guardei esse sentimento dentro de mim, e não tinha a noção que era amor. Talvez por eu ter sofrido com tudo o que aconteceu, porque afinal de contas, me entreguei por inteiro, me joguei de corpo e alma nesse namoro e acabei ferida. Só sei que fiquei sem chão quando fiz essa descoberta. Como que nessa altura do campeonato eu poderia ainda o amava?? Afinal de contas, sou uma mulher casada e que sempre primei pela lealdade, fidelidade… Não era justo! Não depois de tudo o que sofri, o tanto que chorei, o tanto que fui humilhada perante os meus colegas da rua onde morava. Embora ninguém acreditasse no que ela havia falado por causa de sua reputação, mesmo assim a história se espalhou e os meus colegas me olhavam como quem se perguntava: “Será que eles transaram mesmo?”
    Eu não o adicionei, na consegui. Mandei um e-mail contando que eu tinha sofrido muito e que não era justo, mesmo como amigo, permitir a entrada dele em minha vida novamente. Contei que o amei muito. Contei também que tudo o que eu estava vivendo; estar casada, ter tido filhos, ter formado a minha família, tudo isso eu sonhei viver com ele, mas ele, infelizmente, não sonhou o mesmo. Na verdade, eu queria dizer que eu ainda o amava, que ele era e continua sendo o grande amor da minha vida, mas a razão falou mais alto. Meu marido o conhecia, pois eles praticamente eram vizinhos. Mas ele não ficou sabendo da fofoca que surgiu na rua.
    Eu contei para o meu marido o que eu estava sentido, mesmo porque não dava para esconder. E também, eu sempre pensei que a sinceridade dentro do casamento seria a aliada da confiança e do respeito.
    Meu marido, claro, ficou triste, mas me disse: “Meu amor, eu te amo muito e jamais quero vê-la infeliz. Se para ver a sua felicidade, eu tenha que abrir mão da minha, eu abro.” Jamais esquecerei dessas palavras, nunca vou me esquecer!
    Desde então, não tenho paz. Fico me remoendo por amar uma pessoa que não merece, sendo que eu tenho um marido que me ama incondicionalmente.
    Pensei em fazer uma terapia com um psicólogo, pois está difícil conviver com esse sentimento dentro de mim.
    Gostaria de uma orientação, uma ajuda, algo que amenizasse esse sofrimento que me consome por dentro.
    Muito obrigada pela atenção dispensada.

    Ass: Flor

  13. admin disse:

    O que houve, Solange? Sinceramente, não entendi…

  14. Solange disse:

    A fantasia é melhor que a relidade.Não troco a fantasia ,a imaginação por um pau, para quê?????
    dá um trabalhão….tô fora,virei gay…..

  15. Solange disse:

    Triste porque não quer foder , tem um chato dum marido para aguentar, só tem babaca dando sopa, sexo, ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh é melhor foder, vou nessa….tratar de fazer a periquita se realizar, fuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

  16. Solange disse:

    triste porque é velha , pobre, pelancuda, não sabe foder, não tem pinto na praça sobrando, quer dizer, a procura é maior que a oferta, o naviou afundou e parou numa ilha deserta, chato, tem tanta coisa para um mulher ser triste.

  17. admin disse:

    Sobre esse “definitivo” a que se referiu, estamos falando sobre ele no próximo artigo, entitulado “Maturidade biológica x Amadurecimento do ser”.

  18. Andréa Silva disse:

    O problema todo é que hoje em dia todos somos cobrados de sermos felizes o tempo todo. Contudo isto é utópico. Não existe a felicidade perene, assim como não existe a tristeza sem fim. Por mais que existam coisas a conquistar isso não implica em infelicidade. O fato de se querer outras coisas não deve ser levada ao extremo. Podemos ter planos para nossa vida e ter alguém nela ou não. As duas coisas não são excludentes. Mas que por vezes temos de ser hipócritas, ou no mínimo calar sobre o que verdadeiramente pensamos e sentimos, é normal. Não vamos jamais poder ser totalmente transparentes. O legal é encontrar alguém com quem se possa falar tudo. Isso é difícil. Mas não precisa ser um homem. Pode ser um amigo ou amiga, ou ambos, ou vários. A liberdade tem um preço. Dizer o que pensamos também tem. A mulher precisa parar de sonhar e viver a realidade. Se cobrar menos. Tive depressão numa época em que não conseguia absorver as mudanças que haviam ocorrido na minha vida. O que pesa é quando achamos que tudo é definitivo. Nada é definitivo. A única coisa perene na vida é a mudança. Ainda bem!

  19. admin disse:

    Olá, Andréa. Dei-lhe as boas-vindas na resposta ao seu comentário em “Rejeição e Perda I”.
    Gostaria de esclarecer e compartilhar com vocês minhas leituras e percepções de minhas experiências, baseadas em depoimentos femininos ou em vivências mesmo, a respeito de questões conceituais sobre o que seria uma mulher triste, frustrada, inquieta, etc. Como você viu, esses sentimentos estão sendo muito comentados na matéria da Época, cada pessoa dando um sentido diferente, de acordo com sua visão e grau de consciência. Tratam-se de sensações muito subjetivas, assim como o amor, a felicidade ou qualquer sentimento o é.
    Mais uma vez, quero deixar claro que, quando se trata de comportamento humano, não existe verdade absoluta. Sempre será possível existir exceções. Logo, quando expresso TODA ou TODO, refiro-me à maioria que, no entanto, também pode vir a ser TODAS ou TODOS.
    Em minha opinião, todos nós, partícipes de diversos grupos sociais, somos seres, de alguma forma, frustrados, pois as inúmeras regras morais, às quais somos obrigados a nos submeter, afastam-nos dos nossos instintos e necessidades naturais, exceto os de comer e beber – englobando todos esses cerceamentos, o maior de todos é o da liberdade. Nesse contexto, considero a mulher ainda bem mais frustrada do que o homem, pois a separação que a sociedade exige que ela mantenha do seu cerne e as cobranças a ela feitas são infinitamente maiores do que no caso dos homens. A aceitação dessa afirmação – assim como o julgamento de sua intensidade, em cada caso – acerca do mundo feminino, por parte de cada leitora, variará de acordo com o seu grau de consciência. E somente a filosofia, a crítica, a análise dos fatos, a busca de respostas e conclusões pensadas tornam uma pessoa consciente. Inseridos na sociedade, compreender a realidade e ter discernimento é para quem o deseja com fervor. Necessita de determinação, pois trata-se de um processo doloroso e que, sem dúvida, afasta-nos dos preestabelecidos modelos de comportamento e, consequentemente, de todos aqueles que contam com o nosso comportamento “normal”.
    Mesmo aquelas mulheres possuidoras da plena consciência de suas sexualidades, financeiramente independentes, que pouco estão se importando com o como os parceiros avaliam suas formas de pensar e agir, inclusive essas são frustradas. Porém, são também as inquietas, questionadoras, inconformadas, “siri na lata”. Mas, de forma alguma, considero-as tristes, pois são as lutadoras às quais a Ruth Aquino se referiu. As frustrações delas são decorrentes do batente social imposto à livre expressão e ação da liberdade que suas consciências lhes garantem que deveriam possuir. E muitas destas nem têm como referência a liberdade masculina, mas sim a liberdade de suas próprias almas livres, como vieram ao mundo, sendo logo em seguida castrada.
    Essa frustração também é decorrente das poucas ou inexistentes oportunidades que possuem para compartilhar e viver essa filosofia libertária com um parceiro ou até mesmo para trocar idéias e experiências com amigas. Ou seja, são mulheres sozinhas, mergulhadas na e amparadas pela certeza da preciosidade de suas filosofias. Sozinhas sim… solitárias, talvez e possivelmente, às vezes. Percebem-se como MULHERES, sabem a que vieram, o que estão e porque estão fazendo, observam e analisam o mundo à sua volta, decididas a jamais – ou nunca mais – colocar seus livres-arbítrios em risco.
    Mais uma vez, não são tristes, pois se percebem guerreiras, sabem que chegaram onde foi possível e têm orgulho de suas conquistas. Mas ainda não desistiram de lutar. Porém, infelizmente, tratam-se de pequena minoria.

    Então o que consideraríamos uma mulher triste? Seriam todas as outras que não gostariam de estar onde estão, de estar com quem estão ou de ser o que são – um desses casos ou qualquer combinação entre eles. São aquelas que, por diversas razões, não conseguem se mover em direção às suas essências e, com isso, vivem em eternos conflitos, sejam eles conscientes ou não. São as que necessitam de psicoterapia para tentar entender suas crises existenciais. Seus comportamentos dependem de aprovação e são dependentes das aceitações da sociedade, da família, dos amigos e do macho com quem esteja se relacionando ou prestes a iniciar a relação. Suas formas de agir dependem de aprovações morais e suas dependências pode ser emocionais ou financeiras… ou todas elas podem estar reunidas na mesma pessoa. Sentem-se impotentes para transpor a mais básica barreira cultural. Falta coragem para qualquer tipo de transgressão aos conceitos morais preconizados.
    As tristes só ficam sozinhas, por opção, em momentos seguintes às fortes desilusões amorosas. Normalmente, durante esse período, ficam deprimidas, pois “não nasceram para ser sozinhas”. No entanto, não querem mais se machucar. Passam a considerar todo macho um grande idiota insensível que não sabe amar. Para elas, ficar sozinhas, é uma dor terrível.
    A mulher triste ama a sensação de amar. A quem? Mero detalhe. “Qualquer um” serve, contanto que também diga que a ama.

    Uma definição simplista: as apenas frustradas são felizes e suas frustrações decorrem da impossibilidade de prosseguir. As tristes – que também são frustradas – sentem-se impotentes para começar a se mover.

  20. Andréa Silva disse:

    Gostei muito do convite e por enquanto li apenas o comentário acerca da reportagem da revista Época. Gostei bastante e concordo com você em muita coisa. Eu não concordei com a reportagem no todo, mas acho válida por tocar em um assunto tão profundo, talvez não com a abordagem adequada mas que suscita a mulher pensar o seu papel no mundo de forma mais madura. Ainda não consegui a independência que quero mas esse é o maior ideal da minha vida. Mas não a independência de pagar as próprias contas, porque isto até que é relativamente fácil, mas sim a independência moral. Aquela que o homem é obrigado praticamente a ter desde pequeno e a qual é vedada a mulher. É ainda proibido a mulher ter desejo. E não digo apenas no sentido sexual. Se pensarmos somos criados, homens e mulheres, de modo a nos desencontrarmos. Eu me sinto hipócrita sim, na maior parte das vezes, e desde pequena, sempre fui cobrada a não ter opinião ou a guardá-la para mim. Contudo eu tenho um gênio forte e determinado e não meço meu sucesso pessoal pelo senso comum. Eu não tenho papas na lingua mas aprendi a ser hipócrita por uma questão de sobrevivência. O homem aprende isso cedo. A mulher não. Chega aos quarenta anos sonhando com o príncipe encantado. Mas o príncipe não está preocupado com a pessoa dela mas sim com o tamanho da bunda, do peito e etc. Parece torneio de vacas premiadas. É deprimente. Acho que para conquistar minha liberdade sexual não preciso fazer do meu corpo uma mercadoria. A mulher precisa de “descoisificar”. Só nós mulheres poderemos assimilar os resultados de tantas mudanças nos costumes e aprendermos com isso. Na medida em que levarmos menos a sério, sem tanto peso, as coisas tenderão a se tornar normais. A traição por exemplo é o calcanhar de Aquiles do homem. Problema dele! Eu não tenho nada a ver com isso! Ele que faça por onde para que eu não pense nisto porque todo mundo pensa. A mulher pensa igual ao homem apenas não tem liberdade real de mostrar o que pensa. Existe uma pressão social para que a mulher não se emancipe. Toda a liberdade que ela conseguiu é só de se mostrar cada vez mais. A que isto leva? Não é isso que conta no dia a dia, embora se cuidar deva ser antes de mais nada uma questão de saúde. Quando a vaidade vai ao extremo o corpo vira mercadoria. EU SOU UMA PESSOA E NÃO ACEITO QUE NÃO ME NOS OLHOS.
    Teremos com certeza muitas figurinhas para trocar. Legal saber que existe homens que se preocupam com nossas questões.
    Boa sorte e dá uma passada no meu blog.
    Até breve!
    Andréa Silva

  21. admin disse:

    Olá, Camila. Quem bom que gostou. Teremos sempre assuntos, preferencialmente, polêmicos e que nos façam pensar bastante. Até o final dessa semana escreverei outro artigo.
    Em breve, falaremos, também, abertamente sobre questões sexuais, como se estivéssemos entre amigos o mais íntimos possível… de mulher para mulher e de homem para mulher.
    Fique com a gente. Participe.
    Um abraço

  22. Camila Flávia disse:

    Olá!!
    Li o seu post e gostei bastante!

    A reportagem foi de fato muito discriminatória e infeliz, do tipo que dá um desespero ‘como se faz jornalismo com tanta superficialidade’?

  23. admin disse:

    Olá, Anônima. Você também ainda não possui um nome. :)
    Por várias razões, resolvi, por enquanto e não sei até quando, manter-me no anonimato.
    Este espaço também é seu.
    A citação do seu trabalho com jovens e a inteligente educação que tem, com louvor, dado aos seus filhos homens, deu-me um ótimo gancho para fazer algumas observações sobre os comentários pertinentes e interessantes da Solange.
    Ela tem comentado que as oportunidades em termos de educação e mercado de trabalho têm sido insuficientes para proporcionar a independência e livre arbítrio para aquelas mulheres que realmente os buscam. Concordo. Moramos em um país com dimensão continental e não podemos nos esquecer também de que as realidades nas cidades interioranas ainda são bem piores do que nas capitais. E não precisamos ir para o Norte ou Nordeste ou para tão longe do Rio de Janeiro ou São Paulo para percebermos essa realidade.
    Porém, sugiro que não fiquemos apenas reclamando das atuais estatísticas desvantajosas e afirmando que estamos muito aquém do desejado. Precisamos nos considerar como parte de um processo que começou há décadas. Supondo que o final dele será o atingimento da paridade e justiça sexual e que este, certamente, também demoraria décadas ou dezenas de décadas, nossa geração encontra-se nada mais do que posando para uma fotografia… não somos nada mais do alguns “frames” de um filme que ainda custará a chegar ao fim. Porém, os pensadores, mais lúcidos e esclarecidos não podem se abstrair do dever de construir gerações futuras mais justas. Ou seja, aqueles que possuem idades mais avançadas e acham que pouco poderão usufruir das mudanças já em curso ou que “a ficha caiu tarde demais”, não se esqueçam de que os seus filhos precisam ser muito bem educados e dentro da realidade. Chega de mães e pais que escondem dos filhos – e principalmente das filhas – as realidades de um casamento, permitindo, covardemente, que elas passem pelas mesmas agruras que padeceram e ainda padecem. Passem para eles o que realmente têm aprendido e o que supõem que tornaria uma relação mais leve e com menos mágoas, frustrações e mentiras. Ao invés de ensinarem os seus filhos a seguir à risca os modelos, sem o pavor de chocar e contrariar os avôs, que tal começarem a ensiná-los a ser felizes?

  24. Anônimo disse:

    Ao homem sem nome

    adorei seu blog.Um espaço criado por um homem heterossexual que possui um pensamento de paridade sexual tão contemporâneo.Pena que a maioria dos homens ainda vivam na pré-história ou quando mundo na era industrial onde a mulher começou a trabalhar fora de casa só para aumentar a renda familiar sem uso fruto.
    Trabalho com jovens e uma das metas é disseminar o conceito de paridade sexual e sexualidade responsável.
    Aposto nestas metas para fazer a minha parte combatendo a educação machista que as mães reproduzem em suas casas. Tenho dois rapazes e são exemplos de como criar filhos, que não são gays, que respeitam as mulheres.Deve ser por isso que vivem rodeados de mulheres inteligentes.

  25. Solange disse:

    Bom Dia, Concordo com a sua argumentação sobre a infelicidade das mulheres passa em serem dependentes, só acho que numa sociedade como a nossa em que há insegurança em todos os sentidos, falta de emprego decente, desempregos , salários muitas vezes injustos e indecentes tanto para homens como para as mulheres venhamos com esse discurso idealizado.
    É fácil falar em independência financeira, segurança, autoestima quando estamos com tudo garantido, um bom emprego, um bom salário, todas as necessidade básicas supridas.Muitas mulheres vão à luta mesmo, trabalham , e sustentam com sua força e garra toda um família e tudo sozinhas.Mas também há muitos oportunismos, como você bem ressaltou.De mulheres que usam seus corpos perfeitos e bonitos para alçarem vôos às alturas, conseguindo, desta forma, que todas as portas sejam abertas num segundo e tapetes vermelhos sejam colocados na sua frente para que como rainhas caminhem sobre ele.Muitas conseguem , através disso, bons empregos, ganhando muito dinheiro, ou conseguem casamentos milionários, ganhando presentinhos extras porque satisfizeram os homens sexualmente como eles queriam.Mesmo que elas estejam somente fingindo.
    Não nego ,a mulher tem que ir à luta, ter seu dinheiro, ser independente, ser livre , só que a realidade não é bem assim.
    A realidade não é generosa para todos, nem todos nascem em famílias razoalvelmente seguras, estruturadas , que tenham condição de terem uma educação razoavel, entrar para uma universidade, viajar, ler, etc.Muitos desde pequenos tem que dar duro, trabalhar ou até se prostituirem.É o que estou vendo hoje em dia, meninas se prostituindo para sobreviver, e por que há mercado para elas????
    Porque esses mesmos homens que valorizam as mulheres “independentes financeiramente” vão a procura delas, quando não vão atrás de meninos, e todos muitas vezes bem jovens com nove ou dez anos de idade, é isso que vemos nos noticiarios.
    É tudo muito bonito no plano da teoria, mas a realidade implica em um monte de fatores.A realidade não é fácil nem para os homens , nem para as mulheres.

  26. admin disse:

    Olá, Solange.
    Vou começar respondendo à sua última pergunta. Sim, sou homem e, “por acaso”, heterossexual. Na parte do blog em que me apresento (Quem sou) vc pode ler algo sobre o meu perfil e as razões que me levaram a compartilhar com vocês essas idéias.
    Você não me ofende, de forma alguma, com essas colocações a respeito dos homens. Se eu me sentisse ofendido, não teria começado essa jornada de trocas de ídéias. A minha proposta foi, exatamente, criar um espaço de liberdade de expressão especialmente para vocês mulheres… e também para todos os homens que quiserem participar, construtivamente, com suas visões. Afinal, um diálogo verdadeiro e sem máscaras com o mundo masculino é o que mais vocês desejam, há longa data.
    Muito bem colocado e lembrado por você a grande parcela de culpa das mulheres nesse lento processo. Eu já comentei – e você sabe disso – que o machismo é um excelente ganha pão para muitas delas… muitas mesmo. E tenho certeza de que a utópica – ou, no mínimo, muito distante – queda da cultura machista desagradaria a uma grande porção de oportunistas (em Rejeição e Perda I, conversamos um bocado sobre esse perfil de mulher). Por outro lado, existem muitas outras carentes, literalmente, de coragem para atropelar os tabus e preconceitos e seguirem rumos mais autênticos e nobres para as suas vidas. Gostaria de acrescentar que, em muitos casos, essas duas figuras se misturam, sendo muito difícil identificar – e muitas delas também não sabem – onde uma termina e a outra começa. Trata-se, nesses casos, de uma enorme salada e confusão cultural, onde os ingredientes são oportunismo e medo.

  27. Solange disse:

    A mulher com independência tem autoestima, também concordo contigo, pode frequentar uma academia, comprar roupas, cuidar do cabelo,do corpo, ir no analista, pode usar um anticoncepcional eficaz que não estrague sua saúde, ter uma boa alimentação, ter seu carro, sua casa, fazer suas viagens, ter os namorados que quiser, estudar, trabalhar, a independência finaceira nos traz tudo isso, não só para as mulheres como para os homens.
    No passado tanto os homens como as mulheres eram mais limitados na sua liberdade , o destino de todos era qual?O casamento e ter filhos!Os homens ,claro, tinham a tal da liberdade sexual , podiam frequentar os prostíbulos , cabarés, ter amantes , caso tivessem condição para isso, mas tinham que manter a família, a mulher e os filhos intactos, protegidos sob sua tutela até a morte.E a sexualidade das mulheres???? A sexualidade dependendo das circunstâncias da relação era somente para terem herdeiros, muitas vezes sem afeto ou amor, só efetuar o dever de homem perante a sociedade e a mulher somente em receber o sêmem do homem em seu útero.A sua sexualidade, sua vida minando cada dia a dia, ano a ano, até a mulher envelhecer antes do tempo, sem nenhuma realização mais profunda dentro dela e o vazio , a solidão a envolver de tal forma que muitas se tornavam melancólicas e tristes.A sexualidade plena(ou nem tanto) ficava para as prostitutas, as amantes.
    E hoje qual as mulheres estão tendo a oportunidade de terem seus desejos , sua sexualidade realizada plenamente ? Muitas não realizam porque não encontram alguém à altura das suas expectativas,ou não está enquadrada dentro das expectativas dos homens , da sociedade.E os homens como nunca, hoje, são os que mais aproveitam nesta sociedade tão efêmera e imediatista , onde o que é mais importante é a aparência, a conta bancária e não a pessoa , sua personalidade, seu caráter, etc, tantas outras coisas que fazem um ser humano. As pessoas acham hoje que se satisfazerem somente sexualmente, terem um carro na garagem, roupas,etc já estão com toda a felicidade,com toda a realização na vida, será que é bem assim?Será que as pessoas estão realmente amando umas as outras, ou estão amando somente suas posições, seu corpo jovem e bonito?
    Não acho que somente as mulheres estejam tristes, os homens também estão tristes porque nem todos os homens são bonitos, ricos , inteligentes.
    E hoje em dia com a dificuldade de se conseguir um emprego, ter uma vaga no mercado de trabalho, realizar todos os sonhos é para todos, tanto para homens como para mulheres.
    Tristes porque muitos por mais que queiram nunca conseguirão atingir as exigências da sociedade moderna,ter um corpo bonito perfeito, poder comprar carros importados, ter todos os homens e mulheres que quiserem, etc,etc…

  28. Solange disse:

    Olá,Recebi um e-mail me avisando do seu blog e como sou muito curiosa resolvi conhecê-lo.Estou achando muito interessante os assuntos aqui abordados ,ainda mais se tratando sobre mulheres , seus anseios,inquietudes, problemas e desejos.
    A respeito delas , das mulheres tristes, penso que tem muita mulher desinformada sobre um monte de coisas ,desinformação sobre elas mesmas e seus relacionamentos com os homens.E vou mais além, acho que não são só as mulheres as desinformadas, como toda uma cultura, uma época, uma mentalidade.Digo isso porque há muitas mulheres tristes não porque não sejam mulheres interessantes, atraentes,informadas e inteligentes mas porque há sim um tipo de homem muito sem educação, muito interesseiro,grosseiro ,egocêntrico,pensando somente no prazer dele exclusivamente.E muitas vezes, por azar e infelicidade, nos deparamos com um espécime destes pela frente.
    Estou vendo que você é homem e espero não ofendê-lo dizendo tudo isso.Mas é o que sinto e vejo.
    Enquanto vivermos numa cultura machista, onde tudo para o homem é permitido e para mulher só resta bajulá-lo, mimá-lo,fazê-lo sentir com o ego nas alturas, muitas mulheres continuarão muito tristes e coloca tristes nisso.Não quero dizer com isso que não deva haver respeito , deve haver sim, de ambas as partes. Não estou querendo colocar toda a culpa nos homens , porque nós mulheres temos muita culpa no cartório , já que somos nós que os parimos e educamos.
    E por isso acho que deveriamos rever os nosso valores , nossas condutas, nossa maneira de ver o mundo e as outras pessoas e a nós mesmas.
    Estou com uma dúvida.Será que vc é mesmo um homem?:-)

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