No primeiro artigo, falamos bastante sobre a finitude do prazer de se manter ao lado de uma pessoa, em uma relação a dois – heterossexual ou homossexual, sobre liberdade, livre arbítrio, amor romântico, amor verdadeiro, etc. Vários comentários profundos e extremamente conscientes foram feitos.

Para este post, resolvi levantar uma questão que, ao meu ver, é sequencial à anterior. Diante do término do prazer de continuar se relacionando com o(a) companheiro(a) e tomada a decisão pela separação, certamente, alguém será deixado, rejeitado. Gostaria de abordar esses dolorosos sentimentos – a rejeição e a perda – que, comumente, causam nas pessoas longos e fortes sofrimentos, jogam a auto-estima no abismo e provocam frustrações depressivas que as levam, muitas vezes, ao isolamento. Ali, ficam se perguntando, por muito tempo, onde erraram. São sentimentos que fazem parte do “pacote romântico”. São bradados em inúmeros versos e melancolicamente citados nas mais variadas formas de expressões românticas de massa:  música, teatro, cinema, telenovelas, livros, etc. Exaltam que esses sofrimentos são inevitáveis e indispensáveis para as nossas trajetórias nesse mundo.

Vale lembrar que, para um melhor entendimento da linha de raciocínio aqui utilizada, é importante a leitura do artigo anterior “Amor infinito?”, assim como dos enriquecedores comentários postados por várias leitoras, referentes ao mesmo.

Gostaria de salientar uma sutil – para mim, nem tanto – diferença entre os sentimentos de perda e o de rejeição, tão comuns aos términos dos relacionamentos e casamentos. Esses termos são aleatoriamente utilizados nas conversas pós-relações. Em minha opinião, são distintos e co-existentes em intensidades diferentes, diante da partida do parceiro, ou podem ocorrer, até mesmo, mais raramente, isoladamente. Acredito que o sentimento de rejeição, na realidade da nossa cultura afetiva, quase sempre, é bem mais forte e real do que o de perda. Vamos falar sobre ambos em dois parágrafos distintos, para melhor entendimento.

Considero o real sentimento de perda inerente às relações autênticas, onde existem o já explicado e discutido amor verdadeiro, liberdade, essências assumidas, mútuos e autoconhecimentos, respeito pelas individualidades, etc. Diante do real conhecimento do eu do parceiro que se vai, instala-se a real sensação de perda, pois quem fica tem total ciência das admiradas – ou não – características que com ele se vão. Com a sua partida, quem fica se vê privado do real prazer de ter ao lado alguém que o respeita e a quem admira. Acredito que até possa existir algum sentimento de rejeição, mas ele será em bem menor intensidade do que normalmente observamos, e deixará também bem menor seqüela emocional, quando comparado com o que ocorre nas relações românticas. Da parte de quem fica, essa consciência é impulsionada pelo respeito ao direito de escolha e pela não existência do sentimento de posse. Apesar da tristeza e saudade, seu “self” fica praticamente inabalado, pois se conhece o suficiente para que o vazio romântico não se instale. Como já comentado, não há espaço para mágoas, rancores, raivas ou vinganças, quando findas essas relações.

Abrindo um parêntesis para analisar a decisão pela “partida”, gostaria de esclarecer que, quando alguém resolve ir embora, duas razões podem existir para tal escolha: ou a pessoa, simplesmente, decide trocar a relação pela liberdade, não havendo outro relacionamento a ser alvejado, ou ela opta por outra pessoa possuidora de características que, naquele momento de sua vida, mais se adequam e se encaixam em suas ansiedades e necessidades. Não faz sentido algum comparações e perguntas como “o que ele(a) tem que eu não tenho?”. Quando o tolo romântico mergulha nesses questionamentos, sua auto-estima – que nunca foi sólida, é ainda mais saqueada, devido ao não encontro das respostas, pois elas não existem. É uma tolice querer avaliar quem seria melhor ou pior. Até mesmo, como simples exemplo, os traficantes de drogas e o seu staff , com seus poderes coercitivos e atitudes violentas, exercem atração e são desejados, tanto por mulheres da comunidade em que vivem quanto por muitas do asfalto, de classe média. Somente a busca do conhecimento do self dá a uma pessoa a segurança e auto-estima necessárias para compreender a dinâmica dessas escolhas, evitando, assim, que se sinta rejeitada.

Dessa forma, o sentimento de rejeição age profunda e negativamente no ego dos que não compreendem lucidamente o que, na verdade, rege as relações a dois. Os românticos amam estar apaixonados e vêem os parceiros com lentes que distorcem suas realidades, fora aquelas que já não são assumidas pelos mesmos. Eles nunca param para se dedicar ao autoconhecimento porque fogem das verdades e não querem ir de encontro às convenções comportamentais. Logo, diante da partida do outro, o que sobra? Um vazio que, durante a relação era “preenchido” pelas mútuas declarações de “eu te amo” e pela segurança da relação estável. Consolidada a decisão pela separação, começa a restabelecer o vazio anterior e, certamente, já existente, antes do início do romance. O sentimento de rejeição, por parte daquele que não concorda com o fim do relacionamento, dele toma conta. Então, várias reações podem ocorrer, variando entre homens e mulheres, sendo a grande maioria delas já conhecidas por todos nós. Podem variar de uma leve depressão psíquica até violências físicas e homicídios.

Visto o sentimento de rejeição, podemos dizer que, nas relações com bases românticas, o sentimento de perda também existe. Porém, como há uma grande e inconsciente confusão entre o amor pela inebriante sensação de se estar amando e o quanto amamos a persona em atuação no parceiro ou o personagem que nele queremos criamos, lanço uma questão: amarguramos a perda do Homem ou da Mulher, com todas as suas qualidades e características verdadeiramente conhecidas, em termos de essência, ou choramos a partida do grande amor necessário à nossa plenitude romântica, já imaginando o trabalho que teremos e a grande espera que ocorrerá, durante a busca de um novo romance? Nesse caso, por serem bastante óbvias, nem comentarei  as perdas financeiras e materiais que provocariam alterações nos estilos de vida de cada um.

Considero esse assunto bem interessante e não pretendo esgotá-lo nesse post, para que não se torne muito extenso. Aguardem a continuação em Rejeição e Perda II. Já temos bastante o que conversar. Abraços.

25 Comentários »

25 Responses to “2.Rejeição e Perda I”

  1. admin disse:

    Andréa,
    Muitas das vezes ocorrem equívocos quando afirmo ser avesso ao romantismo… então preciso, em seguida, explicar com calma o que quero dizer. O primeiro entendimento das pessoas é que sou um homem frio, que não me apego, não sei dar carinho, atenção, etc. Depois explico que associo o romantismo às mentiras e hipocrisias existentes em todas as relações da sociedade ocidental: entre casais heterossexuais, gays, lésbicas, pais e filhos, amigos, parentes, etc. Em todos esse casos, qualquer tipo de inverdade, frustração, omissão, tristeza e insatisfação pessoal, descompromisso com a real felicidade do outro, invasão de privacidade, sentimento de posse, desrespeito, etc… TUDO justifica-se e tem sua explicação através do culto aos valores morais. Claro que vivemos em sociedade e não podemos, de forma alguma, ignorar todos os valores morais. Porém, cada vez mais – tenho trabalhado muito isso, o filtro que tem norteado meu comportamento é baseado na ética e não na cultura social… e estou cada vez mais feliz com as descobertas que tenho feito, pois estou me aproximando do e mergulhando no meu EU. E esse é exatamente o X do assunto perda e rejeição. Quando você começa a se conhecer, é praticamente impossível você se sentir rejeitado, mesmo o sendo de fato.
    Infelizmente, a grande massa não consegue viver sem tudo isso. Qualquer pessoa que opte por ter um comportamento que não se enquadre nessas características, é rotulada como fria, julgada e discriminada. “Coitada, ela não é feliz, não pode ser feliz. Tão fria… nem sabe o que é sofrer e chorar”. Isso é muito triste, mas, fazer o que? Só me resta rir da vida, enquanto tento compartilhar meus pensamentos e experiências com aqueles que alcanço.
    Obrigado pelos seus comentários e por compartilhar um pouco de sua vida conosco. Foram ótimos. Uma coisa lhe será garantida nesse blog, Andréa: conversas e opiniões transparentes sobre qualquer assunto relativo à sexualidade masculina e feminina. Se desejar, aproveite a oportunidade que toda mulher gostaria de ter: uma conversa franca, sem máscaras, com um homem heterossexual, sobre qualquer assunto relativo a sexo e sentimentos masculinos.

  2. Andréa Silva disse:

    Olha, talvez não seja aqui que eu deva comentar mas vai lá! Eu sempre dividi ou paguei a conta com meus rolos, ficantes, namorados e etc. Os machistas não levo em conta, porque não vale a pena. Nem falo quantos porque não vem ao caso, mas dois em especial posso contar: -Um que foi um rolo que eu deixei de boca aberta e casei com outro, mesmo porque ele não ia se decidir nunca. E o outro que é o meu marido, que de machismo tem pouco, mas como é mais novo que eu fica fácil levar. Eu não conseguiria, como não consigo, explorar ninguém. Talvez porque eu não me deixe explorar. Existam ainda algumas questões práticas que têm me segurado um pouco (filho pequeno) mas não me arrependo. Acho mesmo que temos que ter responsabilidade e senso de realidade. O ex ficante, sei que se ligar para ele, ela vai dar um jeito, firme e forte, até porque ele casou também, mas sei que o homem não pensa como a gente gostaria de acreditar. Em certos momentos acho que não deveria ter me casado pois eu tinha o melhor dos dois mundos e agora tenho que me contentar com um. Fosse eu um homem e isso seria dito com todo orgulho em praça pública. Mas sabe que para mim foi uma grande vitória ter, por algum tempo, total escolha de quem ocuparia o lugar ao meu lado na cama. Me incomoda muito a mesmice. A mesmice só é boa para aquele que tem a ilusão de que é possível controlar os próprios sentimentos e desejos. É possível controlar sim, mas até o momento em que você acha que deve. Depois que você decide o problema é seu. De repente fui pega no tal do romantismo, no qual não acredito mais, e acabei casando. Quase pirei! Acredito no respeito entre duas pessoas que realmente gostam de estar juntas. Mas para mim o casamento é uma camisa de força.
    Sabe, tenho orgulho de mim por não ter medo de assumir o que realmente penso e sinto. Estou muito feliz de encontrar esse meio de me comunicar com cabeças tão abertas como vcs aqui. Já me considero do clã!
    Nunca perdemos ninguém. O que afasta as pessoas são as condições que impomos para que alguém possa desfrutar da nossa presença! Ora, como pode dar certo uma coisa dessas? Ninguém é de ninguém! É bom ficar com alguém que tenha conteúdo. Alguém ao qual não haja vazios quando nos afastamos. Alguém que ame estar consigo mesmo. e que goste de um tempo só seu, pois só assim é possível despertar algo bom no outro. A cobrança nunca funciona.
    Mulher ou homem chiclete é terrível.
    No meu blog tenho alguns vídeos de especialistas acerca de assuntos relativos a nossas preocupações. Se alguém quizer dar uma olhada, meu blog é (amelia2000design@blogspot.com) e descubram o porque deste nome tão sugestivo.
    Beijos!

  3. Taxilunar disse:

    veja o texto que está nesse link, vai ser muito elucidativo.

    http://miliano.blogspot.com/2009/09/voce-esta-vivendo-assim.html

  4. admin disse:

    Paulinha, eu tenho um ponto de vista um pouco diferente sobre a sensação de perda. Acho que ela é real sim, mesmo em uma relação madura e autêntica, pois quem é deixado, deixará de ter ao lado alguém que muito admira e de quem não gostaria de se separar. Já o sentimento de rejeição, como já dito, nesses casos, é bem menor e, existindo, é percebido de forma controlada.

  5. Paulinha disse:

    Bom tenho 28 anos, sou médica psiquiatra trabalho em serviço público e consultório, estou num relacionamento há 7 anos e casada há cinco dias. RS!!! Encontro-me em plena construção de um relacinamento libertário… e estou encantada com todo este prazeroso processo.

    Mas o que acredito, acima de tudo, é na responsabilidade do indivíduo sobre sua vida, se algo a retringe, a contém… isso também não é sua responsabilidade?! Realmente acredito que, ao tomarmos ciência de nós mesmos, de nossas ações e suas consequêncas, seremos felizes. Não gosto e realmente me irrito com esse papo de sexo frágil e vitimização da mulher. Se isso ocorre, é também porque pemitimos.

    Em relação ao tema discutido, sinceramente não acredito na perda em relacionamentos autênticos, estou com a Gleice nessa. Rejeição, considero uma palavra muito forte…

    Bom acho que é isso…
    PS: Adorando conhecer mulheres fortes e independentes que acima de tudo lutam por sua felicidade!

  6. admin disse:

    “… um amor que venha da aproximação de dois inteiros e não de duas metades, um amor de parceria… onde trocaríamos o amor de necessidade pelo amor de desejo… eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso…” Em minha opinião, você foi, simplesmente, perfeita, Bárbara. Lembrei, assim que li, da conhecida frase do Roberto Freire: “… No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.” Percebam a força dessa expressão.
    Assim como várias outras espécies animais – a grande maioria, o ser humano é um ser sociável. Porém, dogmas e tabus destruidores dos instintos e das consciências e seus consequentes e inventados preconceitos e julgamentos acabaram por fazer com que as pessoas, literalmente, adoeçam diante da confusão que fazem ao confrontar conceitos de liberdade e plenitude com o de solidão, amor com posse e dependência afetiva, livre arbítrio e amor próprio com egoísmo, consciência com ausência de emoção, etc. Logo, o que a nossa natureza sociável tem a ver com a nossa sociedade, da forma que está moldada? Como costuma dizer um grande pensador, o meu irmão, “estou, cada vez mais, sendo menos sócio dela – da sociedade… e, também, cada vez mais feliz com essa escolha”. No entanto, sem dúvida, esse distanciamento é um processo doloroso. Para alguns, mais, para outros, menos. Faço uma analogia da dor dessa caça ao tesouro, que é o nosso EU, e do consequente e inevitável reposicionamento de postura diante da sociedade e do sexo oposto, com a opção por sentir alguma dor, experimentada por muitos, durante o sexo: durante o ato, pensa-se em pedir que o outro alivie ou pare para que se volte ao trivial e às sensações normais; mas o prazer é tão real, diferente, intensificador e prolongador do gozo, que a ordem de cessar não consegue ser expressa, não sai. A sensação orgástica e mágica, mesmo que dolorosa, acaba impulsionando a pessoa para algum lugar próximo ao seu limite. Assim funciona o processo do autoconhecimento: diante do sofrimento de se deparar com e assumir ter opções e prazeres condenados pela cartilha social, alguns sucumbem e retornam… outros consideram um delicioso caminho sem volta. Comparo o enredo da busca do nosso cerne a um filme de aventura em que o objetivo do herói é encontrar um tesouro perdido. Para tal, passa por inúmeros perigos, privações, provações e sofrimentos, diante dos quais, várias vezes pensa em desistir de sua conquista.

    Quatro frases de quatro célebres pensadores:

    “A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável.”
    Jean Jacques Rousseau

    “O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem – ele não ouve senão a voz da própria consciência.”
    Napoleão Bonaparte

    “O homem é o único animal que ri e chora, porque é o único que se impressiona com a diferença que há entre o que é e o que deveria ser.”
    William Hazlitt

    “Nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos outros.”
    Denis Diderot

  7. Bárbara disse:

    Palavras…damos a elas o sentido que quisermos.

    Solidão, solitária…se quiser diferenciar condições sociais, de fato há duas diferentes.

    Uma é o ser solitário, que faz da solidão uma filosofia de vida porque aprecia estar só. Alguns poucos, o tempo todo. As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia.

    Outra, solidão, é a condição de alguém que está, por acaso, momentaneamente só, porque aprecia a companhia das pessoas.

    Acho que as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas, talvez um ganho obtido com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual. Estamos começando a perceber que somos companheiros de viagem, pq estamos percebendo que somos nós quem mudamos o mundo e temos que ir nos reciclando. Estamos entrando na era da individualidade e a nova forma de amor tem novo siginificado, ou seja, um amor que venha da aproximação de dois inteiros e não de duas metades, um amor de parceria (gosto dessa palavra) onde trocaríamos o amor de necessidade pelo amor de desejo; eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso. Logo, quanto mais a pessoa for competente para viver sozinha, mais preparada estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas (aquelas que gostaria de nomear amor puro como coloquei no meu primeiro comentário nesse blog) são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.

    Enfim, “Qual o preço da mais que possível – provável – solidão feminina decorrente dessa opção?” Penso que é algo que está na essência de cada uma (nosso jeito de ser e enxergar a vida) e o quanto estamos disponíveis para assumir este jeito de ser e não criar máscaras nos relacionamentos. Ou seja, temos de ser um pouco Leila Diniz. O que leio a respeito dela é que foi uma mulher que assumiu suas vontades e desejos. Ela não passava vontade! Ok, pagou um preço alto, já que o preconceito em relação às suas atitudes era muito maior do que hoje em dia, mas ela foi autêntica e original! Estava em consonância com aquilo que tinha para si como justo e verdadeiro, remetendo-se primeiro à sua verdade, e não à sociedade. Por que, então, não liberamos nosso lado ‘meio Leila Diniz’ e procuramos a autenticidade que julgamos coerente com a nossa essência?

  8. Mar... disse:

    O que sinto que acontece, é que todos nós que estamos compartilhando idéias precisamos dessas filosofias… elas servem de alicerce da nossa própria construção. É importante ressaltar, que o autoconhecimento, que é de fato o que nos faz refletir e criar nossas próprias filosofias, sejam elas baseadas em filosofias já estudadas ou simplesmente nascidas das nossas próprias experiências, são todas repletas de acontecimentos que nos levaram a tais conclusões. Não se pode entender verdadeiramente uma idéia se não fizermos uso dela. Por isso, o que sufoca e cria o sentimento de perda é sensação que, de alguma forma, quando fizemos a escolha havia ingenuidade, expectativa.
    Como conviver com a sensação de perda sem sentir toda a verdade de um sentimento que o tempo levou? Falo da ânsia de viver e de decidir ainda na juventude todo o resto da vida. Fazemos escolhas com mentes imaturas. Não podemos esquecer que nessa fase da vida, tudo é muito intenso e a sede pelas descobertas são imensas. A maioria das mulheres se casa acreditando em um amor único e eterno. Como não conviver com a perda se para casar, perde-se a individualidade? Esse é o modelo que está em proposta de mudança. A perda é inevitável… a dor é inevitável. A negação das mesmas é uma defesa temporária que criamos até que surja a aceitação.

    “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas, que já tem a forma de nosso corpo. E esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e,se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre , as margens de nos mesmos” Fernando pessoa.

  9. admin disse:

    Gisele, tenho quase certeza de que, por enquanto, você é a mascote do blog. Fico muito feliz ao ver uma mulher de 26 anos questionadora, inquieta, pensante. Sinto uma inveja saudável de você: queria eu que, com a sua idade, já estivesse preocupado com essas questões que, apesar de serem determinantes para uma real qualidade de vida, são completamente ignoradas pela sociedade. Mas, sendo clichê, antes tarde do que nunca. Parabéns! De coração.
    “Nós temos que nos amar, primeiramente, e depois pensar em oferecer esse amor para outros que realmente mereçam”. Quero deixar uma reflexão, baseada nessa frase da Gisele: As pessoas se preocupam demais com amar, amam amar, amam ser amados. Mas não sabem que postura tomar diante da vida, da sociedade, do sexo oposto, que escolhas fazerem para ser merecedoras de verdadeiras admirações, do amor sem mentiras e verdadeiramente desejadas pelas pessoas que com elas convivem: “querem comer caviar com as mãos, com catchup e mostarda, sentadas em um banco de plástico, na esquina, ao lado do vendedor de churrasquinho de gato e, depois, palitar os dentes”.
    Tornar-se um ser verdadeiramente desejado e amado, ser sedutor – o sonho de consumo de “toda” mulher – é para quem tem coragem e postura para se comportar autenticamente, para quem o faz por merecer. Trata-se de filosofia de vida e por ela se paga um alto preço. Mais à frente, entraremos em detalhes sobre essa questão, quando confrontaremos as posturas do ser romântico com as do ser sedutor.
    Ressaltando o comentário que fiz sobre o alto preço que se paga pela formação desse ser que construímos, com a intenção de sermos verdadeiramente amados, um dos tributos pagos por essa liberdade, sem dúvida, é uma maior dificuldade para se encontrar o parceiro que se encaixe nessa filosofia de vida. Ou seja, quem não desejar abrir mão do “estar sempre, romanticamente, amando e sendo amadö”, esteja certo de que sua melhor opção é não se sentir e não ser livre e abandonar as leituras deste blog agora mesmo. Somente a condição de querer ser águia torna alguém único, com identidade, com DNA comportamental. Somente a liberdade permite que você marque sua impressão digital nas mentes dos que o cercam e o torna um ser que reluz, não diante de apenas uma pessoa, mas de várias. Sem ela, você será “mais um”, uma galinha. (Menção ao livro de Leonardo Boff, “A águia e a galinha”). No entanto, uma mulher que voa para longe dos padrões comportamentais ditados e esperados pela sociedade é realmente vista e interpretada como uma águia? Infelizmente, NÃO (ainda não). Permitindo-me o trocadilho, é vista como uma galinha, safada; assusta e provoca insegurança nos que com ela se relacionam. Os comentários negativamente julgadores são inevitáveis. Esse é o preço. Quer pagar essa alta conta? São escolhas.
    “Qual o preço da mais que possível – provável – solidão feminina decorrente dessa opção?” Perguntou-me uma amiga. Repliquei questionando: “O que é solidão? Qual a diferença entre ser sozinha e se sentir solitária?” Ser solitária significa ser sozinha? Ser sozinha significa ser solitária? Trazendo para o assunto deste post, sobre os sentimentos de rejeição e de perda, sentir um ou outro se encaixaria melhor em que situação?

  10. Gisele Amaral disse:

    Concordo quando a Gleice nos diz que só perdemos algo que temos de verdade… pois um relacionamento hetero ou homossexual não se baseia em posse, em compra, leilão, nada disso, e sim na conquista, no prazer de estar junto com a pessoa amada, desejada.
    A perda é superada por mulheres lúcidas e inteligentes… pois logo a substitui por outro(a) que dê mais prazer do que o antigo parceiro(a)… Porém a rejeição é mais difícil de ser superada, pois existe a questão da baixa auto-estima, auto-desvalorização que, infelizmente, toma conta de muitas mulheres e homens do planeta. E nao deveria ser assim…pois somos capazes de conseguir novas conquistas, novos amores, novos desejos… e não esse sentimento auto-destrutivo que persegue muitos de nós que contribui para a infelicidade.
    Nós temos que nos amar primeiramente e depois pensar em oferecer esse amor para outros que realmente mereçam… que tipo de merecimento é esse? não falo de romantismo, de declarações explícitas de amor… buquê de flores e sim da VERDADE!
    Essa VERDADE é o que nos une. E, quando, muitas da vezes, inevitávelmente nos separa, nao deixa mágoas, dores, como nosso Administrador cita. Existindo isso… a perda e a rejeição serão logo superadas… pois somos muito valiosos meninas e meninos, pois não me refiro soomente às mulheres e sim a todos os hetero e homossexuais que passaram, passam ou passarão por isso.
    Pensem nisso!

  11. Gisele Amaral disse:

    Olá administrador e mulheres lúcidas desse país…Lilian, Gleice.Mar, Pauliha,Bárbara e Paula.

    Sou Tricolor…o que importa é ter saúde, nao é mesmo? rsrrs (mas de coração) 26anos, solteira, sem filhos, Enfermeira graduada… desempregada há 2meses…´
    Adoraria connhecer mulheres que têm o mesmo pensamento que o meu através desse blog maravilhoso do nosso amigo adminstrador que nos proporciona esse conhecimento tão agradável de nós mesmas…
    Ótima semana e até breve! beijos

  12. Guta disse:

    Querida Mar…,

    Realmente você não sabe a sensação única que senti quando me livrei das expectativas. Embora tenha sempre me vestido pra mim… não adiantava, eu sempre recorria a pensamentos do tipo: vai gostar, a calcinha é grande ou pequena demais, tem muito batom ou pouco, se o rimel tinha manchado a sobrancelha, entre outras coisas mais esdrúxulas e hoje em dia, fonte de gargalhadas sem fim.( Um dia eu conto o que deu a mistura do Chanel numero 5 com um sapato voltado pras pistas de dança … até hoje invoco o perdão do pobre coitado kkkk)

    Não que eu pense em não agradar um homem, pois os melhores e verdadeiros encontros isso também se enquadra. Não passo mais a tarde no cabelereiro(aprendi a me virar e gasto menos tempo e menos $$ rssssss), a roupa é escolhida mais rápido e o que mudou é o prazer de estar naquele momento integralmente em sintonia tanto com o parceiro quanto comigo mesma.

    Mas não mudei de idéia quanto a banir Chanel número 5, da minha vida rsss

    Beijocas e mais do que aprovo o futuro encontro com todas vocês

  13. Mar... disse:

    Um recadinho a todas as participantes do Clã…
    estou curtindo muito todos os comentarios, aprendendo com eles e espero ansiosa pelo encontro na tal mesa redonda…quadrada… na rua…na calçada…na praia…na praça…ou numa casinha de sapê…

  14. Mar... disse:

    Querida Guta, dei gargalhadas aqui lendo o seu
    texto e o do Nosso adm…
    Voce ja viveu ou ja presenciou a cena de uma mulher se preparando para um encontro onde se coloca todas as expectativas? tudo começa a ficar tenso…tem que marcar o salão, qual seria a roupa? que tipo de maquiagem? sair mais cedo do trabalho,comprar uma lingerie (será que estilo o cara curte)? pensar como agir gera stress ou tensao, e o cara ainda fala assim: ta nervosa?
    infelizmente essa é uma realidade vivida por muuuuitas. Ainda se vincula a felicidade do encontro, independente da intençao, com a exposiçao da mulher como ser mulher,que deveria ser sempre atraente, sedutora etc. o que é triste. Penso na essência, no real motivo do encontro, no interesse de cada um e dos dois em conjunto. Isso verdadeiramente tem preço de ouro.

  15. admin disse:

    Meninas, apesar de esse não ser exatamente o assunto em pauta deste artigo, vamos nos permitir desviar um pouco para comentar esse interessantíssimo tema que, certamente, escreverei sobre ele, mais à frente, em um post isolado: o romântico cavalheiro machista.
    Sou um homem radicalmente contra o machismo. Prego, escrevo e vivo o anti-machismo. Defendo a emancipação da e o verdadeiro respeito à sexualidade feminina. Porém, como já citei, o machismo é um excelente meio de vida para MUITAS mulheres. Ele, em nome da segurança, controle e domínio masculinos, estimula o ócio, a preguiça, a futilidade, a falta de amor próprio, a “Lei de Gerson”, entre várias fêmeas. Existe um conflito muito grande no meio feminino: por um lado, elas lamuriam o coronelismo masculino, que inibe suas verdadeiras expressões sexuais – pensadas, faladas e praticadas; por outro lado, quando percebem o que têm a perder, em termos de mordomias e subisídios às suas seguranças financeiras e aos seus frívolos caprichos, vêem-se estimuladas à abstenção de qualquer tipo de ação.
    Sabemos que o mercado de trabalho ainda é bem injusto com as mulheres. Por isso, algumas despesas são realmente difíceis de ser igualmente divididas. Mas observamos mulheres negando-se a qualquer tipo de partipação, batendo no peito, depois, diante das amigas, cheias de orgulho, dizendo que, mesmo tendo condições, não pegam na carteira para nada, para dividir nada, que é uma afronta dividir uma conta de jantar, um motel, uma viagem. É muito triste isso. Eu já penso que a conta de motel deveria ser baseada em média ponderada baseada em pesos orgásticos: aquele que mais orgasmos tiver, mais participa das despesas – azar das privilegiadas que conhecem os orgasmos múltiplos e gozam várias vezes em uma noite… sem contar que a moça vai pensar bem melhor antes de simular um gozo, pois sairá caro! O prazer é nosso!!! Sinceramente, em minha opinião, tal atitude não passa de uma hipócrita forma de prostuição velada, mas bem consciente. Muito bem colocada a analogia que a Guta fez com as assumidas putas e o pedido de mais respeito às mesmas. Para mim, a diferença consiste na mesma que diferencia um mendigo que pede dinheiro e um que pede um prato de comida. Ambos são mendigos e não querem trabalhar, mas terminamos por rotular o que pede um prato de comida como o mais honesto, pois questionamos as reais intenções do que pede ajuda em cash.
    Quanto às mudanças necessárias na postura masculina, não percebo os homens emparelhando-se às transformações femininas. Deles, as mulheres pensantes estão se distanciando cada vez mais, isolando-se e os rotulando de tolos e idiotas (não são palavras minhas… foram registradas em inúmeros depoimentos que presenciei e continuo presenciando).
    “Será que, nós mulheres, ainda precisamos de cavalheiros?” Brilhante pergunta, Guta. Respondo, sem medo de errar: NÃO. Não é um cavalheiro que abre portas e paga contas que atende aos verdadeiros anseios femininos. Esse homem apenas atende aos mimos românticos e necessidades de comer, morar, vestir e outras supérfluas. Ser MULHER nada tem a ver com isso. Ser mulher de verdade é decorrência do livre arbítrio e gradual libertação para viver suas próprias experiências e tirar suas próprias conclusões, em busca do autoconhecimento. Dentro da convivência com um romântico cavalheiro machista isso é possibilidade fora de cogitação.

  16. Guta disse:

    Cara Bárbara,

    Agradeço o seu comentário pois o mesmo fez brotar em mim uma série de questionamentos internos.

    A mulher, ao longo do século passado, foi se apoderando dos seus direitos, deveres, consciência, insconsciência, mas pouco se fala da e se permite a construção do novo homem.

    Acredito muito numa utopia realizável… chegaremos à era onde um homem e uma mulher saberão se amar melhor, entender e respeitar de uma maneira mais saudável os espaços e diferenças de cada um.

    Como você bem disse, os homens de fato tem buscado se adaptar a todas as evoluções do feminino ( aqui me permito diferenciar o feminino do feminismo… abomino os ismos, consideros limitados e até meio castradores).

    Você lançou exemplos muito comuns da vida cotidiana, das relações hetero, mas extraordinariamente complicados. Porque muitas de nós mulheres estamos presas a um modelo machista. Isso começa na nossa casa mesmo. E se me permite dizer, a partir de nossas mães.

    Ensinam que uma dama não deve abrir a carteira. Ensinam que uma dama não transa no primeiro encontro. As ditas mais liberais ( mas não libertárias) dizem que devemos ser uma dama na sociedade e uma puta na cama. Mas na hora da conta do jantar, do motel, do supermercado, das viagens voltamos a sermos damas… e que os homens corretos abrem a porta do carro, mandam flores, pagam a conta, lembram do aniversário de uma semana, um mês, um ano. São verdadeiros cavalheiros.

    Ainda, existem mulheres que dividem a conta se for um grande amigo, namorado, se for com o marido, se for assim e assado. Existe sempre uma situação de ganho, uma segurança e uma condição pra abrirmos a carteira.

    Lembro que conversando com um amigo meu, há pouco tempo estavámos trocando idéias sobre todas essas questões. Eu dizia que dividia motel, conta do restaurante pois o prazer era mútuo. Mas veja só como ainda nós mulheres temos uma longa estrada a percorrer.

    Se nos sentimos usadas, não abrimos nem a bolsa, não dividimos a conta do motel e ao fim não nos damos conta de que nessas horas estamos nos auto-agredindo, nos depreciamos muito mais. E que me perdoem as mulheres, mas gostaria de dar o devido respeito merecido às putas, cujos corpos são seus instrumentos de trabalho.

    Não compreendemos que o homem assumirá que a partir desse momento o seu valor é um almoço/ jantar para ir para o motel. E não admitimos que no processo também tivemos prazer.

    Pois caso contrário perderíamos a nossa definição tamanha do que é respeito, o que é ser dama ou puta.

    Ainda com outro amigo, comentei que quando saímos com um homem, às vezes passamos uma tarde no salão, fazemos as unhas,o cabelo, sobrancelhas e tudo mais e chego agora a conclusão que me atenho ainda em estipular um preço.

    Essa é uma das razões pelas quais penso que esse espaço é tão importante para reavaliarmos nossos conceitos. E nos conscientizar das nossas responsabilidades frente ao comportamento masculino. Pois nesses jogos acabamos mais por confundi-los. Será que precisamos ainda de cavalheiros? Se tanto queremos ser mulheres e abraçar o nosso feminino, por que não querermos homens que abraçam o seu masculino?

    Alguma vez já paramos para refletir como auto rotulamos o homem? Já escutaram ou conheceram um homem libertário? ( ou preferimos o rotular de pegador, galinha, atrasado emocional, aproveitadores em série que só pensam em si?)

    Penso que é fato a corrida e a viagem dos homens dentro de si mesmos, querendo crescer e se auto conhecer, com novos sonhos e objetivos, e assim como nós caindo aqui e ali em paradoxos. Mas ao fim desse texto, chego à conclusão de que precisamos abraçar essa nova condição masculina, com o mesmo carinho e condescendência que temos abraçado os nossos espíritos libertários.

  17. Bárbara disse:

    Vamos falar um pouco de homem x mulher?

    O conhecimento é libertador. Com o passar das épocas, a informação tornou-se cada vez mais acessível e provocou verdadeiras revoluções em todo o mundo. Foi o conhecimento que possibilitou a cura das mais variadas doenças, libertou povos inteiros da submissão e transformou homens e mulheres em novos seres humanos.

    Nesse cenário, tanto eles quanto elas tiveram que se adaptar à novas maneiras de ser no mundo. O público masculino, dominante na maior parte da história, teve que abrir mão da integralidade do controle e aprender a dividir a realeza em uma sociedade que, aos poucos, não admite mais a intolerância ou o sectarismo.

    Frente a essa realidade, os homens têm buscado a adaptação. Muitos ainda se vêem perdidos ao convidar uma mulher para sair ou decidir quem paga a conta vira uma tortura – ou o momento da mais profunda indecisao. Então qual é o perfil do homem inserido no contexto histórico da sociedade moderna? Como conduzir as mulheres, como deixá-las livres, serem quem são, autênticas, verdadeiras? E como eles próprios conseguem ser livres frente às realidades atuais? Acham que assim como a mulher do seculo XXI tem novos sonhos e objetivos o homem contemporâneo segue na mesma linha?

  18. admin disse:

    Gleice, realmente existe esse problema, que logo irei resolver. Ainda não descobri como alterar isso. Mas, por hora, como paliativo, tente colocar o e-mail entre parênteses, sem espaço entre o parênteses e o e-mail. Acho que vai dar certo.
    Guta, o e-mail da Gleice é (biogdr@yahoo.com.br).

  19. Gleice DIas disse:

    BOA NOITE Administador,
    Ao digitar o meu email tentando divulga-lo para GUTA e as outras amigas e mentes brilhantes e no desejo de me comunicar com as mesmas independente do blog,com o intuito de contruir amizades,além dos temas propostos,percebi que o blog tem um sistema onde o emaill digitado, foi apagado.
    Então,venho através deste, pedir-lhe que divulgue meu email para quem queira se comunicar comigo.
    Desde já agradeço,
    Att
    Gleice

  20. Gleice DIas disse:

    PERDAS!!!!!só se perde algo que se tem…como ninguém é de ninguém, perdas só existem para as pessoas pessimistas, q ainda têm medo de viver intensamente e trilhar o seu caminho, buscar, tentar de novo, achar soluções, medir causas e consequências, aqueles q não conseguem na arte do CON-VIVER, respeitar as diferenças, individualidades e necessidades existentes em cada um dos pares!!! sofrem uma possível perda, os q não possuem a capacidade de Amar(ou seja doar,sem nada pedir em troca). Aqueles q possuem um grande desejo de “Viver Intensamente” e deixar algo de bom em seu caminho como marco de sua existência, encaram a vida de forma diferente e sabem q as Diferenças deveriam ser motivo de acréscimos pessoais, de apredizagem constante!!!!Assim Como uma “colcha de retalhos” que se costura e se forma, utilizando-se os mais diversos materiais! Estes se unem de acordo com suas afinidades; e a beleza de sua costrução aparece na harmonia final!!! Para cada épisodio de nossas vidas existem vários ângulos de visão. Aqueles q já amadureceram, já aprenderam a se conhecer, sabem quais são suas qualidades e limitações. Para aqueles que não têm medo de VIVER, AMAR, SOFRER; a PERDA é encarada como a possibilidade de outros GANHOS!…desafiando novamente a restruturação dos valores e reconstrução dos mesmos, instigando a fotaleza que existe em nós, fazendo-nos continuar a jornada em busca da plenitude e da felicidade…

  21. Guta disse:

    Caro Administrador e queridas Gisele,Lilian, Gleice, Mar, Paulinha, Bárbara e Paula( coloquei essa ordem de acordo com os comentários do primeiro post)

    Sou carioca e flamenguista de coração e por escolha há 26 anos,solteira sem filhos, turismóloga e guia de turismo cultural e receptivo. E já estou aprendendo muito com todas vocês…cada uma de alguma forma, tem contribuido para o meu crescimento e entendimento de muitas idéias com as quais há muito me identifico.

    É com muito prazer que aceito a proposta de estreitarmos mais os laços por meio de apresentações nesse espaço e quem sabe num futuro próximo em volta de uma mesa redonda, quadrada, retangular!
    Será uma delícia conhecer mulheres que pensam da mesma forma. E quem sabe consigamos sair da antiquada e mais que batida dinâmica que sempre regeu a amizade entre mulheres… a maldita competição e inveja.
    E lanço um convite no caso da reunião ser no Rio de Janeiro, apresentarei esta cidade e o por que dela ser eternamente maravilhosa!

    Beijocas mil, tomem um chopp em comemoração ao 2016 e e um ótimo fim de semana!

  22. admin disse:

    Apresentem-se e, como a Gleice fez, caso tenham desejo, digam o que fazem, e coloquem suas vidas aqui até onde se permitirem. Mas, certamente, qualquer preferência pelo anonimato será plenamente respeitada. Mais de uma participante do blog (das poucas, até agora) demonstraram a curiosidade de conhecer as demais. E acreditem: está sendo tão gostosa, interessante e curiosa essa troca de idéias que estão demonstrando um desejo verdadeiro de se conhecerem pessoalmente. Para mim será um prazer organizar esse encontro e vamos amadurecer essa idéia. E tenho certeza de que, até lá, haverá outras pessoas compartilhando as nossas filosofias e participando do encontro também.
    Mas gostaria de fazer uma ressalva. Incito vocês a falarem de suas vidas, de seus casamentos, namoros, de suas experiências, como a Paula relatou o seu processo de separação. Os comentários que tenho lido têm sido sempre reforçando os nossos pensamentos libertadores. Mas… e as dificuldades??? Que tipo de relacionamentos temos tido, que óbices temos tido para viver isso? Como os homens agem? Por que eles bloqueiam a aparição da MULHER que vocês querem ser? Estou convocando vocês a não abrir mão de um outro viés do blog: as barreiras. Uma convocação para sairem um pouco da filosofia poética (sem, de forma alguma, desmerecê-la) e entrarmos diretamente nos problemas que enfrentam. Creio que essas trocas serão extremamente construtivas.

  23. Gleice Dias disse:

    Querida Guta,
    Li seus comentários no artigo anterior e fiquei muito feliz ao citar a minha pessoa!!!Até já sugeri ao administrador q crie um espaço de apresentação voluntária para todas nós neste blog.
    Seria um acréscimo enorme às nossas vidas conhecermos um pouco mais de cada uma, já que todos os assuntos abordados e q ainda estão por vir terão sempre, quer queiramos ou não, o HUMANO como eixo primordial…!!! Gostaria de manter outros contatos com todas vocês mulheres maravilhosas, criativas, experientes e maduras… sinto-me parte de um clã que está se formando, como se fôssemos membros da mesma família… e não me sinto mais tão só com meus pensamentos diferentes e irreverentes sobre a vida!!! Agradeço ao administrador por essa oportunidade de reunião de tantas mentes brilhantes… e me disponho a qualquer participante q queira comunicar-se comigo pelo email
    biogdr@yahoo.com.br. Sou GLEICE, mineira de BH, BIÓLOGA, PROFESSORA, 42 anos, divorciada, e tenho mto a aprender com todas vocês. Será um prazer conhecê-las… bjus carinhosos a todas!!!

  24. Guta disse:

    Salve, Salve Carissímo Administrador e Mulheres – Meninas Libertárias do meu Brasil !
    Que tema(s) rico(s) e inesgotável(eis) o nosso administrador nos presenteou não ?
    Desde o ínicio dos milênios da sociedade na qual vivemos, fomos amamentados e inclinados a adormecer no berço esplendido e nada plácido da Neurose Romântica, mesmo que inconscientes desse estado.
    Parece-me, num primeiro momento, que a chave para o principio das considerações filosóficas rumo à(s) resposta(s) à questão lançada brilhantemente pelo administrador do Ela Nua e Crua resida num insight que resultou de dezenas de linhas e pensamentos elocubrados ao longo de dois pares de horas ….
    A chave abre uma porta chamada Vazio, mencionado no presente post, que se vocês se permitirem usá-la, talvez possam concordar ou não com a minha linha de raciocínio…
    Parto, portanto do principio de que os significados e significantes da rejeição e da perda, assumam proporções de intensidade e medidas distintas para cada um de nós.
    Quando o fim de uma relação amorosa bate à porta dos românticos, estes são forçados a se depararem com seu(s) vazio(s). Ele poderá se apossar de tudo que preenche o organismo romântico. A seguir instala-se um mecanismo natural do romantismo que se baseia no objeto e não no verbo. É o amor, e não o amar, ou então é o verbo pelo substantivo… o amar o amor. Procuram então desesperadamente um novo objeto que preencha esse vazio. Mesmo que algumas almas cansadas, possam criar um hiato no tempo da concretização da existência desse novo e ainda mesmo assim, objeto.
    Aos românticos, vislumbrar o vazio é dar-se conta da perda, que neste universo associa-se, vincula-se a noção de posse. Pois dentro desta lógica só perde-se aquilo ou quem uma vez possuímos. Finalmente perde-se também o respeito, por si mesmo, pelo outro e por toda a jornada em comum.
    No meu entender o grande e colossal engano dos romanticos é não entenderem que o Vazio faz parte de quem nasce, cresce, vive e morre. Até que entendam que ele faz parte de cada um de nós, irão continuamente somar dois e dois e o resultado será inevitavel e sofrivelmente cinco.
    Por outro lado, os seres ( com alicerces ou self bem consolidados) que optaram pela vereda do exercício de amar, respeitarão, abraçarão seus vazios e cientes portanto de que a rejeição, as perdas, podem se encaradas de maneira proativa, os danos serão em pouco tempo revertidos em ganhos.
    Deste modo, as relações amorosas não românticas, ao findarem, mesmo que não de comum acordo, ao meu ver, primeiro chora-se a perda ( e não a perda da posse) daquele ser ( Homem ou da Mulher), único(a) – devido à sua essência – que compartilhou e fez parte de um período ou capitulo da nossa jornada. Segundo, ou comitantemente ao choro, há espaço para o respeito em relação às escolhas dele(a) que se opõem ao nosso desejo. Note como é interessante e rico este ponto: res-pei-to. Assim como um self bem consolidado, o respeito nunca se perde em meio ao choro que desagua na Dor, sentimento real e saudável. Cito, a título de ilustração, uma frase de Carlos Drummond de Andrade, muito especial nos meus processos e lutos de relações não românticas: “ A Dor é inevitável, o Sofrimento é opcional”.
    Por fim, peço a gentileza que me permitam concluir esse texto de forma poética, pois preciso e acredito na força da poesia, fruto das sensibilidades mais nobres.
    Nós, mulheres e homens, que optamos por enfrentar toda essa viagem, vivemos de acordo com as estações do ano, verão, outono, inverno e chegamos finalmente à primavera, estação primeira e eterna fonte dos possíveis renascimentos!
    Proponho, então, a todas nós, incluindo aqui nosso querido administrador, um brinde aos nossos passados e futuros renasceres!

  25. Paula disse:

    Amigo,
    Acredito que a perda através do abandono ou da rejeição mexe com algo essencial, que é nossa auto-estima. E nela, há uma mistura de dor e orgulho. Dor do medo de ficar sozinho e esta cabe aos que não se abrem às novas possibilidades e isso acontece aos que têm baixa auto-estima, principalmente. Dor da rejeição, de ter sido deixado. Muitas vezes, o que existia nem era amor de fato, mas “dependência” emocional do outro. A dor do orgulho acontece porque muitas vezes as pessoas não estão preparadas para “perder”, porque sempre há a busca da justificativa, como se não tivesse sido suficientemente bons para manter o “amado” ao lado. Isso não aconteceria se não houvese tantas expectativas em cima do romance criado.
    Mas certamente, depois de um tempo, o “rejeitado”, o deixado…acabe por perceber que, na verdade, todo seu sofrimento de dor, de perda, não foi realmente de amor…de amor pelo outro, mas de orgulho de ter sido deixado, o de egoísmo. E reconhecido isso, passará a SE enxergar, SE amar e a partir daí, talvez com menos romance e mais realidade, se permitir mergulhar em um novo relacionamento com quem haja liberdade e manutenção da individualidade, com verdadeiro compromisso de ambas as partes para que seja a melhor forma de amar enquanto durar.

Leave a Reply