No dia vinte e quatro de Dezembro de 2009, quando saí do meu apartamento para passar a noite de Natal com minha ex-esposa, de quem estou separado há cerca de seis meses, parte de nossas famílias e vários amigos, na mesma casa em que morávamos, eu não imaginava que essa noite fosse gerar um artigo.
Estive com essa maravilhosa mulher por cerca de oito anos. Dois namorando e seis casados. Com cerca de dois anos após o casamento, começamos a criar aberturas para falar sobre assuntos normalmente não abordados entre os casais, a respeito de liberdade e das sexualidades de cada um, dando início, gradualmente, a uma deliciosa fase em que fomos nos tornando, aos poucos, mais autênticos e amigos. Conversávamos muito e começamos a ser cada vez mais íntimos e cúmplices. Porém, mesmo antes dessa fase, já éramos um casal diferente, com muitos respeitos mútuos às individualidades de cada um. Dentro das restrições impostas por um casamento tradicional, o nosso não era nada sufocante.
Nessa nova fase, à medida que íamos conversando e nos permitindo experimentar novas experiências juntos, eu comecei a observar com maior atenção o meu casamento e os de todos os meus amigos. Entrei na fase da filosofia, do repensar modelos.
Há cerca de um ano, decidi escrever um livro sobre tudo o que eu estava sentindo, observando, aprendendo e concluindo sobre os relacionamentos, liberdade e a sexualidade em geral, com foco na feminina. Tudo que eu escrevia era oferecido para que minha então esposa lesse, a fim de que pudéssemos conversar sobre polêmicas questões. Nada era escondido dela. Foi e continua sendo nessa fase de pensador desses assuntos que eu mais me conheci, assim como à outra, e cresci. O salto foi monumental. Porém, eu percebia que as minhas reflexões sobre a liberdade, assim como meus questionamentos e críticas acerca das mentiras românticas que os casais são “obrigados” a viver estavam deixando-a apreensiva. Mesmo assim, tudo era compartilhado com ela.
Logo no início, eu enviava trechos do livro para que algumas amigas minhas os lessem, a fim de que eu tivesse um retorno sobre a legitimidade do que escrevia a respeito dos relacionamentos e da mulher. Duas dessas amigas foram a mãe e uma tia de minha esposa. Mulheres inteligentes e lúcidas, para minha alegria, ambas “aplaudiram” as idéias contidas nos escritos. Lembro-me de algumas vezes que elas me abraçaram, emocionadas, agradecendo por estar proporcionando tanta alegria, como marido, à filha e sobrinha. Sempre fui muito franco com as duas, não as tratando com o conhecido e formal respeito pelas senhoras. Tratava-as como mulheres e elas adoravam. Quando os quatro juntos, conversávamos e brincávamos sobre tudo, abertamente e sem pudores.
Nessa história, não posso deixar de citar o meu cunhado, seu irmão. Sempre que podíamos, conversávamos muito sobre sexo e relacionamentos, quando eu não deixava de expor minhas verdadeiras opiniões.
À medida que eu refletia e escrevia, o processo de extirpação das mentiras em meu casamento foi se acelerando e se tornando mais intenso. Cada vez mais eu desejava ser livre e somente viver relacionamentos baseados em verdades. Depois de alguns meses, resolvi pedir a separação. Sem dúvida, já havíamos avançado muito, em direção aos respeitos mútuos. Porém, existia uma barrreira que parecia intransponível: a antiga relação romântica.
Conversei muito com ela, deixando bem claro que ela não tinha culpa alguma pela minha escolha, assim como o porquê de eu estar fazendo aquilo: eu apenas queria ser livre e não havia nenhuma outra mulher envolvida na minha decisão. Sem dúvida alguma, as reflexões e conclusões que eu lançava no livro foram a principal causa de minha separação, afinal, buscar respostas, filosofar e concluir criticamente, se seguidos de coragem, mudam comportamentos e nos tornam outras pessoas.
Porém, nosso casamento era, sem dúvida alguma, invejado, sendo a sua postura como esposa sempre elogiada por, sem exagero, todos os meus amigos. Não era nada incomum eu ouvir algo parecido com “quem dera eu ter uma esposa como a sua”.
Apesar de que muito menos para ela, não foi nada fácil para mim vê-la sofrer com a minha escolha. No entanto, ela vinha acompanhando toda transformação que estava ocorrendo comigo e sabia exatamente o que e por quais razões aquilo estava ocorrendo. Para ela, a surpresa não foi tão grande, pois percebia o crescimento da minha inquietação. Nossa separação foi à base de conversas, não havendo qualquer tipo de discussão. Saí de casa e fui morar sozinho. Mantive, durante esses meses, contato com ela. Conversávamos normalmente. Porém, desde então, não fiz contato algum com sua mãe, tia e com o irmão.
Vamos, agora, à noite de Natal. Ela, algumas semanas antes, perguntou-me se eu passaria o Natal em sua companhia, com nossos familiares e amigos, pois iria, como nos anos anteriores, organizar a mesma festa em nossa casa. Prontamente, eu disse sim.
Cheguei bem mais cedo para ajudá-la em alguns detalhes. Eu estava um pouco apreensivo para saber como eu seria tratado pelos três já citados. Ficava o tempo todo lembrando dos agradecimentos da mãe e da tia por eu “estar fazendo a minha esposa tão feliz”. E naquela noite? O que eu ouviria?
Amigos e parentes foram chegando. Os três chegaram. A mãe, quando me viu, enquanto me dava um apertado e demorado abraço, falou ao meu ouvido, visivelmente emocionada: “Te amo muito”. A tia, logo depois, como se tivessem combinado, disse: “Você não faz ideia do quanto eu te amo e te admiro”. É impossível descrever o que senti naquele momento. O irmão, ainda de longe, repetiu, gritando, o costumeiro cumprimento: “Fala, corno! Tudo bem?”. Então, também me deu um abraço. A noite transcorreu como todas as outras. Havia muita alegria. Obviamente, sei que, da parte dela, algo estava faltando. No entanto, fui normalmente tratado, como se nada tivesse acontecido.
Dormi lá mesmo. No dia 25, acordei, preparei as quentinhas – muito bem-vindas a um homem que mora sozinho – com as sobras da comilança. Ela, ao lado, ajudando-me. Depois de um forte e, sem dúvida alguma, sincero abraço, em frente à casa, despedi-me e fui embora.
Não há como eu não ser levado a comparar a minha separação com aquelas que tenho observado, existindo em quase todas violências, ameaças, agressões psíquicas e, no mínimo, muito rancor e dor. O ódio e/ou a total indiferença são sentimentos muito comuns nas separações românticas.
Poderia citar vários casos, mas citarei apenas o mais recente de que tive conhecimento. Uma amiga, que chamarei de Andréa, há cerca de três anos, me disse que tinha muita vontade de se separar, mas não tinha coragem de declarar isso ao marido por ele dizer e “demonstrar” que a amava muito. Ele era muito ciumento e fazia tudo por ela. Por isso, ficava com pena e não queria fazê-lo sofrer. No mês de Novembro do corrente ano, não suportou mais e pediu a separação. Brigas homéricas e ameaças começaram a ocorrer, até que ele resolveu sair de casa. Poucos dias depois, durante a noite, vizinhos viram homens armados pulando o muro da casa em que estava morando sozinha. Para sua sorte, ela não estava dormindo em casa. Foi obrigada a largar o emprego e sair de sua cidade. Até agora não pôde retornar, pois não estão conseguindo localizar o ex-marido, que tanta declaração de amor lhe fez.
Qual a diferença entre a minha separação e a da Andréa? As verdades – ou, pelo menos, as suas buscas a dois.
A grande maioria das separações românticas é covarde e mentirosa. Um dos cônjuges percebe sua insatisfação e articula, aos poucos e em silêncio, a separação. Prepara-se psicológica, emocional e financeiramente para tal e, quando pronto, comunica ao parceiro, pegando-o de surpresa e não deixando bem claros os verdadeiros porquês da decisão. O resultado é o descontrole emocional, pois a outra “metade da laranja” está abruptamente sendo arrancada do cônjuge deixado.
No meu caso, durante muito tempo, passei à minha ex-esposa a idéia de que não existem duas metades de uma mesma laranja, assim como de que a instituição casamento não me satisfazia. Em nossas conversas, eu lhe dizia que éramos duas laranjas inteiras e independentes, porém, cada um com uma metade obscura e desconhecida por si mesmo e pelo outro, pois o casamento tradicional baseado no amor romântico não permite verdadeiros conhecimentos mútuos e nem os autoconhecimentos. De forma alguma eu poderia tirar o mérito de sua capacidade de compreensão, pois nos entendíamos sobre o que estávamos tratando. Assim sendo, agíamos como dois indivíduos independentes que estavam juntos porque assim realmente desejavam e não por obrigação contratual e romântica. Essa consciência baseada no respeito nos prepara para uma sempre e mais do que possível separação, não permitindo os normalmente observados violentos descontroles psicológicos. A separação baseada em verdades não joga o parceiro deixado em um pântano emocional, não havendo espaço para mágoa, rancor, ódio, etc. Apenas fica o carinho e amizade, apesar da tristeza causada exclusivamente pela saudade consciente.
O que seria a saudade consciente? Ela ocorre quando sabemos exatamente com quais verdadeiras características do outro deixamos de conviver, quando conhecemos de fato o parceiro que deixou o nosso convívio. Nos casamentos tradicionais e nas separações românticas não há espaço para esse tipo de conhecimento e cumplicidade. Estes são recheados de surpresas, normalmente ruins, durante e depois. Antes, tudo “promete” – assim queremos enxergar – ser a realização de um sonho.
Ína, poderíamos chamar esse “remeximento” de um tipo de “ansiedade saudável”. Esta seria uma inquietação, um forte incômodo que pode ocasionar mudanças em sua postura diante das relações ou eternas angústias, em maior ou menor grau… tudo dependerá de suas escolhas, do que você fará com essa ansiedade.
Fazia tempo que queria dar uma olhada por aqui e ainda não tinha vindo. Compartilho da sensação de “remeximento” por dentro e da dificuldade de romper com as coisas.. bem nesse momento, estou nessa fase de descobrimentos com meu namorado. Tá sendo dolorido, mas eu tb tenho a mesma sensção de não conseguir mais não falar a verdade.
Quer coisa mais chata do que quando alguém pede para você dizer que ama ou reclama que faz tempo que você não fala isso? Essa demonstração de insegurança é brochante, dá vontade de sair correndo. No início parece bonitinho mas depois é um saco. Mas eu também já fiz isso. rsrsrs
Interessantíssima essa colocação do administrador. Faz todo sentido. Quantos eu te amo mentirosos eu já ouvi e não conseguia perceber nada! E quantos eu também já falei só porque era dia dos namorados, aniversário, etc, e dia de falar “isso”. Era obrigada a dizer e claro que eles também não perceberam nada. Logo depois, terminei muitos desses namoros ou terminaram comigo.
Parabéns! Muito sensível e sensato.
Sobre essa questão conceitual, assim como dar nomes, rotular, etc, que foi comentada, realmente ela pode causar muita confusão quando ficamos apenas nos campos da leitura e teoria. Quando você passa pela experiência, as coisas ficam bem mais claras. Possuímos e acreditamos em conceitos muito antigos e é difícil reconstrui-los, repensá-los, se não tivermos coragem para ousar, na prática, experiências fora dos já conhecidos padrões românticos de relacionamentos. Sem dúvida, a maior e mais difícil delas é a da verdade.
Descobri que os sentimentos e sensações disponíveis na natureza e que somos capazes de conhecer com um eleito companheiro e parceiro sexual (ficante, namorado, marido, etc) são de uma gama imensa demais para reduzi-los a gostar, estar apaixonado e amar.
Atualmente, uma das formas que encontrei para viver melhor as relações e o que elas de bom têm a me oferecer é não sentir necessidade de rotular o que sinto pela mulher e a aconselhando, também, a não fazê-lo. Quando me é perguntado, minha resposta, invariavelmente, é algo assim: “sinta, perceba, olhe nos olhos, pois eu faço o mesmo”.
A expressão “amor verdadeiro” pode levar alguns a pensar que, nele, não há romance como no romântico. Há e podem acreditar que muito mais intenso, em termos de sensações. Porém, nada intenso, em termos de fantasias, expectativas e falsas garantias, como no caso do romântico. No amor verdadeiro ou relação verdadeira, você troca a certeza/garantia do futuro – que é uma falsa sensação existente na relação romântica – pela certeza de que ambos estão juntos por prazer, por escolhas.
Experimentem parar de dizer o que sentem pelo companheiro e também não queiram mais ouvir. Provavelmente, essa prática, após algum tempo, aguçará as suas capacidades de “sentir, perceber, ler o outro”. Conversem com ele. Perceberão que as palavras, ao “tentarem” expressar sentimentos, tornam preguiçosa e bloqueiam um bocado a nossa sensibilidade para perceber coisas sutis e muito importantes que o outro está realmente nos “dizendo”. Analogamente, seria algo similar ao cego que, em decorrência de sua deficiência, desenvolve uma incomum sensibilidade tátil, bem maior do que as pessoas normais.
Por que será que é tão importante expressar e ouvir o EU TE AMO, ao longo do relacionamento? Por que ele faz tanta falta? Não seria uma carência consciente exatamente porque a nossa alma não consegue perceber o amor verdadeiro no comportamento do outro… e vice-versa? Depois de uma séria briga, cheia de ofensas e falta de respeito, quando humilhamos e nossas palavras reduzem o nosso parceiro a um nada, basta um beijo, um abraço e um EU TE AMO para que o amor volte a “estar no ar”? Não precisamos de palavra alguma para expressar sentimentos entre casais, pais e filhos, nem entre amigos. Elas só nos enganam e impedem o desenvolvimento de nossa capacidade de sentir através da interação de energias, dos atos, gestos, olhares, toques, respirações, arrepios, etc.
Copiamos o EU TE AMO dos romances em geral e ele foi inserido e institucionalizado nos relacionamentos. Não se vai para o altar, não se aceita morar junto, etc, se várias vezes, antes, não o tivermos falado. Quando lemos um romance, o autor tem que expressar o sentimento que o personagem diz sentir. Quando assistimos às novelas e filmes, o ator ou atriz também precisam dizê-lo para que nos situemos no romance. E no dia-a-dia dos nossos relacionamentos? Para que precisamos dele? Só se for para dois personagens românticos contracenarem, tendo como palco a vida real. Ele não passa de uma forma de transmitir alguma segurança ao outro, enquanto dele ainda queremos extrair algo – que também pode ser apenas a segurança da companhia. Uma relação verdadeira não precisa dele.
Não estou dizendo que todo EU TE AMO seja mentiroso e que não devamos dizê-lo nunca, mas creio que podemos torná-lo desnecessário, guardando-o para um momento de explosão da alma, não visando ao atendimento da necessidade dos ouvidos do outro, a fim de saciar a sua insegurança. Apenas afirmo que o copiamos dos romances como macacos adestrados e, com isso, ele foi e é completamente banalizado.
Acredito que, à medida que formos desenvolvendo essa capacidade de sentir e de perceber as trocas de energias, iremos nos preocupar, cada vez menos, com querer definir com palavras o que estamos sentindo e o que é o amor. Trata-se de uma deliciosa forma de comunicação sem ruídos, muito mais eficaz e clara do que palavras.
Ok, Façam o que quiserem, joguem a quantidade de toalhas que quiserem. Risos.
Vou aproveitar e juntar as toalhas e enxugar-me com elas depois do banho.Espero que as toalhas sejam tamanho G daquelas brancas e felpudas.Essas são ótimas.No inverno é horrível se enxugar com as pequenas.
Solange,
Infelizmente, mais uma vez, e inclusive já se tornou um hábito seu, você passou “batida” pela pergunta que te fiz no meu último comentário.
Seu silêncio me faz concluir que você nunca viveu uma relação romântica dentro de verdades, como vomita aqui, e que suas teorias são baseadas em sonhos, devaneios e fantasias.
Arrisco dizer que você jamais viverá uma relação autêntica, uma vez que não consegue ser verdadeira, nem mesmo no anonimato desse espaço, imagine em uma relação a dois.
Lamentável. Não achei que minha tentativa de parceria com você fosse ser tão frustrada. Uma pena que não esteja aberta a “ouvir”.
Se é isso que você quer, então viva e se afunde na mentira.
Eu também jogo a toalha.
Cara Solange,
Ao invés de nos presentear com pelo menos um relato romântico verdadeiramente feliz que você tenha vivido, você admite que a mentiras e os sofrimentos delas decorrentes fazem parte da vida.
Você vem acompanhando o blog há várias semanas. Mesmo não tendo entendido a nossa proposta – e realmente não compreendeu nada, sei que, pelo menos, leu os artigos e comentários.
Entenda a minha franqueza mas, a essa altura do blog, você declarar que as mentiras fazem parte dos relacionamentos a dois, da mesma forma que mentimos para o vizinho ou padeiro, dispensa qualquer comentário a mais, de minha parte.
Realmente, fiquei triste, ao ler esse comentário. “Joguei a toalha”.
A mentira faz parte das relações humanas e da natureza humana.Não se restringe somente entre um casal, se numa relação convencional ou não.É como enxergo.Tem pessoas que ficam mentindo toda hora para si mesmos e para os outros.É com o amigo,com o vizinho, com o padeiro, com o colega de trabalho, o patrão,com o empregado,etc…A mentira faz parte do cotidiano das pessoas.
Posso mentir sim, dizendo não te amo, e a verdade ser outra.Posso mentir que não te quero, e querer, da mesma forma que posso dizer te amo, e não amar.Mentiras e mentiras. Admin, a sensação agradável de compartilhar momentos com alguém é indiscritível, inefável, intensa a ponto até de lermos os pensamentos do outro. E muitas vezes há rompimentos por vários fatores, não porque não há amor ou prazer ou companheirismos em estarem juntos.
Desculpe se o que eu disse não lhe agradou, mas acho esse assunto muito complexo e passível de erros ainda mais eu que sou leiga no assunto.
Concordo plenamente com você Solange: um sentimento muito forte que, na falta de outra palavra ainda não criada, queiramos chamar de amor, pode ser mesmo momentâneo, em um encontro das “essências”… então, pode dar mesmo vontade de dizer “eu te amo”, se a necessidade de se expressar for realmente grande. No entanto, o outro precisa entender isso, precisam falar a mesma língua, senão ele vai entender como uma promessa, garantia de estabilidade.
Eu não disse ser vergonhoso dizer EU TE AMO.
Outra coisa. Quando falo de mentira, refiro-me a toda espécie dela, indo muito mais além do que uma mentira falada. Não se conhecer, não se permitir, não encarar desafios, ficar presa a padrões de comportamentos, ter medo de se expor, etc, são formas de mentir para si mesma, para a sua essência, para o outro, para a vida e mãe-natureza que nos criou, traindo algo que nos é de direito: a liberdade.
Reforço a sugestão da Thaís: compartilhe conosco uma experiência romântica bem sucedida sua, em que a amizade e o carinho permanecem até hoje, em que não houve mentiras e ninguém saiu magoado. Conte-nos uma em que só tenha ficado a saudade verdadeira do outro e nenhum outro sentimento ruim.
Solange, acho extremamente saudável e enriquecedor para o blog você defender o romantismo com tanta veemência, pois estimula o debate. Porém, tenha argumentos. Pelo que nos disse em um de seus comentários, teve poucas experiências em termos de relacionamentos. Você, em inúmeros comentários e, durante várias semanas, não nos deu nenhum exemplo, não compartilhou nada, não se embasou em nada diferente do “eu acho”.
Perfeito Solange. Levando em consideração o que você escreveu, acho fundamental te dizer que os artigos e comentários escritos aqui, são baseados em experiências de vida romântica e de vida autêntica e são concluídos pela experiência de uma maioria, não de uma exceção.
Se você faz parte dessa exceção, quero lhe fazer uma pergunta.
Você vive ou viveu um “amor romântico” dentro da sua concepção?
Se a resposta for sim, por favor, nos delicie com suas experiências. Conte-nos como acontece ou aconteceu. Eu adoraria conhecer o outro lado da moeda, e saber se ela realmente existe. Por que, sinceramente Solange, nos meus 34 anos de vida, eu nunca tive uma relação convencional onde não houvesse mentira.
Se há pessoas que mentem , enganam com palavras românticas , deve ter também palavras que expressam um sentimento verdadeiro por parte das pessoas.Não vejo nenhuma vergonha em dizer para alguém, Eu te amo.Pode ser para um amante, amigo, um parente ou para qualquer coisa que suscite meu amor, pode durar por um segundo, um minuto, uma hora, um dia, um mês, um ano ou a vida. Uma pessoa pode sentir amor por uma árvore, um passarinho, uma paisagem maravilhosa que contempla, um livro , uma poesia, uma música, uma voz, uma pintura,etc. Eu amo, amo o que me suscita amor.
Taís, Não concordo contigo.Uma relação baseada no romantismo não tem nada a ver com mentiras ou de que essa relação não venha a ter fim.A pessoa que entra numa relação que esteja o romantismo presente, no confessar te amo, não consigo viver sem você, você é o ar que eu respiro, e assim vai…independente se é novela ou não, não importa.É como a pessoa sabe expressar o que está sentindo no momento de uma paixão, de um gostar intenso por uma pessoa.Não vejo mentira nenhuma nisso.É o que ela sente no momento.E se um dia esse sentimento intenso de amor por alguém diminua, ou venha acabar também vai ser algo natural.Sem traumas.Agora mentira tem em qualquer forma de união,a união baseada na falsidade, no interesse, na maldade ,etc,não importa se é uma relação baseada nos moldes como querem me convencer , não consigo enxergar desta forma ,que foi difundido pelos meios de comunicação.Não vejo assim.Não que eu não reconheça que há pessoas que imitam em suas vidas o ideal romântico mostrado nas novelas da tv.O triste nesta história é que se na novela mostrar grosserias, brutalidades, falsidades,mentiras,que o mal sempre no final essas mesmas pessoas, que levam para suas vidas a forma de amar de forma ideal seja ele qual for, farão o mesmo com esse modelo deturpado e doentio mostrado na tv.Se formos olhar por esse ângulo,claro.
E se a forma ideal e romântica difundida pelos meios de comunicação for de que o mal vence no final?Então se formos raciocinar sob essa ótica, todas as argumentações aqui expostas são infundadas.
Solange, tenho formação em educação e quando, lá no início da faculdade, era-me solicitada a leitura de livros, eu sempre esbarrava numa tal de “educação bancária”. Essa expressão não pode ser encontrada no dicionário e o desconhecimento da sua acepção comprometia meu entendimento em relação às leituras que eu fazia. Como eu não sabia o significado, inventei um. Para mim, “educação bancária” passou a ser “uma educação relacionada à economia”. Mesmo assim, as coisas continuavam sem sentido. Felizmente, Paulo Freire resolveu fazer uma nota de rodapé em um de seus livros e a partir de então, tudo que eu lia, sobre o assunto, começou a ajustar-se. Essa compreensão me deu abertura para entender o autor e tirar minhas próprias conclusões sobre o assunto, ou seja, aceitar o que ele dizia, ou não. Mas pra isso eu precisei entender o significado da expressão.
Fiz esse comentário anterior porque às vezes tenho a sensação que você e o administrador estão em um conflito de nomenclaturas, então resolvi ser a nota de rodapé desse último artigo.
Se eu estiver enganada, por favor, responda ao meu comentário.
Por vezes, tenho a sensação que você interpreta de uma maneira muito rasa a expressão “amor romântico” e “amor verdadeiro” usada, não apenas pelo administrador, mas também por outros estudiosos sobre o assunto. Parece-me que você criou um conceito para amor romântico, onde a verdade e a lealdade, nesta forma de amor, existem e ponto final. Eu fiz o mesmo quando dei uma significação para “educação bancária” e possivelmente, por isso, fica tão difícil pra você, como foi pra mim, entender o contexto de tudo isso que você lê.
Para facilitar sua interpretação, faz-se necessário que você leia tudo, levando em conta o que é amor romântico e verdadeiro na visão de quem escreve aqui. Tente “olhar de fora”. Acho que assim você entenderá melhor o que é dito, poderá estabelecer “conexões” entre o que você lê e o que você acredita e terá maior subsídio para defender seu ponto de vista romântico, tornando esse lugar rico em trocas.
Entenda, de forma alguma quero que você abra mão de sua filosofia, apenas quero que você se abra para o entendimento da filosofia desse blog.
Nota de rodapé:
Amor romântico: difundido para a sociedade através do consumo de novelas (principalmente), filmes, livros, etc. Segundo o administrador (ele poderia ter dado qualquer outro nome), é algo que chamam de amor, porém é baseado em modelos engessados de comportamento e relação a dois que obriga as pessoas a não desejar se conhecer de verdade e a mentir para serem aceitas pelo outro e pela sociedade. Não há respeito pelas vontades do outro. As pessoas, em sua quase totalidade, sofrem por ele, por diversas razões, no antes, ou no durante ou no depois… ou em todas as etapas, pois ele contraria a nossa essência desejosa de liberdade;
Amor verdadeiro: raríssimo de se encontrar e difícil de se viver, a não ser que nos libertemos das mentiras. É o oposto do anterior.
Portanto, Solange, levando em consideração suas dúvidas sobre o último artigo, gostaria de dizer que quando foi falado em separação verdadeira, em nenhum momento foi mencionado um término sem dor. O que acontece nesse caso é uma separação consciente, onde ambos estão preparados para o fim, uma vez que as verdades são ditas e ninguém é atropelado por uma surpresa de separação, restando o respeito e a amizade. Ao contrário desse, no amor romântico, a frase “eu te amo” de ontem, pode ser substituída radicalmente pelo “quero a separação”, de hoje. Nesse caso não existe preparação, já que a mentira imperou durante todo o tempo que estiveram juntos, não havendo espaço pra amizade, apenas para raiva e rancor.
Concluindo, o amor romântico é o amor baseado em mentiras, onde a separação pode te pegar de surpresa ao meio-dia de uma terça-feira chuvosa, sem que você tenha se preparado ou sido preparada pra isso. Numa relação autêntica, essa surpresa, possivelmente, não acontecerá.
Fui irônica. Claro que não quero permanecer na ignorância que a sociedade quer que fiquemos. Mas que de vez em quando dá uma saudadezinha dela, isso dá! Rsrsrs
Raquel, posso lhe dizer que eu, sou uma sortuda por conhecer o blog. Sou sortuda por estar percebendo em mim mudancas internas, onde me permitem fazer escolhas. Acredita que estar rodeada de pessoas e me sentir so tambem fazem parte do meu dia a dia? Mas de tudo nao me sinto totalmente so,as vezes me delicio com essa “solidao”. ja me peguei varias vezes “fugindo” em meio a tudo e a todos a procura de respostas. Creio que estamos no caminho…..fazer sexo e continuar sozinha é pessimo. Isso tambem ja aconteceu comigo. Gostei do que vc escreveu, a ignorancia nos cega, mas nos deixa em um lugar comodo, romper com tudo para mim esta sendo bastante dificil mesmo querendo.
Não sei se me considero sortuda ou azarada por ter conhecido esse blog. Tem hora que me sinto muito feliz por ter percebido que o que sinto e minhas vontades são normais e fazem todo o sentido, em outras quase caio em depressão por me sentir enjaulada e sem força para mudar a minha vida também por não ter ninguém em quem me sustentar. Vivo rodeada de pessoas e sozinha, tenho alguém sempre ao meu lado, faço sexo e continuo sozinha. Que bosta!!! Tem hora que a ignorância é tão bem vinda. Apenas um desabafo anônimo.
Laura, a sociedade, tendenciosamente e por ignorância real, associa liberdade ao desamor, ao sexo promíscuo, à insensibilidade, etc. Muito pelo contrário, defendendo e compartilhando a filosofia da liberdade e respeito aos desejos alheios, tenho me tornado muito mais sensível, humano, carinhoso e seletivo do que quando eu não pensava e vivia como hoje. Pelo que me lembro, creio que minha ex-esposa, durante oito anos, nunca viu lágrimas descendo dos meu olhos. Atualmente, isso ocorre com bastante frequência. No entanto, tem sido lágrimas de felicidade pelas minhas descobertas, pelo meu crescimento, por me perceber mais sensível, assim também quando observo alguém a quem ajudei se descobrindo e crescendo. Não são lágrimas de angústia, medo, impotência, incerteza, tristeza, frustração, etc. São lágrimas de libertação, curiosas, intensas, ávidas de conhecimento de verdades que ninguém nos ensina sobre a vida, as quais tenho descoberto através das novas experiências que estou me permitindo viver.
Parabéns pelas suas lágrimas.
Lendo hoje este texto do nosso adm. brotou em mim um sentimento tao complexo. Primeiro eu fiquei curiosa,achando muito interessante a naturalidade dos fatos, depois me desabei em lagrimas. Eu nao consigo definir o que to sentindo, está tudo revirado dentro de mim….eu acho que to “vomitando” aqueles conceitos sobre relacionamentos que nos foram ensinados e dando espaco para minhas vontades brotarem dentro de mim como puro instino.
Regina, a sua dúvida está bem dentro do contexto. A principal resposta: ser livre não significa dizer não ao casamento. Acordos são firmados e cada casal deve encontrar equilíbrios que, certamente, variarão entre este ou aquele par.
O meu caso é relativamente bem similar ao do casamento da Paulinha. Iniciamos relações românticas para depois transformá-las em verdadeiras. É muito difícil, pois criam-se vícios no relacionamento. Essa guinada, no meio da relação, em direção ao respeito verdadeiro, é algo doloroso, pois exige várias desconstruções. Analogamente, quem já reformou uma casa, sabe que é bem mais fácil construir do que reformar.
Mesmo eu tendo buscado a autenticidade plena, digamos, a partir da metade do nosso casamento, diante de algumas reações dela, eu me esquivava de falar algumas verdades muito importantes para mim, com a simples intenção de não magoá-la ou de não ser aceito. Só comecei a falar sobre todas bem no final… mas já era tarde, pois EU havia me cansado de não ter sido verdadeiro, por tanto tempo. Em minha opinião, não existem culpados.
Minha separação teve muito mais a ver com o meu desejo de viver livre do que com a insatisfação com a convivência com ela. Casado, eu me encontrava “satisfeito mais ou menos” e sempre soube que isso era pouco para mim. Apenas demorei a assumir. Então, diante do mundo que me estava surgindo, decorrente de minhas reflexões e escritos, eu quis me separar.
Resumindo, privilegiei o indivíduo à instituição casamento. E este indivíduo livre, até agora, ainda não tem do que reclamar.
Uma pessoa maravilhosa é uma pessoa maravilhosa, com ou sem você. Logo, “ser maravilhoso” e ter esse alguém ao seu lado não é determinante para termos amor, curiosidade, desejo e tesão exclusivos e eternos. Muitas outras variáveis participam dessa decisão entre ir ou ficar. Porém, sem dúvida alguma, para que os sentimentos sejam conscientes e reais, a coluna de sustentação de todos eles precisa ser a verdade.
Li várias vezes esse artigo, para conseguir me expressar, não que não tenha entendido, a diferença entre Separação Romantica ou Verdadeira. Mas o pq de no seu caso especificamente, em que vivia um casamento equilibrado, com uma mulher que entendia seus pensamentos e opiniões e pelo que entendi se respeitavam e gostavam.Porque não poderia ser livre dentro do casamento? Ser livre quer dizer não ao casamento ? Não dá pra ser livre morando com uma outra pessoa? É claro que a maioria das pessoas nem sabe o que é uma separação verdadeira, e sim aquela com brigas, mágoas pela qual eu passei, assim como a maioria dos casamentos. Como sempre te digo, procuro estar sempre aprendendo e entendendo o que vc passa e o que as meninas comentam, que é sempre interessante. A dúvida ficou no pq da separação, não a sua , mais da cumplicidade que vcs tinham, e que já é uma coisa mto difícil entre os casais . espero seu comentário. aliás nem sei se td que falei foi dentro do contexto rsrsrsr… mas estou procurando chegar lá.
Sem problema, Solange. Você tem todo o direito de discordar. Percebo que você ainda não conseguiu discernir a relação romântica da verdadeira ou sequer imaginar o que seria esta última.
Está registrada a sua não concordância.
Admin, Vou ter que discordar de você sobre a sua visão de separação verdadeira ou separação romântica.Separações, rupturas, mentiras, reações não têm nada a ver se uma relação é verdadeira ou romântica.Não acho que essas designações sejam corretas para a vida das pessoas com seus amores, desilusões, decepções e outras consequências das relações humanas.Sorte daqueles que se aproximam e são parecidos, que combinam na maneira de ver o mundo, o amor e do rompimento de um vínculo amoroso sem nenhum transtorno maior.
Desde do momento que me proponho a me relacionar com uma pessoa, estou dando um espaço para a confiança mútua,de que essa pessoa que aceitou estar comigo é porque gosta de mim,sente atração por mim, sente afinidade ,amor,afeto, amizade, cumplicidade e não vá omitir, não vá mentir, trair o vínculo que se criou entre nós dois em anos para depois em alguns dias ou meses se romper por algum motivo leviano e superficial.
As reações, diante destas rupturas, vai depender muito da intensidade que a pessoa sente essa ligação, independente se ela é baseada nos moldes tradicionais ou não como você gosta sempre de ressaltar. Posso ser uma pessoa totalmente romântica, sentir um amor intenso por alguém e mesmo sendo uma pessoa extremamente independente, inteira,de não precisar desta pessoa para viver no sentido material , mesmo assim sentir um amor profundo por esta pessoa a ponto sim da separação ser difícil ou da pessoa que foi trocada por outra, ou porque o outro não sente mais nada como antes, não assimilar a ruptura.E outras pessoas que se ligaram nos moldes mais tradicionais e por ser uma relação muitas vezes de dependência como você ressaltou , do romantismo, do idealismo,etc e ser completamente fria, impassível na separação,até dar graças a Deus que o outro vá embora e para bem longe.Neste caso, os dois já estão separados a muito tempo.Não há brigas, não há discussões, simplesmente o amor acabou tanto dum como do outro.A respeito sobre mentiras, omissões, lacunas que ficam entre duas pessoas, isso faz parte da natureza humana.Há pessoas que vivem toda uma vida cheias de amor, ternura, prazer e amizade por amor, romantismo, até simbiose, algo que talvez não possamos definir o que é, caso não nunca tenhamos nos aprofundando numa relação.Mas a pior mentira seja , na minha opinião, quando mentimos para nós mesmos em qualquer questão da vida, quando nutrimos ilusões sobre o que é realmente a vida, o amor, um vínculo entre duas pessoas.
Solange, parece complicado, mas não é tanto assim, por tudo que já temos conversado aqui no blog.
A separação verdadeira seria baseada em transparências advindas da anterior relação verdadeira, sem mentiras. Existe a real consciência, entre ambos, de que a relação até pode durar para sempre, porém, também de que nenhuma surge para ser eterna. Existe o respeito às individualidades. Apesar do EU sempre existir, nas relações verdadeiras, a felicidade, os desejos e vontades do OUTRO são respeitados e, de forma alguma, ignorados.
A separação romântica é a que já conhecemos. Eu me anulo, você se anula, e vamos “empurrando com a barriga” até chegarmos, literalmente, ao limite, quando estar junto se torna INSUPORTÁVEL. Essa ausência de respeito agride tanto o nosso EU, o indivíduo, que os sentimentos em relação ao outro passam pela insensibilidade e indiferença, podendo, em muitos casos, transformar-se em rancor ou ódio.
Em momento algum eu disse que na separação verdadeira não há tristeza. Existe a sensação de perda real, desalento, choros, etc. Mas, como você citou: surtar, depressão, rancor, ódio? Não há espaço para isso. Como já mencionei, sente-se saudade consciente e existem momentos de tristeza. No entanto, na lama eu lhe garanto que ninguém fica, após o rompimento de uma relação verdadeira.
Dentre algumas coisas que distinguem a separação verdadeira da romântica, uma das principais é o fator surpresa, decorrente das omissões e mentiras. É ele que provoca tragédias e joga os românticos na lama.
Admin, li sobre as suas histórias das separações,mas uma coisa não entendi direito, peço desculpas pela minha ignorância no assunto, é sobre o título deste post , separação verdadeira e separação romântica.Ficou um pouco nebuloso para mim.Mas , pensando bem, nem perca tempo respondendo a minha indagação.Ainda estou refletindo sobre o seu texto.
Separação verdadeira e separação romântica, vamos ver que conclusões estou tirando , humm , bem, você quer dizer que uma separação romântica é o resultado de um relacionamento calcado em mentiras ,com conflitos ou expressões de revolta??E que a separação verdadeira é uma separação onde um entende e respeita a decisão do outro?Parece que estou entendendo um pouco,será?Onde numa relação , os dois, como vc bem expressou, são duas laranjas inteiras e não a metade da laranja onde completa a outra metade, humm , sim, é compreensivel essa sua compreensão.Acho também que as pessoas são inteiras, com sentimentos, personalidade, temperamento , um conjunto de características próprias e não metades ligadas a outra metade, como irmãos siameses.Mas será que isso tem a ver se é uma separação romântica ou não?Ou resultado, o que ao meu ver é o normal nas diversas formas, temperamentos e reações de cada indivíduo?Porque tem pessoas que são mais passionais, outras , mesmo sofrendo, são mais “frias” ou sabem disfarçar seus reais sentimentos.Ou é o resultado da constatação de que não adianta nem ter alguma reação diante da respectiva separação, mas não porque seja uma separação verdadeira ou romântica.Na minha visão , as duas são verdadeiras, somente que os contextos são outros.Estou aqui confabulando ,ainda.Ou será que vc quis dizer, que as duas são românticas, sobre as duas histórias.De um lado , a mulher impassível, fleumática sem expôr seus reais sentimentos e rancores, do outro lado, o outro extremo, a paixão cega, a passionalidade?
Será que numa relação onde não há mentiras, onde impera a liberdade da individualidade de cada um, etc, há mais tranquilidade na separação ou que ela é definitiva? Seria nesse sentido?
Pensando bem , se a relação começou dum jeito e um dos parceiros , de repente, muda no meio da vida em comum e o outro não, é lógico que a parte que ainda acredita no acordo inicial na questão da fidelidade, da honestidade e respeito mútuo vai sofrer mais ou não assimilar direito o que lhe aconteceu, com direito à raiva e ódio, também acho que é compreensivel.Muitas vezes, nem é questão de possessividade, é resultado de ter sido traído nos sentimentos, no acordo inicial, do qual vc diz ser a relação romântica, do que eu discordo totalmente.E se uma relação desde o inicio é calcado num relacionamento aberto, onde os dois decidem que cada um terá sua vontade, seus casos,etc, é até ridículo existir alguma reação mais exacerbada no sentido emocional.E muitas vezes nos surpreendemos numa relação assim, as pessoas mudam, tanto dum jeito como do outro.E acho que as reações não dependem muito de como foi a vida das pessoas em comum , se é um vínculo tradicional , romântico ou não.Porque tem mulheres e homens que sempre se consideraram inteiros e , de repente, numa ruptura desabam, caem em depressão ,sofrem, surtam.E muitos levam anos ou a vida toda tentando superar e cicatrizar a ferida.Se tratando de seres humanos, sempre temos que ter cuidado e respeito.Cada pessoa reage de forma diferente conforme sua cultura, sua sensibilidade , compreensão, maturidade,etc independente se é uma relação embasada no romantismo ou não.
Hoje, 31 de Dezembro, apesar desse trânsito FDP do Rio de Janeiro, em pleno dia do réveillon e, ainda com esse dilúvio, quando demorei mais de três horas para chegar em casa, esse tempo nos congestionamentos bem que valeram a pena… uma conversa interessante ocorreu com um amigo para quem eu estava dando uma carona. Ele tem 40 anos e é casado há 10. Apresentei-lhe o blog há mais de um mês e ele achou bastante interessante. Desde então, sempre que podemos, conversamos sobre alguns assuntos aqui abordados.
Em nossas conversas, percebe-se claramente o quanto preza sua família, além da verdadeira admiração que mantém pela esposa e pelos filhos. Sua esposa é bonita e possui excelentes emprego e salário.
Ontem, enquanto conversávamos, ele ligou para uma amiga com quem tem um caso com a intenção de lhe indicar o blog. Não é a primeira vez que faz isso. Creio que já o tenha sugerido para todas as mulheres com quem mantém ou teve algum tipo de relação extra-conjugal, além de, segundo ele, várias amigas. Porém, interessantemente, mas nada surpreendente, nunca o indicou para a esposa. Perguntei-lhe a razão e ele alegou que ela não possui maturidade para entendê-lo, pois a conhece muito bem e sabe que ela é conservadora, mas que, de fato, gostaria de poder conversar com a esposa sobre tais assuntos.
Enquanto juntos, ela ligou para o meu amigo e ele me passou o telefone para que eu a cumprimentasse, pois a conheço. Brinquei dizendo que só o devolveria amanhã, pois iria passar a virada do ano comigo e duas amigas. Ela disse que estava tranqüila, pois “conhecia muito bem o marido”.
Ele considera terreno infértil levantar questões que falem de liberdade e verdades ou quer apenas se poupar da ingrata surpresa de descobrir que a mãe dos seus filhos poderia adorar os assuntos de que aqui tratamos? Será que realmente ela é tão conservadora quanto ele alega ou suas atitudes conservadoras são apenas forma de se proteger, mantendo-se no pedestal de esposa decente? Ele a conhece tão bem assim? Ela, é claro, já sei que não conhece como o marido pensa. Nesse caso, não percebi vontade alguma da parte dele de se separar, mas se trata de mais um exemplo do mar de mentiras em que os casamentos estão mergulhados.
Imaginem se, por alguma razão, descobrir que ele mantém relações sexuais fora de casa. Provavelmente, em questões de segundos ele, de excelente marido, tornar-se-á um grande canalha. Possivelmente o casamento acabará e mágoa e ódio se instalarão na relação, por parte dela. Entre os dois, o sempre prometido e declarado sonho da fidelidade e do casamento eterno será desfeito e a amizade, de forma alguma permanecerá. Quem sabe o meu amigo não pudesse ter o mesmo fim que o tio de uma amiga, que foi assassinado com um tiro pela esposa de 33 anos, por causa de ciúme?
É interessante ressaltar que, mesmo diante da possibilidade de ela também ter relações extra-conjugais, tal fato, de forma alguma, diminuiria a intensidade do seu rancor. Hipocrisia em cena… mais uma vez o famoso “eu posso, ele(a) não”.
Não o considero, absolutamente, um canalha. Trata-se de apenas mais um mentiroso engendrado pela sociedade. Apesar da escolha, do livre-arbítrio, considero-o mais vítima do que agente, pois a nossa cultura lhe passou que, se desejar experimentar alguma liberdade, sendo casado, não há outra opção além de mentir.
Caso ele venha a se apaixonar por algum de seus casos e decida se separar, certamente comunicará a decisão à sua esposa depois que já tiver providenciado tudo que for necessário para deixar sua atual casa e se mudar imediatamente para a nova moradia, com a nova companheira. Para a esposa, o chão se abre. O sonho acabou.
Boa festa, hoje à noite, a todas vocês. Desejo-lhes um 2010 com muitas descobertas, saúde e paz com inquietações construtivas.
Paulinha, você e seu marido viveram, por vários anos , uma relação romântica. Creio que ambos, como também já fiz, mentiam, omitiam, escondiam-se atrás de discursos conservadores protetores da dignidade da imagem e não avançaram juntos nos quase estáticos autoconhecimentos. Quebrar isso de uma hora para outra não é nada fácil. O que posso lhe garantir é que ele está muito acima da média em termos de entendimento do que significa a palavra liberdade – e você sabe disso.
Possuímos a cultura da mentira. Desaprender a mentir é algo muito difícil para a grande maioria das pessoas. As verdades geram muitas incertezas e inseguranças, pois não somos acostumados com elas. Em seu lugar, se realmente o quer, eu, pacientemente, apostaria mais. Mas é claro que a decisão é sua.
Thaís, vou arriscar uma analogia entre o inexplicável término do seu relacionamento e a repentina morte de um parente muito querido ou grande/melhor amigo.
Somos educados para acreditar que o convívio amoroso com um parceiro escolhido, onde existem mútuas declarações de amor, será eterno. Criamos a expectativa do “para sempre” ou, melhor ainda e sem hipocrisia, “até quando EU quiser”. O que nos joga na lama não é exatamente ver o rompimento da relação. A tragédia está em ver o outro tomando a iniciativa de terminá-la. Ou seja, enquanto EU não mudar de idéia, quero que seja eterna.
Da mesma forma, criamos também a expectativa de que a morte de uma pessoa que muito amamos seja natural, na velhice; queremos que ele dure, ao nosso lado, o máximo que a longevidade permitir.
Quando o parceiro que dizemos amar nos deixa, repentinamente, após dias antes ter nos dito que nos ama, fazendo planos para o futuro, é como se o nosso melhor amigo tivesse morrido em um atropelamento com 30 anos de idade. Nos dois casos, ficamos sem chão, desnorteados. Porém, existe uma enorme diferença. No segundo caso, não tendo a quem culpar, dizemos que foi uma crueldade do destino afastar aquela pessoa tão jovem e amada de nós. No primeiro, houve uma real crueldade.
Imagine agora o seu ente querido em um leito de hospital, acometido de uma doença sem cura. Você ouve dos médicos que ele irá falecer em semanas, meses, etc. Você se prepara para a sua partida e doerá bem menos. Que tal termos a coragem de assumir, conversar, ficando bem claro para o casal, mesmo no ápice da paixão, que aquele amor pode morrer. Não que ele esteja doente, mas precisamos discutir o fato de todo amor ser portador de um vírus chamado “livre-arbitrianus libertus”, que pode ou não, aos poucos, espalhar-se pela alma, matando a vontade do convívio? Ou mesmo assumir que esse vírus já está se espalhando e que a morte do amor precisa ser esperada. Seria bem menos doloroso, não acham?
Acredito que, em muitos rompimentos de relacionamentos, a principal razão do mergulho na lama não esteja exatamente no término da relação. Acredito que esteja na covardia de não ser proporcionada ao outro a possibilidade de se preparar emocional e psicologicamente para a perda da pessoa ou, na maioria das vezes, de apenas de um sonho.
Lendo esse artigo e tantos outros já escritos, consigo, hoje, ter um entendimento melhorado sobre os términos de relacionamentos que já tive. Vou citar um, o mais importante e mais sofrido de todos.
Há cerca de quase dois anos, relacionei-me com M. Namorávamos e, dentro das possibilidades, nosso namoro era pouco convencional, já que as individualidades eram respeitadas. Víamo-nos com frequência, porém as convenções impostas pelo “namoro romântico” não eram cumpridas ao pé da letra: sem comemorações de meses ou anos de namoro, presentes obrigatórios em datas comemorativas, andar de mãos dadas pela rua, sábados sagrados, comparecimento a festas de família ou festas da empresa onde trabalhávamos, etc.
Não sou boa em guardar datas e, sinceramente, nunca fiz questão disso, porém, guardo com exatidão o dia que ele me pediu em casamento. Não pelo pedido de casamento em si, mas pelos fatos ocorridos depois.
Em primeiro de março de 2008 o pedido aconteceu. Era um sábado à noite, eu estava deitada no sofá da minha sala e, de uma forma nada romântica, ele me convidou para morarmos juntos.
Durante um mês procuramos um apartamento, fizemos planilha de gastos, comunicamos amigos e parentes, fizemos planos…aparentemente estávamos felizes e as palavras românticas efetivavam essa certeza: “te amo, você é a mulher/homem da minha vida”.Mais do que as palavras românticas, as atitudes pseudo-autênticas, também.
No dia 28 de março encontramos o apartamento que queríamos. Quatro dias depois ele desiste do casamento e termina a relação alegando falta de amor.
Vocês devem fazer ideia de como eu fiquei sem chão. Hoje tenho consciência que o “sem chão” não estava relacionado à perda do M., mas à falta de entendimento desse término. Como pode uma pessoa dizer que te ama no início do mês e desistir de tudo um mês depois?
Minhas reações foram as mais românticas possíveis. Culpei-me, considerei-me uma mulher desinteressante, cavei histórias antigas pra encontrar os MEUS erros, senti-me feia, burra, etc. Tive a sofrida sensação de rejeição.
Levei um susto. Comprei suas verdades e tornou-se impossível o entendimento do fim.
Hoje, conhecendo um pouco a filosofia do amor autêntico, concluo que Ele, há tempos, “maquinava”, de forma velada, esse término e cruelmente me vendia mentiras. De forma egoísta, guardou suas verdades e não compartilhou comigo para que eu, de forma processual, pudesse estar ciente de tudo que vinha acontecendo. Resultado: raiva e rancor. O que sobrou disso tudo foi NADA.
Ambos perdemos a possibilidade de ser amigos porque não fomos capazes de ser verdadeiros.
Olá meninas, fiquei um tempo sem comentar devido a turbilhões de situações e emoções que passei nas ultimas semanas. Devo admitir que fiquei bastante em dúvida se deveria dividir com vocês tudo o que tem acontecido comigo, mas no final das contas decidi fazê-lo, uma vez que a vida não e cor de rosa e meu “ululante” exemplo como dito pela Guta há alguns posts atrás, acabou que de ululante só restou meu amadurecimento com a história toda.
Enfim, vamos lá… Já faz algum tempo que percebo algo estranho ocorrendo, percebi a ausência cada vez mais marcante de meu marido, ele estava aqui ao meu lado dormindo na mesma cama, dividindo o mesmo teto, porém já não conversávamos como a principio, cada vez mais ele se utilizava do silêncio as minhas abordagens para uma conversa sincera. Sempre ouvia e concordava, mas não se colocava. Acabando por agir exatamente ao oposto do que havia concordado.
Percebendo isso e alterações sutis em seu comportamento diário, decidi dar corda. Fiz-me de idiota e apática. Desisti de conversar e tentar entender o que ocorria, optei por mim, finalmente me coloquei em primeiro lugar e fui viver minha vida, coloquei as palavras de lado e fui para a ação. Deixei-o ir até onde fosse necessário… E para minha, não tão grande surpresa, ele foi.
O ápice ocorreu alguns dias após o Natal, quando o peguei mentindo… Mentindo sobre algo explicitamente acordado que seria “aceito”. Não preciso dizer que perdi o chão… Ao abordá-lo dessa vez com provas físicas, finalmente consegui a conversa, que espero que tenha sido sincera, já não sei em que acreditar…
Afirmou que havia feito tudo aquilo, pois não suportou me ver sendo desejada, que nunca imaginou o quanto eu seria desejada. A principio optou pela competição para lidar com isso, mas depois, decidiu pela mentira, pelo “Eu posso, ela não.”. Falso libertário…
Não preciso dizer a todas vocês o quanto a verdade é importante para mim e o quanto a hipocrisia, a mentira, o fato dele não ter dividido suas inseguranças comigo, mesmo mantendo sempre uma postura aberta a tudo, simplesmente tudo, inclusive a retroceder, me machucou. Mal consigo chorar, a mágoa e a decepção pelo fato já há muito anunciado tomaram conta de mim.
Tenho pensado muito, e conversado com amigos queridos que estão ao meu lado. Percebi que ao iniciar meu processo de mudança e libertação, acabei carregando-o comigo, cuidando e afagando como se fosse meu filho. Não permiti que ele assumisse as conseqüências de seus atos, o protegia de tudo, logo para que responsabilidade e comprometimento?! Decidi agora deixar de carregá-lo, ele terá que optar e trilhar sozinho os seus passos.
Percebi que o sofrimento que tenho passado é devido à desilusão e nada a mais, mas mesmo assim entendo a importância de vivê-lo e utilizá-lo como uma catapulta para o meu amadurecimento. Deixei claro para ele que tentaria sim, porém pela primeira vez ele deixava definitivamente de ser minha prioridade, esta agora seria eu. Se em algum momento percebesse alteração da minha nova postura como mulher terminaria esse relacionamento. Expliquei minuciosamente o que eu sentia as minhas limitações e meus objetivos com a “abertura” do relacionamento e perguntei se ele realmente estava disposto a continuar, ele respondeu que sim.
Em alguns momentos acredito estar apenas adiando um fato já anunciado, em outros acredito que conseguiremos finalmente andar lado a lado e construir algo novo.
Já não sei realmente o que pensar sobre isso, então decidi aguardar e viver, viver para mim e tomar as decisões cabíveis somente no seu devido momento.